Aula 16 – A Carruagem (Arcano VII)

Por: Frater Goya (Anderson Rosa)

A Lâmina da Carruagem é atribuída à letra Chet, que soma 418. Sobre esse valor muito poderia ser falado, alguns dizendo que pode-se dedicar um volume exclusivamente à sua interpretação. Essa letra representa o estado de vida essencial, ou essência da vida. Essa letra manifesta a pulsação da vida, o ir e o retornar.

Justamente atribuída a essa carta, em cujas mãos o cavaleiro carrega o Santo Graal voltado para a frente, fazendo uma analogia com a Roda da Fortuna (Arcano X) e com a roda de Samsara, que o cavaleiro na carruagem precisa superar. Essa roda representa o mesmo ciclo indicado pela letra. E as semelhanças não param por aí, pois acima da cabeça do cavaleiro, está escrita sobre  a cobertura da carruagem Abrahadabra, cuja soma gemátrica também é 418, indicando a letra regente da carta.

O signo atribuído a ela é Câncer, o caranguejo, animal frágil que se oculta sob uma dura carapaça, exatamente como o cavaleiro abaixo dele. Esta carta representa um estado de instabilidade emocional que precisa ser vencido para que a carruagem possa seguir viagem.

Diante dela, quatro figuras kerúbicas aguardam as ordens do cavaleiro. Caso este não possua a firmeza necessária para conduzir esses animais representantes do inconsciente, estes irão espalhar-se destroçando imediatamente a carruagem e seu ocupante. Logo, é necessário saber conduzir para conduzir. Mas conforme diz Jung: “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”. Ou seja – é necessário voltar-se para si mesmo e despertar, para que os animais e a carruagem sejam postos em movimento.

Os quatro pilares presentes representam as quatro direções do espaço, e os quatro filhos de Hórus, que sustentam a criação. A cor da cobertura indica a proximidade de Binah, que fica exatamente no caminho onde se encontra a carta, entre Binah e Geburah. Essa posição ainda traz alguma luz sobre a natureza guerreira do cavaleiro.

Na armadura estão crivadas as 10 estrelas de Assiah, herança recebida pela Mãe em Binah. Conforme vimos anteriormente, é uma das quatro cartas que compõe o Jardim do Éden, representando a Água.

Esta carta possui uma tônica emocional impressionante, demonstrando em si toda a força necessária para superar a si mesmo. Embora esta força esteja presente pela própria presença do cálice girante, a figura parece ignorar totalmente seu simbolismo, pois deixa o cálice voltar-se para fora, enquanto deveria se voltar para dentro.

Da mesma forma, muitas vezes deixamos a oportunidade passar diante de nossos olhos sendo incapazes de perceber seus desdobramentos.

Muitos usarão a viseira do cavaleiro como tapa-olhos para evitar ver a realidade que se desdobra diante de si. Mais que tapar os olhos, essa viseira cega também o coração. E este, sendo um símbolo solar, teme as trevas espirituais nas quais está submerso.

Continua na próxima aula…

Em L.L.L.L.,
Fr. Goya

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