RITOS CORPORAIS ENTRE OS NACIREMA
Horace Miner
In: A.K. Rooney e P.L. de Vore (orgs)
YOU AND THE OTHERS - Readings in Introductory Anthropology
(Cambridge, Erlich)
1976
O antropólogo está tão familiarizado com a diversidade das formas de comportamento que diferentes povos apresentam em situações semelhantes, que é incapaz de surpreender-se mesmo em face dos costumes mais exóticos. De fato, se nem todas as as combinações logicamente possíveis de comportamento foram ainda descobertas, o antropólogo bem pode conjeturar que elas devam existir em alguma tribo ainda não descrita.
Deste ponto de vista, as crenças e práticas mágicas dos Nacirema apresentam aspectos tão inusitados que parece apropriado descrevê-los como exemplo dos extremos a que pode chegar o comportamento humano. Foi o Professor Linton, em 1936, o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para os rituais dos Nacirema, mas a cultura desse povo permanece insuficientemente compreendida ainda hoje.
Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá, os Yaqui e os Tarahumare do México, e os Carib e Arawak das Antilhas. Pouco se sabe sobre sua origem, embora a tradição relate que vieram do leste. Conforme a mitologia dos Nacirema, um herói cultural, Notgnihsaw, deu origem à sua nação; ele é, por outro lado, conhecido por duas façanhas de força: ter atirado um colar de conchas, usado pelos Nacirema como dinheiro, através do rio Po- To- Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residiria o Espírito da Verdade.
A cultura Nacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que evolui em um rico habitat. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas, uma grande parte dos frutos deste trabalho e uma considerável porção do dia são dispensados em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano, cuja aparência e saúde surgem como o interesse dominante no ethos deste povo. Embora tal tipo de interesse não seja, por certo, raro, seus aspectos cerimoniais e a filosofia a eles associadas são singulares.
A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual e do cerimonial. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas e, de fato, a alusão à opulência de uma casa, muito freqüentemente, é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. Muitas casas são construções de madeira, toscamente pintadas, mas as câmeras de culto das mais ricas têm paredes de pedra. As famílias mais pobres imitam as ricas, aplicando placas de cerâmica às paredes de seu santuário.
Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários, os rituais a eles associados não são cerimônias familiares, mas sim cerimônias privadas e secretas. Os ritos, normalmente, são discutidos apenas com as crianças e, neste caso, somente durante o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. Eu pude, contudo, estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais.
O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Tais preparados são conseguidos através de uma serie de profissionais especializados, os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros, cujo auxilio deve ser recompensado com dádivas substanciais. Contudo, os médicos-feiticeiros não fornecem a seus clientes as poções de cura; somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta. Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários, os quais, em troca de outra dadiva, providenciam o encantamento necessário. Os Nacirema não se desfazem do encantamento após seu uso, mas os colocam na caixa-de-encantamento do santuário doméstico. Como tais substâncias mágicas são especificas para certas doenças e as doenças do povo, reais ou imaginárias, são muitas, a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto, só podemos concluir que aquilo que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos, em frente à qual são efetuados os ritos corporais, irá, de alguma forma, proteger o adorador.
Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. Todos os dias cada membro da família, um após o outro, entra no santuário, inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos, mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. As águas sagradas vêm do Templo da Água da comunidade, onde os sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro.
Na hierarquia dos mágicos profissionais, logo abaixo dos médicos-feiticeiros no que diz respeito ao prestígio, estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por “sagrados-homens-da-boca”. Os Nacirema têm um horror quase que patológico, e ao mesmo tempo fascinação, pela cavidade bucal, cujo estado acreditam ter uma influência sobre todas as relações sociais. Acreditam que, se não fosse pelos rituais bucais seus dentes cairiam, seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: Existe, por exemplo, uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral.
O ritual do corpo executado diariamente por cada Nacirema inclui um rito bucal. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal, este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado, que só pode considerá-lo revoltante. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca juntamente com certos pós mágicos, e em movimentá-lo então numa série de gestos altamente formalizados. Além do ritual bucal privado, as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos, consistindo de brocas, furadores, sondas e aguilhões. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve, para o cliente, uma tortura ritual quase inacreditável. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e, usando os instrumentos acima citados, alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes. Nestas cavidades são colocadas substâncias mágicas. Caso não existam cavidades naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais dentes são extirpadas para que a substância natural possa ser aplicada. Do ponto de vista do cliente, o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdote-da-boca ano após ano, não obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar.
Esperemos que quando for realizado um estudo completo dos Nacirema haja um inquérito cuidadoso sobre a estrutura da personalidade destas pessoas, Basta observar o fulgor nos olhos de um sacerdote-da- boca, quando ele enfia um furador num nervo exposto, para se suspeitar que este rito envolve certa dose de sadismo. Se isto puder ser provado, teremos um modelo muito interessante, pois a maioria da população demonstra tendências masoquistas bem definidas.
Foi a estas tendências que o Prof. Linton (1936) se referiu na discussão de uma parte específica dos ritos corporal que é desempenhada apenas por homens. Esta parte do rito envolve raspar e lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. Ritos especificamente femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar, mas o que lhes falta em freqüência é compensado em barbaridade. Como parte desta cerimônia, as mulheres usam colocar suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora. O aspecto teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos.
Os médicos-feiticeiros têm um templo imponente, ou latipsoh, em cada comunidade de certo porte. As cerimônias mais elaboradas, necessárias para tratar de pacientes muito doentes, só podem ser executadas neste templo. Estas cerimônias envolvem não apenas o taumaturgo, mas um grupo permanente de vestais que, com roupas e toucados específicos, movimentam-se serenamente pelas câmaras do templo.
As cerimonias latipsoh são tão cruéis que é de surpreender que uma boa proporção de nativos realmente doentes que entram no templo se recuperem. Sabe-se que as crianças pequenas, cuja doutrinação ainda é incompleta, resistem às tentativas de levá-las ao templo, porque “é lá que se vai para morrer”. Apesar disto, adultos doentes não apenas querem mas anseiam por sofrer os prolongados rituais de purificação, quando possuem recursos para tanto. Não importa quão doente esteja o suplicante ou quão grave seja a emergência, os guardiões de muitos templos não admitirão um cliente se ele não puder dar uma dádiva valiosa para a administração. Mesmo depois de ter-se conseguido a admissão, e sobrevivido às cerimônias, os guardiães não permitirão ao neófito abandonar o local se ele não fizer outra doação.
O suplicante que entra no templo é primeiramente despido de todas as suas roupas. Na vida cotidiana o Nacirema evita a exposição de seu corpo e de suas funções naturais. As atividades excretoras e o banho, enquanto parte dos ritos corporais, são realizados apenas no segredo do santuário doméstico. Da perda súbita do segredo do corpo quando da entrada no latipsoh, podem resultar traumas psicológicos. Um homem, cuja própria esposa nunca o viu em um ato excretor, acha-se subitamente nu e auxiliado por uma vestal, enquanto executa suas funções naturais num recipiente sagrado. Este tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excreta são usados por um adivinho para averiguar o curso e a natureza da enfermidade do cliente. Clientes do sexo feminino, por sua vez, têm seus corpos nus submetidos ao escrutínio, manipulação e aguilhadas dos médicos-feiticeiros.
Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bons para fazer qualquer coisa além de jazer em duros leitos. As cerimônias diárias, como os ritos do sacerdote-da-boca, envolvem desconforto e tortura. Com precisão ritual as vestais despertam seus miseráveis fardos a cada madrugada e os rolam em seus leitos de dor enquanto executam abluções, com os movimentos formais nos quais estas virgens são altamente treinadas. Em outras horas, elas inserem bastões mágicos na boca do suplicante ou o forçam a engolir substâncias que se supõe serem curativas.
De tempos em tempos o médico-feiticeiro vem ver seus clientes e espeta agulhas magicamente tratadas em sua carne. O fato de que estas cerimônias do templo possam não curar, e possam mesmo matar o neófito, não diminui de modo algum a fé das pessoas no médico feiticeiro.
Resta ainda um outro tipo de profissional, conhecido como um “ouvinte”. Este “doutor-bruxo” tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas enfeitiçadas. Os Nacirema acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos; particularmente, teme-se que as mães lancem uma maldição sobre as crianças enquanto lhes ensinam os ritos corporais secretos. A contra-magia do doutor bruxo é inusitada por sua carência de ritual. O paciente simplesmente conta ao “ouvinte” todos os seus problemas e temores, principalmente pelas dificuldades iniciais que consegue rememorar. A memória demonstrada pelos Nacirema nestas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. Não é incomum um paciente deplorar a rejeição que sentiu, quando bebê, ao ser desmamado, e uns poucos indivíduos reportam a origem de seus problemas aos feitos traumáticos de seu próprio nascimento.
Como conclusão, deve-se fazer referência a certas práticas que têm suas bases na estética nativa, mas que decorrem da aversão profunda ao corpo natural e suas funções. Existem jejuns rituais para tornar magras pessoas gordas, e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres que os têm pequenos e torná-los menores quando são grandes. A insatisfação geral com o tamanho do seio é simbolizada no fato de a forma ideal estar virtualmente além da escala de variação humana. Umas poucas mulheres, dotadas de um desenvolvimento hipermamário quase inumano, são tão idolatradas que podem levar uma boa vida simplesmente indo de cidade em cidade e permitindo aos embasbacados nativos, em troca de uma taxa, contemplarem-nos.
Já fizemos referência ao fato de que as funções excretoras são ritualizadas, rotinizadas e relegadas ao segredo. As funções naturais de reprodução são, da mesma forma, distorcidas. O intercurso sexual é tabu enquanto assunto, e é programado enquanto ato. São feitos esforços para evitar a gravidez, pelo uso de substâncias mágicas ou pela limitação do intercurso sexual a certas fases da lua. A concepção é na realidade, pouco freqüente. Quando grávidas as mulheres vestem-se de modo a esconder o estado. O parto tem lugar em segredo, sem amigos ou parentes para ajudar, e a maioria das mulheres não amamenta seus rebentos.
Nossa análise da vida ritual dos Nacirema certamente demonstrou ser este povo dominado pela crença na magia. É difícil compreender como tal povo conseguiu sobreviver por tão longo tempo sob a carga que impôs sobre si mesmo. Mas até costumes tão exóticos quanto estes aqui descritos ganham seu real significado quando são encarados sob o ângulo relevado por Malinowski, quando escreveu:
“Olhando de longe e de cima de nossos altos postos de segurança na civilização desenvolvida, é fácil perceber toda a crueza e irrelevância da magia. Mas sem seu poder de orientação, o homem primitivo não poderia ter dominado, como o fêz, suas dificuldades práticas, nem poderia ter avançado aos estágios mais altos da civilização”
(nota: para quem não percebeu, Nacirema é American, de trás para a frente - R.A.)
Published by goya on June 29th, 2010 Tagged | Comments OffO Vazio
Por Anderson Rosa
Chega uma hora que a vida passa.
Você vem, olha pra um lado,
Olha pro outro, e então atravessa.
E é nesse exato momento
que numa curva qualquer
você cai fora de si mesmo -
E sem perceber, você se perde.
Tenho saudade desse meu eu,
Que ficou ali caído, amontoado
Mas não sei que tipo de saudade sinto,
Porque é daquelas coisas
Que ficaram perdidas no tempo
e que um belo dia você lembra,
Não tem certeza do momento exato
Em que aquilo ficou para trás
Não se lembra mais como era
Mas ainda assim, aquilo parecia ser bom.
Daí você faz uma volta
E refaz todo o caminho
Na esperança de se ver, de se encontrar
Pedindo carona para si mesmo - e quando acha
Você se lembra de todos os conselhos -
E passa direto, porque não fala com estranhos.
E é assim, que quanto mais você anda,
Mais coisas caem, mais coisas ficam para trás.
E quando você finalmente pára,
O único sentimento que tem é -
O Vazio…
Published by goya on September 15th, 2009 Tagged Diários | Comments OffPalanque no Banhado
Por algum tempo vivi em paz. Mas sempre alguma coisa abala o sentimento extático que a paz é capaz de trazer ao espírito humano. No tarot, a carta denominada “Paz”, é representada por duas espadas cruzadas presas pelo centro por uma rosa. O que isso quer dizer? Que na verdade a paz é um estado impermanente, cujo menor movimento, mesmo o melhor intencionado pode romper e trazer novamente a guerra.
Recentemente, coloquei uma frase no meu programa de mensagens instantâneas na internet (uso mais de um, por isso não dou o nome de nenhum) que dizia: “Tem gente q disse ter visto o SAG, mas a meu ver, só achou um amiguinho invisível. E isso só é bom até 6 anos!”. - A mensagem tinha como objetivo específico incomodar algumas pessoas. Por que eu desejaria incomodar alguém? Justamente porque no meio mágico/esotérico/ocultista, todo mundo vê tudo, sente tudo, prevê tudo. Menos a sua própria queda, menos a sua própria vergonha. E curiosamente, para meu espanto, as pessoas que se sentiram mais incomodadas, não eram aquelas a quem eu havia direcionado a frase originalmente. Mas além disso, o que mais me espantou, é que muitas pessoas tem na cabeça uma confusão enorme de influências místico/mágicas e isso nos alerta que o caminho esotérico ocidental não mais existe. Isso já foi alertado por vários autores, valendo a citação de René Guénon, que justamente abismado pela falta de tradição nos movimentos esotéricos da sua época, começa a escrever sobre a natureza do que seria a Tradição Ocidental. É claro que esse é apenas um aspecto da obra guenoniana, mas sem sombra de dúvida, a força motivadora, foi a ignorância alheia.
Gostaria de emprestar da maçonaria um conceito muito importante em termos de tradição que é o Landmark. O que é um Landmark? Empresto algumas definições da Wikipédia. No verbete podemos encontrar:
“Os landmarks da Maçonaria são um conjunto de princípios que não podem ser alterados para que se mantenha a unidade maçônica mundial e prevêem a obrigatoriedade dos maçons serem filados à lojas, da crença em um ser superior (O Grande Arquiteto do Universo), da obrigatoriedade de trabalhar-se em 3 graus simbólicos, entre outros.
O último landmark sempre prega que nada poderá ser mudado, de todos os landmarks. NOLUMUS LEGES MUTARI
Há inúmeras discussões de que os landmarks devem evoluir, mas são cláusulas pétreas, são os limites da maçonaria e portanto não são passíveis de discussão.
Alterá-los significaria romper a sintonia maçônica mundial.
Origens
Segundo Percy Jantz, o termo maçônico Landmark tem origem bíblica. O termo pode ser encontrado no livro dos Provérbios 22:28: “Remove not the ancient landmark which thy fathers have set.” para destacar como os limites da terra foram marcados por meio das colunas de pedra. Cita mais uma lei Judaica: “Não remova os marcos (landmarks) vizinhos, eles tem sido usado desde os tempos antigos para definir as heranças.” para destacar como os marcos designam os limites da herança. [1] Mark Tabbert acredita que as regras e regulamentações atuais regidas pelos landmarks são derivadas das regras medievais dos stonemasons.[2]“
- Fonte: Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Artigo: Landmarks
Essa citação nos leva novamente à motivação desse texto. O que Landmarks, Sagrado Anjo Guardião e Tradição têm em comum?
Para responder isso, é preciso compreender que em magia, ou melhor, na prática mágica, não existem atalhos, não existem achômetros (acho que, talvez, pode ser…), não existe permissividade (Sim/Não, Certo/Errado, Funciona/Não Funciona, e assim por diante.). Ou seja: a magia é binária ou ainda, maniqueísta. Mas longe de ser purista, radical, ou qualquer outra denominação que possamos dar, e rotular, essa chamada limitação, tem uma função muito importante que é a de manter, conservar e transmitir o que chamamos de Tradição. Entendendo-se a noção de tradição, como aquilo que é transmitido, aquilo que é herdado, tal qual a palavra qblh no hebraico, que quer dizer: aquilo que foi recebido.
É claro que podemos expandir o conceito de tradição em muitas direções, mas no caso, a definição dada será suficiente.
Quando falamos em evolução espiritual, treinamento espiritual, ou seja o nome que for dado a esse desenvolvimento, estamos falando diretamente da Tradição, e Tradição significa entre outras coisas, postulado, regras, bases imóveis por milênios.
Diversas vezes fui abordado em listas, chats, comunidades, programas de mensagens instantâneas, pessoalmente e por telefone sobre o que vinha a ser alcançar o conhecimento e a conversação com o Sagrado Anjo Guardião. Nessas ocasiões, me chamou a atenção justamente o desconhecimento do que seria a natureza do mesmo. E justamente pela pluralidade dessas tentativas de enquadrar o Anjo Guardião numa classe de seres, pude também perceber o despreparo dos chamados Tutores, Mestres e Professores de ocultismo, o que revela que na verdade, essas pessoas desconhecem totalmente o significado da operação de Abramelin e de suas regras fixas. Não pretendo me alongar sobre isso, uma vez que o assunto já foi extensamente tratado noutras ocasiões.
Para quem perdeu, seguem os links abaixo de cada matéria em que trabalhei o assunto, seja por textos meus, seja por traduções de trabalho de outros.
Codex 01 O CIH não é uma Religião - sobre Tradição e suas implicações. Para Download.
Em Busca do Sagrado Anjo Guardião - SAG - Texto de Frater Goya sobre a experiência do SAG
Explorando a Magia Sagrada de Abramelin, o Mago - Texto de Aaron Leitch traduzido sobre o Ritual de Abramelin
O Sagrado Anjo Guardião não é o “Eu Superior” - Texto de Aleister Crowley, traduzido sobre o significado do SAG
A Língua dos Anjos - Transcrição de um diário da época da realização da Operação do Ritual de Abramelin
Ao se tratar o assunto com leviandade e permissividade, o que é feito na realidade, é desviar do reto caminhar, é colocar no mesmo patamar o sábio e o néscio, o mago e o mágico, o iluminado e o charlatão.
Não se trata aqui de desvalorizar as experiências de um jardineiro que com sua arte obteve a iluminação, ou do monge que com suas práticas também chegou lá. Mas sim de combater a contra-iniciação, com a iniciação de fato ou verdadeira.
Quando alguém seja por eleição, ou auto-imposição assume o lugar de mestre, torna-se necessário uma profunda mudança no seu ser. Pois um cego não pode guiar outro, e como dizem os alquimistas, é preciso ter ouro para produzir ouro. Ser um mestre, é ser alguém que deveria levar seus tutoriados à iluminação, e não às trevas. Tratei desse item extensamente numa das partes do codex 06 - Como se Estuda Magia (clique para fazer o download). Um mestre de verdade preocupa-se com seu discipulado e principalmente, evitará ao extremo conduzí-los por caminhos de ignorância onde ele mesmo desconhece o final.
Não se pode conduzir uma pessoa em direção à Verdade, dizendo-lhe uma mentira. Portanto é mister que a pessoa pare antes de mais nada de mentir a si mesma. Essa foi a primeira constatação que tive ao realizar o Ritual da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago. Logo no primeiro dia, ao ficar na varanda cuidadosamente preparada para a operação, me deparei com uma série de questões que quase me levaram a cancelar tudo.
Ou melhor, tive de respondê-las satisfatoriamente a mim mesmo, antes de optar por continuar o ritual de 6 meses (na verdade, 6 luas).
- O que eu esperava encontrar?
- Era para minha glória ou para a Glória D´Aquele a quem nada, a não ser o silêncio pode expressar?
- Fazia isso para dizer aos outros que fiz, ou era livre da ânsia de resultados e portanto parte da minha Verdadeira Vontade?
Só poderia seguir adiante se antes de mais nada, parasse de mentir a mim mesmo, e depois de mentir aos outros.
Talvez alguns achem isso óbvio demais, ou simples demais. Porém, quando chegamos à certas encruzilhadas na vida, ou somos capazes de subjugar essas questões sinceramente, ou somos devorados por elas, tal como um Édipo falido diante da enigmática Esfinge. As questões podem variar (as minhas eram diferente do enigma de Édipo ou da pergunta que Parsifal deveria fazer ao Rei Pescador), mas as respostas tem em si a mesma natureza. A retidão do caminhar pelo caminho da Tradição. E só podemos nos sentar no Lugar Sagrado, se os passos que nos conduziram até ali foram firmes e não vascilantes.
Vivemos num mundo do descartável, do passageiro, da permissividade, da superficialidade que se antepõe à dedicação, à Eternidade, e principalmente, à Verdade. Não quero que fique aqui uma imagem de pseudo santidade, mas sim uma imagem de dedicação. Um magista jamais dobra os joelhos diante de nada, a não ser que encontre alguém ou alguma coisa que seja maior que ele. E essa coisa pode ser definida pela expressão “Aquele a quem nada, a não ser o silêncio pode expressar”, de quem o SAG nada mais é do que a Manifestação e a Voz Verdadeira. Se no momento crucial do encontro do Magista com o SAG, houver o menor resquício de Trevas (representadas pela mentira, dissimulação, preguiça, procrastinação, e uma infindável lista de demônios interiores), o contato é rompido uma única e derradeira vez. Não deve-se pensar no entanto, que o sucesso desta operação é vetado às pessoas de nível mediano, ou mesmo aos simples de coração. De fato, somente esses é que serão capazes de alcançá-la.
Pois quanto mais nos dedicamos a ser aquilo que não somos verdadeiramente, mais longínquo e remoto se torna o contato. Aos jogadores, sou obrigado a revelar que Aquele, a quem nada a não ser o silêncio pode expressar, não joga com a vida. Ou é, ou não é. Diante dele não podemos viver a fantasia que erguemos para que o mundo nos conheça.
Diante D´Ele estamos nus e somente assim nos apresentamos. Somente pela retidão alcançaremos o final da Escada de Jacó. Pela dedicação jantaremos na mesa do Rei Pescador. Pela pureza estaremos limpos o suficiente para nos aprensentarmos nús e sem vergonha da Sagrada Presença.
Qualquer desvio das regras estabelecidas pela Tradição Primária, só nos levará ao Abismo do Desespero, à dissolução da Alma no Duat, com uma bússola que norteia em direção que ao invés de nos aproximar orientando, nos afasta da Cidade das Pirâmides.
O que havia para ser dito, foi declarado. Quem tiver olhos de ver, e ouvidos de ouvir, que veja e que ouça.
Em L.L.L.L.,
Fr. Goya - Anderson Rosa
Ank - Usa - Semb
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A Verdade
A Verdade
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por: Frater Goya (Anderson Rosa)
An iv15 Sol 7° Leo, Luna 18° Aquarius Dies Lunae
Curitiba, segunda-feira, 30 de julho de 2007 e.v. 16:28
Há algum tempo escrevi sobre uma revelação que tive num contato com anjos enochianos. A natureza dessa revelação, era como na citação acima, ‘dolorosa’. É muito complicado buscar uma verdade, pois na maioria das vezes não queremos ‘A’ verdade, mas apenas uma verdade confortável, que nos permita ficar no mesmo lugar de sempre, acreditando que sempre estivemos certos, enquanto o resto do mundo caminhava na direção errada.
Muitas pessoas vem a mim esperando uma salvação, um porto seguro, uma mão que afaga. Mas no entanto, o que alguns encontram é a perdição, a incerteza do mar em fúria, uma mão que castiga. Em algum lugar no meio do caminho, e não no caminho do meio é que vive a verdade. Poucos a encontram não por ser difícil, mas por não saberem o que procuram na verdade, além de si mesmos.
Devo dar a quem nem mesmo conheço um caminho, uma luz? Por que não devo dar-lhes a encruzilhada, a escuridão? Aqueles que acham que toda luz é benéfica, só posso dizer que o branco pode ser tingido. A pureza maculada, e ainda assim, a verdade mantida.
Mas que verdade é essa afinal? Que atinge, fere, tonteia?
É o cântico dos cânticos. É o suave repousar nas emanações d’Aquele a quem nada, a não ser o silêncio, pode expressar. A única bússola que pode orientar na direção correta dessa verdade, é o coração. Mas não qualquer coração!!! Apenas o coração do justo e do perfeito é que encontrará ali o mapa verdadeiro, em que o sinal marca o lugar. Aquele que se sentar no lugar perigoso sem estar devidamente preparado, só encontrará ali desespêro e loucura.
Há vezes em que estar cego é muito mais confortável do que ver.
Na busca pela verdade, é preciso estar disposto a pagar o preço. Ah, você está disposto? Com que facilidade você se compromete pensando isso… Será que a busca deveria ser tratada com tanta leviandade? Deveria ser dada a tal criatura que se move por mero impulso do momento um segredo tão grande que poderia rasgar a sua alma?
Creio que não.
Talvez seja interessante comentar que na ocasião em que homens e mulheres eram unidos num só corpo, o simples ouvir de raspão essa verdade, fez com que esse corpo se dividisse e o ser humano dali para frente sofresse o tempo todo pelo anseio da unidade perdida. Se a humanidade ainda hoje paga tal displicência, quem você acha que é para sequer imaginar poder pagar o preço d´A Verdade? Você que só mente para si mesmo, acha que poderia merecê-la?
Antes de buscar ‘A’ Verdade, descubra aquilo que é verdadeiro para si mesmo. Talvez se surpreenda que a maior parte daquilo que acredita ser verdadeiro, de fato seja apenas herança ou um ‘alguém me disse uma vez’… Olhe para si mesmo e verá que é muito mais outros, do que você mesmo. Limpe toda a imundície que lhe fizeram acreditar o tempo todo como verdade absoluta, e verá que muito pouco restará.
Pense sobre isso. Medite.
Quem sabe o que restar, por mínimo que seja, seja um vislumbre d´A Verdade…
Outros textos correlatos:
29 de janeiro de 2004
Vozes e Profecias
Explicação sobre o Ego, o Eu e o Self
Sozinho
Curitiba, quarta-feira,
11 de julho de 2007 11:40
An iv15 Sol 19º Cancer,
Luna 19° Gemini Dies Mercurii
Hoje estou um tanto estranho. Desde a noite passada não dormi muito. Foram apenas 3 horas de repouso entrecortadas por períodos de semi-consciência. Fiquei a manhã inteira meio distante, como se estivesse num estado de leve embriaguez.
Não era sintoma do cansaço, era outra coisa. Fiquei muito distante, num estado alterado de consciência. Cheguei até a ficar meio receoso de que alguém achasse que eu estava meio estranho…
Quando me sinto desse jeito, odeio ter muito contato com as pessoas, me sinto invadido por palavras, olhares, toques… É um momento que quero apenas estar só. Ficar só. Quieto. É como se a floresta tropical fosse castigada por tempestades imensas e de uma hora pra outra a tempestade simplesmente parasse.
É exatamente a mesma sensação, de voltar à normalidade aos poucos, restabelecendo o seu ser. Talvez alguém possa dizer que essa descrição é muito parecida com a de usuários de drogas. Mas afirmo categoricamente que não é o caso. Não costumo usar qualquer substância que me tire do meu prumo pessoal. Qualquer coisa que possa arriscar meu auto-controle.
Um pouco antes do meio dia, desci para o refeitório para ver se o almoço estava pronto. Essa semana estão acontecendo os Jogos Escolares, e o Colégio está fervendo de pessoas por todos os lados. E eu, tentando me isolar de tudo e de todos… Péssima idéia. Pensei em voltar para a sala, mas olhando para a escada, percebi que tentar subir era como nadar contra a corrente humana de pessoas que pareciam se derramar pelas escadas para poderem entrar na fila. Percebi que era mais interessante permanecer na fila tentando ficar invisível.
Me concentrei na polegada maravilhosa, e voltei meus olhos para essa posição. Mesmo de olhos serrados percebia toda a movimentação ao redor. Me foquei na respiração, mantendo-a baixa, quase inexistente… 4×4, 6×6, 10×10, indo até 17×17. A fila permanecia parada para a entrada, mas as pessoas iam passando de um lado e de outro, em direção ao final dela. Foi então que comecei a perceber outra coisa: Eu estava com uma blusa de lã, pois o dia estava um tanto frio, e dentro do Colégio é ainda mais frio. Cada pessoa que passava ao meu lado, ou se aproximava num raio de 40 cm aproximadamente, era percebida pelo meu corpo, que percebia o calor individual de cada pessoa, mesmo que viessem em dois ou trás de cada vez. Percebia cada corpo por sua temperatura particular. E percebi que sentia também das pessoas atrás ou adiante da minha posição.
Demorei um pouco percebendo se não era apenas imaginação ou sensação térmica normal que nunca havia prestado atenção. Depois de um tempo pensando, cheguei à conclusão de que nunca havia percebido isso antes, e que se fosse uma sensação comum, eu já teria observado ela há muito tempo.
Fiquei alguns minutos assim, enquanto a fila andava, percebendo cada sensação dessas.
De repente, comecei a perceber que além do calor, eu também era capaz de identificar cada respiração separadamente. Sentia o ritmo, a profundidade, se era lenta ou rápida. Percebia se era grossa, fina, gorgolejante, áspera e quente ou fria.
Aumentei minha percepção, e ouvi os corações batendo. Aumentei mais minha concentração e alguns pensamentos se fizeram transparentes pra mim. Tudo parecia se mover extremamente lento, slow motion, quase quadro-a-quadro. Eu também me movia assim. Não que não pudesse me mover mais rápido, mas no momento, queria observar tudo calmamente, então me movi também quadro-a-quadro, acompanhando a cena.
Abri meus olhos, e só via pessoas com órbitas escuras, bocas salivantes, com as línguas pendentes, como cães sedentos por um pouco de vida. Todos tinham um ar mortiço e desesperançado, numa alegria sufocante e absurda, como um boi que espera o momento do abate como se fosse libertação do espírito. Mas era apenas a fila da comida. Perdi completamente o apetite, e só me restou a opção de pegar uma laranja para o lanche mais tarde, e subir as escadas para conquistar uma solidão por pelo menos uma hora, distante do bizarro mundo das pessoas sedentas de vida.
Published by goya on July 11th, 2007 Tagged Diários | 1 Comment »A Rosa de Paracelso
Resolvi postar um texto que foi enviado internamente pela lista do CIH, e cujo profundo significado deve calar em nossos espíritos. Como considero esse material referência para exemplificar certos ensinamentos, apesar de ser uma citação, merece figurar entre o material deste blog, na categoria de instruções.
Em L.L.L.L.,
Fr. Goya
Ank - Usa - Semb
Por: Jorge Luis Borges
De Quincey: Writings, XIII, 345
Em sua oficina, que abarcava os dois cômodos do porão, Paracelso pediu a seu
Deus, a seu indeterminado Deus, a qualquer Deus, que lhe enviasse um discípulo.
Entardecia. O escasso fogo da lareira arrojava sombras irregulares. Levantar-se
para acender a lâmpada de ferro era demasiado trabalho. Paracelso, distraído
pela fadiga, esqueceu-se de sua prece. A noite havia apagado os empoeirados
alambiques e o atanor quando bateram à porta. O homem, sonolento, levantou-se,
subiu a breve escada de caracol e abriu uma das portadas. Entrou um
desconhecido. Também estava muito cansado. Paracelso lhe indicou um banco; o
outro sentou-se e esperou. Durante um tempo não trocaram uma palavra.
O mestre foi o primeiro que falou:
- Lembro-me de caras do Ocidente e de caras do Oriente - falou, não sem certa
pompa - Não me lembro da tua. Quem és e que desejas de mim?
- O meu nome não importa - replicou o outro - Três dias e três noites tenho
caminhado para entrar em tua casa. Quero ser teu discípulo. Trago-te todos os
meus bens - e tirou um taleigo que colocou sobre a mesa. As moedas eram muitas e
de ouro.
Fê-lo com a mão direita. Paracelso lhe havia dado as costas para acender a
lâmpada. Quando se voltou, viu que na mão esquerda ele segurava uma rosa, que o
inquietou. Recostou-se, juntou as pontas dos dedos e falou:
- Acreditas que sou capaz de elaborar a pedra que transforma todos os elementos
em ouro e ofereces-me ouro. Não é ouro o que procuro, e se o ouro te importa,
não serás meu discípulo.
- O ouro não me importa - respondeu o outro. - Essas moedas não são mais do que
uma parte da minha vontade de trabalho. Quero que me ensines a Arte; quero
percorrer a teu lado o caminho que conduz à Pedra.
Paracelso falou devagar:
- O caminho é a Pedra. O ponto de partida é a Pedra. Se não entendes estas
palavras, nada entendes ainda. Cada passo que deres é a meta.
O outro o olhou com receio. Falou com voz diferente:
- Mas, há uma meta?
Paracelso riu-se.
- Os meus difamadores, que não são menos numerosos que estúpidos, dizem que não,
e me chamam de impostor. Não lhes dou razão, mas não é impossível que seja uma
ilusão. Sei que há um Caminho.
- Estou pronto a percorrê-lo contigo, ainda que devamos caminhar muitos anos.
Deixa-me cruzar o deserto. Deixa-me divisar, ao menos de longe, a terra
prometida, ainda que os astros não me deixem pisá-la. Mas quero uma prova antes
de empreender o caminho.
- Quando? - falou com inquietude Paracelso.
- Agora mesmo - respondeu com brusca decisão o discípulo.
Haviam começado a conversa em latim; agora falavam em alemão. O garoto elevou no
ar a rosa.
- É verdade - falou - que podes queimar uma rosa e fazê-la ressurgir das cinzas,
por obra da tua Arte. Deixa-me ser testemunha desse prodígio. Isso te peço, e te
dedicarei, depois, a minha vida inteira.
- És muito crédulo - disse o mestre - Não és o menestrel da credulidade. Exijo a
Fé!
O outro insistiu.
- Precisamente por não ser crédulo, quero ver com os meus olhos a aniquilação e
a ressurreição da rosa.
Paracelso a havia tomado e ao falar, brincava com ela.
- És um crédulo - disse. - Perguntas-me se sou capaz de destruí-la?
- Ninguém é incapaz de destruí-la - falou o discípulo.
- Estás equivocado. Acreditas, porventura, que algo pode ser devolvido ao nada?
Acreditas que o primeiro Adão no Paraíso pode haver destruído uma só flor ou uma
só palha de erva?
- Não estamos no ParaÃso - respondeu teimosamente o moço - Aqui, abaixo da lua,
tudo é mortal.
Paracelso se havia posto em pé.
- Em que outro lugar estamos? Acreditas que a divindade pode criar um lugar que
não seja o Paraíso? Acreditas que a Queda seja outra coisa que ignorar que
estamos no Paraíso?
- Uma rosa pode queimar-se - falou, com insolência, o discípulo.
- Ainda fica o fogo na lareira - disse Paracelso - Se atiras esta rosa às
brasas, acreditarás que tenha sido consumida e que a cinza é verdadeira.
Digo-te que a rosa é eterna e que só a sua aparência pode mudar. Bastar-me-ia
uma palavra para que a visse de novo.
- Uma palavra? - perguntou com estranheza o discípulo - O atanor está apagado e
estão cheios de pó os alambiques. O que farás para que ressurgissem?
Paracelso olhou-o com tristeza.
- O atanor está apagado - reiterou - e estão cheios de pó os alambiques. Nesta
etapa de minha longa jornada uso outros instrumentos.
- Não me atrevo a perguntar quais são - falou o moço, deixando Paracelso na
dúvida se foi com astúcia ou com humildade. E continuou - Falastes do que usou a
divindade para criar os céus e a terra. Falastes do invisível Paraíso em que
estamos e que o pecado original nos oculta. Falastes da Palavra que nos ensina a
ciência da Cabala. Peço-te, agora, a mercê de mostrar-me o desaparecimento e o
aparecimento da rosa. Não me importa que operes com alambiques ou com o Verbo.
Paracelso refletiu. Depois disse:
- Se eu o fizesse, dirás que se trata de uma aparência imposta pela magia dos
teus olhos. O prodígio não te daria a Fé que buscas: Deixa, pois, a Rosa.
O jovem o olhou, sempre receoso. O mestre elevou a voz e lhe disse:
- Além disso, quem és tu para entrar na casa de um mestre e exigir um prodígio?
Que fizeste para merecer semelhante dom?
O outro replicou, temeroso:
- Já que nada tenho feito, peço-te, em nome dos muitos anos que estudarei à tua
sombra, que me deixes ver a cinza, e depois a Rosa. Não te pedirei mais nada.
Acreditarei no testemunho dos meus olhos.
Tomou com brusquidão a rosa encarnada que Paracelso havia deixado sobre a
cadeira e a atirou às chamas. A cor se perdeu e só ficou um pouco de cinza.
Durante um instante infinito, esperou as palavras e o milagre.
Paracelso não havia se alterado. Falou com curiosa clareza:
- Todos os médicos e todos os boticários de Basiléia afirmam que sou um
farsante. Talvez eles estejam certos. Aí está a cinza que foi a rosa e que não o
será.
O jovem sentiu vergonha. Paracelso era um charlatão ou um mero visionário e ele,
um intruso que havia franqueado a sua porta e o obrigava agora a confessar que
as suas famosas artes mágicas eram vãs.
Ajoelhou-se, e falou:
- Tenho agido de maneira imperdoável. Tem-me faltado a Fé que exiges dos
crentes. Deixa-me continuar a ver as cinzas. Voltarei quando for mais forte e
serei teu discípulo e no final do Caminho, verei a Rosa.
Falava com genuína paixão, mas essa paixão era a piedade que lhe inspirava o
velho mestre, tão venerado, tão agredido, tão insigne e portanto tão oco. Quem
era ele, Johannes Grisebach, para descobrir com mão sacrílega que detrás da
máscara não havia ninguém? Deixar-lhe as moedas de ouro seria esmola. Retomou-as
ao sair.
Paracelso acompanhou-o até ao pé da escada e disse-lhe que em sua casa seria
sempre bem-vindo. Ambos sabiam que não voltariam a ver-se. Paracelso ficou só.
Antes de apagar a lâmpada e de se recostar na velha cadeira de braços, derramou
o tênue punhado de cinza na mão côncava e pronunciou uma palavra em voz baixa. A
Rosa ressurgiu.
A Grande Batalha
Certas vezes é preciso perceber. É preciso estar atento.
Nunca dei muita atenção a influências externas e tampouco valorizo elas como coisas importantes. Mas depois de muito me enganar e deixar escapar coisas entre os dedos, comecei a me tornar mais cuidadoso.
Principalmente após a utilização do Tarot e do I Ching, percebo que mais que apenas uma questão de sincronicidade, certas coisas possuem vida própria.
O CIH comemorou este ano, 8 anos de existência civil. Alguns números permitem que se avalie o alcance da coisa como um todo.
+ de 112.000 visitas na atual edição da nossa página (a anterior atingiu 105.000);
+ de 2.500 cadastros na página;
+ de 1.200 registros nas listas do yahoogroups;
+ de 1.030 cadastros na Comunidade do Orkut (uma das maiores de Thelema no Brasil).
Esses números refletem o alcance do nosso trabalho como um todo desde o início. Não mais meia dúzia, dezenas ou centenas. Ao todo, milhares de pessoas constantemente vibrando o nome sagrado de nossa Ordem.
Quanto maior a luz, maior a sombra, já diz o ditado. E como não podia deixar de ser, os inimigos da luz se organizam para tentar ofuscar a claridade. As atenções se voltam para o CIH e notícias se espalham a nosso redor, como moscas ao redor da lâmpada.
Muitos tremem ante a dificuldade. Frequentemente duvidam e se assustam.
‘Os escravos servirão!’ - Liber Al.
O segredo de nosso sucesso será¡ a perseverança. ‘O medo é o fracasso, portanto não temas, porque o que vacila ante a chama, ante o dilúvio e ante as sombras do ar, não tem parte em Deus’. - GD
O Egito tremeu diante de Hórus, o vingador. Assim também tremerão aqueles que porventura acreditam que podem eclipsar o próprio Sol. Como Ícaro, terão as asas derretidas e seu final será trágico sobre as pedras.
O tempo é o melhor dos avaliadores, e o juiz definitivo.
‘O sucesso será tua prova’ - Liber Al.
Procuro entre os doze
um que saiba beijar.
De lábios doces,
que saiba beijar como
Judas Iscariotes um dia beijou.
- Fr. Goya
Carta a um irmão
Não somos GD, OTO, AA, etc. Somos o CIH. E por mais que pareça, eu tenho claramente a linha definida na minha cabeça de como a coisa seguirá. O grande problema, é que antes de escapar da órbita dessas ordens acabamos sempre por tentar modelar por algo existente. Mas eu preciso realmente falar com vc pessoalmente sobre isso.
Eu estou com muito, mas muito material novo mesmo. Eu só preciso realmente de uma coisa. Preciso mais do q nunca de gente q me ajude a montar todo esse material. E na verdade, agora preciso somente de uma coisa. Até o momento trabalhamos realmente como amigos com um objetivo comum.
Mas agora eu preciso de outra coisa. Preciso de fé.
E preciso realmente agora de produção da parte do Conselho. O fato de estarmos patinando em grande parte indica isso. É preciso chegar ou perecer.
Preciso comentar algumas coisas com vc, pois particularmente, eu tenho você como extrema confiança.
Você sabe que desde o início do CIH sempre comento que em último caso, eu levo a coisa sozinho, pois é efetivamente, um compromisso meu. Pode demorar, mas sei exatamente onde o CIH irá chegar nos próximos anos, e no entanto existem coisas sobre as quais não posso falar abertamente. Mas só posso pedir confiança.
Há mais ou menos uns 3 anos, tenho tido algumas manifestações que eu mesmo não esperava que ocorressem. Mais do que escrever sobre a Fera, estive em contato com ela. Esse contato é fruto de anos de dedicação cega a um único objetivo. A prática consistente me levou a ela. Eu costumo abominar o excesso de visões e efeitos especiais tão caros aos nossos amigos esotéricos em geral. Isso fez com que eu não escrevesse nada a respeito, até que em finais de 2003, você me pediu uma estrutura do CIH.
A partir daí, comecei a colocar algumas coisas no papel, a partir dessas experiências. De tudo que tenho visto e ouvido, posso dizer que essas experiências são fontes de grande inquietação para mim. Por vários motivos:
* elas se chocam com o que temos em mãos atualmente;
* para cumpri-las, eu teria q abandonar grande parte do já conquistado;
* muitas crenças minhas pessoais se encontram em cheque.
Crowley, GD, Thelema. Quão pálidas essas coisas estão para mim hoje… Sabe, eu não sei como dizer isso. Mas lutei para ser um grande magista. E embora muitos achem q estou nesse ponto (e outros tantos digam exatamente o contrário), hoje em dia essa ambição perdeu o sentido. Não quero mais nada… Só quero ensinar quem bate na minha porta. Não quero templo, não quero sala, não quero luxo… Só preciso colocar as coisas pra fora… Não vejo sentido algum em galgar A:.A:., maçonaria, Menphis ou qualquer merda. Fui tocado profundamente, e essa ferida não cura… Só preciso deixar sair, não sei como expressar isso… Não tenho tido vontade de fazer mais nada, só de ajudar e
passar adiante. Para me curar, preciso curar… O CIH é reflexo disso.
É muito injusto eu pedir isso pra vocês - e pra você em especial - pois não posso pedir nada além de apoio e que me ajudem de toda forma para que eu esteja apto a continuar nesse ponto de virada. Eis onde estamos: num turning point…
Mas de fato, me sinto cansado, exasperado e no entanto, nunca produzi tanto na minha vida. Mas tem me faltado tempo e mãos para cumprir isso. Eu acabo pedindo isso como amigo, pois como mestre não posso fazê-lo.
Considero isso como um profundo desabafo… O que vc decidir a partir disso terá meu apoio. Confio no seu discernimento para saber q sua decisão será acertada.
Acho que é isso.
Abraços
Eu
EXPLICAÇÃO SOBRE O EGO, O EU E O SELF, NO DIA 03 DE NOVEMBRO DE 2004
An iv12 Sol 11° Scorpio, Luna 18º Cancer Dies Mercurii - 00:54
Frater Goya:
Que tipo de dúvidas tem? Elas podem ser úteis pra mim.
T.’.:
O que você chama de ego e de eu?
Frater Goya:
Em termos mágicos, o ego ou pequeno Eu, na verdade é a parte mais baixa do ser humano, mais próxima do animal e instintiva.
T.’.:
Seriam os instintos mesmo?
Frater Goya:
Sim, mas também se estendem além deles.
T.’.:
Estendem quanto?
Frater Goya:
Por exemplo, uma pessoa que chamamos de egoísta, que só vê a si mesma no mundo, vive sob a ótica desse pequeno eu e isso já não é mais instinto, concorda? E o objetivo de muitas crenças, como o budismo, é a dissolução desse pequeno eu. Tentando afastá-lo o máximo possível. Mas como eu disse, não há como matar sem morrer junto.
T.’.:
Sim.
Frater Goya:
Logo, tem que se deixar invadir pelo contato com o mundo, gerando tantas ligações que o ego fica tão pequeno no meio dessas ligações, que tende a se recolher ele vira mais um na multidão… Aí então é que se pode buscar o que Jung chama de Self.
T.’.:
Então ego e eu são a mesma coisa?
Frater Goya:
Ego ou pequeno eu, sim. é que em magia, o Self também é chamado de Eu Superior, ou seja, o ego seria o pequeno eu. Por isso chamei de ego anão.
T.’.:
ahn… era essa minha dúvida
Frater Goya:
Por que?
T.’.:
Se ego e eu eram a mesma coisa.
Frater Goya:
Se esse eu se refere ao eu inferior, instintivo, sim. Se for o Eu Superior, aí seria o Self.
T.’.:
Sei… entendi. Vou voltar numa pergunta… por que o altar tem q ser da altura do magista?
Frater Goya:
Da altura do umbigo.
T.’.:
Isso.
Frater Goya:
Isso tem a ver com a medida Áurea.
T.’.:
Ahn… nada a ver com egocentrismo, então?
Frater Goya:
Talvez não com egocentrismo, mas com o Eu.
T.’.:
Eu ou Self?
Frater Goya:
Veja: quando você vê o mundo, você o vê sob qual Ótica?
T.’.:
Sob a minha.
Frater Goya:
Logo, você é a medida de referência para tudo o que existe, certo?
T.’.:
Pra mim, é.
Frater Goya:
Logo, se você faz um altar para ser usado por você, ele deve refletir a sua medida de mundo.
T.’.:
Acho que estou entendendo. Acho.
Frater Goya:
Por isso eu não gosto de psicologia misturada com a magia. Porque essa é uma relação matemática, não psicológica. Quer ver? pela ótica do ego, fica complicado entender a magia, certo?
T.’.:
Fica complicado entender o que é ego pela própria psicologia, porque cada linha fala uma coisa…. com magia, então…
Frater Goya:
Exatamente. Agora veja a relação matemática. Existe uma perfeição na natureza. Alguns números regem o mundo que conhecemos.
T.’.:
Sim.
Frater Goya:
Por exemplo, o Pi = 3,141592. Ele aparece em inúmeros lugares.
Frater Goya:
Ou a regra Áurea = 1,618. O papel mais vendido do mundo, é o letter de 8 1/2 por 11 polegadas. Se você tira a razão entre eles é 1,618.
T.’.:
É… por isso o cara pira no filme PI…
Frater Goya:
Tudo que possui essa relação é estranhamente agradável aos olhos e à mente. A concha do náutilus (em espiral - figura à esquerda) é produzida por essa razão, assim como a distribuição das sementes do girassol. Se você medir sua altura, o joelho encontra-se a 1, 618 dela. Se você medir o braço, o cotovelo está a 1,618… e assim sucessivamente. Logo, o templo, quando é medido a partir do umbigo, remete diretamente a esses números.
T.’.:
Certo.
Frater Goya:
Portanto, pode se deduzir daí, que o ego não é a única coisa que o magista tem que se preocupar na vida.
T.’.:
Sim.
Frater Goya:
É uma preocupação tão grande que a psicologia tem com o ego, que pesteou até a magia.
T.’.:
Hehehehe. Na realidade é porque é o objeto de trabalho.
Frater Goya:
O ego na magia é um item de trabalho, mas é um degrau na subida aos céus e não a escada inteira. Hoje, duas coisas atrapalham o progresso da magia.
1) a preocupação com a outra vida, como expiação de culpas;
2) a preocupação em matar o ego. E ambas refletem um mal maior. A falta de uma doutrina consistente no ocidente sobre a totalidade do ser humano.
T.’.:
A gente vê muita discussão em lista sobre a ‘eliminação do ego’… o que eu nunca vi foi chegarem a uma conclusão.
Frater Goya:
Claro que não chegam, Jung explica o porquê.
T.’.:
Por que não chegam à conclusão nenhuma?
Frater Goya:
Segundo Jung, a psique não pode conhecer sua própria substância. Logo, o ego não pode falar sobre o que é. Você vê como o ego é perigoso, que a pessoa fica tão absorvida nele, que não pensa em mais nada.
T.’.:
É o que você falou… fica o dia inteiro pensando em eliminar o ego e daí alimenta mais.
Frater Goya:
Exatamente. E isso é apenas o começo da brincadeira mágica.
29 de Janeiro de 2004
Curitiba, 29 de Janeiro de 2004.
An IV xii Sol 9° Aquarius Luna 19° Taurus Dies Jovis
Entardecer
- Como fazer? Existe um elo?
- Não Goya, não te preocupes à forma. Mais que a forma, é necessário vibrar corretamente.
- Vibrar os nomes?
- Não. Se fôssemos esperar uma vibração correta, jamais saberiam de nossa presença.
- as qual é a vibração?
- Tu bem o sabes. Não te enganes. Primeiro, deves “sintonizar”, buscar o ritmo correto, pelo qual o universo inteiro vibra. Depois, deves ser tão fluido quando o próprio universo. Deves seguir essas vibrações.
- E o que são essas vibrações?
- Elas vem do centro infinito do universo.
- Vem de Deus?
- Não como pensas. Deus não é um ser ou uma energia. No teu estreito entender, pode-se dizer que Deus é mais uma causa, do que a coisa em si.
- Como assim? Somos o desejo de Deus?
- Não. Ele não deseja mais nada. Quando no início, antes de tudo, nem Deus existia. Era apenas esse nada, como dizem, potencial. Ou o nada germinal. Num dado momento, esse nada gerou sua primeira mutação: Deus.
- Então não havia Deus antes?
- Não. Ele mesmo foi gerado. A causa Deus é fruto do nada inicial. E como a própria causa ignora o que havia antes, não há como saber o que a causou.
- Mas e tudo o que sabemos, tudo que a própria qabalah atesta?
- Estão todos errados. Muitos chegaram bem perto, mas interferiram dando sua própria interpretação.
- Então saberei da verdade? Por que estarei mais certo?
- Não estará. Como sabes que é a verdade? Tudo que é dito, é dito de uma forma que compreendas, mas isso não é a verdade.
- Então de que adianta saber? Qual a utilidade disso?
- Tu perguntaste. Somente respondi a questão. O objetivo do ritual que fazes é nos evocar para teres informação e auxílio, não para darmos sentido à tua vida. Se ainda não sabes o que fazer dela, não devias te arriscar aqui.
- Não pedi sentido, pedi utilidade.
- Tiveste a resposta. Agora, deves ir atrás do sentido por ti mesmo, ou isso de nada valerá.
- Certo. Farei como dizes, mas continua. E depois de Deus o que aconteceu?
- Essa causa também mudou. E sua mutação expandiu-se tanto que superou o próprio ser. E dessa expansão veio tudo o que existe. Essa causa se expandiu tanto, que não sabemos hoje se ela deixou de existir ou se ainda estamos dentro dela. Por isso, Deus ou a Causa, não é uma coisa unidade ou uma coisa energia. Está em todas as coisas, mas ignora a si mesmo.
- Quem sabe a verdade?
- Todos sabemos. Mas é tão grande que nem todas as mentes juntas conseguem conceber a realidade de Deus.
- E o que isso tem a ver com a vibração?
- Tudo é vibrado. Nisso quase todos estão certos. Tudo vive. Quando, de alguma forma, casual ou provocada, entras em contato com essa energia de fundo, abandonas temporariamente tuas limitações e fazes parte desse todo vibracional. Nesse estado, tudo pode acontecer.
- Certo. Mas, se Deus é a causa, se nem ele existe mais, como tanta gente pode ser atendida em orações?
- De alguma forma, essas pessoas entram nesse estado vibracional e conseguem manipular a energia em si. Mas devido à sua limitação, acreditam em algo externo, um Pai.
- Então não há Deus?
- Não como pregam as religiões. Tampouco como alegam os místicos ou os cientistas. Se Deus é Pai, é como causa geradora, não como a concepção de um Criador que age sobre alguma coisa.
- Então quem são os nomes nas evocações que estou fazendo?
- São apenas meios para atingir a vibração. Ninguém responde por eles, a não ser o centro infinito. Por isso são nomes santos e puros. Porque vibram em consonância com o meio do universo.
- Se são apenas nomes, por que funcionam?
- Porque estabelecem contato com o centro.
- Podem ser mudados?
- Podem, mas não por ti.
- Quem pode?
- Alguém mais competente. Mas aviso que não há no momento, alguém que possa mudar.
- Por que me contaste isso tudo?
- Porque perguntaste.
- Qual teu nome?
- Alegere.
- E existe na tabela?
- Procura.
- Você está indo embora?
- Estou.
- Porque os outros não falaram os nomes e só você?
…
Noite 01:00
An IV xii Sol 9° Aquarius Luna 18° Taurus Dies Veneris
Como o ritual anterior foi extremamente desgastante, não fiz o 3º do dia.
Procurei o nome de ALEGERE pela tabela da união. Procurei a combinação das consoantes e encontrei na tabela de Água, ALGR.
|
A |
A |
R |
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S |
L |
G |
A |
I |
O |
L |
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O |
I |
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Forma uma letra “U” com seu sigilo. Além disso, encontrei uma assinatura, do 3º Governador de Lil, que inclui essas letras.
Published by goya on January 29th, 2004 Tagged Abramelin, Diários, Enochiano, Rituais | 1 Comment »
