{"id":91,"date":"2012-02-03T14:22:05","date_gmt":"2012-02-03T14:22:05","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=91"},"modified":"2012-02-03T14:22:05","modified_gmt":"2012-02-03T14:22:05","slug":"egito-o-mito-de-osiris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=91","title":{"rendered":"Egito &#8211; O Mito de Os\u00edris"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Mito de Os\u00edris<\/strong><\/p>\n<p>No antigo Egito, o deus cuja morte e ressurrei\u00e7\u00e3o se celebrava anualmente com duelos e alegorias alternativas foi Os\u00edris, o mais popular de todos os deuses eg\u00edpcios e do qual existem bons fundamentos para classificar-se em um dos aspectos conjuntamente com Adonis e Atis, como personifica\u00e7\u00e3o da grande mudan\u00e7a anual da natureza e, especialmente, deus dos cereais. Mas o imenso favor que obteve durante muito tempo induziu a seus adoradores e entusiastas a acumular nele os atributos e poderes de muitos outros deuses, pelo que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil despojar-lhe, vamos dizer assim, de suas plumas emprestadas, deixando somente as suas pr\u00f3prias. A lenda de Os\u00edris est\u00e1 contada de forma conexa somente por Plutarco, cuja narra\u00e7\u00e3o foi confirmada e de algum modo aumentada em \u00e9pocas modernas pelo testemunho dos monumentos.<\/p>\n<p>Os\u00edris foi o grande nascido de uma intriga amorosa entre um deus terrenal chamado Seb (Keb ou Geb, segundo as diversas translitera\u00e7\u00f5es) e a deusa Nut, ou Nuit. Os gregos identificaram a estes deuses, pais de Os\u00edris, com os seus Cronos e Rhea. Quando R\u00e1, o deus do Sol, se inteirou da infidelidade de sua esposa Nut, decretou como maldi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o poderia parir a uma criatura em nenhum m\u00eas do ano. Mas a deusa tinha outro amante, o deus Thoth, ou Hermes, como lhe denominavam os gregos. Jogando uma partida de damas com a Lua, conseguiu desta uma 72\u00aa parte de cada dia do ano, com a qual comp\u00f4s cinco dias completos que acrescentou ao ano eg\u00edpcio de 360 dias. Esta foi a origem dos cinco dias suplementares que os eg\u00edpcios colocavam no final do ano com o objetivo de estabelecer uma harmonia entre os tempos lunar e solar.<\/p>\n<p>Nestes cinco dias, considerados fora do ano de doze meses, a maldi\u00e7\u00e3o do deus Solar n\u00e3o tinha efeito, e por esta raz\u00e3o, Os\u00edris nasceu no primeiro deles. Em seu nascimento soou uma voz proclamando que o Senhor de Tudo havia chegado ao mundo. Alguns dizem que um tal Pamyles ouviu uma voz no Templo de Tebas, ordenando-lhe que anunciasse aos gritos o nascimento de um grande rei, Os\u00edris o Ben\u00e9fico. Os\u00edris n\u00e3o foi a \u00fanica criatura que pariu sua m\u00e3e. No segundo dia suplementar deu a luz a H\u00f3rus o Grande; no terceiro, ao deus Seth, que os gregos chamavam Tifon; no quarto, a deusa \u00cdsis, e no quinto, a deusa N\u00e9ftis. Mais tarde, Set desposou a sua irm\u00e3 N\u00e9ftis e Os\u00edris a sua irm\u00e3 \u00cdsis. Regendo Os\u00edris como um deus terrenal, redimiu aos eg\u00edpcios da selvageria, lhes promulgou leis e ensinou o culto aos deuses. Antes dele, os eg\u00edpcios eram canibais, mas \u00cdsis, irm\u00e3 e esposa de Os\u00edris, descobriu o trigo e a cevada, que cresciam silvestres, e Os\u00edris introduziu o cultivo destes cerais entre os povos, que de pronto se aficcionaram a com\u00ea-los, abandonando o canibalismo imediatamente.<\/p>\n<p>De outro lado, se conta que Os\u00edris foi o primeiro a colher o fruto das \u00e1rvores, podar as videiras e pisar a uva. Desejando comunicar estas descobertas ben\u00e9ficas a toda a humanidade, entregou o governo do Egito por inteiro a sua mulher \u00cdsis e marchou pelo mundo difundindo os benef\u00edcios da agricultura e da civiliza\u00e7\u00e3o por onde quer que passava. Nos pa\u00edses onde, por ter um clima rigoroso ou o solo muito pobre, era impossibilitado o cultivo das vindimas, idealizou consolar os habitantes do desejo do vinho, elaborando cerveja a partir da cevada. Pleno de riquezas dadas pelas na\u00e7\u00f5es agradecidas, voltou ao Egito e em considera\u00e7\u00e3o aos benef\u00edcios que havia outorgado \u00e0 humanidade, foi exaltado e adorado como uma divindade.<\/p>\n<p>Mas seu irm\u00e3o Seth (ao que os gregos chamam Tifon), com outros 72, conspirou contra ele e, tomando com ast\u00facia o mal\u00e9fico irm\u00e3o Tifon as medidas do corpo de seu bom irm\u00e3o, constru\u00edram um sarc\u00f3fago luxuoso e de tamanho exato. Em certa ocasi\u00e3o, onde encontravam-se divertindo e bebendo, trouxe o sarc\u00f3fago e prometeu este \u00e0quele que se encaixasse exatamente nele. Todos, um ap\u00f3s o outro, tentaram, mas a nenhum serviu. Por fim, Os\u00edris entrou em seu interior e os conspiradores fecharam rapidamente a tampa, chavearam, soldaram com chumbo derretido e lan\u00e7aram o sarc\u00f3fago ao Nilo.<\/p>\n<p>Isto aconteceu no dia 17 do m\u00eas de Athyr, quando o sol est\u00e1 no signo de Escorpi\u00e3o, durante o vig\u00e9simo oitavo ano do reinado ou de vida de Os\u00edris. Quando \u00cdsis inteirou-se do acontecido, raspou a cabe\u00e7a e vestindo-se de luto, errou aflita por todos os cantos, buscando o cad\u00e1ver. Avisada pelo deus da sabedoria, buscou ref\u00fagio entre os papiros das lagoas do Delta. Sete escorpi\u00f5es a acompanharam em sua fuga. Uma tarde onde, estando fatigada, chegou \u00e0 casa de uma mulher, esta se assustou com os escorpi\u00f5es e fechou de um golpe a porta. Ent\u00e3o um dos escorpi\u00f5es, deslizando-se por sob a porta, picou o filho da mulher e o matou. Mas quando \u00cdsis ouviu os lamentos da m\u00e3e, se compadeceu e, colocando suas m\u00e3os sobre a crian\u00e7a, pronunciou poderosos conjuros. Desta forma, o veneno saiu da crian\u00e7a, que ressucitou.<\/p>\n<p>Tempos depois, \u00cdsis deu \u00e0 luz a um menino nos lagos. Ela o havia concebido enquanto andava revoando sobre o cad\u00e1ver do seu marido. O infante foi H\u00f3rus o jovem, que em sua inf\u00e2ncia levou o nome de Harp\u00f3crates, isto \u00e9, H\u00f3rus Crian\u00e7a. A deusa do norte, Buto, ocultou o menino da ira de seu perverso tio, Seth, mas n\u00e3o pode proteg\u00ea-lo de todas as desventuras. Um dia que \u00cdsis veio visitar seu filho no esconderijo, lhe encontrou jogado ao solo, r\u00edgido e sem vida, por ter sido picado por um escorpi\u00e3o. \u00cdsis implorou a ajuda de R\u00e1, deus do Sol, que, atendendo, parou sua barca no c\u00e9u e enviou Thoth para que lhe ensinasse um conjuro com o qual poderia devolver a vida a seu filho. Pronunciou as palavras m\u00e1gicas e o veneno imediatamente fluiu do corpo de H\u00f3rus, o ar entrou em seu peito e o reviveu.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Thoth ascendeu aos c\u00e9us, ocupando outras vez o posto na barca do Sol e a brilhante prociss\u00e3o seguiu jubilosa seu caminho adiante. Entretanto o sarc\u00f3fago que continha o corpo de Os\u00edris foi flutuando rio abaixo at\u00e9 chegar ao mar, ficando encalhado em Biblos, na costa da S\u00edria, onde brotou subitamente uma \u00e1rvore enorme, que incluiu no seu crescimento o sarc\u00f3fago dentro do tronco. O rei do pa\u00eds, admirado daquela grande \u00e1rvore, mandou cort\u00e1-la para que servisse de coluna em sua casa, ignorando que dentro havia o sarc\u00f3fago que continha Os\u00edris morto.<\/p>\n<p>A not\u00edcia chegou a \u00cdsis, que viajou at\u00e9 Biblos, onde sentou-se junto a um po\u00e7o em humilde pose e chorando. Ningu\u00e9m falou at\u00e9 que chegaram as serventes do rei, que saudou amavelmente, tran\u00e7ou seus cabelos e lan\u00e7ou sobre elas o perfume maravilhoso de seu corpo divino. Quando a rainha contemplou as tran\u00e7as de cabelo de suas donzelas, e sentiu o suave aroma que delas emanava, mandou buscar a estrangeira e a recebeu em sua casa, fazendo-a ama-de-leite de seu filho. Mas \u00cdsis deu ao menino o dedo para mamar no lugar do peito e, \u00e0 noite, incendiou tudo que na crian\u00e7a era mortal, enquanto ela mesma, transformada em golondrina (pomba), revoava ao redor do pilar que continha seu irm\u00e3o e marido morto, piando lastimosamente.<\/p>\n<p>A rainha, que expiava suas a\u00e7\u00f5es, come\u00e7ou a dar gritos ao ver seu filho em chamas, impedindo assim, que este chegasse \u00e0 imortalidade. A deusa ent\u00e3o manifestou-se como era e pediu a coluna que sustentava o teto. Deram-lhe a coluna, e abrindo-a retiraram o sarc\u00f3fago de seu interior e a deusa se atirou sobre ele e lamentou-se de tal forma, que, o menor dos filhos do rei morreu de susto ali mesmo. Envolveu o tronco da \u00e1rvore num fino len\u00e7o e o ungiu, devolvendo o lenho aos reis, que o colocaram num templo de \u00cdsis, e foi adorado pelo povo de Biblos at\u00e9 a manh\u00e3. \u00cdsis p\u00f4s o sarc\u00f3fago numa embarca\u00e7\u00e3o e acompanhada pelo filho mais velho dos reis, se afastou navegando. Enquanto estiveram s\u00f3s, abriu o tampo do sarc\u00f3fago, tendo seu rosto acima do rosto do irn\u00e3o, beijou-o e chorou. O menino cautelosamente, aproximou-se por tr\u00e1s e viu o que ela estava fazendo. Quando ela se voltou de repente e o olhou, o menino n\u00e3o pode suportar sua face encolerizada e morreu.<\/p>\n<p>Alguns acreditam que isso n\u00e3o aconteceu assim, sen\u00e3o que o menino caiu ao mar, afogando-se. Tal \u00e9 o que os eg\u00edpcios cantavam em seus banquetes sob o nome de Maneros. Quando \u00cdsis deixou o sarc\u00f3fago para ir ver a seu filho H\u00f3rus na cidade de Buto, Tifon o encontrou quando ca\u00e7ava um javal\u00ed em noite de lua cheia. Reconhecido o cad\u00e1ver, ato cont\u00ednuo, esquartejou o cad\u00e1ver em quatorze peda\u00e7os, que espalhou por lugares distintos. \u00cdsis, depois, embarcou em um bote feito de papiros, buscou por todos os lados os peda\u00e7os na lagoa. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual quando as pessoas navegam em um bote de papiros, n\u00e3o temem aos crocodilos, pois estes respeitam a deusa. E al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 a raz\u00e3o de haver tantas tumbas de Os\u00edris no Egito, pois ela ia sepultando os peda\u00e7os nos mesmos lugares onde os encontrava.<\/p>\n<p>Outros mant\u00e9m a id\u00e9ia que ela enterrou uma imagem dele em cada cidade fingindo que era o corpo, com a inten\u00e7\u00e3o que Os\u00edris pudesse ser adorado em muitos lugares, e de que se Tif\u00f3n buscasse a tumba verdadeira, n\u00e3o pudesse encontr\u00e1-la. Como o membro genital de Os\u00edris havia sido devorado pelos peixes, \u00cdsis modelou uma imagem dele em seu lugar e esta imagem \u00e9 usada pelos eg\u00edpcios em seus funerais at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>\u00cdsis &#8211; escreve o historioador Diodoro S\u00edculo &#8211; recuperou todas as partes do corpo, exceto os genitais, e como ela desejava que a tumba de seu marido fosse desconhecida e reverenciada por todos os moradores das terras eg\u00edpcias, recorreu ao seguinte artif\u00edcio: moldou com cera e especiarias arom\u00e1ticas umas imagens humanas no formato de Os\u00edris e colocou dentro de cada uma delas um dos peda\u00e7os do cad\u00e1ver deste.<\/p>\n<p>Depois foi chamando sacerdotes dos distintos grupos tomando-lhes o juramento que jamais revelariam a ningu\u00e9m a confian\u00e7a que lhes dispensava, e deste modo a cada um deles disse que lhe confiava o enterro do cad\u00e1ver e que o fizesse em seu pr\u00f3prio terreno, exortando e recordando-lhe os benef\u00edcios recebidos para que honrasse a Os\u00edris como um deus. Tamb\u00e9m lhes conjurou para que dedicassem a qualquer animal de seu distrito e que lhe venerassem em vida como o fizeram primeiramente a Os\u00edris e que quando morresse o animal sagrado, que lhe fizessem exequias semelhantes \u00e0s do deus. E com o des\u00edgnio de estimular aos sacerdotes para que conferissem as precipitadas honras, tendo nele um interesse pessoal, lhes cedeu um ter\u00e7o do terreno usado no servi\u00e7o e culto dos deuses. De acordo com isso, se dizia que os sacerdotes, atentos aos benef\u00edcios de Os\u00edris, desejosos de agradar \u00e0 rainha e movidos pela perspectiva da gan\u00e2ncia, executaram todas as instru\u00e7\u00f5es de \u00cdsis. Por isso, e at\u00e9 hoje, cada sacerdote imagina que Os\u00edris esteja enterrado em seu pa\u00eds e veneram aos animais que consagraram ao princ\u00edpio e quando morrem, renovam os sacerdotes no enterro deles no duelo por Os\u00edris. Ainda mais, os bois sagrados, o chamado \u00c1pis e o Mnevis, foram dedicados a Os\u00edris e se ordenou que fossem adorados como deuses por todos os eg\u00edpcios, pois estes animais, sobre todos os demais, foram os que ajudaram aos descobridores das gram\u00edneas nas semeaduras, conseguindo os benef\u00edcios universais da agricultura.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 o mito ou lenda de Os\u00edris que contam os escritores gregos e entremeios dos dados fragment\u00e1rios ou alus\u00f5es da literatura eg\u00edpcia. Uma grande inscri\u00e7\u00e3o do templo de Denderah conservou uma lista das tumbas do deus e outros textos mencionam as partes do corpo que foram guardadas como rel\u00edquias sagradas em cada um dos santu\u00e1rios. Assim, seu cora\u00e7\u00e3o estava em Athribis, sua coluna vertebral em Busiris, o pesco\u00e7o em Let\u00f3polis e a cabe\u00e7a em Menfis.<\/p>\n<p>Como parece ocorrer nesses casos, alguns de seus membros estavam multiplicados milagrosamente; sua cabe\u00e7a, por exemplo, estava em Abidos assim como tamb\u00e9m em M\u00eanfis, e suas pernas, notavelmente numerosas, poder\u00edam ter bastado para v\u00e1rios mortais correntes. Com respeito a isto, Os\u00edris fica reduzido ao grau de um S\u00e3o Dion\u00edsio, de quem n\u00e3o existem nada menos que sete cabe\u00e7as, todas igualmente aut\u00eanticas. Segundo os relatos eg\u00edpcios que complementam o de Plutarco, quando \u00cdsis encontrou o cad\u00e1ver de seu marido Os\u00edris, ela e sua irm\u00e3 Neftys, se sentaram junto a ele e romperam em lamentos que em \u00e9pocas posteriores foram o tipo de todas as lamenta\u00e7\u00f5es eg\u00edpcias pelos mortos. &#8220;Volta a tua casa &#8211; gemiam -, volta a tua casa, t\u00fa que n\u00e3o tens inimigos. Oh, belo jovem! volta a tua casa para que possas me ver. Sou tua irm\u00e3, a que amavas; n\u00e3o te separar\u00e1s j\u00e1 de mim, oh belo mo\u00e7o! Volta a tua casa. N\u00e3o te vejo e, apesar disso, meu cora\u00e7\u00e3o te adora e meus olhos te desejam. Volta a que te ama, a que amas, Un-nefer, o Bendito. Volta a tua irm\u00e3, volta a tua mulher, a tua mulher cujo cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 morto. Volta \u00e0 mulher de tua casa. Sou tua irm\u00e3 da mesma m\u00e3e e tu n\u00e3o te afastar\u00e1s mais de mim. Os deuses e os homens voltaram a face para ti e todos por ti choram. Te chamo e choro e meus lamentos s\u00e3o ouvidos no c\u00e9u, mas t\u00fa n\u00e3o ouves minha voz, mas sou tua irm\u00e3, a que amaste na terra, tu n\u00e3o amaste a ningu\u00e9m sen\u00e3o a mim. Irm\u00e3o meu, irm\u00e3o meu!&#8221; Ao implorar pelo belo jovem, truncada sua vida no melhor, nos lembra as lamenta\u00e7\u00f5es por Ad\u00f4nis. O t\u00edtulo de Un-nefer ou o Bom que lhe \u00e9 concedida acentua a bondade que a tradi\u00e7\u00e3o universal descreve a Os\u00edris; foi seu t\u00edtulo mais corrente e um de seus nomes reais. As chorosas queixas das duas pobres irm\u00e3s n\u00e3o foram em v\u00e3o; apiedados por suas l\u00e1grimas, o deus sol, R\u00e1, enviou desde o c\u00e9u ao deus cabe\u00e7a de chacal, An\u00fabis, o que, com a ajuda de \u00cdsis e N\u00e9ftis, de Thoth e de H\u00f3rus, reuniu peda\u00e7o por peda\u00e7o do corpo destro\u00e7ado do deus morto, o envolveu em vendas de linho e executou todos os demais ritos que os eg\u00edpcios costumavam cumprir nos corpos dos defuntos. Depois, \u00cdsis abanou a fria argila com suas asas, Os\u00edris reviveu e desde ent\u00e3o governou entre os mortos como rei em outro mundo. Ali gozava dos t\u00edtulos de Senhor do Mundo subterr\u00e2neo, Senhor da Eternidade e Rei dos Mortos.<\/p>\n<p>Ali tamb\u00e9m, no Grande sal\u00e3o da Dupla Verdade, assistido por quarenta e dois assessores, um para cada um dos principais distritos principais do Egito, presidia como juiz no julgamento das almas dos defuntos, que faziam sua confiss\u00e3o solene diante dele, e quando seus cora\u00e7\u00f5es haviam sido pesados na balan\u00e7a da justi\u00e7a, recebiam o pr\u00eamio da virtude em uma vida eterna o castigo apropriado de seus pecados. Na ressurrei\u00e7\u00e3o de Os\u00edris os eg\u00edpcios viram a promessa de uma vida eterna para eles mesmos, al\u00e9m da tumba. Acreditaram que todos os homens viver\u00edam para sempre no outro mundo se os amigos sobreviventes executassem em seu cad\u00e1ver o que os deuses fizeram com o de Os\u00edris. Por isso as cerim\u00f4nias funerais eram c\u00f3pias do executado com o deus morto. Em cada funeral se representava o mist\u00e9rio divino efetuado anteriormente sobre Os\u00edris, quando seu filho, seus irm\u00e3os e amigos se reuniram ao redor de seus restos destro\u00e7ados e com seus conjuros e manipula\u00e7\u00f5es conseguiram converter seu corpo rasgado primeiramente em m\u00famia, reamimando-a e provendo-a depois dos meios para ingressar em uma nova vida individual mais al\u00e9m da morte. A m\u00famia do que falecia era o pr\u00f3prio Os\u00edris; as choronas profissionais ou carpideiras eram as duas irm\u00e3s \u00cdsis e N\u00e9ftis. An\u00fabis, H\u00f3rus, todos os deuses da lenda Osiriana, estavam ali reunidos diante do cad\u00e1ver.&#8221; Desta maneira, todos os eg\u00edpcios mortos se identificavam com Os\u00edris e assim se lhes denominava. Desde o M\u00e9dio Imp\u00e9rio em diante foi costume nomear ao falecido como &#8220;Os\u00edris fulano de tal&#8221; e lhe acrescentavam o t\u00edtulo de Verdadeiro (Justo de Voz, Vitorioso, etc.) em raz\u00e3o de ser caracter\u00edstica de Os\u00edris falar verdades. As milhares de tumbas grafadas e pintadas que foram descobertas no Vale do Nilo provam que o mist\u00e9rio da ressurrei\u00e7\u00e3o atuava em benef\u00edcio de todos os eg\u00edpcios qe morriam. Como Os\u00edris, morto e ressucitado dentre os mortos, do mesmo modo esperavam todos resgatar-se da morte para a vida eterna. Segundo o que parece ter sido a tradi\u00e7\u00e0o geral nativa, Os\u00edris foi um rei eg\u00edpcio bemquisto e amado que sofreu morte violenta, mas que se libertou da morte e foi assim adorado como uma deidade. Em harmonia com esta tradi\u00e7\u00e3o, os escultores e pintores lhe representam em geral com forma real e humana, como um rei morto, vendado com as faixas de uma m\u00famia, levando sobre a cabe\u00e7a uma coroa real e agarrando numa de suas m\u00e3os, o cetro real.<\/p>\n<p>Duas cidades, sobre todas as demais, se associaram com seu mito ou recorda\u00e7\u00e3o. Uma delas foi Bus\u00edris, no Baixo Egito, que proclamava ter sua coluna vertebral. A outra cidade, Abidos, no Alto Egito, gloriava-se com a posse de sua cabe\u00e7a. Aureolada pela Santidade do deus morto e ressucitado, a ignorada aldeia de Abidos chegou a ser, at\u00e9 fins do Imp\u00e9rio Antigo, o lugar mais santo do Egito. Cremos que sua tumba ali foi para os eg\u00edpcios o que a Igreja do Santo Sepulcro \u00e9 para os crist\u00e3os. O desejo de todos os homens piedosos era que seu cad\u00e1ver repousasse na terra santa pr\u00f3xima a tumba do glorificado Os\u00edris. Poucos em verdade foram bastante ricos para gozar deste privil\u00e9gio inestim\u00e1vel, pois a parte do custo de uma tumba na cidade sagrada, somente o transporte das m\u00famias desde t\u00e3o grandes dist\u00e2ncias era dif\u00edcil e custoso. Ainda assim, foram muitos os \u00e1vidos de absorver j\u00e1 mortos a influ\u00eancia ben\u00e9fica que irradiava o santo sepulcro, pelo que compeliam seus sobreviventes a conduzir seus restos mortais a Abidos, deixando-os permanecer algum tempo ali para depois voltarem pelo rio a seu lugar nativo e enterr\u00e1-los na tumba que lhes estava preparada.<\/p>\n<p>Outros constru\u00edam cenot\u00e1fios ou l\u00e1pides sepulcrais, erigidas anteriormente por eles mesmos pr\u00f3ximo da tumba de seu senhor morto e ressucitado, e assim podiam gozar em sua companhia a bem-aventuran\u00e7a de uma ressurrei\u00e7\u00e3o feliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Mito de Os\u00edris No antigo Egito, o deus cuja morte e ressurrei\u00e7\u00e3o se celebrava anualmente com duelos e alegorias alternativas foi Os\u00edris, o mais popular de todos os deuses eg\u00edpcios e do qual existem bons fundamentos para classificar-se em um dos aspectos conjuntamente com Adonis e Atis, como personifica\u00e7\u00e3o da grande mudan\u00e7a anual da &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=91\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9691,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-91","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mitologia","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9691"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=91"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=91"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=91"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=91"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}