{"id":72,"date":"2012-01-30T17:28:35","date_gmt":"2012-01-30T17:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=72"},"modified":"2012-01-30T17:28:35","modified_gmt":"2012-01-30T17:28:35","slug":"sobre-os-pequenos-tiranos-no-caminho-do-guerreiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=72","title":{"rendered":"Sobre os Pequenos Tiranos no Caminho do Guerreiro"},"content":{"rendered":"<p>Por: <strong>Carlos Casta\u00f1eda<\/strong> &#8211; O FOGO INTERIOR (livro original)<br \/>\nAdapta\u00e7\u00e3o livre de: <strong>Frater Goya<\/strong> (Anderson Rosa)<\/p>\n<p>&#8220;A vaidade \u00e9 nosso maior inimigo, pense sobre isso&#8230; o que nos enfraquece \u00e9 nos sentirmos ofendidos pelos feitos e desfeitas de nossos semelhantes. Nossa vaidade faz com que passemos a maior parte de nossas vidas ofendidos por algu\u00e9m. Os novos videntes recomendavam que todo esfor\u00e7o devia ser feito para erradicar a vaidade da vida dos guerreiros. Eu segui aquela recomenda\u00e7\u00e3o, e muitos dos meus esfor\u00e7os com voc\u00ea t\u00eam sido dirigidos a mostrar-lhe que, sem vaidade, somos invulner\u00e1veis.&#8221; &#8211; Don Juan Matos.<\/p>\n<p>Conta-se que os videntes, antigos e novos, s\u00e3o divididos em duas categorias. A primeira \u00e9 composta por aqueles que se disp\u00f5e a exercitar o autocontrole e s\u00e3o capazes de canalizar suas atividades para metas pragm\u00e1ticas, que iriam beneficiar outros videntes e o homem em geral. A outra categoria \u00e9 formada pelos que n\u00e3o se interessam pelo autocontrole ou qualquer meta pragm\u00e1tica. \u00c9 consenso entre os videntes que os \u00faltimos n\u00e3o conseguiram resolver o problema da vaidade.<\/p>\n<p>A vaidade n\u00e3o \u00e9 algo simples e ing\u00eanuo. De um lado, \u00e9 o n\u00facleo de tudo que \u00e9 bom em n\u00f3s e, por outro, o n\u00facleo de tudo o que n\u00e3o presta. Livrar-se da vaidade que n\u00e3o presta requer prod\u00edgios de estrat\u00e9gia. Atrav\u00e9s dos tempos, os videntes renderam homenagens \u00e0queles que conseguiram. Para se seguir a trilha do conhecimento \u00e9 preciso ser muito imaginativo.<\/p>\n<p>Na trilha do conhecimento, nada \u00e9 t\u00e3o claro como gostar\u00edamos que fosse. os guerreiros combatem a vaidade por uma quest\u00e3o de estrat\u00e9gia, e n\u00e3o de princ\u00edpio. O grande erro \u00e9 compreender essa explica\u00e7\u00e3o em termos morais. Embora pare\u00e7a ser uma moral, na verdade, chama-se de Impecabilidade. <strong>A impecabilidade nada mais \u00e9 do que o uso apropriado da energia. <\/strong><\/p>\n<p>Essas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem um pingo de moralidade. Economizando energia, me torno impec\u00e1vel. Para saber disso, \u00e9 necess\u00e1rio se economizar energia suficiente. <strong>Para poupar energia, os guerreiros elaboram listas estrat\u00e9gicas.<\/strong> Anotam tudo o que fazem. Depois decidem quais dessas coisas podem ser mudadas de modo a permitir que poupem parte da energia que dispendem. Essa lista cobre apenas padr\u00f5es de comportamento que n\u00e3o s\u00e3o essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia e ao bem-estar.<\/p>\n<p>Uma das primeiras preocupa\u00e7\u00f5es dos guerreiros \u00e9 libertar aquela energia para poder encarar o desconhecido com ela. A a\u00e7\u00e3o de recanalizar aquela energia \u00e9 a impecabilidade. A estrat\u00e9gia mais eficaz elaborada pelos videntes da Conquista, mestres inquestion\u00e1veis da espreita. Consiste de seis elementos que interagem entre si. Cinco deles s\u00e3o chamados de atributos do guerreiro: <strong>controle, disciplina, paci\u00eancia, oportunidade e vontade<\/strong>. Estes dizem respeito ao mundo do guerreiro que est\u00e1 lutando para perder a vaidade. O sexto elemento, talvez o mais importante de todos, pertence ao mundo exterior, e \u00e9 chamado de pequeno tirano. <strong>Um pequeno tirano \u00e9 um atormentador. <\/strong>Algu\u00e9m que ou mant\u00e9m poder de vida e morte sobre guerreiros ou simplesmente os perturba, levando-os \u00e0 distra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os novos videntes desenvolveram sua pr\u00f3pria classifica\u00e7\u00e3o de pequenos tiranos; embora o conceito seja uma de suas descobertas mais s\u00e9rias e importantes, os novos videntes tinham senso de humor a esse respeito. H\u00e1 uma isca de mal\u00edcia em cada uma dessas classifica\u00e7\u00f5es, pois o humor era o \u00fanico meio de fazer frente \u00e0 compuls\u00e3o da consci\u00eancia humana de elaborar listas e classifica\u00e7\u00f5es inc\u00f4modas.<\/p>\n<p>Os novos videntes, de acordo com a sua pr\u00e1tica, acharam oportuno encabe\u00e7ar sua classifica\u00e7\u00e3o com a fonte prim\u00e1ria de energia, o \u00fanico e absoluto governante do universo, e chamaram-no simplesmente de Tirano. O restante dos d\u00e9spotas e autorit\u00e1rios foi considerado, naturalmente, infinitamente abaixo da categoria de tirano. Comparados \u00e0 fonte de tudo, os homens mais assustadores e tir\u00e2nicos s\u00e3o buf\u00f5es; em conseq\u00fc\u00eancia disso, foram classificados de pequenos tiranos, pinches tiranos.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas subclasses de pequenos tiranos inferiores. A primeira subclasse reune os pequenos tiranos que perseguem e infligem mis\u00e9ria, mas sem chegar a causar a morte de ningu\u00e9m. Esses foram chamados de pequenos tiraninhos, pinches tiranitos. A segunda consistia dos pequenos tiranos que s\u00e3o apenas desesperantes e aborrecidos ao extremo. Estes foram chamados de min\u00fasculos tiraninhos, repinches tiranitos, ou min\u00fasculos pequenos tiraninhos, pinches tiranitos chiquititos. Por mais que essas classifica\u00e7\u00f5es pare\u00e7am \u00e0 primeira vista rid\u00edculas, elas s\u00e3o excelentes segundo a classifica\u00e7\u00e3o dos novos videntes. Os novos videntes eram terrivelmente irreverentes.<\/p>\n<p>Os pequenos tiraninhos s\u00e3o ainda divididos em quatro categorias. Uma que atormenta com brutalidade e viol\u00eancia. Outra que o faz criando uma ansiedade intoler\u00e1vel atrav\u00e9s da desonestidade. Outra que oprime com a tristeza. E a \u00faltima, que atormenta fazendo os guerreiros se enraivecerem.<\/p>\n<p>Os novos videntes conceberam uma manobra mortal, na qual o pequeno tirano \u00e9 como um pico montanhoso e os atributos do guerreiro s\u00e3o como alpinistas que se encontram no topo.<\/p>\n<p>Normalmente, apenas quatro atributos s\u00e3o usados. O quinto, a vontade, \u00e9 sempre reservado para uma confronta\u00e7\u00e3o extrema, quando os guerreiros est\u00e3o diante do esquadr\u00e3o de fuzilamento, por assim dizer. <strong>A vontade pertence \u00e0 outra esfera, o desconhecido.<\/strong> Os outros quatro pertencem ao conhecido, exatamente onde est\u00e3o alojados os pequenos tiranos.<\/p>\n<p><strong>O que transforma os seres humanos em tiranos \u00e9 precisamente a manipula\u00e7\u00e3o obsessiva do conhecido.<\/strong><\/p>\n<p>Uma das maiores conquistas dos videntes da Conquista \u00e9 um conceito chamado de progress\u00e3o de tr\u00eas fases. Compreendendo a natureza do homem, eles foram capazes de chegar \u00e0 incontest\u00e1vel conclus\u00e3o de que, se os videntes conseguem manter-se inteiros ao defrontar-se com pequenos tiranos, podem certamente encarar o desconhecido com impunidade, e ent\u00e3o podem suportar at\u00e9 mesmo a presen\u00e7a do incognosc\u00edvel. Um homem comum pode pensar que a ordem dessa afirma\u00e7\u00e3o deveria ser invertida. O vidente que pode permanecer inteiro em face do desconhecido pode certamente encarar pequenos tiranos. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. O que destruiu videntes soberbos dos tempos antigos foi essa presun\u00e7\u00e3o. Agora, j\u00e1 se sabe.<\/p>\n<p>Sabe-se que nada pode temperar tanto o esp\u00edrito de um guerreiro quanto o desafio de lidar com pessoas intoler\u00e1veis em posi\u00e7\u00f5es de poder. Apenas sob essas condi\u00e7\u00f5es podem os guerreiros adquirir sobriedade e serenidade para suportar a press\u00e3o do incognosc\u00edvel.<\/p>\n<p>Os novos videntes compreenderam que existem quatro passos no caminho do conhecimento: O primeiro passo \u00e9 a decis\u00e3o de tornar-se aprendiz. Depois que os aprendizes mudam sua vis\u00e3o sobre si mesmos e sobre o mundo d\u00e3o o segundo passo e tornam-se guerreiros, ou seja, seres capazes de extrema disciplina e autocontrole. O terceiro passo, depois de adquirirem paci\u00eancia e senso de oportunidade, \u00e9 tornar-se um homem de conhecimento. <strong>Quando homens de conhecimento aprendem a ver, d\u00e3o o quarto passo, tornando-se videntes. <\/strong><\/p>\n<p>Os homens comuns enganam-se ao se confrontarem-se com pequenos tiranos sem possu\u00edrem uma estrat\u00e9gia que os ap\u00f3ie; <strong>a falha fatal \u00e9 que os homens comuns levam-se por demais a s\u00e9rio<\/strong>; suas a\u00e7\u00f5es e sentimentos, assim como as a\u00e7\u00f5es e sentimentos dos pequenos tiranos, s\u00e3o de suma import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os guerreiros, por outro lado, n\u00e3o apenas t\u00eam uma estrat\u00e9gia bem elaborada como est\u00e3o livres da vaidade. O que restringe sua vaidade \u00e9 que eles compreenderam que a realidade \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o que fazemos. Esse conhecimento era a vantagem definitiva que os videntes tinham sobre os espanh\u00f3is simpl\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Pode-se derrotar um pequeno tirano a partir de uma \u00fanica percep\u00e7\u00e3o:<\/strong> a de que os pequenos tiranos levam-se mortalmente a s\u00e9rio, ao contr\u00e1rio dos guerreiros. O que geralmente nos exaure numa situa\u00e7\u00e3o de confronto com um pequeno tirano, \u00e9 o desgaste em nossa vaidade. Qualquer homem que tenha um pingo de orgulho dilacera-se quando o fazem sentir-se desvalorizado. <strong>Dominar o esp\u00edrito quando algu\u00e9m est\u00e1 pisando em voc\u00ea chama-se &#8220;controle&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de sentir pena de si mesmo, o guerreiro busca informa\u00e7\u00f5es que possam ajud\u00e1-lo a vencer a situa\u00e7\u00e3o, mesmo estando em desvantagem. <strong>Juntar toda essa informa\u00e7\u00e3o, enquanto est\u00e3o batendo em voc\u00ea chama-se &#8220;disciplina&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Saber que est\u00e1 esperando e pelo que se est\u00e1 esperando. Essa \u00e9 a grande alegria do guerreiro. O sentido de oportunidade do guerreiro \u00e9 a qualidade que governa a libera\u00e7\u00e3o de tudo o que est\u00e1 contido.<\/p>\n<p><strong>Controle, disciplina e paci\u00eancia s\u00e3o como um dique por tr\u00e1s do qual tudo \u00e9 represado. O sentido de oportunidade \u00e9 a abertura do dique.<\/strong> Paci\u00eancia significa reter com o esp\u00edrito algo que o guerreiro sabe que, por justi\u00e7a, deve fazer. Isto n\u00e3o significa que um guerreiro saia por a\u00ed planejando causar preju\u00edzos a algu\u00e9m ou acertar contas passadas. A paci\u00eancia \u00e9 algo independente. Desde que o guerreiro tenha controle, disciplina e sentido de oportunidade, a paci\u00eancia assegura dar o que se deve a quem quer que o mere\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo os mais min\u00fasculos tiranos podem derrotar um guerreiro a qualquer tempo. As conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o medonhas como no passado. Hoje, os guerreiros podem recuperar-se e voltar mais tarde. No entanto, ser derrotado por um min\u00fasculo pequeno tiraninho n\u00e3o \u00e9 mortal, mas \u00e9 devastador. O grau de mortalidade, no sentido figurado, \u00e9 quase t\u00e3o alto.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que, os guerreiros que sucumbem a um min\u00fasculo pequeno tiraninho s\u00e3o eliminados pelo seu pr\u00f3prio senso de fracasso e inutilidade. Isto pode significar alta mortalidade. Todos que se juntam ao pequeno tirano s\u00e3o derrotados. <strong>Agir com raiva, sem controle e disciplina, n\u00e3o ter paci\u00eancia, \u00e9 ser derrotado.<\/strong> Ap\u00f3s este fato, ou os guerreiros se reagrupam ou abandonam a busca de conhecimento e juntam-se \u00e0s fileiras dos pequenos tiranos por toda a vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Carlos Casta\u00f1eda &#8211; O FOGO INTERIOR (livro original) Adapta\u00e7\u00e3o livre de: Frater Goya (Anderson Rosa) &#8220;A vaidade \u00e9 nosso maior inimigo, pense sobre isso&#8230; o que nos enfraquece \u00e9 nos sentirmos ofendidos pelos feitos e desfeitas de nossos semelhantes. 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