{"id":651,"date":"2013-02-08T17:48:53","date_gmt":"2013-02-08T17:48:53","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=651"},"modified":"2013-02-09T04:29:30","modified_gmt":"2013-02-09T04:29:30","slug":"sincerus-renatus-e-o-codigo-rosacruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=651","title":{"rendered":"Sincerus Renatus e o C\u00f3digo Rosacruz"},"content":{"rendered":"<p>Por Frater Goya<br \/>\nEm Breslau, em 1724, surge, sob a assinatura de &#8220;Sincerus Renatus&#8221;, \u00a0um manifesto de 126 p\u00e1ginas, com um t\u00edtulo um tanto obscuro:<\/p>\n<p>&#8220;A verdadeira e perfeita prepara\u00e7\u00e3o da Pedra Filosofal, segundo os ensinamentos da fraternidade da Rosa-Cruz de Ouro. Nele consta, especialmente designada, a Mat\u00e9ria principal (Mat\u00e9ria-Prima) desse segredo, bem como a t\u00e9cnica &#8211; do come\u00e7o ao fim &#8211; das Opera\u00e7\u00f5es da Obra&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Em anexo, os estatutos da fraternidade em quest\u00e3o, juntamente com dados precisos \u00fateis e aut\u00eanticos. No fim do livro est\u00e3o relacionadas as experi\u00eancias realizadas pessoalmente pelo signat\u00e1rio. S\u00e3o comunicadas por um cora\u00e7\u00e3o caritativo para o aperfei\u00e7oamento moral dos pobres investigadores.&#8221;<\/p>\n<p>Do autor, pouco sabemos, al\u00e9m do fato de ele ser um pastor Luterano em Breslau, e que sua assinatura traduz seu nome: \u00a0Samuel Richter.<\/p>\n<p>Buscar mais sobre esta personalidade torna-se mesmo irrelevante, conforme podemos perceber pelo pref\u00e1cio:<br \/>\n&#8220;A fim de agir lealmente para com o leitor benevolente, declaramos-lhe que este livro n\u00e3o representa nossa obra pessoal, mas a do nosso Mestre na Arte Real, o qual n\u00e3o posso citar, e que nos confiou o resultado de seus trabalhos&#8221;.<\/p>\n<p>No final, insiste: &#8220;Ainda n\u00e3o \u00e9 chegado o tempo de revelar a Grande Obra. No momento n\u00f3s nos limitaremos a experimentar, deixando a gl\u00f3ria dos resultados obtidos ao Senhor que vive e reina eternamente&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Como qualquer documento alqu\u00edmico, \u00e9 enigm\u00e1tico, sendo mesmo imcompreens\u00edvel para aqueles que n\u00e3o possuem as chaves, passadas somente de boca a ouvido, transmitida pelo Mestre a seus disc\u00edpulos.<br \/>\nMas o processo alqu\u00edmico a que se refere nosso Sincerus Renatus, n\u00e3o \u00e9 a transmuta\u00e7\u00e3o dos metais vis em ouro ou prata, mas sim, a transmuta\u00e7\u00e3o do do homem inferior (chumbo), em seu aspecto mais elevado ou superior. De ser material, em ser espiritual, transformando-se no Ouro Macroc\u00f3smico. Esta \u00e9 a quintaess\u00eancia dos ensinamentos rosacruzes.<br \/>\nOs estatutos da tal fraternidade de rosacruzes s\u00e3o expl\u00edcitos. Possuem 52 Artigos, dos quais citaremos aqui apenas o essencial.<\/p>\n<p>1) O total dos membros da fraternidade poder\u00e1 ser de sessenta e tr\u00eas.<\/p>\n<p>2) Cada um deles viver\u00e1 de acordo com sua religi\u00e3o, sem que os outros irm\u00e3os lhe exijam satisfa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>3) O Imperator (Gr\u00e3o-Mestre) \u00e9 eleito por toda a vida e por unanimidade.<\/p>\n<p>5) Dois ou tr\u00eas irm\u00e3os n\u00e3o podem proceder a uma inicia\u00e7\u00e3o sem a aprova\u00e7\u00e3o do Imperator.<\/p>\n<p>6) Cada disc\u00edpulo obedecer\u00e1 \u00e0quele que o iniciou usque ad mortem (regra obidiens usque ad mortem = obedi\u00eancia at\u00e9 a morte).<\/p>\n<p>7) Os irm\u00e3os n\u00e3o devem comer em conjunto, exceto aos domingos.<\/p>\n<p>10) O aprendizado \u00e9 de dois anos, durante os quais o postulante \u00e9 instru\u00eddo progressivamente.<\/p>\n<p>11) Quando dois irm\u00e3os se encontram, o primeiro cumprimenta o outro com estas palavras: &#8220;Ave, Frater!&#8221;. O outro responde: &#8220;Rosae et Aurae&#8221;. O primeiro torna a dizer: &#8220;Crucis&#8221;. E, em seguida, ambos falam juntos:&#8221;Benedictus Dominus, Deus noster, qui dedit nobis signum&#8221;. E ent\u00e3o fazem o sinal de reconhecimento*.<\/p>\n<p>12) Quando um irm\u00e3o recebe o grau de magister, ele se compromete ante Deus a n\u00e3o us\u00e1-lo em benef\u00edcio pr\u00f3prio, nem para sublevar um Estado, ou para servir a um tirano.<\/p>\n<p>13) Quando os irm\u00e3os desejam conversar entre si sobre os nossos mist\u00e9rios, dever\u00e3o escolher um local fechado e secreto.<\/p>\n<p>17) Os irm\u00e3os n\u00e3o devem casar-se.<\/p>\n<p>23) \u00c9 proibido revelar qualquer manipula\u00e7\u00e3o, congela\u00e7\u00e3o ou divis\u00e3o da Mat\u00e9ria-Prima.<\/p>\n<p>24) Se um irm\u00e3o deseja dar-se a conhecer numa cidade, para ela dever\u00e1 dirigir-se no dia da P\u00e1scoa ao nascer do sol, para perto da porta oriental que fica no campo&#8230; Caso se encontre com outro irm\u00e3o, dever\u00e1 saud\u00e1-lo conforme o cerimonial (cf. art.11)<\/p>\n<p>25) A cada dez anos o Imperator mudar\u00e1 seu estado civil profano, seu local de resid\u00eancia e seu nomen mysticum: tudo sob o maior segredo.<\/p>\n<p>26) (e continua\u00e7\u00e3o) &#8211; Cada irm\u00e3o adotar\u00e1 um nomen mysticum. N\u00e3o dever\u00e1 permanecer mais de dez anos fora da sua p\u00e1tria. Que ele se proteja dos fan\u00e1ticos, e desconfie dos monges.<\/p>\n<p>33) Que os irm\u00e3os se re\u00fanam por ocasi\u00e3o da P\u00e1scoa em uma de nossas casas.<\/p>\n<p>34) Quando os irm\u00e3os viajam, n\u00e3o devem ocupar-se com mulheres, mas sim entreterem-se com um ou dois amigos, n\u00e3o iniciados.<\/p>\n<p>35) Quando um irm\u00e3o deixa uma cidade, n\u00e3o dever\u00e1 contar para onde vai; ter\u00e1 que vender aquilo que n\u00e3o pode levar, e dar\u00e1 ordens ao seu vizinho para distribuir o lucro aos pobres, caso n\u00e3o tenha regressado ao fim de seis semanas.<\/p>\n<p>42) Ao se desejar escolher um sucessor, este dever\u00e1 ter o menor n\u00famero poss\u00edvel de amigos; jurar\u00e1 n\u00e3o comunicar-lhes o m\u00ednimo segredo.<\/p>\n<p>44) Se, por acidente ou por imprud\u00eancia, um irm\u00e3o \u00e9 descoberto por um tirano, deve preferir morrer a trair nossos segredos.<\/p>\n<p>45) A inicia\u00e7\u00e3o tem lugar ante 6 irm\u00e3os, ap\u00f3s o ne\u00f3fito ter sido suficientemente instru\u00eddo. Eis a f\u00f3rmula do juramento que ele deve pronunciar:<br \/>\n&#8220;Eu, N&#8230;N&#8230;, prometo ao Deus eterno e vivo n\u00e3o revelar a nenhum ser humano os segredos da Rosa-Cruz de Ouro, passar minha vida ocultando o sinal de reconhecimento, jamais revelar a m\u00ednima coisa sobre os resultados desse segredo, conhecidos, lidos ou aprendidos por mim; nada dizer a respeito do local de nossa fraternidade, do nome do Imperator, n\u00e3o mostrar a quem quer que seja a Mat\u00e9ria-Prima ou a Pedra dos S\u00e1bios. Juro sobre tudo isso um sil\u00eancio eterno, com o risco de minha pr\u00f3pria vida. E para provar, que Deus e Seu Verbo me protejam&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Em seguida, cortam-se sete mechas de cabelo do candidato, depositando-as num saquinho selado com seu nome.<\/p>\n<p>No dia seguinte servem em sil\u00eancio uma refei\u00e7\u00e3o em comum. Ao se despedir, os irm\u00e3os se cumprimentam assim: &#8220;Frater Rosae et Aurae crucis, Deus sit tecum perpetuo silentio Deo promissio, et nostrae sanctae congregationi&#8221;. Essa cerim\u00f4nia se repete durante tr\u00eas dias. Depois, ent\u00e3o, cada um oferece uma esmola aos pobres.<\/p>\n<p>50) Os irm\u00e3os dever\u00e3o chamar-se pelo nomen mysticum que lhes foi atribu\u00eddo, mas ante os estranhos se designam pelo estado civil profano.<\/p>\n<p>52) Ao novo irm\u00e3o deve ser conferido o nomen do \u00faltimo morto da fraternidade.<\/p>\n<p>Em sua obra &#8220;Hist\u00f3ria e Doutrina dos Rosa-Cruzes&#8221;, S\u00e9dir escreve: &#8220;Eles (os rosacruzes de ouro) possuem sinais de reconhecimento, que costumam trocar a cada ano; usam uma j\u00f3ia feita com uma cruz e uma rosa por baixo do casaco e do lado esquerdo, pendurada numa fita de seda azul; conservam uma carta selada de seu Imperator, e, ao se encontrarem, enunciam uma senha.<\/p>\n<p>Pierre Montloin e Jean-Pierre Bayard descrevem a j\u00f3ia da Ordem: &#8220;uma cruz de Sto. Andr\u00e9, timbrada em cada \u00e2ngulo com a letra C, no centro uma rosa com cinco p\u00e9talas e depois doze p\u00e9talas conc\u00eantricas. Os quatro C significando &#8211; Crux Christi Corona Christianorum.<\/p>\n<p>A fraternidade era composta de duas ordens: a Ordem da Rosa-Vermelha &#8211; probat\u00f3ria &#8211; e a Ordem da Rosacruz de Ouro. Esta \u00faltima admitia nove t\u00edtulos ou graus:<\/p>\n<p>&#8211; Junior;<br \/>\n&#8211; Theoricus;<br \/>\n&#8211; Practicus;<br \/>\n&#8211; Philosophus Minor;<br \/>\n&#8211; Philosophus Major;<br \/>\n&#8211; Adeptus;<br \/>\n&#8211; Magister;<br \/>\n&#8211; Magus;<br \/>\n&#8211; Magus Magorum;<\/p>\n<p>E provavelmente, completados por:<br \/>\n&#8211; Vicarius Salomoni;<br \/>\n&#8211; Rex Salomonus.<\/p>\n<p>A pir\u00e2mide era completada por um \u00fanico personagem, misterioso ou m\u00edtico, do qual o Imperator era o legado: Ellie Artiste (Elias Artista), \u00e0quele anunciado no Evangelho de Jo\u00e3o: &#8220;O pai vos enviar\u00e1 um Consolador (ou defensor), a fim de que esteja sempre convosco, o Esp\u00edrito da Verdade, que o mundo n\u00e3o pode receber, porque n\u00e3o o v\u00ea nem o conhece; v\u00f3s o conheceis&#8230; (XIV, 17 e 26).<br \/>\nO mesmo personagem \u00e9 citado tamb\u00e9m por Paracelso**: &#8220;Elias Artista! G\u00eanio e reitor da Rosacruz. Paracelso prediz tua vinda, esp\u00edrito de liberdade, de ci\u00eancia e de amor que reinar\u00e1 sobre o mundo!&#8230; Ele, o esp\u00edrito radioso da Rosa e da Cruz.&#8221;<\/p>\n<p>Tais regras difundidas por Sincerus Renatus foram mais tarde incorporadas \u00e0 Hermetic Order of the Golden Dawn, assim como a estrutura de Graus atribu\u00edda aos Rosacruzes de Ouro.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>\nNOTAS:<\/p>\n<p>* Que consiste em cruzar os bra\u00e7os sobre o peito, defrontando-se e inclinando-se.<br \/>\n** Paracelso morreu em 1540. Talvez tivesse o dom da profecia, ou o texto seria um ap\u00f3crifo, ou talvez inspirou o movimento dos Rosacruzes de Ouro, e ainda talvez, a irmandade seja anterior ao que se conhece documentalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Frater Goya Em Breslau, em 1724, surge, sob a assinatura de &#8220;Sincerus Renatus&#8221;, \u00a0um manifesto de 126 p\u00e1ginas, com um t\u00edtulo um tanto obscuro: &#8220;A verdadeira e perfeita prepara\u00e7\u00e3o da Pedra Filosofal, segundo os ensinamentos da fraternidade da Rosa-Cruz de Ouro. Nele consta, especialmente designada, a Mat\u00e9ria principal (Mat\u00e9ria-Prima) desse segredo, bem como a &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=651\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9691,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,88],"tags":[247,99,91,94,35,239,95,96,92,90,89,252,93],"class_list":["post-651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-golden-dawn","category-rosacruz","tag-alquimia","tag-amorc","tag-circulo-iniciatico-de-hermes","tag-elias-artista","tag-frater-goya","tag-golden-dawn","tag-helias","tag-iniciacao","tag-materia-prima","tag-paracelso","tag-rosacrucianismo-2","tag-rosacruz","tag-sincerus-renatus","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9691"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}