{"id":308,"date":"2012-04-11T19:26:54","date_gmt":"2012-04-11T19:26:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=308"},"modified":"2013-02-14T10:39:15","modified_gmt":"2013-02-14T10:39:15","slug":"rosacruzes-e-rosacrucianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=308","title":{"rendered":"ROSACRUZES E ROSACRUCIANOS"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Por <\/span><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\"><strong>Ren\u00e9 Gu\u00e9non<br \/>\n<\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o e notas: <strong>Fr. Goya (Anderson Rosa)<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Uma vez que fomos conduzidos a falar dos Rosacruzes, n\u00e3o ser\u00e1 talvez in\u00fatil, ainda que este tema se refira a um caso mais particular que a inicia\u00e7\u00e3o em geral, agregar a isso algumas corre\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que em nossos dias, este nome de Rosacruz se emprega de uma maneira vaga e freq\u00fcentemente abusiva, e se aplica indistintamente a personagens diferentes, entre os quais sem d\u00favida, muito poucos teriam realmente direito a ele. Para evitar todas essas confus\u00f5es, parece que o melhor seria estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o clara entre Rosacruz e Rosacrucianos, de onde este \u00faltimo termo pode receber sem inconveniente uma extens\u00e3o mais ampla que o primeiro; e \u00e9 prov\u00e1vel que a maioria dos pretensos Rosacruzes, designados comumente como tais, n\u00e3o foram verdadeiramente mais que Rosacrucianos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">ROSACRUZES E ROSACRUCIANOS<br \/>\n<\/span><\/span><\/strong><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Por <strong>Ren\u00e9 Gu\u00e9non<br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Tradu\u00e7\u00e3o e notas: <strong>Fr. Goya (Anderson Rosa)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Uma vez que fomos conduzidos a falar dos Rosacruzes, n\u00e3o ser\u00e1 talvez in\u00fatil, ainda que este tema se refira a um caso mais particular que a inicia\u00e7\u00e3o em geral, agregar a isso algumas corre\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que em nossos dias, este nome de Rosacruz se emprega de uma maneira vaga e freq\u00fcentemente abusiva, e se aplica indistintamente a personagens diferentes, entre os quais sem d\u00favida, muito poucos teriam realmente direito a ele. Para evitar todas essas confus\u00f5es, parece que o melhor seria estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o clara entre Rosacruz e Rosacrucianos, de onde este \u00faltimo termo pode receber sem inconveniente uma extens\u00e3o mais ampla que o primeiro; e \u00e9 prov\u00e1vel que a maioria dos pretensos Rosacruzes, designados comumente como tais, n\u00e3o foram verdadeiramente mais que Rosacrucianos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Para compreender a utilidade e a import\u00e2ncia desta distin\u00e7\u00e3o, \u00e9 mister primeiramente recordar que, como j\u00e1 dissemos em algum momento, os verdadeiros Rosacruzes nunca constitu\u00edram uma organiza\u00e7\u00e3o com formas exteriores definidas, e que, a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XVII pelo menos, houve n\u00e3o obstante numerosas associa\u00e7\u00f5es que se podem qualificar de rosacrucianas, o que n\u00e3o quer dizer de modo algum que seus membros foram Rosacruzes; pode-se inclusive estar seguro de que n\u00e3o eram, e isso unicamente pelo fato de que formavam parte de tais associa\u00e7\u00f5es, o que pode parecer paradoxal e inclusive contradit\u00f3rio \u00e0 primeira vista, mas que \u00e9 sem d\u00favida facilmente compreens\u00edvel depois das considera\u00e7\u00f5es que expusemos anteriormente.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">A distin\u00e7\u00e3o que indicamos est\u00e1 longe de reduzir-se a uma simples quest\u00e3o de terminologia, e se vincula na realidade a algo que \u00e9 de ordem muito mais profunda, posto que o termo Rosacruz, como explicamos, \u00e9 propriamente uma a designa\u00e7\u00e3o de um grau inici\u00e1tico efetivo, quer dizer, de um certo estado espiritual, cuja posse, evidentemente, n\u00e3o est\u00e1 ligada necessariamente ao fato de pertencer a uma certa organiza\u00e7\u00e3o definida. O que representa, \u00e9 o que se pode chamar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o do estado humano, j\u00e1 que o s\u00edmbolo mesmo da Rosacruz, pelos dois elementos dos quais \u00e9 composto, figura a reintegra\u00e7\u00e3o do ser no centro deste estado e a plena expans\u00e3o de suas possibilidades individuais a partir desse centro; por conseguinte, marca muito precisamente a restaura\u00e7\u00e3o do &#8220;estado primordial&#8221;, ou, o que equivale ao mesmo, o t\u00e9rmino da inicia\u00e7\u00e3o aos &#8220;mist\u00e9rios menores&#8221;. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Por outro lado, desde o ponto de vista que se pode chamar &#8220;hist\u00f3rico&#8221;, \u00e9 mister ter em conta o fato de que esta designa\u00e7\u00e3o de Rosacruz, ligada expressamente ao uso de um certo simbolismo, n\u00e3o foi empregada mais que em algumas determinadas circunst\u00e2ncias determinadas de tempo e lugar, fora das quais seria ileg\u00edtimo aplic\u00e1-la; poderia se dizer que aqueles que possu\u00edam o grau de que se trata, apareceram como Rosacruz nessas circunst\u00e2ncias, unicamente e por raz\u00f5es contingentes, como, em outras circunst\u00e2ncias, puderam aparecer sob outros nomes e sob outros aspectos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Isso, bem entendido, n\u00e3o quer dizer que o s\u00edmbolo mesmo a que se refere este nome n\u00e3o possa ser muito mais antigo que o emprego que se fez dele, e inclusive, como \u00e9 para todo s\u00edmbolo tradicional, seria sem d\u00favida completamente v\u00e3o buscar-lhe uma origem definida. O que queremos dizer, \u00e9 somente que o nome retirado do s\u00edmbolo n\u00e3o foi aplicado a um grau inici\u00e1tico a n\u00e3o ser a partir do s\u00e9c. XIV, e, ademais, unicamente no mundo ocidental; assim pois, n\u00e3o se aplica mais que em rela\u00e7\u00e3o a uma certa forma tradicional, que \u00e9 a do esoterismo crist\u00e3o, ou, mais precisamente , a do hermetismo crist\u00e3o; voltaremos mais adiante sobre o que \u00e9 mister entender exatamente pelo termo &#8220;hermetismo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">O que acabamos de dizer \u00e9 indicado pela &#8220;lenda&#8221; de Christian Rosenkreutz, cujo nome \u00e9 por demais simb\u00f3lico, e no que \u00e9 muito duvidoso que seja necess\u00e1rio ver um personagem hist\u00f3rico, mesmo que alguns tenham dito que ele, sen\u00e3o que parece mais uma como uma representa\u00e7\u00e3o do que se pode chamar de uma &#8220;entidade coletiva&#8221;. O sentido geral da &#8220;lenda&#8221; deste suposto fundador, e em particular as viagens que lhe s\u00e3o atribu\u00eddas, parece ser que, depois da destrui\u00e7\u00e3o da Ordem do Templo, os iniciados ao esoterismo crist\u00e3o se reorganizaram, de acordo com os iniciados ao esoterismo isl\u00e2mico, para manter, na medida do poss\u00edvel, o la\u00e7o que havia sido aparentemente rompido por essa destrui\u00e7\u00e3o; mas esta reorganiza\u00e7\u00e3o fez-se de uma maneira mais oculta, invis\u00edvel em certo modo, e sem tomar seu apoio em uma institui\u00e7\u00e3o conhecida exteriormente e que, como tal, haveria podido ser destru\u00edda uma vez mais. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Os verdadeiros Rosacruzes foram propriamente os inspiradores desta reorganiza\u00e7\u00e3o, ou, como queira, foram os possuidores do grau inici\u00e1tico do que temos falado, considerados especialmente entanto que desempenharam este papel, que se continuou at\u00e9 o momento onde, a conseq\u00fc\u00eancia de outros acontecimentos hist\u00f3ricos, o la\u00e7o tradicional do que se trata foi definitivamente rompido para o mundo ocidental, o que se produziu no curso do s\u00e9c. XVII. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Diz-se que os Rosacruz se retiraram ent\u00e3o ao oriente, o que significa que, adiante, j\u00e1 n\u00e3o houve no ocidente nenhuma inicia\u00e7\u00e3o que permita alcan\u00e7ar efetivamente este grau, e tamb\u00e9m que a a\u00e7\u00e3o que se exerceu por seu meio para a manuten\u00e7\u00e3o do ensinamento tradicional correspondente deixou de manifestar-se, ao menos de uma maneira regular e normal.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Quanto a saber quais foram os verdadeiros Rosacruzes, e saber com certeza se tal ou qual personagem foi um deles, isso parece completamente imposs\u00edvel, e por conseguinte puramente interior, do que seria muito imprudente querer julgar segundo quaisquer sinais exteriores. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Ademais, em raz\u00e3o da natureza de seu papel, estes Rosacruzes, como tais, n\u00e3o puderam deixar nenhum rastro vis\u00edvel na hist\u00f3ria profana, de sorte que, inclusive caso fosse poss\u00edvel conhecer seus nomes, sem d\u00favida n\u00e3o ensinariam nada a ningu\u00e9m. Ademais, a esse respeito, remetemos ao que j\u00e1 dissemos das mudan\u00e7as de nomes, e que explica suficientemente o que a coisa pode ser na realidade. No que se refere aos personagens cujos nomes s\u00e3o conhecidos, concretamente como autores de tais e quais escritos, e que se designam comumente como Rosacruz, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que, em muitos casos, foram influenciados ou inspirados mais ou menos diretamente pelos Rosacruzes, aos quais serviram de certo modo como porta-voz, o que expressaremos dizendo que foram somente Rosacrucianos, seja que tenham pertencido ou n\u00e3o a algum dos grupos aos quais pode-se dar a mesma denomina\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Pelo contr\u00e1rio, se encontrou excepcionalmente e como por acidente que um verdadeiro Rosacruz tenha jogado um papel nos acontecimentos exteriores, isso seria em certo modo, apesar de sua qualidade melhor que a causa dela, e ent\u00e3o os historiadores podem estar muito longe de suspeitar essa qualidade, a tal ponto que as duas coisas pertencem a dom\u00ednios diferentes. Tudo isso, certamente, \u00e9 pouco satisfat\u00f3rio para os curiosos, mas devem tomar seu partido; muitas coisas escapam assim aos meios de investiga\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria profana, que for\u00e7osamente, por sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o permitem apreender nada mais que o que se pode chamar de &#8220;exterior&#8221; dos acontecimentos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">\u00c9 necess\u00e1rio todavia agregar outra raz\u00e3o pela qual os verdadeiros Rosacruz devem permanecer sempre desconhecidos: \u00e9 que nenhum deles nunca pode afirmar tal, como tampouco, na inicia\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, nenhum (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>) aut\u00eantico pode prevalecer-se deste t\u00edtulo. Nisso h\u00e1 inclusive uma semelhan\u00e7a que \u00e9 interessante destacar, ainda que, para dizer a verdade, n\u00e3o haja equival\u00eancia entre as duas denomina\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que o que \u00e9 implicado no nome de (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>) \u00e9 na realidade de uma ordem mais elevada que o que implica o de Rosacruz e se refere a possibilidades que superam as do estado humano, considerado inclusive em sua perfei\u00e7\u00e3o; a rigor, deveria reservar-se exclusivamente ao ser que atingiu a realiza\u00e7\u00e3o da &#8220;Identidade Suprema&#8221;, quer dizer, a meta \u00faltima de toda a inicia\u00e7\u00e3o; mas n\u00e3o deve-se dizer que tal ser possui <em>a fortiori <\/em>o grau que faz o Rosacruz e pode, se h\u00e1 lugar nele, desempenhar as fun\u00e7\u00f5es correspondentes. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Ademais, se faz comumente do nome de (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>) o mesmo abuso que do nome Rosacruz, at\u00e9 aplicar-lhe \u00e0s vezes aos que est\u00e3o somente na via que conduz a inicia\u00e7\u00e3o efetiva, sem haver alcan\u00e7ado todavia nem sequer os primeiros graus desta; e, a esse prop\u00f3sito, pode-se notar que, n\u00e3o menos corrente, se d\u00e1 uma extens\u00e3o ileg\u00edtima parecida \u00e0 palavra <em>Yog\u00ee <\/em>no que concerne \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o hind\u00fa, de sorte que esta palavra, a meta suprema e que \u00e9 assim o equivalente exato de (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>), chega a ser aplicada ali a aqueles que n\u00e3o est\u00e3o todavia mais que em suas etapas preliminares e inclusive em sua prepara\u00e7\u00e3o mais exterior. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Assim pois, n\u00e3o somente em semelhante caso, sen\u00e3o inclusive para ele que chegou aos graus mais elevados, sem haver chegado n\u00e3o obstante ao termo final, a designa\u00e7\u00e3o que conv\u00e9m propriamente \u00e9 a de <em>muta\u00e7awwuf<\/em>; e, como o (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>), mesmo n\u00e3o est\u00e1 marcada por nenhuma distin\u00e7\u00e3o exterior, esta mesma designa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m a \u00fanica que poder\u00e1 tomar ou aceitar, n\u00e3o em virtude de considera\u00e7\u00f5es puramente humanas como a prud\u00eancia ou a humildade, sen\u00e3o porque seu estado espiritual constitui verdadeiramente um segredo incomunic\u00e1vel. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">\u00c9 uma distin\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a essa, em uma ordem mais restrita (posto que n\u00e3o ultrapassa os limites do estado humano), a que se pode expressar pelos termos de Rosacruz e Rosacrucianismo, distin\u00e7\u00e3o na que esse \u00faltimo pode designar a todo aspirante ao estado de Rosacruz, a qualquer grau que tenha atingido efetivamente, e inclusive se todavia n\u00e3o recebeu mais que uma inicia\u00e7\u00e3o simplesmente virtual na forma a que esta designa\u00e7\u00e3o conv\u00e9m propriamente de fato. Por outro lado, do que acabamos de dizer pode-se retirar um tipo de crit\u00e9rio negativo, no sentido de que, se algu\u00e9m se declarou Rosacruz ou (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>), pode-se afirmar desde ent\u00e3o, sem ter a necessidade de examinar as coisas mais a fundo, que n\u00e3o o era certamente na realidade.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Outro crit\u00e9rio negativo resulta do fato de que os Rosacruz nunca se ligaram a nenhuma organiza\u00e7\u00e3o exterior, pode-se afirmar tamb\u00e9m que, ao menos fez parte dela ativamente, n\u00e3o foi um verdadeiro Rosacruz. Ademais, deve-se destacar que as organiza\u00e7\u00f5es deste g\u00eanero n\u00e3o levaram o t\u00edtulo de Rosacruz sen\u00e3o muito tardiamente, posto que n\u00e3o as vemos surgir assim, como diz\u00edamos mais atr\u00e1s, al\u00e9m do come\u00e7o do s\u00e9c. XVII, quer dizer, pouco antes do momento em que os verdadeiros Rosacruzes se retiraram do ocidente; e \u00e9 inclusive vis\u00edvel, por muitos ind\u00edcios, que as organiza\u00e7\u00f5es que se fizeram conhecer ent\u00e3o sob este t\u00edtulo estavam j\u00e1 mais ou menos desviadas, ou em todo caso, muito afastadas da fonte original. Com maior raz\u00e3o a coisa foi assim para as organiza\u00e7\u00f5es que se constitu\u00edram mais tarde todavia sob o mesmo voc\u00e1bulo, e cuja maior parte n\u00e3o puderam reclamar sem d\u00favida, a respeito dos Rosacruz, nenhuma filia\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e regular, por indireta que fosse, e n\u00e3o falamos aqui, entenda-se bem, das m\u00faltiplas forma\u00e7\u00f5es pseudo-inici\u00e1ticas contempor\u00e2neas que n\u00e3o tem de rosacrucianismo nada al\u00e9m do nome usurpado, que n\u00e3o possuem nenhum rastro de uma doutrina tradicional qualquer, e que adotaram simplesmente, por uma iniciativa completamente individual de seus fundadores, um s\u00edmbolo que cada um interpreta segundo sua pr\u00f3pria fantasia, \u00e0 falta do conhecimento de seu sentido verdadeiro, que escapa t\u00e3o completamente a esses pretensos Rosacrucianos como ao primeiro profano que chega.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">H\u00e1 todavia um ponto sobre o qual devemos voltar com mais precis\u00e3o: dissemos que deve ter havido, na origem do Rosacrucianismo, uma colabora\u00e7\u00e3o entre iniciados aos dois esoterismos crist\u00e3o e isl\u00e2mico; esta colabora\u00e7\u00e3o deve ter se continuado tamb\u00e9m depois, posto que se tratava precisamente de manter o la\u00e7o entre as inicia\u00e7\u00f5es do oriente e ocidente. Iremos inclusive mais longe: os mesmos personagens, tenham vindo do cristianismo ou do islamismo, puderam, se viveram no oriente e no ocidente (e, \u00e0 parte de todo o simbolismo, as alus\u00f5es constantes a suas viagens fazem pensar que este deve ter sido o caso de muitos entre eles), a ser \u00e0s vezes Rosacruz e (<em>\u00fbf\u00ees ou muta\u00e7awwufin <\/em>dos graus superiores), posto que o estado espiritual que alcan\u00e7aram implicava em estarem al\u00e9m das diferen\u00e7as que existem entre as formas exteriores, e que n\u00e3o afetam em nada a unidade essencial e fundamental da doutrina tradicional. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Bem entendido, por isso n\u00e3o menos conveniente manter, entre <em>Ta\u00e7awwuf <\/em>e Rosacrucianismo, a distin\u00e7\u00e3o que \u00e9 a das formas diferentes do ensinamento tradicional; e os Rosacrucianos, disc\u00edpulos mais ou menos diretos dos Rosacruzes, s\u00e3o unicamente aqueles que seguem a via especial do hermetismo Crist\u00e3o; mas n\u00e3o pode haver nenhuma organiza\u00e7\u00e3o inici\u00e1tica plenamente digna deste nome e que possua a consci\u00eancia efetiva de sua meta, que n\u00e3o tenha acima de sua hierarquia, seres que tenham ultrapassado a diversidade das apar\u00eancias formais. Esses poderiam, segundo as circunst\u00e2ncias, aparecer como Rosacrucianos, como <em>muta\u00e7awwufin<\/em>, ou em outros aspectos todavia; eles s\u00e3o verdadeiramente o la\u00e7o vivo entre todas as tradi\u00e7\u00f5es, porque, por sua consci\u00eancia da unidade, participam efetivamente na grande Tradi\u00e7\u00e3o Primordial, da qual todas as demais se derivam por adapta\u00e7\u00e3o aos tempos e aos lugares, e que \u00e9 uma com a Verdade mesma.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">NOTAS:<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">1) Embora o autor use a palavra Rosacruz para indicar tanto o movimento quanto o indiv\u00edduo, usamos em portugu\u00eas as palavras Rosacruz e Rosacruzes para denominar um e outro, respectivamente. Mantivemos, para essa tradu\u00e7\u00e3o, a forma usada pelo autor. (N.T.)<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">2) \u00c9 a uma organiza\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero a que pertenceu concretamente Leibniz; falamos em outra parte da inspira\u00e7\u00e3o manifestadamente rosacruciana e de algumas de suas concep\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m temos mostrado que n\u00e3o era poss\u00edvel considerar-lhe sen\u00e3o como havendo recebido uma inicia\u00e7\u00e3o simplesmente virtual, e por demais incompleta inclusive sob o aspecto te\u00f3rico (Ver os princ\u00edpios do c\u00e1lculo infinitesimal).<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">3) Para o leitor que desconhece a terminologia oculta, podemos comparar os graus inici\u00e1ticos aos t\u00edtulos acad\u00eamicos, como Mestre e Doutor, por exemplo. Logo, Rosacruz seria um t\u00edtulo atingido num determinado desenvolvimento da carreira &#8220;oculta&#8221;. O que muitas escolas fazem portanto, ao usar o termo &#8220;Rosacruz&#8221; \u00e9 dar a escola a denomina\u00e7\u00e3o de um t\u00edtulo. \u00c9 algo t\u00e3o bizarro como encontrar uma Universidade de Doutorado S\u00e3o Cicrano. (N.T.)<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">4) Esta &#8220;lenda&#8221; \u00e9 em suma do mesmo g\u00eanero que as demais &#8220;lendas&#8221; inici\u00e1ticas que j\u00e1 fizemos alus\u00e3o anteriormente.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">5) Recordaremos aqui a alus\u00e3o que fizemos mais atr\u00e1s ao simbolismo inici\u00e1tico da viagem; pelo demais, sobre tudo em conex\u00e3o com o hermetismo, h\u00e1 muitas outras viagens, como as que Nicolas Flamel por exemplo, que parecem ter antes de tudo, um significado simb\u00f3lico.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">6) Da\u00ed o nome de &#8220;Col\u00e9gio dos Invis\u00edveis&#8221; dado algumas vezes \u00e0 coletividade dos Rosacruz.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">7) A data exata desta ruptura est\u00e1 marcada, na hist\u00f3ria exterior da Europa, pela conclus\u00e3o dos tratados da Westfalia, que puseram fim ao que subsistia todavia da &#8220;Cristandade&#8221; medieval para substitu\u00ed-la por uma organiza\u00e7\u00e3o puramente &#8220;pol\u00edtica&#8221; no sentido moderno desta palavra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">8) Seria completamente in\u00fatil buscar determinar &#8220;geograficamente&#8221; o lugar de retiro dos Rosacruz; de todas as asser\u00e7\u00f5es que se encontram sobre este ponto, a mais verdadeira \u00e9 certamente aquela segundo a qual se &#8220;retiraram ao reino do Prestes Jo\u00e3o&#8221;, n\u00e3o sendo este outra coisa, como explicamos em outra parte (O Rei do Mundo, pp. 13-15, ed. Francesa), que uma representa\u00e7\u00e3o do centro espiritual supremo, de onde se conservam efetivamente em estado latente, at\u00e9 o fim do ciclo atual, todas as formas tradicionais, que por uma raz\u00e3o ou por outra, deixaram de manifestar-se no exterior.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">9) \u00c9 muito duvidoso que um Rosacruz tenha escrito nunca ele mesmo nada, e, em todo caso, n\u00e3o poderia ser mais que de uma maneira estritamente an\u00f4nima, posto que sua qualidade mesma a impede apresentar-se ent\u00e3o como um simples indiv\u00edduo que fala em seu pr\u00f3prio nome.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">10) N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio indicar que a palavra (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>), pelo valor que a comp\u00f5e, equivalente num\u00e9rico <em>de el-hikmah elilahiyah<\/em>, quer dizer, &#8220;a sabedoria divina&#8221;. \u2013 A diferen\u00e7a do Rosacruz e dele (<em>\u00fbf\u00ee<\/em>) corresponde exatamente a que existe no Tao\u00edsmo entre o &#8220;homem verdadeiro&#8221; e o &#8220;homem transcendente&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">11) Ademais, em \u00e1rabe, esse \u00e9 um dos sentidos da palavra <em>sirr<\/em>, &#8220;segredo&#8221;, no emprego particular que faz dela a terminologia &#8220;t\u00e9cnica&#8221; do esoterismo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">12) Isso foi assim, verossimilmente, no s\u00e9c. XVIII, para as organiza\u00e7\u00f5es, tais como a que se conheceu com o nome de &#8220;Rosacruz de Ouro&#8221;.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">13) Curiosamente, na atualidade, assim como no in\u00edcio do s\u00e9c. XVII o termo Rosacruz parece empolgar uma multid\u00e3o de pessoas que nada conhecem a n\u00e3o ser a palavra. Do mesmo modo, in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es usam publicamente o nome de Rosacruz indevidamente, no simples intuito de possuir um t\u00edtulo pomposo e de usar esse nome para atrair mais membros \u00e0s suas fileiras. (N.T.)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ren\u00e9 Gu\u00e9non Tradu\u00e7\u00e3o e notas: Fr. Goya (Anderson Rosa) Uma vez que fomos conduzidos a falar dos Rosacruzes, n\u00e3o ser\u00e1 talvez in\u00fatil, ainda que este tema se refira a um caso mais particular que a inicia\u00e7\u00e3o em geral, agregar a isso algumas corre\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que em nossos dias, este nome de Rosacruz se emprega &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=308\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9691,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,88],"tags":[80,235,60,99,84,85,243,65,43,246,35,239,83,86,78,77,79,81,59,89,252,82,76,241],"class_list":["post-308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia","category-rosacruz","tag-80","tag-abramelin","tag-aleister-crowley","tag-amorc","tag-arcanos-maiores","tag-arcanos-menores","tag-astrologia","tag-aurora-dourada","tag-baralho","tag-enochiano","tag-frater-goya","tag-golden-dawn","tag-i-ching","tag-liber-al-vel-legis","tag-livro-da-lei","tag-livro-de-thoththelema","tag-magia","tag-magia-sexual","tag-mcgregor-mathers","tag-rosacrucianismo-2","tag-rosacruz","tag-tantra","tag-taro","tag-tarot","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9691"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}