{"id":292,"date":"2012-04-11T19:19:46","date_gmt":"2012-04-11T19:19:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=292"},"modified":"2012-04-11T19:19:46","modified_gmt":"2012-04-11T19:19:46","slug":"giordano-bruno-o-martirio-de-um-sabio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=292","title":{"rendered":"Giordano Bruno: o mart\u00edrio de um s\u00e1bio"},"content":{"rendered":"<p>A execu\u00e7\u00e3o de Bruno pelas Inquisi\u00e7\u00e3o representou o sinal do recome\u00e7o dos tempos obscurantistas que opuseram a f\u00e9 contra a ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/educaterra.terra.com.br\/educacao\/\">Terra Educa\u00e7\u00e3o <\/a><\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo e cientista Giordano Bruno pelas chamas da Inquisi\u00e7\u00e3o Romana no ano de 1600, foi um dos acontecimentos mais dram\u00e1ticos da \u00e9poca do Renascimento. Para alguns representou o fim da toler\u00e2ncia da Igreja Cat\u00f3lica para com a dissid\u00eancia representada por alguns s\u00e1bios, para outros foi o sinal do recome\u00e7o dos tempos obscurantistas que opuseram a f\u00e9 contra a ci\u00eancia num confronto que n\u00e3o teve mais fim. &#8220;Ainda que isso seja verdade, n\u00e3o quero cr\u00ea-lo; porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que esse infinito possa ser compreendido pela minha cabe\u00e7a, nem digerido pelo meu est\u00f4mago&#8230;&#8221; B\u00farquio, num di\u00e1logo de G.Bruno, in&#8221;&#8230; do infinito, do universo e dos mundos&#8221;, 1584.<\/p>\n<p><strong>A execu\u00e7\u00e3o de Bruno Giordano Bruno<\/strong><\/p>\n<p>Era o dia 17 de fevereiro de 1600 quando o l\u00fagubre cortejo saindo da pris\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o, ao lado da Igreja de S\u00e3o Pedro, seguiu pelas ruas de Roma at\u00e9 chegar no Campo dei Fiori, uma pra\u00e7a onde uma enorme pilha de lenhas amontoava-se ao redor de uma estaca fincada no terreno. Era a fogueira que iria abrasar vivo o fil\u00f3sofo Giordano Bruno. Trouxeram-no com uma morda\u00e7a na boca por temerem que ele pudesse dirigir algumas palavras perigosas ao povo que se juntava a sua passagem. Ao oferecerem-lhe o crucifixo para o beijo derradeiro, revirou os olhos.<\/p>\n<p>Em minutos, ao embalo das preces dos monges de San Giovanni Decollato, o verdugo jogou uma tocha na base da pira que, num instante, devorou-lhe as carnes. Estava feito.<\/p>\n<p>Talvez, naquele instante derradeiro, ele recordasse as palavras que certa vez escrevera num momento de profunda melancolia: Vejam, prognosticou Bruno, o que acontece a este cidad\u00e3o servidor do mundo que tem como o seu pai o Sol e a sua m\u00e3e a Terra, vejam como o mundo que ele ama acima de tudo o condena, o persegue e o far\u00e1 desaparecer. Morto aos 52 anos de idade, tornou-se um m\u00e1rtir do livre-pensamento, e um s\u00edmbolo da intoler\u00e2ncia da Contra-Reforma liderada pela Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p><strong>O processo da Inquisi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os agentes do Santo Of\u00edcio prenderam-no oito anos antes em Veneza, cidade onde o fil\u00f3sofo respondeu ao primeiro processo que a Inquisi\u00e7\u00e3o lhe moveu. Sabe-se com detalhes deste epis\u00f3dio porque a documenta\u00e7\u00e3o foi publicada em 1933, por Vicenzo Spampanato (*). Giordano Bruno, que h\u00e1 anos vivia no exterior, teria retornado \u00e0 It\u00e1lia em raz\u00e3o de um embuste. Uma dupla de livreiros, atendendo a um desejo de um nobre veneziano chamado Giovanni Mocenigo, ao encontrar Bruno na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1590, convidou-o para vir \u00e0 cidade dos doges a pretexto de ensinar a mnemot\u00e9cnica, a arte de desenvolver a mem\u00f3ria (tida como atividade m\u00e1gica, her\u00e9tica), na qual ele era um perito.<\/p>\n<p>Uns tempos depois da sua volta \u00e0 It\u00e1lia, devido a um \u00e1spero desentendimento, Mocenigo trancou-o num quarto da sua mans\u00e3o e chamou os agentes do t\u00e9trico tribunal inquisitorial para levarem-no preso, acusando-o de heresia. Encarceraram-no na pris\u00e3o de San Castello no dia 26 de maio de 1592.<\/p>\n<p>Na primeira vez em que o interrogaram, Bruno conciliou. De nada lhe serviu. Em seguida, o Santo Of\u00edcio de Roma, alegando soberania em casos de heresia, exigiu que o Doge, o governante de Veneza, mesmo a contragosto, lhe enviasse Bruno algemado. Enquanto n\u00e3o se deu o translado, al\u00e9m de terem-no torturado, colocaram-no num espantoso calabou\u00e7o. Era um po\u00e7o imundo, \u00famido e escuro como breu, cavado num por\u00e3o a beira do canal.<\/p>\n<p>A viagem a Roma, ainda que a ferros, deve ter-lhe parecido um alivio. O interrogat\u00f3rio e o ultimato de Giordano Bruno Em 27 de fevereiro de 1593 ele chegou \u00e0 pris\u00e3o papal. Seguiu-se ent\u00e3o um longo e morn\u00edssimo processo, onde os inquisidores n\u00e3o sabiam bem o que fazer com ele. Interrogou-o Roberto Bellarmino, o jesu\u00edta que, anos depois, em 1616, j\u00e1 Cardeal, iria tamb\u00e9m acusar Galileu Galilei.<\/p>\n<p>Sujeitaram-no a vinte e uma entrevistas. Ocorreu que nestes anos em que passou encarcerado, Bruno mudou sua posi\u00e7\u00e3o. O confinamento, a m\u00e1 comida, o frio permanente e a constante espionagem dos seus vizinhos de cela (nos processos encontram-se citados mais de cinco testemunhos deles), ao inv\u00e9s de enfraquecerem-lhe o \u00e2nimo, tiveram um efeito contr\u00e1rio. Al\u00e9m de aumentar o desprezo de Bruno pela Igreja, endureceu-lhe a posi\u00e7\u00e3o: &#8220;n\u00e3o creio em nada e n\u00e3o retrato nada, n\u00e3o h\u00e1 nada a retratar e n\u00e3o serei eu quem ir\u00e1 se retratar!&#8221;.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o foi esse o entender definitivo da Congrega\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio, que se reuniu em 21 de dezembro de 1599, presidida pelo Papa Clemente VIII. &#8220;Os padres te\u00f3logos&#8221;, determinou o documento final, &#8220;dever\u00e3o inculcar no dito frade Giordano (Bruno era frei dominicano, mas n\u00e3o mais vinculado \u00e0 ordem), que suas proposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o her\u00e9ticas e contr\u00e1rias \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica&#8230; Se as recha\u00e7ar como tais, se quiser abjur\u00e1-las, que seja admitido para a penit\u00eancia com as devidas penas. Se n\u00e3o, ser\u00e1 fixado um prazo de 40 dias para o arrependimento que se concede aos hereges impenitentes e pertinazes. Que tudo isso se fa\u00e7a da melhor maneira poss\u00edvel e na forma devida&#8221;.<\/p>\n<p>A leitura da senten\u00e7a Cabal\u00edstica atraiu Bruno Exigiram a rendi\u00e7\u00e3o final de Bruno: se abjurasse deixavam-no vivo. Ou ent\u00e3o o excomungavam e, em seguida, o entregavam ao bra\u00e7o secular para que aplicasse a senten\u00e7a de morte, &#8220;sem que o sangue fosse derramado&#8221;, isto \u00e9, o queimassem. O papa esperava um triunfo.<\/p>\n<p>A capitula\u00e7\u00e3o de Bruno teria um not\u00e1vel efeito propagand\u00edstico num ano da &#8220;gra\u00e7a&#8221; como o de 1600, troca de s\u00e9culo. Ele rejeitou. Conduziram-no, ent\u00e3o, \u00e0 pra\u00e7a Navone para escutar a senten\u00e7a no dia 8 de fevereiro. Ajoelhado em frente a nove inquisidores e ao governador da cidade, disse-lhes: &#8220;voc\u00eas certamente t\u00eam mais medo em pronunciar esta senten\u00e7a do que eu em escut\u00e1-la!&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O temperamento de Giordano Bruno<\/strong><\/p>\n<p>Afinal de contas qual era a causa desta infeliz celeuma? Testemunhos disseram que muito do desenlace infausto, para Bruno, e para a Igreja Cat\u00f3lica, deveu-se \u00e0 maneira de ser do fil\u00f3sofo. Bruno, um italiano de Nola, perto de N\u00e1poles, onde nascera numa fam\u00edlia da pequena nobreza local em 1548, era um temperamental, um tipo vulc\u00e2nico, dado a formid\u00e1veis explos\u00f5es col\u00e9ricas. Para um homem que se considerava em miss\u00e3o, ele era um desastre. Se medisse as palavras, se fosse mais sutil em defender suas id\u00e9ias, mais sedutor, talvez escapasse daquele fim terr\u00edvel. Provavelmente, como em tantos outros casos, o manteriam na pris\u00e3o, e s\u00f3 o queimariam em ef\u00edgie. Mas o monge era um polemista nato, vibrante, desaforado, um iconoclasta.<\/p>\n<p>Arrogante, disse aos inquisidores que j\u00e1 come\u00e7ara a duvidar dos dogmas da Igreja ao entrar no mosteiro aos 17 anos, e que sabia bem mais teologia do que todos os que o interrogavam. Giordano Bruno: errante e cosmopolita Ao ver desde cedo fechada a carreira acad\u00eamica e sacerdotal ao ter sido amea\u00e7ado de excomunh\u00e3o aos 28 anos (ele entrara como novi\u00e7o no Mosteiro de San Domenico Maggiore, onde Tom\u00e1s de Aquino morrera), Bruno, como se fora um cigano, tomou a estrada da vida.<\/p>\n<p>For\u00e7ou-se, desde ent\u00e3o, a peregrinar de cidade em cidade, tornando-se um cosmopolita a contragosto. Estar em Londres ou em Praga, em Wittemberg ou em Paris, era-lhe indiferente. Monge errante e renegado, a corte do rei franc\u00eas ou um sal\u00e3o de confer\u00eancias de uma universidade alem\u00e3 n\u00e3o lhe causava estranheza. Qualquer lugar lhe bastava. Tanto \u00e9 assim que ficou conhecido por ter dito que: &#8220;Al vero filosofo ogni terreno \u00e8 patria&#8221;, ao verdadeiro fil\u00f3sofo qualquer terreno \u00e9 a sua p\u00e1tria. Nada, pois, espantar-se em morar ele em Genebra, graduar-se em teologia em Toulouse, e logo ingressar no Col\u00e9gio dos Leitores Reais de Paris. N\u00e3o eram s\u00f3 as fronteiras dos reinos e dos principados que ele ignorava. Estar a Europa envolvida na Grande Guerra Civil Teol\u00f3gica travada desde 1517 entre cat\u00f3licos e protestante, n\u00e3o o abalava.<\/p>\n<p>Nada viu de mal em ser cat\u00f3lico e ao mesmo tempo ingressar numa congrega\u00e7\u00e3o luterana na Alemanha. Ele desconfiava dos c\u00e9sares que queriam unificar a Terra dotando-a de uma s\u00f3 lei e uma s\u00f3 f\u00e9, deplorando as t\u00e9cnicas que faziam com que os povos se aproximassem exageradamente. A simples exist\u00eancia das montanhas e dos mares, para ele, era uma advert\u00eancia feita pela natureza para que cada povo fosse mantido no seu devido lugar.<\/p>\n<p>Melhor que assim fosse para manter-se a paz. Bruno, enfim, opunha-se \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o deixa de ser contradit\u00f3rio para quem queria derrubar os muros que punham limites ao universo, mas aconselhava a manuten\u00e7\u00e3o deles aqui na Terra. A intoler\u00e2ncia das Igrejas Cosmo de Cop\u00e9rnico A Igreja Cat\u00f3lica, por sua vez, via-se atolada numa intermin\u00e1vel batalha de trincheiras, secular e teol\u00f3gica, contra a Igreja Reformada.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi sem raz\u00e3o que fez da Companhia de Jesus, fundada e mantida em disciplina militar pelo soldado espanhol In\u00e1cio de Loyola em 1540, a sua espada. Era um ex\u00e9rcito de uniforme preto, voltado para a\u00e7\u00e3o, para o assalto \u00e0s fortalezas da heresia.<\/p>\n<p>O Alto Clero Romano, e a corpora\u00e7\u00e3o sacerdotal em geral, tornara-se, no decorrer do s\u00e9culo 16, extremamente sens\u00edvel \u00e0s cr\u00edticas, reagindo com brutalidade contra quem ousasse desafiar-lhe a autoridade ou colocasse em d\u00favida os seus dogmas. A curiosidade, a bonomia, e a toler\u00e2ncia, com que muitos papas do passado trataram o ceticismo e a incredulidade de muitos homens s\u00e1bios, desapareceram com a morte de Le\u00e3o X, em 1521. Provocada por este clima radical de vida e morte, era natural que a Igreja Cat\u00f3lica, como a Reformada, exigissem de todos posi\u00e7\u00f5es bem definidas, a favor ou contra. Quem se mostrasse amb\u00edguo ou neutro, era potencialmente um inimigo a quem n\u00e3o se concederia nem perd\u00e3o, nem quartel.<\/p>\n<p>At\u00e9 o grande Erasmo de Roterd\u00e3, o maior homem de letras daquele s\u00e9culo, que falecera em 1536, e que tentou o quanto p\u00f4de manter-se eq\u00fcidistante, equilibrando-se entre as duas f\u00e9s hostis, sofreram a dolorosa experi\u00eancia de ver-se vilipendiado por ambos as partes.<\/p>\n<p><strong>A utopia de Bruno<\/strong><\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo, por\u00e9m, imaginou que se seguissem suas pr\u00e9dicas p\u00fablicas, como a que fizera em Oxford, em 1583, enaltecendo a doutrina de Cop\u00e9rnico e manifestando-se a favor da restaura\u00e7\u00e3o da magia e do hermetismo (a linguagem dos s\u00e1bios eg\u00edpcios do passado remoto), as brigas cessariam. Olimpicamente desconsiderou o cisma que ent\u00e3o dividia o mundo crist\u00e3o. Luteranos e cat\u00f3licos deixariam de se odiar, sonhou, se abra\u00e7assem \u00e0 verdadeira religi\u00e3o nascida \u00e0 sombra das pir\u00e2mides.<\/p>\n<p>Repetindo Marcilio Ficino, o fil\u00f3sofo renascentista que fundara a Academia Plat\u00f4nica, morto em 1499, gostava de lembrar que a cruz era, bem antes da crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus, um s\u00edmbolo sagrado de Isis, e fora bordada no peito de Ser\u00e1pis. Numa memor\u00e1vel invoca\u00e7\u00e3o que fez a Asclepius (Escul\u00e1pio), ap\u00f3s descrever o cen\u00e1rio de um mundo melanc\u00f3lico, sofrendo de total invers\u00e3o, onde &#8220;as trevas sepultar\u00e3o a luz&#8221;, e s\u00f3 &#8220;permaneceriam os anjos perniciosos&#8221;, Bruno n\u00e3o duvidava que Deus poria fim a tal mancha, &#8220;chamando para o novo mundo a sua antiga fisionomia&#8221;. <em>Isto \u00e9, restaurando o culto eg\u00edpcio<\/em>.<\/p>\n<p>Ele criticava o cristianismo ter destru\u00eddo as honor\u00e1veis religi\u00f5es do passado, pois eram tesouros de conhecimentos imemoriais.<\/p>\n<p>Vira em Hermes Trimegistro &#8211; um imagin\u00e1rio sacerdote eg\u00edpcio que, pela santidade da sua vida, pela dedica\u00e7\u00e3o aos cultos divinos, e majestosa dignidade, consagrara-se como Tr\u00eas Vezes Grande &#8211; o fundador da <em>prisca theologia<\/em>, a teologia antiga, de onde todas as outras derivaram.<\/p>\n<p>A doutrina helioc\u00eantrica de Cop\u00e9rnico, que ele difundiu em incont\u00e1veis e sensacionais confer\u00eancias nos meios acad\u00eamicos europeus, pareceu-lhe, pois, um sinal do inevit\u00e1vel retorno \u00e0s cren\u00e7as desaparecidas. A doutrina de Cop\u00e9rnico Para Bruno o grande astr\u00f4nomo polon\u00eas, ao colocar o Sol no centro do Cosmos, restaurara a antiga deidade eg\u00edpcia, restabelecendo o seu incomensur\u00e1vel fulgor.<\/p>\n<p>O entendimento que Bruno tinha, pois, da cosmologia de Cop\u00e9rnico estava mais pr\u00f3ximo de um profeta, nada se assemelhando ao de Galileu (este sim o fundador da f\u00edsica moderna, apoiada na matem\u00e1tica, na geometria, e na observa\u00e7\u00e3o direta, via telesc\u00f3pio, dos fen\u00f4menos celestes). \u00c9 prov\u00e1vel que Bruno tenha percebido as implica\u00e7\u00f5es \u00faltimas da ado\u00e7\u00e3o do heliocentrismo.<\/p>\n<p>O poder da Igreja, defensora da velha concep\u00e7\u00e3o c\u00f3smica (o geocentrismo de Ptolomeu), n\u00e3o ficaria inerte perante a prega\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo. Mesmo assim Bruno foi em frente, talvez, a fazer juz ao que certa vez ele aconselhara a um admirador a quem escreveu: &#8220;Persevere, caro, persevere! N\u00e3o te desencoraje, nem recue jamais porque, com o socorro de m\u00faltiplas maquina\u00e7\u00f5es e artif\u00edcios, o grande e solene senado da ignor\u00e2ncia disfar\u00e7ada, amea\u00e7ar\u00e1 e far\u00e1 destruir o divino empreendimento do teu grandioso trabalho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Antecipando o livre-pensar<\/strong><\/p>\n<p>Situando-se na tradi\u00e7\u00e3o renascentista dos simpatizantes da magia e do ocultismo, Bruno acreditava na liberdade, na toler\u00e2ncia, e no direito de dizer-se o que se pensa. Era, enfim, um entusiasta do Discurso da Dignidade do Homem de Picco de la Mirandola. O fasc\u00ednio que tinha por formas e maneiras diversas de perceber-se o mundo (interessou-se inclusive pela cabala judaica), derivou dele ver o universo, lembrou Jacques Attali, como que &#8220;composto por um n\u00famero limitado de letras elementares em formas geom\u00e9tricas, tri\u00e2ngulos, quadrados, c\u00edrculos, pir\u00e2mides curvas, etc.&#8221; Servindo tamb\u00e9m estes outros caminhos, como uma maneira para encontrar-se escapes \u00e0 crescente opress\u00e3o teol\u00f3gica exercida pelo catolicismo contra-reformista.<\/p>\n<p><strong>O mago eg\u00edpcio<\/strong><\/p>\n<p>Mantendo-se apenas formalmente como dominicano Bruno viu-se como um mago-herm\u00e9tico, uma esp\u00e9cie de sacerdote de Amon, renascido na Europa do s\u00e9culo 16. Observo que este tr\u00e1fico de Bruno entre a literatura cl\u00e1ssica e a literatura herm\u00e9tica, resultou, de certa forma, das suas leituras ca\u00f3ticas e vorazes feitas, ainda jovem, no Mosteiro de San Domenico, quando estudou Pit\u00e1goras, Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, os interpretes judeus da B\u00edblia, e inumer\u00e1veis tratados de astronomia. Saberes que, depois, se somaram ao conhecimento da obra de Tel\u00e9sio e a de Lulio. Essas leituras, m\u00faltiplas e variadas, fizeram com que o seu vocabul\u00e1rio confundisse muitos dos seus exegetas.<\/p>\n<p>N\u00e3o afetou, por\u00e9m, o seu magn\u00edfico estilo, e, de certo modo, contribuiu para evitar que fizessem dele um dogm\u00e1tico. A abertura dele para tudo o que viesse a somar para o conhecimento, fez com que colocasse, no seu Templo da Sabedoria, al\u00e9m de alguns te\u00f3logos n\u00e3o-convencionais, at\u00e9 os povos antigos e m\u00edsticos diversos, n\u00e3o considerados pelo cristianismo como merecedores de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez, ele fizesse isso, \u00e9 de supor-se, na inten\u00e7\u00e3o de alargar as sensibilidades do conhecimento e atenuar o preconceito contra o passado pag\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>Bruno em Shakespeare Frances Yates, a grande historiadora da ci\u00eancia, sentiu a imagem espelhada de Bruno em duas figuras de William Shakespeare. Tanto em Berowne, personagem de Love\u00b4s labour lost (Trabalhos de Amor Perdido), como na de Pr\u00f3spero, o n\u00e1ufrago da The Tempest (A Tempestade) &#8211; o mago bonach\u00e3o italiano capaz de embasbacar nativos como Caliban, com seus tubos enfuma\u00e7ados e aparelhos de ensaio(*).<\/p>\n<p>Para esc\u00e2ndalo dos te\u00f3logos, o fil\u00f3sofo n\u00e3o distingia m\u00e1gica boa da m\u00e1. Como uma espada, dizia, as artes do ocultismo eram neutras, podendo fazer-se bom ou mau uso do seu fio, era uma linguagem da natureza e n\u00e3o do dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>Tanto Mois\u00e9s como Jesus eram grandes magos para ele. Bruno, no entanto, ao contr\u00e1rio de Shakespeare, reprovou a conquista da Am\u00e9rica bem como o com\u00e9rcio de ouro e prata que se seguiu. N\u00e3o atribu\u00eda nenhum direito especial no homem branco que o autorizasse a submeter os nativos.<\/p>\n<p>Sobre a conquista do Novo Mundo opinou que ela s\u00f3 servira &#8220;para perturbar a paz do pr\u00f3ximo, violar as pr\u00f3prias p\u00e1trias das regi\u00f5es, confundir o que a previdente natureza distinguiu, redobrar os defeitos mediante o com\u00e9rcio e agregar v\u00edcios aos v\u00edcios de cada povo, mediante a viol\u00eancia impor novas loucuras e dem\u00eancias in\u00e9ditas aonde n\u00e3o existem, mostrando, enfim, ser mais s\u00e1bio o que \u00e9 mais forte: ensinar novos cuidados, instrumentos e artes de tirania e assassinar um ao outro&#8221; (Ceia..) Shakespeare, por sua volta, pintou o fil\u00f3sofo na corte de Henrique de Navarra, pondo-lhe na boca um discurso hedonista, sem muito entusiasmo em seguir com rigor a disciplina que o rei, um homem culto e estudioso, desejava impor no seu grupo de estudos ( Ver Cena I, ato I, do Trabalhos de amor perdidos) A infinitude dos mundos A irrita\u00e7\u00e3o maior dos inquisidores e do papado derivou, por\u00e9m, da convic\u00e7\u00e3o de Bruno de existir, bem al\u00e9m da Terra, uma infinitude de outros mundos e de outras vidas no Cosmos. Citando Epicuro e L\u00facrecio, celebrava a possibilidade de haver outros tantos s\u00f3is, e outros tantos planetas.<\/p>\n<p>Essa id\u00e9ia viera-lhe de Nicolau de Cusa, o humanista alem\u00e3o que, na sua consagrada, mas ent\u00e3o pouco divulgada obra De docta ignorancia (A douta ignor\u00e2ncia, 1440), antecipou Cop\u00e9rnico. Assegurou ainda haver o movimento da Terra e a sua rota\u00e7\u00e3o ao redor do Sol, repudiando a concep\u00e7\u00e3o do mundo fechado e finito de Arist\u00f3teles, dizendo n\u00e3o haver centro no universo, e que &#8220;o seu centro est\u00e1 em toda parte e sua periferia em parte nenhuma&#8221;. Essa afirma\u00e7\u00e3o, retomada por Bruno, disc\u00edpulo confesso de Nicolau de Cusa, a quem chamou de &#8220;divino&#8221;, implicava em duvidar ter Deus feito a Terra \u00e0 raz\u00e3o de tudo, sendo o Homem o objeto \u00fanico da Cria\u00e7\u00e3o. Induzia tamb\u00e9m, esta teoria dos mundos m\u00faltiplos, a que se acreditasse, como no paganismo, na exist\u00eancia de outros deuses, rompendo com o monote\u00edsmo oficial.<\/p>\n<p>O mais vasto imp\u00e9rio de Deus Para Bruno, ao contr\u00e1rio, quanto mais mundos houvesse, maior ainda seria o imp\u00e9rio de Deus. Via mesquinhez e mediocridade em acatar-se o princ\u00edpio que dizia que o universo que nos envolve &#8211; comportando miriades de esferas c\u00f3smicas, &#8220;estes corpos heterog\u00eaneos, estes animais, estes grandes globos&#8221; -, girava apenas para atender a min\u00fascula Terra (Acerca do infinito, do universo e do mundo, 1584).<\/p>\n<p>S\u00f3 os matem\u00e1ticos bisonhos e os fil\u00f3sofos vulgares, disse ele, \u00e9 que eram dados a construir muralhas imaginarias no c\u00e9u, fechando-o inutilmente aos esp\u00edritos abertos, pois: &#8220;<em>Or ecco quello ch\u00b4h\u00e1 varcato l\u00b4aria, penetrato il cielo, discorse le stelle, trapassati gli margini del mondo, fatte svanir le fantastiche muraglie de le prime, ottave, none, decime, et altre che vi s\u00b4avesser potute aggiongere sfere per relazione de vani matematici e cieco veder di filosofi volgari<\/em>&#8220;. (&#8220;Ora, aquele que cruzou o espa\u00e7o, penetrando no c\u00e9u, descortinando as estrelas, ultrapassando as margens do mundo, faz com que desapare\u00e7am as fantasiosas muralhas da primeira, oitava, nona, d\u00e9cima, e tantas outras que os maus matem\u00e1ticos e o beco sem sa\u00edda da vis\u00e3o dos fil\u00f3sofos vulgares puderam agregar \u00e0s esferas&#8221;).<\/p>\n<p><strong>O Cosmos helioc\u00eantrico de Cop\u00e9rnico<\/strong><\/p>\n<p>Anos depois da morte de Bruno, Galileu ir\u00e1 transformar esse paradoxo, isto \u00e9 o Cosmos inteiro existir apenas em fun\u00e7\u00e3o da terra, numa das suas mais sarc\u00e1sticas afirma\u00e7\u00f5es, quando, num dos seus di\u00e1logos, faz Sagredo (o pr\u00f3prio Galileu) dizer a Simplicio (um tolo que defende a ortodoxia e o geocentrismo): &#8220;Como assim? Estas afirmando que a natureza concebeu e produziu tantos e t\u00e3o vastos corpos celestiais, nobres e perfeitos, invari\u00e1veis, eternos, divinos, sem nenhum outro prop\u00f3sito que o de servir a esta Terra mut\u00e1vel, transit\u00f3ria e perec\u00edvel? Servir a isto que chamas os detritos do universo, e esgoto de toda a imund\u00edcie?&#8221; ( Di\u00e1logos sobre os dois sistemas do mundo, 1632). Anunciando os astronautas Bruno, como lembrou Maurice de Grandillac, antecipando em quatro s\u00e9culos a viagem dos astronautas deixou-nos uma bela descri\u00e7\u00e3o de um viajante imagin\u00e1rio que, abandonando a Terra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s estratosferas, viria o nosso planeta encolhendo: &#8220;inicialmente parecendo-se a um astro brilhante, converte-se depois apenas num ponto luminoso perdido num horizonte sem limites&#8221;, num universo que n\u00e3o tinha lado, nem fundo; nem alto nem baixo (Sobre lo inmenso, IV, 3).<\/p>\n<p>Bruno foi um dos que abriu ainda que intuitivamente, sem os recursos da matem\u00e1tica e da geometria utilizados por Galileu, as portas da percep\u00e7\u00e3o do homem renascentista para que ele vislumbrasse o novo universo que o aguardava (*), intermin\u00e1vel, assombroso, com possibilidades infinitas. (*) Foi o sil\u00eancio dos espa\u00e7os infinitos, de onde n\u00e3o se recolhera ainda nenhuma prova de exist\u00eancias extraterrestres, que, mais tarde, levou Pascal \u00e0 reflex\u00e3o sobre a terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava a humanidade, para a qual seria psicologicamente insuport\u00e1vel viver sem Deus.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a no Ser Supremo era a compensa\u00e7\u00e3o para a sua solid\u00e3o absoluta. As esperan\u00e7as de Bruno Ainda que sabedor da atua\u00e7\u00e3o do Santo Oficio (desde 1542, o Papa Paulo III oficializara o funcionamento do nefando tribunal), resta responder porque Giordano Bruno voltou a It\u00e1lia? \u00c9 certo que a vida n\u00e3o lhe corria bem. Em Paris, quando retornara da corte de Isabel da Inglaterra, chegou a passar fome e frio. A tentativa de abrigar-se em Praga tamb\u00e9m fracassou. Em 1590, era um homem maduro, fatigado das incertezas e das andan\u00e7as que pareciam n\u00e3o ter fim.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Yates sup\u00f5e que, devido a um fator pol\u00edtico, Bruno esperava encontrar um ambiente mais liberal e ameno para as suas perigosas especula\u00e7\u00f5es e seus exerc\u00edcios de magia. Na Fran\u00e7a, entronara-se um novo rei em 1589: Henrique de Navarra. Um homem culto, um renascentista dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a. Ele derrotara a Santa Liga dos cat\u00f3licos, propondo em seguida conciliar as duas religi\u00f5es rivais (proposta que materializou no \u00c9dito de Toler\u00e2ncia de Nanes de 1598). Bruno arriscou.<\/p>\n<p>Talvez a Igreja relevasse os tumultos que ele provocara no passado, inclusive sua estada em Wittemberg, a capital da heresia (onde publicamente elogiou Lutero). Afinal, a expectativa otimista que depositara no &#8220;efeito Navarra&#8221; de se poder dali em diante &#8220;viver e pensar livremente&#8221;, n\u00e3o era s\u00f3 dele.<\/p>\n<p>Pagou com a vida pelo engano. Bruno e Campanella \u00c9 bem poss\u00edvel que outras raz\u00f5es, al\u00e9m da acusa\u00e7\u00e3o de heresia, pesaram na decis\u00e3o das autoridades de lev\u00e1-lo \u00e0s chamas numa pra\u00e7a p\u00fablica de Roma. Um pouco antes, em 1599, Tommaso Campanella, um outro frade napolitano, dominicano como Bruno, liderara uma rebeli\u00e3o dos calabreses contra o dom\u00ednio espanhol em N\u00e1poles. Campanella propunha, em substitui\u00e7\u00e3o ao governo estrangeiro, a instala\u00e7\u00e3o da Cidade M\u00e1gica do Sol (que ir\u00e1 inspirar o seu livro La Citt\u00e0 del Sole, escrito na pris\u00e3o em 1602), uma sociedade ut\u00f3pica inspirada na &#8220;Rep\u00fablica&#8221; de Plat\u00e3o.<\/p>\n<p>Yates cogita que a execu\u00e7\u00e3o brutal de Bruno poderia estar de alguma forma relacionada com a insurrei\u00e7\u00e3o napolitana. Servira de advert\u00eancia a qualquer tentativa futura de desafio \u00e0 hierarquia e ao estabelecido. Bruno, \u00e9 bom lembrar, era tamb\u00e9m um alvo f\u00e1cil. N\u00e3o pertencia a nenhuma corpora\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ou ordem religiosa que intercedesse a seu favor junto \u00e0 C\u00faria Romana.<\/p>\n<p>Duas concep\u00e7\u00f5es c\u00f3smicas rivais Os extremos a que a Inquisi\u00e7\u00e3o chegou no caso de Bruno prestou-se a demonstrar \u00e0 intelectualidade, em geral, at\u00e9 que ponto a determina\u00e7\u00e3o do Papado chegava. Ele eliminaria at\u00e9 um conhecid\u00edssimo pensador se houvesse um ataque aos dogmas do catolicismo. Ao redor do corpo de Bruno enfrentavam-se duas Weltanchauungs (concep\u00e7\u00f5es do mundo) opostas: a Antiga, geoc\u00eantrica, herdada da f\u00edsica astron\u00f4mica helen\u00edstica, que referendava o G\u00eanese b\u00edblico (a Terra \u00e9 o centro do universo), e a Moderna, a de Cop\u00e9rnico, helioc\u00eantrica, filha da astronomia universit\u00e1ria moderna (Terra reduzida a um papel insignificante, uma poeira c\u00f3smica, perto do astro-rei).<\/p>\n<p>Os cientistas podiam acreditar que o heliocentrismo era a vis\u00e3o verdadeira, mas a Igreja sentiu-o como um rebaixamento: da Terra, do Homem, e dela mesma. A rivalidade entre essas vis\u00f5es c\u00f3smicas escondia as crescentes diferen\u00e7as entre os sacerdotes e os s\u00e1bios seculares, entre a teologia e a ci\u00eancia, entre o sagrado e o profano, entre o espiritual e o temporal.<\/p>\n<p><strong>As consequ\u00eancias da morte de Bruno<\/strong><\/p>\n<p>O supl\u00edcio de Giordano Bruno em 1600, seguido do julgamento de Galileu em 1616 (mais tarde renovado por um segundo julgamento e pela abjura\u00e7\u00e3o de 1633, onde condenaram-no \u00e0 pris\u00e3o domiciliar at\u00e9 a sua morte em 1642), provocou, desde ent\u00e3o, uma irrepar\u00e1vel desconfian\u00e7a da ci\u00eancia para com a religi\u00e3o. Para a It\u00e1lia esta posi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica foi desastrosa.<\/p>\n<p>Os s\u00e1bios da pen\u00ednsula, que at\u00e9 ent\u00e3o lideravam o movimento cient\u00edfico europeu, ao sentirem-se intimidados pela fogueira da Inquisi\u00e7\u00e3o, perderam a primazia do conhecimento. Esta se transferiu para os que viviam nos pa\u00edses da Igreja Reformada.<\/p>\n<p>Descartes, por exemplo, o grande fil\u00f3sofo e cientista franc\u00eas, quando soube da abjura\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de Galileu, mudou-se em definitivo de Paris, capital de um pa\u00eds papista, para a Holanda reformada. A obra de Bruno, por sua vez, s\u00f3 foi retirada do Index dos livros proibidos aos cat\u00f3licos em 1948.<\/p>\n<p>Um medo sombrio pairou sobre as a\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica. Viram-na como uma institui\u00e7\u00e3o capaz de perseguir os doutos e os s\u00e1bios, caso eles questionassem o Alto Clero e a burocracia papal. Imagem negativa que perdurou at\u00e9 recentemente, quando o Papa Jo\u00e3o Paulo II desculpou-se pela infelicidade do processo contra Galileu, reabilitando-o em 1992.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, at\u00e9 o momento, o Pontificam Consilium Cultura que reabilitou Johann Huss e Galileu, ainda n\u00e3o tomou uma decis\u00e3o favor\u00e1vel a Giordano Bruno. A Igreja Cat\u00f3lica s\u00f3 deplorou a execu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o os motivos da sua condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A execu\u00e7\u00e3o de Bruno pelas Inquisi\u00e7\u00e3o representou o sinal do recome\u00e7o dos tempos obscurantistas que opuseram a f\u00e9 contra a ci\u00eancia. Fonte: Terra Educa\u00e7\u00e3o A execu\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo e cientista Giordano Bruno pelas chamas da Inquisi\u00e7\u00e3o Romana no ano de 1600, foi um dos acontecimentos mais dram\u00e1ticos da \u00e9poca do Renascimento. 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