{"id":290,"date":"2012-04-11T19:18:46","date_gmt":"2012-04-11T19:18:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=290"},"modified":"2012-04-11T19:18:46","modified_gmt":"2012-04-11T19:18:46","slug":"stanislas-de-guaita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=290","title":{"rendered":"Stanislas de Guaita"},"content":{"rendered":"<p><strong>MARIE VICTOR STANISLAS DE GUAITA<br \/>\n<\/strong><strong>Por:<\/strong>\u00a0Irm\u00e3o Sephariel &#8211; Hermanubis USA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guaita nasceu num s\u00e1bado, 6 de abril de 1861 \u00e0s 5 horas da manh\u00e3, em Alteville, perto de Nancy, na Lorraine Francesa. Seu signo ascendente posicionou-se aos 27\u00ba 30\u00b4 de Peixes e seu signo solar colocou-se em \u00c1ries. Era filho de Fran\u00e7ois Paul de Guaita e de Marie Am\u00e9lie de Guaita, cat\u00f3lica fervorosa. Seu pai provinha de uma antiga fam\u00edlia de origem germ\u00e2nica, vinda da It\u00e1lia no reino de Carlos Magno. Seus antepassados foram homens de guerra, religiosos e poetas.<\/p>\n<p><strong>MARIE VICTOR STANISLAS DE GUAITA<br \/>\n<\/strong><strong>Por:<\/strong>\u00a0Irm\u00e3o Sephariel &#8211; Hermanubis USA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guaita nasceu num s\u00e1bado, 6 de abril de 1861 \u00e0s 5 horas da manh\u00e3, em Alteville, perto de Nancy, na Lorraine Francesa. Seu signo ascendente posicionou-se aos 27\u00ba 30\u00b4 de Peixes e seu signo solar colocou-se em \u00c1ries. Era filho de Fran\u00e7ois Paul de Guaita e de Marie Am\u00e9lie de Guaita, cat\u00f3lica fervorosa. Seu pai provinha de uma antiga fam\u00edlia de origem germ\u00e2nica, vinda da It\u00e1lia no reino de Carlos Magno. Seus antepassados foram homens de guerra, religiosos e poetas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1715, o tatarav\u00f4 de Stanislas de Guaita estabeleceu-se em Frankfurt, casando-se com uma jovem alem\u00e3. Durante o imp\u00e9rio napole\u00f4nico, o av\u00f4 de Guaita alistou-se no ex\u00e9rcito Franc\u00eas e adquiriu a nacionalidade francesa. O pai do ocultista fixou-se em Alteville, onde nasceu o Mestre. A fam\u00edlia de sua m\u00e3e era de descend\u00eancia francesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O bras\u00e3o dos Guaita possu\u00eda um escudo dividido horizontalmente. Na parte superior, uma \u00e1guia imperial, bic\u00e9fala, destacava-se em negro, tendo sobre sua cabe\u00e7a uma coroa. A parte inferior do escudo era em prata com tr\u00eas esquadros de l\u00e1pis laz\u00fali, com bordas de tri\u00e2ngulos alternadas, em prata e negro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os autores que escreveram sobre Stanislas de Guaita n\u00e3o chegaram a nos forne-cer muitos dados sobre a sua vida inici\u00e1tica. Aprofundaram-se apenas na doutrina que ele pr\u00f3-prio exp\u00f4s em seus livros; os dados sobre sua vida particular, que poderiam interessar a todos aqueles que o admiram atrav\u00e9s de sua obra, referem-se apenas a aspectos exteriores. Apenas sua correspond\u00eancia com Jos\u00e9phin P\u00e9ladan deixa entrever a natureza oculta e s\u00e9ria de seus trabalhos inici\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na verdade, pouco antes do nascimento de Stanislas de Guaita, estava na moda o espiritualismo esot\u00e9rico. Segundo o Mestre Papus, por volta de 1850, os Rosa+Cruzes tinham recebido a miss\u00e3o de encetar uma rea\u00e7\u00e3o contra o materialismo oficial. Tinham se organizado centros Mart.: e parecia que o esp\u00edrito crist\u00e3o voltava a renascer. Este foi o clima no qual Guaita veio ao mundo das formas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 imposs\u00edvel apresentar o interior de um Inicidado de sua enverga-dura e revela-lo ao publico, sem efetuar uma grande profana\u00e7\u00e3o. O homem interior s\u00f3 se deixa revelar \u00e0 pr\u00f3pria Divindade. Aqueles que vivem no exterior recebem apenas os reflexos de sua grande luz. Da mesa do Senhor as migalhas caem no ch\u00e3o e s\u00e3o digeridas por todos aqueles que aspiram a poder, algum dia, partilhar do celeste \u00e1gape. Possam todos os iniciados que se baseiam na vida e obra dos divinos Mestres da Humanidade, um dia participar de t\u00e3o glorioso banquete.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas em Nancy, Stanislas de Guaita teve como companheiro Maurice Barr\u00e8s, poeta que chegou a ingressar na Academia Francesa. Na primavera de 1880, Guaita e Barr\u00e8s, jovens aprendizes de fil\u00f3sofo, viveram em Nancy com plena independ\u00eancia. Assim diria Barr\u00e8s, referindo-se \u00e0quela \u00e9poca: &#8220;Esse tempo continua sendo o mais agrad\u00e1vel de minha vida&#8230; O dia todo, e eu poderia dizer, a noite toda, da mesma forma, l\u00edamos poemas em voz alta um para o outro.<\/p>\n<p>Guaita, que possu\u00eda uma sa\u00fade magnifica e n\u00e3o abusava dela, deixava-me somente tarde da noite, mas ao amanhecer ia contemplar a eleva\u00e7\u00e3o das brumas sobre as colinas que rodeavam Nancy&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A poesia foi pois, a primeira manifesta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Stanislas de Guaita. Es-creveu Les Oiseaux de Passage em 1881, com 20 anos de idade, La Muse Noire em 1883 e Rosa Mystica em 1885. Em 1882 desembarcou na capital, juntamente com seu insepar\u00e1vel companheiro Maurice Barr\u00e8s. Nessa \u00e9poca j\u00e1 se havia iniciado nos estudos ocultistas e efetu-ado um bom relacionamento com os esoteristas parisienses. Barr\u00e8s procurou logo o mundo das artes, enquanto Stanislas de Guaita fez apenas um pequeno giro de reconhecimento da cidade e se concentrou em seus livros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guaita renunciou sem vacilar \u00e0 poesia. Tinha encontrado em outra parte o seu caminho. O objetivo de seu deslocamento para Paris era a Faculdade de Di-reito. Procurava algo mais elevado, embora n\u00e3o tivesse ainda total certeza do que se tratava. Sua voca\u00e7\u00e3o foi decididamente encontrada atrav\u00e9s da leitura de livros de Eliphas Levy e da obra O V\u00edcio Supremo, de Jos\u00e9phin P\u00e9ladan, pois encontrou no S\u00e2r um mestre vivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro contato entre ambos deu-se atrav\u00e9s de uma correspond\u00eancia endere\u00e7ada por Stanislas de Guaita a Jos\u00e9phin P\u00e9ladan em 1884, quando o remetente possu\u00eda 23 anos e P\u00e9ladan 25. Esta carta foi o pren\u00fancio de uma amizade que mesmo vindo a ser posteriormente abalada, perdu-rou praticamente at\u00e9 a morte de Stanislas de Guaita. Datada de 3 de novembro, nela Guaita expressava-se ele mesmo, a P\u00e9ladan &#8220;por falta de amigos comuns&#8221;, na esperan\u00e7a que o autor lhe esclarecesse alguns pontos que o intrigavam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais tarde, descobriria que P\u00e9ladan era um ass\u00edduo leitor de Eliphas Levy, possuindo praticamente todas as suas obras. Stanislas de Guaita confessou que considerava a Cabala uma Ci\u00eancia magn\u00edfica, possuidora de &#8220;dogmas grandio-sos e mitos incompar\u00e1veis&#8221;. Nessa \u00e9poca j\u00e1 assinava com um aleph, o que demonstra a linha-gem cabal\u00edstica do jovem ocultista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de ter conhecido P\u00e9ladan, Guaita relacionou-se sucessivamente com Barlet, Papus e Julien Lejay. J\u00e1 eram seus amigos o Abade Roca (Alta) e Saint-Yves d\u00b4Alveydre. Intensificou, a partir desse momento, suas pesquisas ocultistas e a busca de livros raros nos sebos das margens do rio Sena. Montou uma invej\u00e1vel biblioteca cabal\u00edstica, cuida-dosamente encadernada e catalogada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P\u00e9ladan tinha uma brilhante erudi\u00e7\u00e3o, mas de pouca profundidade. Os dois ocultistas, em sua correspond\u00eancias assinavam M\u00e9rodack, P\u00e9ladan, e N\u00e9bo, Stanislas de Guai-ta. M\u00e9rodack, nome caldaico que expressa os atributos de J\u00fapiter; N\u00e9bo, igual-mente de origem cald\u00e9ia que se refere aos de Merc\u00fario.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em sua obra Os Filhos das Estrelas, Jos\u00e9phin P\u00e9ladan diria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Esp\u00edrito de M\u00e9rodack! \u00d3 J\u00fapiter! Esp\u00edrito de For\u00e7a e de Miseric\u00f3rdia, Senhor mui generoso, magn\u00e2nimo imperador de Deus, senhor do templo e do pal\u00e1cio, chefe dos ma-gos e dos reis, astro do cetro e da mitra, faz\u00ea-nos render a todos a honra que nos foi dada.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esp\u00edrito de N\u00e9bo! O! Merc\u00fario! Esp\u00edrito de sutilidade e de magia, que ensina as partes, possuidor dos secretos, senhor dos talism\u00e3s, \u00e1rbitro do destino, desenvolve em n\u00f3s o esp\u00edrito prof\u00e9tico e sagrado; permite-nos descobrir o mist\u00e9rio celeste, astro de intelig\u00eancia, de sucesso, de milagres.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por sua vez, Stanislas de Guaita, demonstrando o respeito que possu\u00eda por P\u00e9-ladan, numa de suas cartas diria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Eu sei, eu SINTO que v\u00f3s sois uma Intelig\u00eancia superior \u00e0 minha&#8230; V\u00f3s sois um g\u00eanio de espontaneidade e de s\u00edntese; eu sou um talento de paci\u00eancia e de an\u00e1lise&#8230; Em vossos contatos amistosos, v\u00f3s tendes o verdadeiro tato: aquele da Intelig\u00eancia do Cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Posteriormente, por ocasi\u00e3o do afastamento de seu amigo a quem chegou a chamar de &#8220;grande fan\u00e1tico&#8221;, sua admira\u00e7\u00e3o por P\u00e9ladan arrefeceria. Em verdade, os conheci-mentos de P\u00e9ladan fundamentavam-se naquilo que lhe ensinara seu irm\u00e3o e mestre o Dr. Adrien P\u00e9ladan que Guaita n\u00e3o chegou a conhecer, bem como, no companheirismo do s\u00e1bio cabalista Albert Jounet, diretor da revista &#8220;A Estrela&#8221;, poeta esot\u00e9rico que escreveu As Lysis Negras e O Livro do Ju\u00edzo e que tamb\u00e9m foi amigo de Guaita.<\/p>\n<p>Escrevendo a Maurice Barr\u00e8s, Stanislas de Guaita diria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Leia os livros de Eliphas Levy e voc\u00ea ver\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 nada mais belo do que a Cabala. E eu, que sou relativamente versado em Qu\u00edmica, n\u00e3o me admiro ao ver at\u00e9 que ponto os alquimistas eram s\u00e1bios verdadeiros; com certeza a pedra filosofal n\u00e3o \u00e9 nenhum embuste. A ci\u00eancia mais contempor\u00e2nea e mais esclarecida tende a confirmar hoje as geniais hip\u00f3teses dos magos de 6 mil anos atr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Stanislas de Guaita sempre foi um reconciliador, e a impress\u00e3o que se tem \u00e9 de que ele sempre estava procurando formar um grupo de Homens de Desejo, em torno de si e talvez de Saint-Yves d\u00b4Alveydre. Isto poder\u00e1 explicar sua paci\u00eancia na busca da reconcilia\u00e7\u00e3o de uns e outros poss\u00edveis candidatos ao adeptado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Stanislas de Guaita encontrou em Papus e Barlet as duas colunas de seu edif\u00edcio intelectual. O trio tinha em Eliphas Levy, Fabre d\u00b4Olivet, Khunrath, Martinez de Pasqually, Saint Martin e Jacob Boheme os guias invis\u00edveis que iluminavam a senda por onde deveriam passar n\u00e3o somente esses homens de vontade, mas todo aquele rebanho por eles apascentado. Seguindo as pistas de Jacob Boheme, de Eckhartaussen, de Pico della Mirandola, de Marcelo Ficin e de Knorr de Rosenroth \u00e9 que Guaita chegou a Saint Yves d\u00b4Alveydre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Stanislas, Papus e Barlet, apoiavam-se nas obras dos mestres e na Cabala Ju-daica, fundamento da Alta Magia. &#8220;Agora que fiz a s\u00edntese absoluta de minyhas id\u00e9ias sobre Cabala&#8221;, disse Guaita, &#8220;estou em condi\u00e7\u00f5es de lhe dizer: meu caro amigo (P\u00e9ladan), estou CERTO.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hermeticamente falando, estou absolutamente certo de estar na tradi\u00e7\u00e3o ortodoxa&#8230; estou convencido de que te falo com conhecimento de causa. Ah! se pudesse em algumas li-nhas comunicar-te a claridade que me inunda&#8230; Parece-me que a luz se faz em meu esp\u00edrito, e que os Arcanos se esclarecem. &#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Percebe-se, que assim como Papus, Guaita representava a Senda Ativa da Inici-a\u00e7\u00e3o, aquela que conduz o Adepto a tomar &#8220;o c\u00e9u por assalto&#8221;. Por isso, quando o mestre G\u00e9-rard Encause fundou em Lyon a Escola de Magnetismo, tendo Philippe Nizier como seu Dire-tor, nomeou como professores a Guaita, Sedir, Barlet, P\u00e9ladan, Chamuel, Marc Haven, Mau-rice Barr\u00e8s e a Victor Emile Michelet.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A finalidade oculta dessa escola era a de recrutar mem-bros para as Sociedades Inici\u00e1ticas dirigidas por Papus e Guaita. Nessa escola, ensinavam Hebraico, Cabala, Tarot, Astrologia, Hist\u00f3ria Oculta, Magia e Medicina Oculta. Papus, numa de suas obras, falando de Guaita, afirma que ele, foi um s\u00e1bio cabalista contempor\u00e2neo, de-mons-trando seu respeito pela figura de Stanislas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Stanislas de Guaita passava cinco meses do ano no seu apartamento t\u00e9rreo da Avenida Trudaine, em Paris, na zona norte da cidade, onde recebia seus amigos ocultistas e onde mantinha uma segunda biblioteca. Seu sal\u00e3o, todo decorado de vermelho, obrigava a s\u00e9-rias medita\u00e7\u00f5es. As conversas com os amigos, assim como leituras cabal\u00edsticas, eram estimu-lantes para o esp\u00edrito. Maurice Barr\u00e8s, seu amigo de inf\u00e2ncia, dizia que ele era capaz de ficar semanas inteiras sem sair do apartamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas vezes cortava esse isolamento volunt\u00e1rio pela &#8220;ca\u00e7a&#8221; aos livros e raramente regressava sem trazer um exemplar raro. Os sete meses restantes do ano eram passados no campo, em seu castelo de Alteville, com sua m\u00e3e, certamente cuidando de sua produ\u00e7\u00e3o material. No entanto, jamais se descuidava de seus estudos ocultos e procurava visitar os doentes nos vilarejos vizinhos, exercendo uma medicina caseira herdada de seu pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tinha um quarto da casa transformado &#8220;Laborat\u00f3rio alqu\u00edmico&#8221;, para uma atividade que dizia exercer desde sua tenra juventude. Esse recinto era guardado, segundo acreditavam alguns criados e alguns amigos que freq\u00fcentavam sua intimidade, por um fantasma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tinha ele, nesse local, outra biblioteca e era, certamente, o local de reuni\u00e3o al-ternativo dos Rosa+Cruz, da qual foi o seu verdadeiro renovador. Seu Laborat\u00f3rio qu\u00edmico proporcionava a transforma\u00e7\u00e3o dos elementos por in\u00fameras combina\u00e7\u00f5es; da mesma forma, ocorria em seu ser uma transforma\u00e7\u00e3o espiritual, testemunhada por seus escritos e pelas conversas sempre estimulantes, que acalentavam os cora\u00e7\u00f5es de todos os seus irm\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os trabalhos realizados em Alteville, com seus companheiros mais \u00edntimos, efetuavam-se com muita harmonia, apesar da oposi\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, cat\u00f3lica praticamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo contaria posterior-mente seu secret\u00e1rio, Oswald Wirth, desde muito jovem t\u00eam-se not\u00edcia de que Stanislas de Guaita ousava escrever livros que pareciam her\u00e9ticos \u00e0 sua m\u00e3e vi\u00fava, embora ela n\u00e3o pudesse compreender que eram de um escritor esot\u00e9rico e crist\u00e3o. Ela n\u00e3o entendia a independ\u00eancia religiosa do filho e temia pela sua condena\u00e7\u00e3o eterna. &#8220;Confesso a divindade do Cristo-Esp\u00edrito&#8221;, escrevia-lhe o filho, &#8220;e professo o cristianismo universal ou catolicismo&#8230;(1890)&#8230; Creio em Deus e na Provid\u00eancia e n\u00e3o h\u00e1 um dia em que eu n\u00e3o eleve v\u00e1rias vezes minha alma em dire\u00e7\u00e3o da Absoluta Bondade ou meu esp\u00edrito em dire\u00e7\u00e3o da Verdade Absoluta.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta incompreens\u00e3o familiar, estendeu-se pela sua cidade natal, e o pr\u00f3prio clero e a igreja passaram a condenar seus escritos, sendo perseguido e banido da comunidade eclesi\u00e1stica. Posteriormente, um padre seu amigo, conseguiu, ap\u00f3s \u00e1rdua luta, reconciliar Sta-nislas de Guaita com o poder monacal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de ter nascido com imensa bagagem espiritual, jamais deixou de consul-tar a opini\u00e3o dos antigos ocultistas, atrav\u00e9s de seus livros. Pois a verdade n\u00e3o se inventa: ela existe h\u00e1 s\u00e9culos e cabe a n\u00f3s encontr\u00e1-la na literatura, na Natureza e em nosso pr\u00f3prio inte-rior. A opini\u00e3o daqueles que dedicaram uma vida inteira \u00e0 busca do conhecimento n\u00e3o pode ser negligenciada. Da\u00ed a grande import\u00e2ncia das leituras. Guaita sabia disso e dialogava diaria-mente com Eliphas Levy, Fabre d\u00b4Olivet, Trithemo, Paracelso, Saint-Martin e com outros pais da espiritualidade ocidental, n\u00e3o apenas atrav\u00e9s de seus escritos, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da Luz Astral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ambiente de sua biblioteca parecia exaltar os mais puros pensamentos e l\u00e1 as pessoas esqueciam-se do tempo. Guaita lia raramente os jornais, mas concentravam-se nos seus grim\u00f3-rios, pant\u00e1culos e nos grandes cl\u00e1ssicos do Ocultismo. Vivendo nessa atmosfera a maior parte do tempo, pairava acima das condi\u00e7\u00f5es mundanas de sua \u00e9poca, podendo elevar os seus pen-samentos \u00e0s mais puras abstra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Barlet: &#8220;ele via s\u00e1bios pretenderem en-globar no ciclo de suas descobertas todo o infinito do mundo, a ci\u00eancia revoltar-se contra a f\u00e9, o esp\u00edrito novo lan\u00e7ar-se contra a experi\u00eancia dos s\u00e9culos e o dogma do progresso material predominar sobre o da perfei\u00e7\u00e3o espiritual e moral&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Stanislas de Guaita, o importante era alcan\u00e7ar a beleza da alma, e para isso, em primeiro lugar era necess\u00e1rio vencer o orgulho. Era necess\u00e1rio transformar o instinto em sentimento e o sentimento em ideal. Era necess\u00e1rio renunciar aos prazeres sociais em seu aspecto coletivo, para que pudesse nascer a individualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A sabedoria \u00e9 o \u00fanico ego\u00edsmo permitido, a gl\u00f3ria \u00e9 a \u00fanica realidade aceit\u00e1vel quando ela \u00e9 conquistada nas alturas&#8221; diria ele. &#8220;N\u00e3o devemos deixar que a vida nos lastime, que entorpe\u00e7a pelas circunst\u00e2ncias exteriores o esfor\u00e7o de perfei\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mago deve libertar-se do mundo, e n\u00e3o sofrer nele.&#8221; &#8211; &#8220;Para ser mago, \u00e9 necess\u00e1rio ser um g\u00eanio, um elo da corrente dos homens predestinados que transmitem, uns aos outros, de idade em idade, a chama da luz&#8221; diria Divoire, completando seus pensamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Stanislas de Guaita, esse jovem ocultista, que possu\u00eda o mais vivo desejo de atingir o Nirvana, e que congregava uma pl\u00eaiade de cabalistas do mais alto n\u00edvel, a partir da \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX, como Papus, Barlet, Julien Lejay, Chaboseau, Polty, Marc Haven, Victor Emile Michelet, Sedir, P\u00e9ladan, Oswald Wirth e outros, n\u00e3o deixou de fundar uma sociedade que congregasse os maiores talentos da \u00e9poca, vivificadores da Santa Cabala, e que ressuscitasse dos velhos santu\u00e1rios o simbolismo da Rosa+Cruz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seu conhecimento com Oswald Wirth teria ocorrido em 1887, a quem uma en-ferma \u00e0 qual houvera magnetizado, lhe anunciara que recebia uma carta lacrada em vermelho e com armas da nobreza, endere\u00e7ada por um homem jovem, de cabelos e pele clara e de olhos azuis, com id\u00eantico interesse que o de Wirth. Efetivamente, essa carta foi escrita por Guaita na sexta-feira santa daquele ano, convidando Oswald Wirth para um almo\u00e7o no dia seguinte, para travarem conhecimento pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse encontro entre os dois eminentes ocultistas, acabou produzindo, dois anos depois, em 1889, a uni\u00e3o do simbolismo ma\u00e7\u00f4nico que Wirth estudara em 1884, com o signifi-cado interior do tar\u00f4, professado por Guaita, na publica\u00e7\u00e3o das cartas desenhadas pelo pri-meiro, sob o t\u00edtulo: O Taro dos imagin\u00e1rios da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Sociedade fundada por aqueles talentosos ocultistas da \u00e9poca, teria sido fun-dada e tornada p\u00fablica pela necessidade de denunciar publicamente o abade Boullan, de cujos ensinamentos Guaita desconfiou, encarregando Wirth de investigar a verdadeira ess\u00eancia de sua doutrina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Verificou-se que Boullan recorria \u00e0 Missa Negra, a orgias sexuais entre os membros da seita e a outros fen\u00f4menos prejudiciais \u00e0 sa\u00fade dos mais fracos. Concluiu-se que Boullan era disc\u00edpulo de Eug\u00eanio Vintras, o feiticeiro desmascarado por Eliphas Levy, Vintras fundara a seita do Carmelo, cujas aberra\u00e7\u00f5es Guaita revelou no Templo de Sat\u00e3, denunciando-as \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boullan foi condenado \u00e0 retrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica por um tribunal de Adeptos Rosa+Cruzes e, tendo-se agravado seu desequil\u00edbrio psicol\u00f3gico, imaginou que Guaita teria sobre ele lan\u00e7ado algum enfeiti\u00e7amento. Guaita acabou sendo acusado de pr\u00e1ticas m\u00e1gicas contra Boullan por Jules Blois dos jornais &#8220;Le Figaro&#8221; e &#8220;Gil Blas&#8221;. Esse caso explica os duelos de Jules Blois com Guaita e Papus, que felizmente n\u00e3o ocasionou nenhuma gravidade maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Rosa+Cruz tinha na \u00e9poca como objetivo, al\u00e9m de recrutar intelectuais capa-zes de adaptar a tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica do s\u00e9culo que estava entrando, explica-nos Stanislas de Guaita, combater a feiti\u00e7aria em todos os lugares onde ela pudesse ser praticada. &#8220;N\u00f3s os con-denamos ao batismo da luz&#8221; enfatiza Guaita em O Templo de Sat\u00e3. Ele procurava conhecer todas as artimanhas do maligno para combat\u00ea-lo com toda pot\u00eancia poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O acesso aos graus da Rosa+Cruz Cabal\u00edstica era efetuado mediante exame, sendo que para o \u00faltimo grau era necess\u00e1rio a defesa de uma tese sobre um tema estabelecido pelo Supremo Conselho, o qual era formado por seis membros conhecidos e por seis ocultos. Os membros conhecidos eram Guaita, Papus, Barlet, Polti, P\u00e9ladan e Agur.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Charles Barlet, escrevia a respeito da obra de Guaita: &#8220;A harmonia dos contr\u00e1rios \u00e9 a f\u00f3rmula mais indicada para caracterizar a tua obra&#8230; Teu m\u00e9todo \u00e9, ao mesmo tempo, anal\u00edtico e intuitivo&#8230; Nem pont\u00edfice nem inovador: tu ser\u00e1s o fiel ap\u00f3stolo das verda-des que recebestes&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a demiss\u00e3o de P\u00e9ladan da Rosa+Cruz Cabal\u00edstica, foi admitido o abade Roca, pseud\u00f4nimo da Alfa. Ele, convocado pelo bispo de Perpignam a retratar-se de seu cristi-anismo esot\u00e9rico n\u00e3o o fez, e assim, foi afastado do poder clerical, perdendo o seu t\u00edtulo de can\u00f4nico honor\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a Ordem adquiriu o n\u00famero suficiente de membros, de acordo com a sua constitui\u00e7\u00e3o, foi rigorosamente fechada. Ela dirigia outros grupos de iniciados de graus inferiores, propagando as doutrinas esot\u00e9ricas no seio da coletividade, atrav\u00e9s de publica\u00e7\u00f5es das teses de doutoramento em Cabala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse procedimento n\u00e3o s\u00f3 permitiu a forma\u00e7\u00e3o de homens com bom conheci-mento de Cabala, como propagou seus ensinamentos no meio ocultista. A cabala prop\u00f5e a s\u00edntese da doutrina dos magos, a Alta e Divina Magia herdada dos Caldeus atrav\u00e9s de Abra\u00e3o, reformulada por Mois\u00e9s e Esdras e divinizada pelo pr\u00f3prio Jesus Cristo. \u00c9 a tradi\u00e7\u00e3o primor-dial do Ocidente, que procurava desenvolver a positividade do homem, tornando-o um ser de vontade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme Andr\u00e9 Billy, a Ordem Cabal\u00edstica da Rosa+Cruz era administrada por um conselho supremo composto por tr\u00eas c\u00e2maras: C\u00e2mara de Dire\u00e7\u00e3o (Baret e Papus), a C\u00e2-mara de Justi\u00e7a (Paul Adam, Julien Lejay e Alta), e a C\u00e2mara de Administra\u00e7\u00e3o (Wirth e Cha-boseau). As tr\u00eas reunidas compunham o Supremo Conselho e todas elas eram submetidas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Gr\u00e3o Mestre, Stanislas de Guaita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A respeito da apologia do Misticismo feita por Oswald Wirth, respondeu-lhe Guaita: &#8220;&#8230;Quando esses Iniciados &#8211; considerando-se quase como egr\u00e9goras, pastores de almas errantes, Sacerdotes e Franco-Juizes -, quando esses Iniciados chegam a praticar, passando pela terra, algum bem a seus semelhantes, isto \u00e9, a seus irm\u00e3os menores, acreditai, eles nada mais t\u00eam a desejar e possuem em verdade a paz profunda do Rosa+Cruz!&#8221;.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Dentre os membros do Supremo Conselho, havia um que n\u00e3o aceitava a lideran\u00e7a de outra pessoa que n\u00e3o fosse ele pr\u00f3prio: Jos\u00e9phin P\u00e9ladan. N\u00e3o admitia tornar-se disc\u00ed-pulo tendo sido o primeiro mestre de Stanislas de Guaita. Al\u00e9m disso, suas concep\u00e7\u00f5es im-pregnadas de catolicismo romano exagerado, conflitavam com a opini\u00e3o independente dos demais Rosa+Cruz. Suas concep\u00e7\u00f5es acerca de Jesus, Maria e de outros personagens do cristianismo n\u00e3o se diferenciavam das opini\u00f5es de um padre cat\u00f3lico.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Dizia-lhe Stanislas de Guaita: &#8220;&#8230;Deus ir\u00e1 te conceder uma ou v\u00e1rias entrevistas, para que possas ver a Luz integral do Cristianismo esot\u00e9rico, e isto sem renegar uma s\u00edlaba de teu credo, sem eliminar uma das arestas do Dogma Eterno. Pois est\u00e1s destinado para o futuro; o c\u00e9u assim o deseja&#8230; Sou, pois, Sacerdote do Oculto, como foram em todas as \u00e9pocas todos os adeptos do 3\u00ba grau e tenho todos os poderes para exercer o culto in secretis, magicamente e n\u00e3o sacerdotalmente&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">&#8220;Seria capaz de sacrificar-me por tudo aquilo que creio verdadeiro, belo e justo&#8221; diria Guaita em outra ocasi\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">P\u00e9ladan n\u00e3o entendia o significado profundo e oculto dessas palavras e n\u00e3o admitia que seu ex-disc\u00edpulo lhe falasse por par\u00e1bolas, e assim, passou a editar bulas e exco-munh\u00f5es em nome da Rosa+Cruz.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Advertido pelo Gr\u00e3o-Mestre, criou sua pr\u00f3pria sociedade, a Ordem Rosa+Cruz Cat\u00f3lica do Templo do Graal, separando-se do Grupo em 1890. Guaita, Jacques Papus e Charles Barlet declararam Jos\u00e9phin P\u00e9ladan cism\u00e1tico e ap\u00f3stata denunciando seus atos e sua ordem ao tribunal da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Essa; separa\u00e7\u00e3o foi, sem d\u00favida nenhuma, muito desencantadora para Guaita. Viu todos os esfor\u00e7os, no sentido de encaminhar P\u00e9ladan na Senda, ca\u00edrem por terra. Entre 1882 e 1891 Guaita procuraria acalentar o esp\u00edrito do amigo e fortificar a sua f\u00e9, ausente em seu \u00edntimo.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Stanislas de Guaita buscara sempre ser um mediador e um m\u00e9dico de almas. Numa correspond\u00eancia a P\u00e9ladan, diria: &#8220;Para curar uma alma, um Dirigente prudente usar\u00e1 alternativamente o Rigor e a Miseric\u00f3rdia. Assim um bom m\u00e9dico poder\u00e1 curar um corpo so-frido, pelos Semelhantes ou pelos Contr\u00e1rios&#8230; Eu reconhe\u00e7o que a homeopatia \u00e9 a medicina esot\u00e9rica; \u00e9 o magnetismo curativo quem sintetiza o emprego do medicamento.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Acreditava ele que para penetrar a Sabedoria Divina existente al\u00e9m da ci\u00eancia humana, s\u00e3o necess\u00e1rios o Amor e a F\u00e9. Dizia que &#8220;A intelig\u00eancia volunt\u00e1ria \u00e9, entre n\u00f3s, o princ\u00edpio ativo; mas a f\u00e9 \u00e9 passional e passiva. A Grande Obra \u00e9 o casamento do ativo e do passivo; \u00e9 como dizia Basile Valentin, o Fixo do Vol\u00e1til e o Vol\u00e1til do Fixo.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">A falta de f\u00e9 est\u00e1 intimamente associada \u00e0 aus\u00eancia de toler\u00e2ncia, que \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, um desamor em rela\u00e7\u00e3o a todos os nossos semelhantes.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Guaita nunca deixou de prestar suas homenagens aos Mestres que lhe precederam. Dizia ele: &#8220;Tenho uma infinidade de livros de todos os s\u00e9culos e li com aten\u00e7\u00e3o na Biblio-teca Nacional quase todos os mestres; inclino-me diante de Eliphas Levy como diante do MESTRE DOS MESTRES (como Arnaud de Vila Nova chamou a Geber). Ningu\u00e9m, que eu saiba, penetrou t\u00e3o profundamente no problema, e ningu\u00e9m construiu uma s\u00edntese t\u00e3o espl\u00ean-dida, t\u00e3o imensa e t\u00e3o inabal\u00e1vel.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Em 1886, Stanislas escreveu a P\u00e9ladan dizendo-lhe que estava preparando para os pr\u00f3ximos anos a publica\u00e7\u00e3o de uma obra que deveria denominar Os Tr\u00eas Mundos, com uma introdu\u00e7\u00e3o longa, destinada a familiarizar o esp\u00edrito do leitor com as mat\u00e9rias esot\u00e9ricas de maior profundidade discutidas nos tomos seguintes. Essa introdu\u00e7\u00e3o foi publicada inicialmente na Revista Contempor\u00e2nea, dando origem ao seu primeiro livro: No Umbral do Mist\u00e9rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">J\u00e1 nessa \u00e9poca, Stanislas de Guaita prenunciava sua passagem para o Oriente Eterno, e em algumas de suas cartas, sua caligrafia demonstrava os sofrimentos corporais de que era v\u00edtima, chegando a tornar-se ileg\u00edvel pela dor que o atormentava.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">&#8220;Preparai-vos &#8211; disse ela a P\u00e9ladan convidando-o para com ele encontrar-se em Paris &#8211; eu estarei aqui por pouco tempo e tenho sede de vossa companhia&#8221;. &#8211; &#8220;Eu vos escrevo no leito, sofrendo, como podeis ver por minha escrita. &#8211; &#8220;Procuro diminuir minha Morfina, mas isto me \u00e9 muito dif\u00edcil&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Nunca entretanto, deixou de ocupar-se do ocultismo, escrevendo continuamente sobre os temas que se tornaram o seu Verdadeiro Ideal.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Dizia ele que a chave de tudo est\u00e1 na Luz Astral. Nesse sentido concebeu a sua obra baseado nas l\u00e2minas do Tar\u00f4, procurando desvendar o tr\u00edplice significado de Nahash, a alma astral do mundo. &#8220;Dominar a Luz Astral em si e na Natureza \u00e9 ter descoberto e formulado o incomunic\u00e1vel Grande Arcano. \u00c9 a mat\u00e9ria-prima que solve e coagula para a realiza\u00e7\u00e3o da Grande Obra. A F\u00e9, a Ci\u00eancia e a Vontade, s\u00e3o instrumentos de emancipa\u00e7\u00e3o do Verbo Humano e de sua reintegra\u00e7\u00e3o no Verbo Divino, promovendo o casamento m\u00edstico do homem com a divindade.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Seus ensaios de Ci\u00eancias Malditas, deveriam compreender, cinco volumes a saber: <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">1\u00ba Volume &#8211; No Umbral do Mist\u00e9rio &#8211; introdu\u00e7\u00e3o geral.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">2\u00ba Volume &#8211; O Templo de Sat\u00e3.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">3\u00ba Volume &#8211; A Chave da Magia Negra.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">4\u00ba Volume &#8211; O Problema do Mal.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">5\u00ba Volume &#8211; Conclus\u00e3o, a Apoteose.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">No Umbral do Mist\u00e9rio foi publicado em 1886, em formato pequeno sem os ap\u00eandices. Para o meio ocultista da \u00e9poca foi uma revela\u00e7\u00e3o. Todos os Homens de Desejo encontraram a luz que buscavam na chama viva que era Stanislas de Guaita.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Ele foi o primeiro a surpreender-se com o inusitado sucesso de seu livro. Em 1890 foi publicada uma segunda edi\u00e7\u00e3o, tr\u00eas vezes maior, contendo dois pant\u00e1culos de Henry Khunrath. Em setembro de 1894 houve uma terceira edi\u00e7\u00e3o, na qual, utilizando o pr\u00f3logo, Stanislas de Guaita fala do sentido verdadeiro da Alta Magia como s\u00edntese geral, duplamente fundamentada na observa\u00e7\u00e3o positiva e na indu\u00e7\u00e3o por analogia.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Guaita confessava-se disc\u00edpulo fervoroso de Eliphas Levi e de Fabre d\u00b4Olivet e n\u00e3o pensava ser mais do que um simples disc\u00edpulo. N\u00e3o esperava nenhum apostolado, mas sua primeira obra ocultista, revelou-se por inspira\u00e7\u00e3o divina e pelo ardor de seus leitores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Aceitou com naturalidade, aos vinte e cinco anos, a miss\u00e3o que se descortinou para ele, preparando-se ainda com mais afinco para o fiel cumprimento do alto dever que contraiu com o pr\u00f3prio Reparador.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Dedicou toda a sua vida a procurar a verdade e a transmitir as teorias ocultistas dentro de um estilo claro, que logo se tornou cl\u00e1ssico. Numa \u00e9poca em que todos se ocupavam em alimentar as paix\u00f5es da alma e os instintos do corpo , obteve grande reputa\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de seu trabalho desinteressado, que n\u00e3o tinha outro objetivo a n\u00e3o ser conduzir, elevar e iluminar a alma humana.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Raphael Germinal, em seu livro, O Destino Religioso da Humanidade, diz que: &#8220;O nome de Jesus simboliza ent\u00e3o, admiravelmente, a queda da divindade no espa\u00e7o e no tempo, pelos ciclos geradores da Senda Universal. &#8220;Guaita, escreveu: &#8220;O n\u00famero da queda, \u00e9 tamb\u00e9m o n\u00famero da vontade, e a vontade \u00e9 o instrumento da reintegra\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">O Templo de Sat\u00e3, foi publicado em 1891, abordando as sete primeiras l\u00e2minas do Tar\u00f4, focalizando a hist\u00f3ria f\u00edsica do ocultismo inferior e os procedimentos da baixa magia. Ele \u00e9 o primeiro volume da Serpente da G\u00eanese.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Para esclarecer o sentido figurado, Guaita elaborou a Chave da Magia Negra. Nahash, a luz astral, agente tanto de obras boas como m\u00e1s. Seu dom\u00ednio fornece a chave da Magia Negra, permitindo analisar as causas e os efeitos dos ritos e dos fen\u00f4menos descritos em O Templo de Sat\u00e3.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">A Chave da Magia Negra foi editada em 1897, ano da morte de Guaita, e O Problema do Mal n\u00e3o chegou a ser conclu\u00eddo, sendo completados, os poucos cap\u00edtulos que o autor chegou a redigir, por Oswald Wirth e por Marius Lepage.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Muitos anos depois, em 1949, Lepage fazia notar que Stanislas tinha 35 anos quando come\u00e7ou a escrever O Problema do Mal, e que Oswald Wirth se aproximava dos sessenta quando retomou o livro inacabado. Nesse intervalo, muita \u00e1gua correra sob a ponte do esoterismo.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">De qualquer forma, Wirth procurou seguir de perto as indica\u00e7\u00f5es das l\u00e2minas do Tar\u00f4. Ele que amara a Guaita como a um irm\u00e3o, continuava sentindo a sua presen\u00e7a quase tang\u00edvel. Legou a Lepage o manuscrito por ele conclu\u00eddo do Problema do Mal, com a miss\u00e3o de que Lepage o terminasse em forma definitiva.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Lepage por mod\u00e9stia, concluiu que: &#8220;Quanto mais eu estudava as folhas que me haviam sido passadas, mais eu compreendia que era a obra de uma \u00fanica alma em dois corpos. &#8220;Wirth e Lepage deram conclus\u00e3o a essa obra p\u00f3stuma de Stanislas de Guaita, seguindo \u00e0 risca os ensinamentos do mestre. O livro possui aproximadamente 100 p\u00e1ginas escritas ou ditadas por Guaita, 10 ou 12 completadas por Wirth e mais ou menos 60 por conclus\u00f5es e coment\u00e1rios de Lepage (conf. A. Billy).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Se Guaita tivesse tido tempo para concluir esse livro, provavelmente a evolu\u00e7\u00e3o de seu pensamento nos teria presenteado escritos da mais alta profundidade, em raz\u00e3o do ama-durecimento de suas doutrinas. Com O Problema do Mal, os leitores encontrariam as chaves que conduzem \u00e0 Ilumina\u00e7\u00e3o Divina, se a Provid\u00eancia n\u00e3o tivesse arrancado o autor do conv\u00edvio de seus iniciados.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Os amigos de Guaita pensavam, em 1897, que a Provid\u00eancia Divina n\u00e3o aprovara a conclus\u00e3o da obra, repleta de revela\u00e7\u00f5es que deveriam permanecer ocultas e restritas a um pequeno n\u00famero de Homens de Desejo. De qualquer forma, essa sua obra somente foi publicada 50 anos ap\u00f3s a sua morte.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Por volta de 1888 Papus reanimara a Or.: Mart.: e Stanislas de Guaita chegou a presidir uma cerim\u00f4nia de Inic.:. Essa Ord.: fundada por Martinez de Pasqually por volta de 1750, continuada por Louis Claude de Saint Martin &#8211; &#8220;O Fil\u00f3sofo Desconhecido&#8221; e depois por Jean Baptiste Willermoz at\u00e9 1810, tendo Lyon como sede, tomou grande vigor a partir de 1887 devido \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o dos iniciados livres e pela constitui\u00e7\u00e3o do Supremo Conselho da Ordem em Paris.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">A Ord.: Mart.: conservara intactas as constitui\u00e7\u00f5es das altas fraternidades inici\u00e1ticas que precederam \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f4nica de 1773. A Ord.: Mart.: era essencialmente espiritualista e combatia com todas as suas for\u00e7as o ate\u00edsmo e o materialismo. <\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Outorgava ao simbolismo, o grande papel que lhe estava reservado em qualquer inicia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria. Nunca se ocupava de pol\u00edtica nem de quest\u00f5es de cultos religiosos. Permitia estudar e n\u00e3o abandonava a mais absoluta das toler\u00e2ncias. L\u00e1 n\u00e3o adentrava aquele que queria, mas aquele que tendo reu-nido m\u00e9ritos para tal, para isto era convidado.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">O iniciador n\u00e3o podia ser conhecido a n\u00e3o ser por duas pessoas: aquela que havia sido iniciada, e o iniciador do pr\u00f3prio iniciador. Estabelecia-se assim uma corrente de sil\u00eancio inici\u00e1tico.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Numa recep\u00e7\u00e3o Mart.: presidia por Stanislas de Guaita, estas foram as suas pa-lavras: &#8220;Aqui n\u00e3o tratamos de impor convic\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas. Que tu acredites ser materialista ou idealista, que professes o budismo ou o cristianismo, que te proclames livre pensador ou que somente aceites o cepticismo absoluto, pouco nos importa realmente. N\u00f3s n\u00e3o contradizemos teu cora\u00e7\u00e3o incomodando o teu esp\u00edrito com problemas que n\u00e3o deves resolver a n\u00e3o ser frente \u00e0 tua pr\u00f3pria consci\u00eancia e no solene sil\u00eancio de tuas paix\u00f5es aplacadas&#8230; D\u00e1 ao amor dos homens, teus irm\u00e3os, a denomina\u00e7\u00e3o que quiseres: Amor, Solidariedade, Altru\u00edsmo, Fraternidade ou Caridade&#8230; As palavras n\u00e3o s\u00e3o nada&#8230; Mas, sejas quem fores, n\u00e3o te esque\u00e7as jamais que, em todas as religi\u00f5es realmente verdadeiras e profundas, isto \u00e9, fundamentadas no esoterismo, colocar tudo isto em pr\u00e1tica, atrav\u00e9s do sentimento, \u00e9 o primeiro ensinamento, capital, essencial&#8230; Nenhum dogma religioso ou filos\u00f3fico pode ser imposto \u00e0 tua f\u00e9. Quanto \u00e0s doutrinas, cujos princ\u00edpios essenciais resumidos para ti, pedimos t\u00e3o somente que as medites como melhor te parecer e sem id\u00e9ias preconcebidas&#8230; Abrimos para ti os selos do livro, agora deves primeiro conhecer a letra e, posteriormente penetrar no Esp\u00edrito dos mist\u00e9rios que este livro encerra&#8230;&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Afastado da Ord.: da R+C.:, Stanislas de Guaita, prenunciando a sua passagem para o Oriente Eterno, viveu cada vez mais solit\u00e1rio e longe da turbul\u00eancia mundana. Charles Barlet, que o visitara em 1896, pedindo-lhe colabora\u00e7\u00e3o para uma pequena revista, assim descreve parte de sua visita: &#8220;Seus olhos azuis&#8230; de uma calma impressionante&#8230; seus tra\u00e7os im\u00f3veis, enquadrados pela barba e pelos cabelos loiros, davam \u00e0 sua fisionomia algo do aspecto hier\u00e1tico que se imagina nos s\u00e1bios da Gr\u00e9cia e nos Profetas da B\u00edblia.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Encerrando em seu castelo com livros de esoterismo reunidos durante toda a sua vida, Stanislas de Guaita desinteressara-se pelas lutas pol\u00edticas e sociais que, nessa \u00e9poca, opunham franceses contra franceses. Ao contr\u00e1rio de Barr\u00e9s e P\u00e9ladan, ignorava as coisas temporais, n\u00e3o tendo pensamentos a n\u00e3o ser para o invis\u00edvel. Realizou a solid\u00e3o temporal da L\u00e2mina IX.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Ele que combatera o mal, chegara a uma conclus\u00e3o definitiva sobre sua exist\u00eancia no mundo da forma, em oposi\u00e7\u00e3o ao bem: &#8220;Sem d\u00favida, pode-se dizer que Deus n\u00e3o criou o Mal, mas admitiu-o como possibilidade para o caso de que, livremente, o homem qui-sesse comet\u00ea-lo.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">A esse respeito, dissera ainda: &#8220;Eis aqui a \u00e1rvore da ci\u00eancia do Bem e do Mal; seu tronco bifurcado eleva-se sobre uma \u00fanica raiz. Eis aqui a virgem simb\u00f3lica que Apol\u00f4nio encontrou \u00e0s margens da Hiphasis e cujo corpo est\u00e1 dividido numa metade branca e numa me-tade negra. Eis aqui o misterioso cristal do pant\u00e1culo de Tritheme; no tri\u00e2ngulo superior, brilha o esquema Divino, o Tetragrama incomunic\u00e1vel a imagem de Sat\u00e3 ri nas trevas do tri\u00e2ngulo inferior.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Para Guaita, o ocultismo comporta um tr\u00edplice objeto de estudos: Deus, o Homem e o Universo. As duas colunas do templo s\u00e3o Jakin e Booz e os m\u00e9todos complemen-tares para aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento s\u00e3o a experi\u00eancia e a tradi\u00e7\u00e3o. As duas s\u00e3o necess\u00e1rias, pois que uma \u00fanica, somente forma iniciados incompletos. A analogia \u00e9 o m\u00e9todo duplo, ao mesmo tempo indutivo e dedutivo, de grande valor para os iniciados que caminham na senda do ocultismo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">&#8220;Existem quatro diferentes caminhos para o homem, &#8211; diz Stanislas de Guaita, &#8211; em primeiro lugar a vida universal, \u00e0 qual se vincula pela vida de sua esp\u00e9cie. Depois, a sua pr\u00f3pria vida, que \u00e9 inerente a seu ser individual. Depois, a vida refletida, a vida particular de cada uma das c\u00e9lulas cujo agrupamento org\u00e2nico constitui seu pr\u00f3prio corpo. E, finalmente, num grau inferior, a vida qu\u00edmica dos \u00e1tomos da mat\u00e9ria que se agrupam eles mesmos para formar a c\u00e9lula.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">A cada ser humano \u00e9 dado viver com maior ou menor intensidade aquela dessas vidas que mais atrai a sua pr\u00f3pria alma. Uns fundamentam-se na ci\u00eancia humana, outros na Ci\u00eancia Divina. Os Iniciados, em ambas, para realizarem o equil\u00edbrio universal.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Stanislas de Guaita foi assim, um Cabalista e um Alquimista, embora nunca te-nha admitido pessoalmente essa condi\u00e7\u00e3o. Para ele, entre outros, Guilhaume Postel, Reutchlin, Khunrath, Nicolas Flamel, Saint Martin e Fabre d\u00b4Olivet eram Mestres da Cabala, e ele seguia-lhes os passos juntamente com Victor Emile Michelet desde os 20 anos de idade, quando foram apresentados por Barr\u00e8s, um ao outro. Michelet foi o \u00faltimo sobrevivente do grupo de Guaita, passando para o Oriente Eterno em 13 de janeiro de 1938.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">O Destino n\u00e3o permitiu que Stanislas de Guaita conclu\u00edsse seu terceiro seten\u00e1rio, ocasionando sua morte atrav\u00e9s do mesmo mal que atacou seu pai em 1880: a uremia. J\u00e1 antes de 1886, Guaita queixava-se desse mal, cujo reflexo \u00e9 uma dor de cabe\u00e7a terr\u00edvel. Mas o mal foi-se acentuando, e em 1897 Guaita chamou em Ateville seu mais fiel companheiro, Papus, para transmitir-lhe a sucess\u00e3o na Ordem Cabal\u00edstica da Rosa+Cruz, dizendo-lhe que es-tava tudo acabado e que o Destino n\u00e3o lhe permitiria dizer mais nada. &#8220;Talves eu assista ao nascimento de meu livro (A Chave da Magia Negra), mas creio que n\u00e3o poderei ir mais longe&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Alguns dias mais tarde, Papus sentiu que um nascimento estava prestes a ocorrer no Invis\u00edvel: viu in\u00fameros sinais misteriosos, enchendo seu cora\u00e7\u00e3o de tristeza, e isso significava a morte do companheiro que tanto estimava. Tr\u00eas dias depois Stanislas de Guaita estava morto, v\u00edtima de uremia. Seu esp\u00edrito galgando as alturas das regi\u00f5es celestes, foi atuar no mundo das almas glorificadas, na Comunh\u00e3o dos Iniciados.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">N\u00e3o deixou testamento liter\u00e1rio ou filos\u00f3fico, na opini\u00e3o de seus bi\u00f3grafos e amigos. Muitos acreditam que seus \u00faltimos desejos n\u00e3o foram transmitidos aos amigos de Pa-ris. A biblioteca que valia no m\u00ednimo, 38 mil francos, foi vendida por apenas 15 mil \u00e0 livraria Dorbon. Os livros raros, com notas do punho do Adepto, foram dispersados. A fam\u00edlia recusou todo tipo de oferta dos amigos pela biblioteca parisiense.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Muitos manuscritos seus foram queimados, assim como diversos documentos. Sua fam\u00edlia via na atividade inici\u00e1tica do Mestre a causa de sua morte, esquecendo-se de que o pai fora atingido pelo mesmo mal em 1880.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">O mal que ele tanto procurou combater, reside na imagina\u00e7\u00e3o corrompida das pessoas, nos cora\u00e7\u00f5es endurecidos pelo orgulho e pelo \u00f3dio. Reside no ego\u00edsmo e nos falsos valores da humanidade. A morte f\u00edsica \u00e9 o sofrimento da saudade para os encarnados, mas tamb\u00e9m \u00e9 a desvincula\u00e7\u00e3o das necessidades f\u00edsicas. E ele poder\u00e1 viver na Luz e pela Luz, contribuindo para a emancipa\u00e7\u00e3o de seus semelhantes que ainda permaneceram para tr\u00e1s na escala evolutiva.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Um novo s\u00e9culo se aproxima e novos iniciados realizar\u00e3o igualmente a sua obra. Eles encontrar\u00e3o o caminho um pouco mais facilitado pelo trabalho de seus antepassados, Filhos da Luz, como foi Stanislas de Guaita.<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">Dois anos ap\u00f3s a morte de Stanislas de Guaita, P\u00e9ladan, que n\u00e3o lhe guardara nenhum rancor pelas admoesta\u00e7\u00f5es recebidas, dedicou-lhe sua obra L\u00b4Occulte Catholique (1899), endere\u00e7ando-lhe palavras que todos os iniciados, no momento em que se reverencia sua mem\u00f3ria, igualmente fazem suas:<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">&#8220;&#8230;Tua morte prematura assegurou toda a purifica\u00e7\u00e3o de teu destino, e tu \u00e9s agora um eleito. Eu me recomendo \u00e0 tua amizade, celestialmente destinada, em testemunho daquela que nos uniu por muito tempo e que nos reunir\u00e1, eu o espero, na pr\u00f3pria eternidade. Assim seja.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">O Mestre Stanislas de Guaita, passou para o Oriente Eterno a 19 de Dezembro de 1897, quando contava com 36 anos de idade.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\"><strong>OBRAS RESUMIDAS NESTE TRABALHO:<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">1) Lettres In\u00e9dites de Stanislas de Guaita au S\u00e2r Jos\u00e9phin P\u00e9ladan (150 exem<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">plares impressos p\/Editions Rosicruciennes em Sui\u00e7a, 1952).<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">2) O Tarot dos Bohemios &#8211; (Papus) &#8211; Editorial Kier &#8211; 4\u00aa Ed., 1977<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">3) No Umbral do Mist\u00e9rio &#8211; Edi\u00e7\u00f5es Grafosul &#8211; Porto Alegre &#8211; 1979<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">4) Hist\u00f3ria e Doutrina do Mart.: &#8211; Cole\u00e7\u00e3o interna &#8211; Bethel.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">5) Stanislas de Guaita &#8211; Pr\u00edncipe del Esoterismo &#8211; S\u00e9rie Inc\u00f3gnita\/ Poderes <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o &#8211; Barcelona &#8211; 1981.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">6) A Cabala (Papus) &#8211; Editora do Brasil &#8211; SCA &#8211; 1983.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;\">7) No Umbral do Mist\u00e9rio &#8211; Editora Martins Fontes &#8211; 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o\/1985.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIE VICTOR STANISLAS DE GUAITA Por:\u00a0Irm\u00e3o Sephariel &#8211; Hermanubis USA &nbsp; Guaita nasceu num s\u00e1bado, 6 de abril de 1861 \u00e0s 5 horas da manh\u00e3, em Alteville, perto de Nancy, na Lorraine Francesa. Seu signo ascendente posicionou-se aos 27\u00ba 30\u00b4 de Peixes e seu signo solar colocou-se em \u00c1ries. 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