{"id":1915,"date":"2024-02-27T18:07:01","date_gmt":"2024-02-27T18:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1915"},"modified":"2024-02-27T18:07:02","modified_gmt":"2024-02-27T18:07:02","slug":"codex-hermeticum-07-o-que-acontece-apos-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1915","title":{"rendered":"CODEX HERMETICUM 07 &#8211; O que acontece ap\u00f3s a morte?"},"content":{"rendered":"\n<p>Publica\u00e7\u00e3o Classe A<br>Por Frater Goya<br><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos membros do C:.I:.H:. e pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 nossa organiza\u00e7\u00e3o nos perguntam frequentemente se possu\u00edmos uma doutrina ou mesmo uma teoria para a reencarna\u00e7\u00e3o. Por v\u00e1rios anos nos abstivemos de fazer qualquer coment\u00e1rio sobre o assunto por acreditar que essa defini\u00e7\u00e3o parte da cren\u00e7a individual, mas nunca de um grupo. Devemos admitir que o tempo demonstrou o contr\u00e1rio. Na verdade as pessoas acabam pedindo que justamente um grupo ou organiza\u00e7\u00e3o lhes ofere\u00e7a uma resposta. Talvez porque acreditem que esse assunto n\u00e3o poder\u00e1 ser abarcado por uma \u00fanica mente pensante, a menos que seja atrav\u00e9s de uma \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d, ou talvez porque prefiram dar cr\u00e9dito a outros al\u00e9m de si mesmos. Isso, por\u00e9m, \u00e9 uma quest\u00e3o por demais extensa para que possa ser tratada aqui. Deixaremos essa pergunta para ser respondida no futuro e em outro lugar que n\u00e3o aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ensaio n\u00e3o pretende de modo algum ser definitivo no estudo da mat\u00e9ria proposta. Na realidade ele surgiu da necessidade de se explicar um assunto extremamente pol\u00eamico que \u00e9 a reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratamos no decorrer de seu desenvolvimento, da metaf\u00edsica \u2013 das doutrinas do absoluto e suas emana\u00e7\u00f5es, conforme diz o livro VI da <em>Metaf\u00edsica<\/em><em><a href=\"#sdfootnote1sym\" id=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/em>, \u201c<em>a metaf\u00edsica \u00e9 uma teologia, tratando principalmente de Deus e do divino<\/em>\u201d; sendo este um documento especulativo com fins did\u00e1ticos. \u00c9 um texto para ser lido por aqueles que anseiam mais informa\u00e7\u00f5es sobre sua origem e destino nesta vida.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer da sua exist\u00eancia, o Ser busca respostas para sua origem e para seu destino ap\u00f3s a morte do corpo f\u00edsico. Existem in\u00fameras teorias sobre o assunto, e o nosso objetivo \u00e9 tentar trazer ao leitor destas p\u00e1ginas uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica para sua exist\u00eancia. N\u00e3o pretendemos em nenhum momento no desenvolvimento da obra atacar ou denegrir movimentos religiosos, seitas ou filosofias de outros. O que buscamos \u00e9 apenas uma explica\u00e7\u00e3o que pode satisfazer os buscadores que n\u00e3o encontraram respostas em outros lugares, ou se encontraram n\u00e3o ficaram satisfeitos com o que viram e ouviram.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer da vida sempre somos colocados em situa\u00e7\u00f5es inusitadas, que exigem a todo o momento uma explica\u00e7\u00e3o para o que n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ser explicado. Muitas vezes j\u00e1 estivemos diante de situa\u00e7\u00f5es onde a l\u00f3gica n\u00e3o se encaixava, ou talvez a nossa vis\u00e3o do mundo e da vida n\u00e3o permitisse que perceb\u00eassemos a l\u00f3gica daquele instante. O que ser\u00e1 descrito a seguir \u00e9 fruto da pesquisa pessoal do autor e sua interpreta\u00e7\u00e3o desses instantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se no transcorrer da leitura for encontrado algum erro, devemos advertir desde o momento que a obra \u00e9 resultado da pesquisa pessoal do autor que \u00e9 humano, e, portanto pass\u00edvel de errar. Pedimos desde j\u00e1 desculpas \u00e0queles que encontrarem falhas em nosso trabalho e tamb\u00e9m \u00e0queles que possam se sentir ofendidos pelas opini\u00f5es presentes neste breve ensaio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De onde viemos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O esp\u00edrito se origina diretamente da fonte criadora, que \u00e9 Deus. Devemos imaginar aqui essa fonte como emanando energia infinitamente a partir de si, e essa energia \u00e9 distribu\u00edda a todos os lugares do universo, dando origem \u00e0s coisas. Hoje sabemos que cada tipo de energia possui um determinado comprimento de onda e uma frequ\u00eancia, que determina sua natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que por similaridade ou simpatia, uma corda de viol\u00e3o dedilhada faz vibrar a caixa ac\u00fastica do instrumento produzindo o som, o esp\u00edrito vibrando numa determinada frequ\u00eancia far\u00e1 ressoar o corpo material, produzindo o efeito que chamamos de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Tempo de Perman\u00eancia do Esp\u00edrito no Corpo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tempo da perman\u00eancia no corpo, ou, melhor dizendo, da dura\u00e7\u00e3o da vida, \u00e9 o tempo da dura\u00e7\u00e3o da nota divina em nosso corpo. Enquanto o corpo ainda vibrar ao som do esp\u00edrito viver\u00e1. Quando o som silenciar, o corpo morrer\u00e1. Existem meios de saber a dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de uma vida? Isso n\u00e3o podemos dizer com nenhuma precis\u00e3o, o que podemos dizer \u00e9 que at\u00e9 o presente momento, nenhum ser humano ainda tocou uma obra inteira&#8230; Nossa exist\u00eancia dura apenas alguns acordes. Mas sabemos que com o passar do tempo e avan\u00e7os da humanidade em todos os campos, j\u00e1 permitem que a expectativa de vida seja maior do que era na Idade M\u00e9dia, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tr\u00edplice divis\u00e3o que comp\u00f5e o<\/strong> Ser Humano<\/p>\n\n\n\n<p>O Ser Humano \u00e9 composto de tr\u00eas partes, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p>1. <strong>Corpo: <\/strong>O Corpo \u00e9 o Templo do esp\u00edrito. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 evoluir segundo as regras do esp\u00edrito, que s\u00e3o dadas, conforme os ditames de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>2. <strong>Alma: <\/strong>\u00c9 o que une a carne ao esp\u00edrito. Pelos Esp\u00edritas ela \u00e9 designada por perisp\u00edrito. Em algumas tradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 designada por duplo. A sua dura\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a morte \u00e9 de sete anos. At\u00e9 sete anos ap\u00f3s a morte do corpo, o ser ainda pode ser trazido do mundo dos mortos, atrav\u00e9s da Magia Sagrada de Abra-Melin, o Mago<a href=\"#sdfootnote2sym\" id=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>3. <strong>Esp\u00edrito: <\/strong>\u00c9 o que anima o ser. O Esp\u00edrito \u00e9 imortal e retorna a Deus ap\u00f3s o desligamento do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Qabalah tamb\u00e9m possui termos e defini\u00e7\u00f5es para Corpo-Alma-Esp\u00edrito, que s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Corpo: <\/strong>\u201cNephech\u201d, a parte animal;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alma: <\/strong>\u201cNechamah\u201d, as Aspira\u00e7\u00f5es Superiores;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esp\u00edrito: <\/strong>\u201cRuach\u201d, a Mente ou o Esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda outras partes segundo os cabalistas, mas n\u00e3o \u00e9 o escopo aqui para a presente explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a Vinda do Esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Esp\u00edrito penetra no corpo humano atrav\u00e9s das narinas, no instante do nascimento. Na qabalah esta a primeira respira\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 o Aleph, que marca a entrada do esp\u00edrito no Corpo. Por isso, desse ponto de vista, o conceito legal de aborto n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido, j\u00e1 que aquele corpo antes do nascimento n\u00e3o possui esp\u00edrito. J\u00e1 possui alma, mas o esp\u00edrito entrar\u00e1 apenas no momento do nascimento. O esp\u00edrito, portanto, entraria no ser com o primeiro alento ou respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A fun\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no Homem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Esp\u00edrito t\u00eam como principal fun\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o do Ser Humano, a de ensinar ao corpo, que \u00e9 apenas mat\u00e9ria grosseira, a perfei\u00e7\u00e3o das coisas do esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A contribui\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito na Mat\u00e9ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria, por ser f\u00edsica e grosseira, \u00e9 a que mais precisa de cuidados em sua evolu\u00e7\u00e3o. No Plano Evolucion\u00e1rio Divino, a mat\u00e9ria como \u00e9 conhecida pelo homem atrav\u00e9s de sua percep\u00e7\u00e3o f\u00edsica e intelectual, ocupa a parte mais inferior da cadeia de exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o Esp\u00edrito o reflexo imediato de Deus e o aspecto mais Divino da Natureza conhecida pelo homem, \u00e9 atribu\u00edda a ele (o Esp\u00edrito) a tarefa de auxiliar a evolu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria em sua jornada rumo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Cabe ao Esp\u00edrito a tarefa de Tutor da Mat\u00e9ria enquanto esta ainda n\u00e3o consiga perceber sua pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria ocorre atrav\u00e9s de sucessivas gera\u00e7\u00f5es sem sucesso at\u00e9 que, num determinado momento ocorre a mudan\u00e7a. O Esp\u00edrito contribuir\u00e1 com a mat\u00e9ria pelo ensinamento de sua perfei\u00e7\u00e3o e pela Palavra Divina, a propaga\u00e7\u00e3o do Verbo. Como um professor adverte seu aluno na medida em que este se desvia dos seus ensinamentos, da mesma forma o Esp\u00edrito advertir\u00e1 a mat\u00e9ria de suas faltas. Enquanto houver um Esp\u00edrito pr\u00f3ximo \u00e0 mat\u00e9ria e o Sopro Divino animando esta, nem tudo estar\u00e1 perdido. Mas, quando a mat\u00e9ria deixar de ouvir seu tutor e renegar sua origem, ent\u00e3o esta deixar\u00e1 de ser o que \u00e9 para se tornar o nada, desaparecer\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que acontece com o Corpo-Alma-Esp\u00edrito ap\u00f3s a morte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Magia oferece uma breve no\u00e7\u00e3o dos caminhos percorridos pela trindade Corpo-Alma-Esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Um homem que acaba de morrer divide-se em tr\u00eas partes, a saber: O Corpo regressa a Terra, a Alma<a href=\"#sdfootnote3sym\" id=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/em><em> <\/em><em>a Deus ou ao Dem\u00f4nio, e o Esp\u00edrito tem seu per\u00edodo determinado por seu Criador, quer dizer, o N\u00famero Sagrado de Sete Anos, durante os quais lhe \u00e9 permitido vagar aqui e ali em qualquer dire\u00e7\u00e3o.<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote4sym\" id=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A defini\u00e7\u00e3o acima \u00e9 um tanto impressionante, embora apenas meio verdadeira, e vamos atualiz\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento da morte, o corpo, tal como um vidro de \u00e9ter aberto, deixa sair de si o esp\u00edrito, que retorna diretamente ao Grande Oceano Primordial. A alma ainda fica por algum tempo circulando pelo mundo, se permitindo muitas vezes ser vista como um fantasma, uma visagem, ou uma apari\u00e7\u00e3o apenas. Depois de algum tempo a alma, como o corpo se decomp\u00f5e, deixando de existir para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Retorno do esp\u00edrito para Deus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o corpo encerra suas atividades, o Esp\u00edrito al\u00e7a voo em dire\u00e7\u00e3o a seu Criador. A limita\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito \u00e9 o corpo, da mesma forma que um l\u00edquido \u00e9 limitado por seu recipiente. Uma vez que, quando da entrada do Esp\u00edrito no corpo, que se d\u00e1 na ocasi\u00e3o do nascimento, o Esp\u00edrito \u00e9 retirado do Grande Mar Universal, no final da exist\u00eancia f\u00edsica, este retorna para sua origem, que \u00e9 Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 Karma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Karma \u00e9 um conceito hindu que segundo o Bhagavad-Git\u00e3<a href=\"#sdfootnote5sym\" id=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a>, pode ser interpretado por:<\/p>\n\n\n\n<p>1. A\u00e7\u00e3o material executada com as regula\u00e7\u00f5es escriturais;<\/p>\n\n\n\n<p>2. A\u00e7\u00e3o referente ao desenvolvimento do corpo material;<\/p>\n\n\n\n<p>3. Qualquer a\u00e7\u00e3o material que incorra numa rea\u00e7\u00e3o subsequente;<\/p>\n\n\n\n<p>4. A rea\u00e7\u00e3o material em que se incorre devido \u00e0s atividades fruitivas (reguladas pelo Karma K\u00e3nda, divis\u00e3o dos Vedas que trata das atividades fruitivas executadas com o prop\u00f3sito da purifica\u00e7\u00e3o gradual do materialista grosseiramente envolvido).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas defini\u00e7\u00f5es ilustram de forma evidente, o total desconhecimento de um assunto que est\u00e1 na boca de milhares de pessoas que erguem uma bandeira sem saber ao menos sua cor. A sombra do Karma que nos persegue tal qual uma maldi\u00e7\u00e3o vida ap\u00f3s vida \u00e9 aterrador e nos tira o sono. Ser\u00e1 que meu esp\u00edrito jamais descansar\u00e1? De acordo com as defini\u00e7\u00f5es acima posso dormir tranquilo, pois o Karma refere-se ao corpo, e n\u00e3o ao esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, aproveitamos para declarar que terminantemente, n\u00e3o existe nenhuma conta passada a ser paga e sequer futura. Tudo o que fazemos dever\u00e1 ser acertado aqui e agora. Se sofremos \u00e9 por consequ\u00eancia de nossos atos, e atribuir isso a uma vida passada \u00e9 uma admir\u00e1vel escapat\u00f3ria, mas nunca uma verdade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 Dharma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro conceito hind\u00fa que segundo o Bhagavad-Git\u00e3 pode ser traduzido como a \u201c<em>capacidade de se prestar servi\u00e7o, que \u00e9 a qualidade essencial do ser vivo<\/em>\u201d.<a href=\"#sdfootnote6sym\" id=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A volta ao Corpo ou Reencarna\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das ideias que hoje est\u00e3o disseminadas com maior for\u00e7a no mundo Ocidental \u00e9 a reencarna\u00e7\u00e3o. Esta ideia baseia-se no fato de o Ser Humano ser obrigado a percorrer uma longa trajet\u00f3ria at\u00e9 Deus, em sucessivas encarna\u00e7\u00f5es, aonde ele ir\u00e1 se aperfei\u00e7oando at\u00e9 chegar a perfei\u00e7\u00e3o e finalmente, a Deus. H\u00e1 diversas formas de se explicar \u00e0 necessidade da Reencarna\u00e7\u00e3o. As mais comuns baseiam-se na Lei do Karma (ver o t\u00f3pico &#8211; O que \u00e9 Karma). A pessoa possui d\u00e9bitos ou cr\u00e9ditos de acordo com seu comportamento no decorrer de sua exist\u00eancia f\u00edsica. As penalidades ocorrer\u00e3o em sua pr\u00f3xima vida, e os cr\u00e9ditos lhe auxiliar\u00e3o a subir mais um degrau em dire\u00e7\u00e3o a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O N\u00famero de Encarna\u00e7\u00f5es \u00e9 vari\u00e1vel tamb\u00e9m. Alguns dizem que s\u00e3o 7, outros 9, outros 12 e at\u00e9 144, ou ainda sem uma quantidade certa. As antigas religi\u00f5es do mundo, em sua maioria citam a imortalidade da Alma ou do Esp\u00edrito como sendo o fim da exist\u00eancia humana. Podemos tomar como exemplo os Eg\u00edpcios, que em nenhum momento de seu Livro dos Mortos<a href=\"#sdfootnote7sym\" id=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a> colocam a id\u00e9ia de reencarna\u00e7\u00e3o e sim de Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Citamos ainda Marie-Louise Von Franz que diz em seu livro <em><strong>A Alquimia e a Imagina\u00e7\u00e3o Ativa<\/strong><\/em>: \u201c<em>Por um lado, os eg\u00edpcios tinham um pante\u00e3o com muitos deuses. Mas por outro, eles acreditavam que havia uma \u00fanica Divindade c\u00f3smica, que era \u00e0s vezes identificada com Atum, ou com Nun, ou com o deus R\u00e1 numa forma diferente, ou com o Os\u00edris c\u00f3smico, por vezes tamb\u00e9m chamado a Alma B\u00e1 do Universo. H\u00e1 diferentes nomes, de acordo com as diferentes prov\u00edncias no Egito, mas a ideia b\u00e1sica \u00e9 a de que h\u00e1 uma esp\u00e9cie de esp\u00edrito c\u00f3smico que reina sobre todos os diversos deuses do pante\u00e3o eg\u00edpcio, um deus que \u00e9 o esp\u00edrito do universo que tudo penetra, que reina sobre todos os outros deuses e os pode absorver. O morto iria, gradativamente, transformando-se naquele deus. Ele tomava parte num grande processo mitol\u00f3gico que era, por assim dizer, um espelho da situa\u00e7\u00e3o c\u00f3smica global em que o eg\u00edpcio acreditava viver.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A morte \u00e9 o fim da peregrina\u00e7\u00e3o terrestre do Homem, do tempo de gra\u00e7a e de miseric\u00f3rdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir o seu destino \u00faltimo. Quando tiver terminado \u201c<em>o \u00fanico curso da nossa<\/em> vida terrestre\u201d<a href=\"#sdfootnote8sym\" id=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a>, n\u00e3o voltaremos mais a outras vidas terrestres. \u201cOs Homens devem morrer uma s\u00f3 vez\u201d (Hb 9, 27). N\u00e3o existe \u201creencarna\u00e7\u00e3o\u201d depois da morte<a href=\"#sdfootnote9sym\" id=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conceito do Grande Oceano Primordial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar o conceito do Grande Oceano Primordial, diremos que quando uma pessoa nasce, \u00e9 como se peg\u00e1ssemos um copo de \u00e1gua desse grande oceano. Ali dentro habita um esp\u00edrito. Quando o corpo morre, ele voltar\u00e1 a esse Grande Oceano que a tudo permeia. Ap\u00f3s retornar a esse oceano, aquele esp\u00edrito perder\u00e1 sua individualidade e ir\u00e1 se misturar com o Grande Oceano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A perda da individualidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando do advento da morte f\u00edsica, a personalidade-alma retorna ao Grande Oceano Primordial e a\u00ed permanece at\u00e9 ser lan\u00e7ada novamente sobre a terra. Por\u00e9m, como a individualidade foi perdida, ela n\u00e3o ter\u00e1 mem\u00f3ria de sua vida pregressa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Das lembran\u00e7as de \u201coutras vidas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de anos de estudos sobre a gen\u00e9tica, j\u00e1 se sabe hoje, que a mem\u00f3ria \u00e9 passada gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do DNA e que podemos ter acesso a essa de mem\u00f3ria. Como acessar estas lembran\u00e7as ainda s\u00e3o especula\u00e7\u00f5es, mas nada impede, por\u00e9m, que a suposta lembran\u00e7a de \u201coutras vidas\u201d n\u00e3o seja apenas uma forma de recuper\u00e1-las. Quando somos submetidos a determinadas press\u00f5es, reagimos de maneiras adversas, conforme nossa estrutura mental e f\u00edsica. Logo, \u00e9 poss\u00edvel que um indiv\u00edduo em determinado momento de sua vida seja colocado em uma situa\u00e7\u00e3o diante da qual ele n\u00e3o consegue reagir prontamente, e, num momento posterior a resposta lhe venha na forma de sonhos e vis\u00f5es. Quando nos recordamos de eventos passados que aparentemente n\u00e3o fazem parte de nossa exist\u00eancia atual, somos levados a crer que:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Ou s\u00e3o apenas sonhos e at\u00e9 alguma forma de del\u00edrio;<\/p>\n\n\n\n<p>2. Ou s\u00e3o vis\u00f5es de uma outra exist\u00eancia;<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da primeira hip\u00f3tese, n\u00e3o \u00e9 um grande problema, pois tende a desaparecer naturalmente ou num caso mais agudo, pode ser eliminado com a ajuda de um profissional qualificado (m\u00e9dicos, psiquiatras ou psic\u00f3logos). J\u00e1 no segundo caso, o assunto \u00e9 mais delicado, pois todo mundo j\u00e1 viveu uma experi\u00eancia semelhante e no intuito de ajudar, apenas complica ainda mais a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 grave.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se n\u00e3o \u00e9 uma lembran\u00e7a de outra encarna\u00e7\u00e3o, o que \u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bem, se nossas lembran\u00e7as incluem as de nossos antepassados, nada impede que, por mais remota que seja a lembran\u00e7a, ela venha \u00e0 tona. Como essas lembran\u00e7as fazem parte de nossa carga heredit\u00e1ria, nossa mente muitas vezes n\u00e3o consegue distinguir o que s\u00e3o nossas lembran\u00e7as efetivas ou de nossos antepassados. Traumas mentais e f\u00edsicos tamb\u00e9m podem ser explicados dessa maneira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas quando a lembran\u00e7a envolve outros locais onde a pessoa viveu em outra encarna\u00e7\u00e3o incluindo parentes e lugares que ela e nenhum antepassado supostamente esteve antes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o \u00e9 muito interessante e \u00e9 usada atualmente por muitos profissionais da \u00e1rea da Regress\u00e3o para justificar seu trabalho. Mas o que realmente acontece nesse caso \u00e9 que por algum motivo por n\u00f3s ignorado, e muitas vezes involuntariamente, acessamos mem\u00f3rias de nossos antepassados, mas isso n\u00e3o quer dizer que sejam mem\u00f3rias de \u201cvidas passadas\u201d nossas. Mas sim, daqueles que nos antecederam (pais, av\u00f3s, bisav\u00f3s, etc.), e tamb\u00e9m, embora em menor grau, podem ser mem\u00f3rias que estavam j\u00e1 dissolvidas no Grande Oceano Primordial, e foram inseridas no corpo da pessoa que est\u00e1 tendo a recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E no caso dos Lamas Tibetanos, que ap\u00f3s a morte de um Lama, um deles sonha ou tem uma \u201cvis\u00e3o\u201d de onde o esp\u00edrito do monge reencarnou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, podemos observar o caso do esp\u00edrito retornar ao Grande Oceano Primordial, onde, ao ser depositado, sua personalidade se dilui para fazer parte do todo. Ao se constituir um novo ser, uma parte deste oceano \u00e9 retirada para preencher o corpo, e pode, desta forma, captar tra\u00e7os de uma ou mais personalidades, em maior ou menor grau.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a cren\u00e7a no Karma afeta aquele que pratica sua Verdadeira Vontade (Thelema)?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que possa ser feita por um estudante que esteja trilhando o caminho da descoberta da Verdadeira Vontade. Para um estudante de Thelema, a cren\u00e7a no Karma e a teoria da Reencarna\u00e7\u00e3o soam estranhas para n\u00e3o dizer esdr\u00faxulas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea? O maior impedimento de um estudante de Thelema em rela\u00e7\u00e3o a reencarna\u00e7\u00e3o vem do fato de voc\u00ea atrair karma \u201cpositivo ou negativo\u201d\u2026 Como voc\u00ea poder\u00e1 realizar sua Verdadeira Vontade e cumprir a Lei da Liberdade e do Amor se ainda est\u00e1 preso a d\u00e9bitos anteriores? Somente para aquele que existe a possibilidade de ser livre \u00e9 que ele se libertar\u00e1. Se a teoria da reencarna\u00e7\u00e3o estiver certa, o estudante jamais poder\u00e1 fazer sua vontade, pois estar\u00e1 eternamente em d\u00e9bito consigo mesmo carregando os grilh\u00f5es do passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Evoco aqui a Marcelo Ramos Motta que disse: \u201c<em>Todo ser humano que sofre, sofre por sua pr\u00f3pria culpa, <\/em><em><strong>e no momento em que sofre. <\/strong><\/em><em>Os vossos erros passados determinam as vossas condi\u00e7\u00f5es de manifesta\u00e7\u00e3o; mas a ess\u00eancias do vosso \u00edntimo, o fogo interno que<\/em> <em>queima no cora\u00e7\u00e3o da estrela ca\u00edda, est\u00e1 sempre presente em v\u00f3s; est\u00e1 sempre presente em v\u00f3s a possibilidade da Pedra Filosofal, que transmuta o pesado, penoso chumbo de Saturno no belo, luminoso Rubi e Ouro do Sol<\/em>\u201d<a href=\"#sdfootnote10sym\" id=\"sdfootnote10anc\"><sup>10<\/sup><\/a>. A partir desse pequeno trecho podemos perceber a verdadeira natureza do estudante. Transformar a si mesmo no Ouro Solar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sofrimento conduz \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o? E fazer o bem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade existe um profundo mist\u00e9rio na vida humana, que \u00e9 saber se o bem conduz a Deus e \u00e0 vida eterna ou n\u00e3o, e se o sofrimento purga os pecados. Em verdade vos digo que n\u00e3o \u00e9 nem pelo bem ou pelo sofrimento e tampouco pelo mal que se chega ao Criador. Se assim fosse, os bons sempre teriam uma exist\u00eancia compensadora. Mas na pr\u00e1tica sabemos que isso n\u00e3o ocorre. E pelo mal, tamb\u00e9m sabemos que no final, este sempre pagar\u00e1 pelos pecados cometidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, pe\u00e7o aux\u00edlio a Marcelo Motta: \u201c<em>Muito vos tem sido dito a respeito das raz\u00f5es para a encarna\u00e7\u00e3o do mundo. Muito vos tem falado da \u201cdivina reden\u00e7\u00e3o da Dor\u201d. Tem-vos sido dito que este mundo \u00e9 um vale de l\u00e1grimas, um antro de dem\u00f4nios que se encarnam para expiar os seus pecados. Somente o sofrimento, dizem-vos, traz a luz e a liberta\u00e7\u00e3o. Eu vos digo que tudo isso est\u00e1 acabado. <\/em><em><strong>Faze o que tu queres h\u00e1 de ser o todo da lei<\/strong><\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o que fazer? Para chegar a Deus a pessoa dever\u00e1 viver plenamente sua vida de acordo com sua pr\u00f3pria Vontade (isso \u00e9 claro, ap\u00f3s descobri-la). Somente vivendo plenamente sua exist\u00eancia, o ser humano poder\u00e1 retornar at\u00e9 Deus. Num outro momento detalharemos o processo de viver plenamente. Aquele que faz o bem aguardando uma recompensa final barganhar\u00e1 com Deus. Mas advirto-os que Deus n\u00e3o negocia. O bem dever\u00e1 ser feito de acordo com sua natureza mais pura, livre de julgamentos ou desejos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se o esp\u00edrito volta imediatamente a Deus ap\u00f3s a Morte, o que aparece aos chamados m\u00e9diuns?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo nossas pesquisas somos levados a acreditar que as for\u00e7as captadas pelos m\u00e9diuns nada mais s\u00e3o do que restos daquela alma que ainda possam permanecer por algum tempo ap\u00f3s a morte. Nos casos em que se diz haver falado com um esp\u00edrito cujo corpo morreu h\u00e1 200 anos acreditamos que isso seja uma ilus\u00e3o ou at\u00e9 mesmo uma alma que est\u00e1 se fazendo passar por uma alma de outra pessoa. Mas com certeza, n\u00e3o \u00e9 a energia original.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os seres humanos evoluem em grupos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob certo aspecto sim. Aproveitando o conceito do Grande Oceano Primordial, podemos nitidamente ver ali ilhas, que seriam os agrupamentos humanos num determinado local. Quando o copo (nosso corpo f\u00edsico) deixa cair a \u00e1gua, essa cair\u00e1 obviamente pr\u00f3ximo a ele ou \u00e0 ilha onde este se encontrava. Logo, \u00e9 natural que os esp\u00edritos, mesmo mergulhados no Grande Oceano Primordial ainda permane\u00e7am pr\u00f3ximos uns aos outros. Sua dissolu\u00e7\u00e3o total depender\u00e1 das correntes mar\u00edtimas que s\u00e3o respons\u00e1veis pelo movimento das \u00e1guas. Quanto mais perto da ilha, menor a influ\u00eancia das correntes e, portanto mais demorada sua dissolu\u00e7\u00e3o. Logo, ao se pego um novo copo (ou corpo) daquela \u00e1gua, as chances de pegar partes de um mesmo grupo s\u00e3o bastante altas. Para impedir, no entanto que essa \u00e1gua fique estagnada, existe uma outra energia que se encarrega de levar essa \u00e1gua aleatoriamente a outros pontos. Essa energia se chama Caos. Ele \u00e9 o tempero do mundo que impede que a energia cesse de fluir e a \u00e1gua apodre\u00e7a. Isso justifica o fato de muitas vezes uma pessoa se sentir \u201cum estranho no ninho\u201d, como se fosse de outro lugar que n\u00e3o aquele mesmo onde se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outras perguntas sobre o p\u00f3s-mortem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas pessoas n\u00e3o interessam a classe social nas quais se encontram, tem um ar aristocr\u00e1tico sem ser superior ou pedante, por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode estar demonstrando a pr\u00f3pria natureza do esp\u00edrito\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, os esp\u00edritos t\u00eam diversidade? N\u00e3o seriam todos iguais por serem divinos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade s\u00e3o iguais, mas a mat\u00e9ria em que est\u00e3o contidos n\u00e3o. Da mesma forma que se voc\u00ea p\u00f5e um tecido cobrindo uma l\u00e2mpada. Quanto mais sofisticado, normalmente mais fino (como a seda, por exemplo) permitindo assim que vejamos a luz com mais clareza\u2026 At\u00e9 que, quando o tecido ou a mat\u00e9ria for mais pr\u00f3ximo ainda do divino, ela n\u00e3o oferecer\u00e1 obst\u00e1culos para a luz, que ser\u00e1 vista em toda sua majestade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 um pouco confusa essa teoria, n\u00e3o? Eu diria que ela parece muito com a do espiritismo, s\u00f3 que mais refinada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a diferen\u00e7a b\u00e1sica da nossa para o espiritismo \u00e9 que n\u00e3o usamos o karma e quem evolui \u00e9 a mat\u00e9ria e n\u00e3o a alma\u2026 Como foi dito no in\u00edcio do texto, estamos dando uma revisada geral no conceito de evolu\u00e7\u00e3o p\u00f3s-mortem e n\u00e3o criticando essa ou aquela doutrina. Apenas revendo conceitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A diversidade de pessoas e a familiaridade entre elas se deve ao Grande Mar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exato. O conceito em si \u00e9 bastante simples e pr\u00e1tico\u2026 A confus\u00e3o se d\u00e1 quando voc\u00ea tenta encaixar ele com sistemas anteriores que nem sempre s\u00e3o bem montados\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Retomando a pergunta do in\u00edcio, existem pessoas que tem maior contato com seu esp\u00edrito, sua alma, e, portanto refinaram seu corpo, sua mat\u00e9ria, sendo vistas como mais \u201ciluminadas\u201d ou at\u00e9 superiores, com ares de princesa e de reis?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O tal Grande Mar n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo, e sendo assim, \u00e0s vezes uma pessoa vem com um conjunto melhorado, e outra vem com um modelo mais antigo\u2026 Isso \u00e9 certo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Imagine ilhas com terrenos irregulares. Elas representam a mat\u00e9ria enquanto viva ou o mundo onde vivemos\u2026 Quando o copo quebra, \u00e9 mais f\u00e1cil voc\u00ea jogar o conte\u00fado no meio do oceano ou nas margens?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas margens.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea fizer uma maquete e usar tintas de v\u00e1rias cores para representar v\u00e1rias pessoas, ver\u00e1 que elas tendem a ficar pr\u00f3ximo a ilha\u2026 Mas e quando se misturam? Misturam-se pela a\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s. Assim, aquelas que est\u00e3o em locais onde a mar\u00e9 tem dif\u00edcil acesso, ficar\u00e3o menos misturadas com o todo\u2026 Mas a\u00ed entra um outro agente interessante. O Caos. De tempos em tempos alguma anomalia aleat\u00f3ria, varre a costa levando aquela por\u00e7\u00e3o a um outro ponto, distante, sem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o original\u2026 (um ciclone ou tempestade pode fazer isso, ou mesmo uma ressaca do mar).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que se diz que os esp\u00edritos \u201cevoluem\u201d em grupos\u2026 Embora na verdade, seja a mat\u00e9ria quem evolui. E o caos justifica os casos onde num local de pessoas ditas \u201catrasadas\u201d aparece um iluminado do nada\u2026 \u00c9 totalmente aleat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o seguindo a linha desse racioc\u00ednio, pode-se dizer que as encarna\u00e7\u00f5es acontecem dentro de um grupo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m poderiam ser por isso. Mas se voc\u00ea apenas observar a natureza, ver\u00e1 que \u00e9 assim que ela se comporta\u2026 N\u00e3o h\u00e1 necessidade de elementos externos como influ\u00eancias astrol\u00f3gicas. Mas um meteoro, por exemplo, se chocando com a terra, \u00e9 um evento aleat\u00f3rio. Nunca esque\u00e7a do caos\u2026 E por que se necessita do caos? Por que ele impede que a \u00e1gua fique ali estagnada e s\u00f3 um grupo evolua, ou que ela simplesmente apodre\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o desse ponto de vista, nas pessoas de hoje que julgamos serem iluminadas \u00e9 poss\u00edvel que um pouco do esp\u00edrito de antigos iluminados esteja encarnado nela, mas n\u00e3o como um peda\u00e7o enorme colado, e sim como um novo ser?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Faz sentido\u2026 E faz sentido crer no que dizem dos poderes dos iluminados\u2026 Afinal, eles por estarem em contato direto com seu esp\u00edrito podem operar a\u00e7\u00f5es que os outros n\u00e3o conseguem e dessa maneira operam os \u201cmilagres\u201d. E sobre as inicia\u00e7\u00f5es<\/strong><strong><a href=\"#sdfootnote11sym\" id=\"sdfootnote11anc\"><sup>11<\/sup><\/a><\/strong><strong>? Elas realmente refletem essa vida ap\u00f3s a morte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira inicia\u00e7\u00e3o \u00e9 o julgamento da alma, quando o esp\u00edrito pode ser destru\u00eddo completamente ou ganhar a imortalidade. Quando voc\u00ea termina a primeira delas, voc\u00ea passou desse risco. A segunda fala do come\u00e7o da jornada pelo Duat<a href=\"#sdfootnote12sym\" id=\"sdfootnote12anc\"><sup>12<\/sup><\/a>, j\u00e1 no caminho de retorno \u00e0 unidade divina. A terceira fala da fundi\u00e7\u00e3o das 9 partes em uma, ou da aquisi\u00e7\u00e3o das 2 qualidades superiores da alma (no caso de voc\u00ea trabalhar com 3 camadas<a href=\"#sdfootnote13sym\" id=\"sdfootnote13anc\"><sup>13<\/sup><\/a>, ganha mais duas) e a quarta, fala da unidade com a divindade, ou do ponto de vista da magia sexual, por isso ela est\u00e1 no 4\u00ba grau, a cria\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a do abismo, onde os dois lados se fundem num s\u00f3 (veja a carta XIV &#8211; Arte dos Arcanos maiores do Tarot de Thoth de Aleister Crowley) e ent\u00e3o se torna o Deus mesmo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que acontece em seguida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed vem uma m\u00e3o e pega um copo com aquela \u00e1gua, dando origem a uma nova vida&#8230; \u00c9 o nascimento de uma nova crian\u00e7a no nosso mundo\u2026 Ou seja, o ciclo de inicia\u00e7\u00f5es fala do que acontece num per\u00edodo entre vidas. Por isso esse conceito se aplica apenas ao C:.I:.H:.. Existe um problema bastante grave, \u00e9 que nenhuma ordem consegue terminar o processo, pois normalmente s\u00f3 sabem o que acontece logo depois da morte\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa nova vida corresponde a voc\u00ea e mais uma p<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>essoa terem pegado o copo e desaguado em um pr\u00e9-inv\u00f3lucro dentro de uma mulher? (Por que isso j\u00e1 \u00e9 feito, mas n\u00e3o pela m\u00e3o humana\u2026)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea trabalha com esse conceito que estamos tentando desenvolver, fica claro o que existe ap\u00f3s a morte, e ent\u00e3o voc\u00ea tem a jornada completa da inicia\u00e7\u00e3o\u2026 Logo, o iniciado assume completamente a sua jornada e sabe como agir\u2026 Ele facilita esse retorno\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fale um pouco mais sobre essa nova crian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No conceito que \u00e9 dado pela Magia Sexual o objetivo final, \u00e9 acabar com a dualidade homem\/mulher e criar um ser andr\u00f3gino (manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica da divindade plena)\u2026 Isso no mundo f\u00edsico\u2026 Na morte, voc\u00ea volta a Deus ou a fonte, se mistura completamente, e quando isso acontece, a\u00ed surge um novo ser num outro corpo\u2026 Fazemos isso quando engravidamos uma mulher\u2026 O sexo da crian\u00e7a s\u00f3 \u00e9 definido ap\u00f3s o terceiro ou quarto m\u00eas. At\u00e9 ent\u00e3o ela pode ser qualquer um dos dois. \u00c9 nesse ponto em que a mat\u00e9ria nos faz ficarmos separados do estado de unidade divino. Ela de certa forma \u201csepara\u201d o que antes era \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas ter a consci\u00eancia destru\u00edda n\u00e3o \u00e9 concreto. E n\u00e3o \u00e9 por causa do ego e sim por uma forma de recompensa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que seria concreto? Esse tipo de discuss\u00e3o \u00e9 extremamente l\u00fadica. No fundo, ela \u00e9 apenas para servir de descanso para o c\u00e9rebro depois de um dia conturbado. Como diria Don Juan, no final do caminho do feiticeiro, basta dizer: tudo isso realmente n\u00e3o importa. S\u00f3 importar\u00e1 no momento final, e a\u00ed ser\u00e1 tarde de mais. Ou ainda, usando as palavras do Merlin do filme Excalibur com rela\u00e7\u00e3o ao futuro, mas que cabe nessa quest\u00e3o: <em>\u201cO futuro \u00e9 como um bolo. Voc\u00ea pode v\u00ea-lo, perceb\u00ea-lo, mas n\u00e3o sabe o gosto que tem at\u00e9 que experimente o bolo. E ent\u00e3o, ser\u00e1 tarde demais\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a recompensa: Que recompensa? Como diria Einstein: \u201cDeus n\u00e3o joga dados com o Universo\u201d. Esperar uma recompensa sobre um comportamento que se tem \u00e9 um mau h\u00e1bito adquirido na inf\u00e2ncia. &#8220;Fa\u00e7a isso que lhe dou uma bala&#8230;&#8221; &#8211; Devemos viver como homens que somos, n\u00e3o como crian\u00e7as mimadas. E o que um homem faz? Age como em que agir. Quem acha que sendo bom, ter\u00e1 recompensa no final, est\u00e1 jogando com Deus, e como disse acima, Deus n\u00e3o joga.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 pra dar alguma coisa pra co\u00e7ar seu c\u00e9rebro, vou transcrever um trecho de um livro do Casta\u00f1eda que trata sobre isso. Aproveito para dizer que se voc\u00ea comparar com os textos que joguei num e-mail anterior supostamente escrito por Hermes Trismegisto, em nenhum momento ele contradiz textos como os cl\u00e1ssicos do hermetismo ou do budismo. E j\u00e1 que falamos nisso, devo dizer que essas duas fontes (hermetismo\/budismo) talvez sejam as fontes de pesquisa menos alteradas a que temos acesso atualmente. \u00c9 claro que o mesmo vale para o juda\u00edsmo e o islamismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos ao trecho:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Talvez eu deva expor a coisa de outro modo disse ele. &#8211; O que recomendo que voc\u00ea fa\u00e7a \u00e9 notar que n\u00e3o temos nenhuma garantia de que nossas vidas continuem indefinidamente. Acabei de dizer que a mudan\u00e7a vem de repente e inesperadamente, bem como a morte. O que pensa que podemos fazer a respeito?<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei que Dom Juan estivesse fazendo uma pergunta ret\u00f3rica, mas ele fez um gesto com as sobrancelhas, pedindo que eu respondesse.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Viver o mais felizes que pudermos falei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Certo! Mas voc\u00ea conhece algu\u00e9m que viva feliz? Meu primeiro impulso foi dizer que sim; achei que podia citar uma por\u00e7\u00e3o de gente que eu conhecia como exemplos. Mas, pensando bem, eu sabia que meu esfor\u00e7o seria uma tentativa v\u00e3 para me exonerar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 N\u00e3o respondi. &#8211; N\u00e3o conhe\u00e7o de fato. Pois eu conhe\u00e7o disse Dom Juan. &#8211; H\u00e1 pessoas que t\u00eam muito cuidado com a natureza de seus atos. Sua felicidade \u00e9 agir com a plena consci\u00eancia de que n\u00e3o tem tempo; portanto, seus atos t\u00eam um poder especial; t\u00eam um sentimento de\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Dom Juan parecia estar procurando os termos. Co\u00e7ou as t\u00eamporas e sorriu. Ent\u00e3o, de repente, levantou-se, como se tivesse terminado a conversa. Pedi-lhe que conclu\u00edsse o que estava me dizendo. Sentou-se e franziu os l\u00e1bios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Os atos t\u00eam poder disse ele. &#8211; Especialmente quando a pessoa que age sabe que aqueles atos s\u00e3o sua \u00faltima batalha. H\u00e1 uma estranha felicidade em se agir com o pleno conhecimento de que o que quer que se esteja fazendo pode bem ser o \u00faltimo ato sobre a terra. Recomendo que voc\u00ea reconsidere sua vida e veja seus atos sob essa luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Discordei dele. A felicidade, para mim, era supor que havia uma continuidade inerente em meus atos e que eu poder\u00e1 continuar a fazer, \u00e0 vontade, aquilo que estivesse fazendo no momento, especialmente se gostasse daquilo. Disse-lhe que meu desacordo n\u00e3o era banal, mas vinha da convic\u00e7\u00e3o de que o mundo e eu t\u00ednhamos uma continuidade determin\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Dom Juan pareceu divertir-se com meus esfor\u00e7os para dar sentido \u00e0s minhas palavras. Riu, sacudiu a cabe\u00e7a, co\u00e7ou os cabelos e por fim, quando falei de uma &#8220;continuidade determin\u00e1vel&#8221;, atirou o chap\u00e9u no ch\u00e3o, pisoteando-o. Acabei rindo da palha\u00e7ada dele. Voc\u00ea n\u00e3o tem tempo, meu amigo falou. &#8211; \u00c9 essa a desgra\u00e7a dos seres humanos. Nenhum de n\u00f3s tem tempo suficiente, e sua continuidade n\u00e3o tem significado neste mundo assombroso e misterioso. &#8220;Sua continuidade s\u00f3 o torna t\u00edmido&#8221;, disse ele. &#8220;Seus atos n\u00e3o podem ter o discernimento, o poder, a for\u00e7a compulsiva que t\u00eam os atos de um homem que sabe que est\u00e1 travando sua \u00faltima batalha na terra. Em outras palavras, sua continuidade n\u00e3o o torna feliz nem poderoso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Confessei que tinha medo de pensar que ia morrer e acusei-o de me causar muita apreens\u00e3o com sua preocupa\u00e7\u00e3o e conversas constantes sobre a morte. Mas n\u00f3s todos vamos morrer disse ele. Apontou para uns morros ao longe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 H\u00e1 alguma coisa ali esperando por mim, por certo; e eu irei ter l\u00e1, tamb\u00e9m, por certo. Mas talvez voc\u00ea seja diferente e a morte n\u00e3o esteja esperando por voc\u00ea de todo. Ele riu diante de meu gesto de desespero. N\u00e3o quero pensar nisso, Dom Juan. Por que n\u00e3o? N\u00e3o tem significado. Se est\u00e1 l\u00e1 for a esperando por mim, por que hei de me preocupar com isso? N\u00e3o disse que voc\u00ea deve se preocupar. Ent\u00e3o o que devo fazer? Utiliz\u00e1-la. Concentre sua aten\u00e7\u00e3o no elo entre voc\u00ea e sua morte, sem remorsos, nem tristeza, nem preocupa\u00e7\u00e3o. Focalize sua aten\u00e7\u00e3o sobre o fato de que voc\u00ea n\u00e3o tem tempo e deixe que seus atos sigam de acordo. Deixe que cada um de seus atos sigam de acordo. Deixe que cada um de seus atos seja sua \u00faltima batalha na terra. S\u00f3 nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que tais atos ter\u00e3o seu devido poder. Sen\u00e3o eles ser\u00e3o, enquanto voc\u00ea viver, os atos de um homem t\u00edmido. E \u00e9 assim t\u00e3o terr\u00edvel ser um homem t\u00edmido? N\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 se voc\u00ea for imortal, mas, se voc\u00ea vai morrer, n\u00e3o h\u00e1 tempo para timidez, simplesmente porque esta o leva a agarrar-se a alguma coisa que s\u00f3 existe em sua imagina\u00e7\u00e3o. Acalma-o quando tudo est\u00e1 quieto, mas ent\u00e3o o mundo assombroso e misterioso abre a boca para voc\u00ea, como abrir\u00e1 para todos n\u00f3s, e, nesse momento, compreender\u00e1 que seus m\u00e9todos seguros n\u00e3o lhe deram nada disso. Ser t\u00edmido impede que examinemos e exploremos nossa situa\u00e7\u00e3o de homens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 N\u00e3o \u00e9 natural viver com a ideia constante da morte, Dom Juan.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Nossa morte est\u00e1 esperando e este mesmo ato que praticamos agora pode bem ser nossa \u00faltima batalha na terra replicou, numa voz solene. &#8211; Eu a chamo \u201cbatalha\u201d porque \u00e9 um conflito. A maioria das pessoas passa de um ato a outro sem qualquer conflito nem pensamento. Um ca\u00e7ador, ao contr\u00e1rio, avalia cada ato; e como tem um conhecimento \u00edntimo de sua morte, procede sabiamente, como se cada ato fosse sua \u00faltima batalha. S\u00f3 um tolo deixaria de perceber a vantagem que um ca\u00e7ador leva sobre seus semelhantes. Um ca\u00e7ador d\u00e1 \u00e0 sua \u00faltima batalha o devido respeito. \u00c9 mais que natural que seu \u00faltimo ato na terra seja o que h\u00e1 de melhor nele. \u00c9 agrad\u00e1vel, assim. Amortece seu medo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Tem raz\u00e3o concordei. &#8211; S\u00f3 que \u00e9 dif\u00edcil de aceitar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Voc\u00ea vai levar anos para convencer-se e depois levar\u00e1 anos para agir de acordo. S\u00f3 espero que voc\u00ea tenha tempo para isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas \u00e9 f\u00fatil e desesperan\u00e7oso voc\u00ea n\u00e3o ter uma certeza. Prefiro acreditar que continuarei, diferente \u00e9 claro, mas continuarei com, pelo menos, minha consci\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discordo de voc\u00ea. Na verdade ele fala que temos que conviver com nossas incertezas e fazer o melhor em toda e qualquer ocasi\u00e3o. Confort\u00e1vel \u00e9 achar que se tem a eternidade a seu dispor e que tudo pode ser feito amanh\u00e3. Se voc\u00ea prefere acreditar na consci\u00eancia, \u00e9 uma parte sua. Como disse, para mim, realmente n\u00e3o importa. Quando chegar a hora as cartas ser\u00e3o viradas. E independente de quem estiver certo, seja qual for a opini\u00e3o, ser\u00e1 tarde demais. O que \u00e9 realmente necess\u00e1rio \u00e9 fazer o que tem que ser feito. E isso para mim \u00e9 uma regra que levo a ferro e fogo. J\u00e1 se perguntou alguma fez porque eu sento na frente do micro ou mesmo fazendo algo pr\u00e1tico e n\u00e3o paro at\u00e9 considerar terminado pelo menos temporariamente?<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7o isso porque desde que nascemos o rel\u00f3gio entra em contagem regressiva. E pode ser que nem mesmo seu pr\u00f3ximo e-mail seja respondido. Quem poder\u00e1 antecipar o pr\u00f3ximo segundo? Logo, prefiro passar isso antes que sequer seja passado adiante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eis aqui um trecho de um texto que foi lido no livro: &#8220;Medita\u00e7\u00f5es sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarot&#8221;: \u201cEis um exemplo de argumento por analogia: Andr\u00e9 e formado por mat\u00e9ria, energia e consci\u00eancia. Como a mat\u00e9ria n\u00e3o desaparece com sua morte, mas somente muda de forma, e como a energia n\u00e3o desaparece, mas somente se modifica, tamb\u00e9m a sua consci\u00eancia n\u00e3o pode simplesmente desaparecer, mas deve apenas mudar a sua forma e o seu modo (ou plano) de atividade. Logo, Andr\u00e9 \u00e9 imortal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse argumento funda-se na f\u00f3rmula de Hermes Trismegisto: o que est\u00e1 em baixo (mat\u00e9ria, energia) e como o que esta em cima (consci\u00eancia). Ora, se existe a lei de conserva\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e da energia, deve existir tamb\u00e9m, necessariamente, a lei da conserva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia ou imortalidade\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Usando o mesmo exemplo para explicar o erro do autor do citado livro, basta fazer a seguinte analogia: A mat\u00e9ria se modifica, muda de forma. Uma pessoa que morre e se decomp\u00f5e, pode virar uma flor, certo? A mat\u00e9ria foi conservada, mas a pessoa ainda pode ser chamada assim? Ou agora a chamamos apenas flor? Em qual das flores que ela deu origem se encontra a pessoa? Numa? Em todas?<\/p>\n\n\n\n<p>Existe sim a conserva\u00e7\u00e3o da energia e do esp\u00edrito, mas at\u00e9 quando persiste aquela consci\u00eancia? J\u00e1 que o corpo se decomp\u00f4s e se tornou outra coisa, usando a mesma analogia, n\u00e3o poderia a consci\u00eancia se tornar outra coisa, ou pelo menos outra consci\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p>O racioc\u00ednio do autor foi deveras simplista para explicar assunto t\u00e3o complexo, e demonstra at\u00e9 mesmo ignor\u00e2ncia dos outros textos cl\u00e1ssicos do hermetismo, como os trechos que coloquei abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trechos de alguns textos cl\u00e1ssicos do Hermetismo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO destino da alma imortal \u00e9 unir-se a Deus e contempl\u00e1-lo na eternidade, Deus \u00e9 a origem da alma, que, enclausurada no corpo e no mundo, deve passar pela morte m\u00edstica, a fim de retornar a seu princ\u00edpio. A cria\u00e7\u00e3o das almas, de que se ocupa o <em>Kor\u00e9 Kosmou<\/em>, \u00e9 semelhante a um processo alqu\u00edmico que, em momentos sucessivos, as distribui em diversas categorias, pois, embora sejam eternas, as almas s\u00e3o todas diferentes umas das outras\u201d. &#8211; <strong>Kor\u00e9 Kosmou<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Explica\u00e7\u00e3o por Fr. Goya: O pr\u00f3prio texto nos fala em suas entrelinhas o racioc\u00ednio b\u00e1sico. \u201cO destino da alma imortal \u00e9 unir-se a Deus&#8230; &#8211; quando se fala em uni\u00e3o, quer dizer, tornar uno. A unidade n\u00e3o admite divis\u00e3o, pois se assim o fosse, seria uma d\u00edade, e n\u00e3o mais unidade. \u201cDeve retornar a seu princ\u00edpio\u201d &#8211; Refor\u00e7a o trecho anterior.\u201d\u00e9 semelhante a um processo alqu\u00edmico que, em momentos sucessivos, as distribui em diversas categorias, pois, embora sejam eternas, as almas s\u00e3o todas diferentes umas das outras\u201d &#8211; No processo alqu\u00edmico acontecem diversas uni\u00f5es e novas separa\u00e7\u00f5es, isso cria o movimento eterno dos ciclos da vida. E o trecho final pode at\u00e9 sugerir essa perda da personalidade. \u201cembora sejam eternas, as almas s\u00e3o todas diferentes umas das outras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOra, os elementos, gra\u00e7as aos quais a mat\u00e9ria inteira tomou forma, s\u00e3o em n\u00famero de quatro: fogo, \u00e1gua, terra e ar; um mundo, uma alma, um Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os g\u00eaneros de seres que acabo de mencionar ocupam todo o espa\u00e7o at\u00e9 os lugares pr\u00f3prios do g\u00eanero dos quais os indiv\u00edduos, todos sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o imortais. Pois o indiv\u00edduo \u00e9 uma parte do g\u00eanero \u2013 o homem \u00e9 parte da humanidade \u2013 e necessariamente segue a qualidade de seu g\u00eanero. E, se bem que todos os g\u00eaneros sejam imortais, os indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o todos imortais. No caso da divindade, o g\u00eanero e os indiv\u00edduos s\u00e3o imortais; nas outras ra\u00e7as de viventes, o g\u00eanero \u00e9 imortal e os indiv\u00edduos s\u00e3o mortais, mas nem por isso cessa a eternidade do g\u00eanero que desenvolve sua dura\u00e7\u00e3o pela fecundidade reprodutora. Destarte, os indiv\u00edduos s\u00e3o mortais, os g\u00eaneros n\u00e3o o s\u00e3o: o homem \u00e9 mortal, a humanidade \u00e9 imortal.\u201d &#8211; Livro Sagrado Dedicado a Ascl\u00e9pio, Hermes Trismegisto.<\/p>\n\n\n\n<p>Explica\u00e7\u00e3o por Fr. Goya: Pelo exposto acima, pode-se concluir que \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos seres pertencentes ao g\u00eanero divindade, onde g\u00eanero e indiv\u00edduo s\u00e3o imortais, os restantes s\u00e3o imortais apenas no g\u00eanero, mas mortais enquanto indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de ter uma consci\u00eancia eterna, s\u00f3 revela a necessidade relativa ao ego, que n\u00e3o consegue ver al\u00e9m do pr\u00f3prio umbigo. \u00c9 a dificuldade de aceitar que o homem n\u00e3o \u00e9 o fim \u00faltimo da cria\u00e7\u00e3o. Essa pretens\u00e3o de ser eterno como indiv\u00edduo faz com que o homem esque\u00e7a da sua fun\u00e7\u00e3o. Reger a obra D&#8217;Aquele a quem nada sen\u00e3o o sil\u00eancio pode expressar. De maestro quer se tornar compositor, mas falta-lhe a inspira\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para isso e o m\u00e1ximo que consegue \u00e9 macaquear o criador, sendo motivo de riso e de pena, diante do tribunal dos deuses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cito ainda abaixo, mais um trecho do texto a Ascl\u00e9pio:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA alma e todas as cren\u00e7as que a ela se referem, segundo as quais a alma \u00e9 imortal por natureza, ou que haver\u00e1 de obter a imortalidade, conforme ensinei, ser\u00e3o apenas motivos de riso; mais ainda: ser\u00e3o vistas como pura vanidade. Inclusive, creia-me, ser\u00e1 um crime capital, segundo os textos da lei, o estar dedicado \u00e0 religi\u00e3o do esp\u00edrito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como dissemos no in\u00edcio, o objetivo desse texto \u00e9 induzir a reflex\u00e3o. Com ele n\u00e3o pretendemos converter ningu\u00e9m ou destruir cren\u00e7as preexistentes. Mas oferecer ao estudante sincero material suficiente para uma reflex\u00e3o profunda. Est\u00e1 feito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ank <\/strong><strong>\u00a8 <\/strong><strong>Usa <\/strong><strong>\u00a8 <\/strong><strong>Semb<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" id=\"sdfootnote1sym\">1<\/a>Arist\u00f3teles, Metaf. VI, c.1, 1026 a 21-23.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\" id=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>Sobre isso veja mais abaixo o t\u00f3pico intitulado \u201cO que acontece com o Corpo-Alma-Esp\u00edrito ap\u00f3s a morte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\" id=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>Aqui Abra\u00e3o, o Judeu, estabelece uma varia\u00e7\u00e3o de Corpo-Alma-Esp\u00edrito, onde a Alma volta para Deus e o<\/p>\n\n\n\n<p>Esp\u00edrito \u00e9 tempor\u00e1rio. Para uma defini\u00e7\u00e3o de Corpo-Alma-Esp\u00edrito, ver o cap\u00edtulo 13 do livro citado na pr\u00f3xima nota.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote4anc\" id=\"sdfootnote4sym\">4<\/a>A Sagrada Magia de Abra-Melin \u2013 O Mago, S.L.Mac Gregor Mathers.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote5anc\" id=\"sdfootnote5sym\">5<\/a>O Bhagavad-Git\u00e3 Como Ele \u00c9; A.C. Bhaktivedanta Swan Prabup\u00e3da, 1986, edi\u00e7\u00e3o completa, Funda\u00e7\u00e3o Bhaktivedanta Book Trust, p\u00e1g.738.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote6anc\" id=\"sdfootnote6sym\">6<\/a>O Bhagavad-Git\u00e3 Como Ele \u00c9; A.C. Bhaktivedanta Swan Prabup\u00e3da, 1986, edi\u00e7\u00e3o completa, Funda\u00e7\u00e3o Bhaktivedanta Book Trust, p\u00e1g.734.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote7anc\" id=\"sdfootnote7sym\">7<\/a>O Livro dos Mortos era uma colet\u00e2nea de textos religiosos que em sua maioria tratavam de receitas atrav\u00e9s das quais a alma permaneceria \u00edntegra no mundo inferior ou o mundo dos mortos. O nome original do Livro dos Mortos \u00e9 o <em>Per-en-Ru,<\/em> ou o Livro do Sair \u00e0 Luz.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote8anc\" id=\"sdfootnote8sym\">8<\/a>Lumen Gentium 48.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote9anc\" id=\"sdfootnote9sym\">9<\/a>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1993, Editora Vozes Edi\u00e7\u00f5es Paulinas Ed. Loyola, Editora Ave-Maria, p\u00e1g. 245.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote10anc\" id=\"sdfootnote10sym\">10<\/a>Ramos Motta, Marcelo. Chamando os Filhos do Sol, Rio de Janeiro, 1962.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote11anc\" id=\"sdfootnote11sym\">11<\/a>Nesse caso estamos nos referindo diretamente \u00e0s quatro inicia\u00e7\u00f5es conforme praticadas pelo C\u00edrculo Inici\u00e1tico de Hermes, e essa defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica diretamente a nenhum outro grupo ou organiza\u00e7\u00e3o ocultista conhecida por n\u00f3s, na atualidade. (Nota do Autor).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote12anc\" id=\"sdfootnote12sym\">12<\/a>Duat ou mundo inferior dos eg\u00edpcios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote13anc\" id=\"sdfootnote13sym\">13<\/a>Corpo, Alma e Esp\u00edrito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publica\u00e7\u00e3o Classe APor Frater Goya Muitos membros do C:.I:.H:. e pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 nossa organiza\u00e7\u00e3o nos perguntam frequentemente se possu\u00edmos uma doutrina ou mesmo uma teoria para a reencarna\u00e7\u00e3o. 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