{"id":1850,"date":"2023-12-24T23:01:22","date_gmt":"2023-12-24T23:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1850"},"modified":"2023-12-26T23:32:50","modified_gmt":"2023-12-26T23:32:50","slug":"a-primeira-linguagem-angelical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1850","title":{"rendered":"A Primeira Linguagem \u201cAngelical\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Donald C. Laycock<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Frater Goya<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, \u00e9 por meio desses caracteres que os primeiros textos na \u201clinguagem angelical\u201d s\u00e3o ditados alguns dias depois (29 de mar\u00e7o de 1583 \u2013 Sexta-feira Santa, como aconteceu). Na primeira inst\u00e2ncia, o arcanjo Rafael nomeia as letras, e Dee escreve esses nomes (como se uma palavra grega, digamos \u03bb\u03bf\u03b3\u03bf\u03c2, fosse ditada e registrada pelos nomes das letras gregas <em>Lambda Omicron Gamma Omicron Sigma<\/em>). Depois disso, Dee escreveu as letras em ingl\u00eas equivalentes aos caracteres e, em seguida, leu o texto para ser verificado pelos visitantes ang\u00e9licos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188a.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"624\" height=\"155\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188a.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1858\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188a.png 624w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188a-300x75.png 300w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188a-420x104.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br><em>MS. 3188 (fl.68v)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"193\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b-1024x193.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1860\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b-1024x193.png 1024w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b-300x56.png 300w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b-768x144.png 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b-420x79.png 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tfr-greek-3188b.png 1138w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br><em>MS. 3188 (fl.70r)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, ap\u00f3s os dois primeiros textos, Dee come\u00e7ou a perceber que o m\u00e9todo era muito lento, considerando a quantidade de material que ainda estava por vir:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Se cada lado contiver 49 fileiras, e cada fileira exigir tanto tempo para ser recebida quanto esta, pode parecer que ser\u00e1 necess\u00e1rio um tempo muito longo para o recebimento dessa doutrina. Mas se for do agrado dos deuses, gostar\u00edamos de ter um resumo ou uma forma <\/em><em>abreviada<\/em><em>, por meio da qual poder\u00edamos estar mais cedo no trabalho do minist\u00e9rio de Deus<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa observa\u00e7\u00e3o, vemos mais uma vez que os \u201ctextos\u201d realmente representam outros quadrados. Cada texto \u00e9, de fato, uma linha de um gigantesco quadrado de 49&#215;49, cada quadrado contendo uma palavra; h\u00e1 dois conjuntos desses textos, ou 98 no total. As dificuldades f\u00edsicas de construir um quadrado t\u00e3o grande e encaix\u00e1-lo em uma folha de um livro assustaram at\u00e9 mesmo Dee e Kelley.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos simplesmente considerar cada linha do quadrado como sendo um texto e, para facilitar a identifica\u00e7\u00e3o, numer\u00e1-las de 1 a 49, com o prefixo I ou II indicando se o primeiro ou o segundo quadrado est\u00e1 sendo usado, quando nos referirmos a textos espec\u00edficos mais adiante neste cap\u00edtulo.<br>De qualquer forma, o anjo fica irritado com o pedido e afasta a cadeira e a mesa; a pedra da janela escurece. Nenhum outro texto \u00e9 ditado at\u00e9 a ter\u00e7a-feira seguinte (presumivelmente Dee e Kelley tiveram outras atividades durante a P\u00e1scoa), e ent\u00e3o, conforme solicitado, por um m\u00e9todo resumido. Agora Kelley recebe uma vis\u00e3o da folha completa do livro que cont\u00e9m o texto, escrito nos estranhos caracteres recebidos na semana anterior (com os quais ele obviamente ainda n\u00e3o se sente \u00e0 vontade):<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Uma voz<\/strong> \u2013 Leia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E.K.<\/strong> \u2013 N\u00e3o posso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u0394<\/strong><strong>[Dee]:<\/strong> Voc\u00ea deveria ter aprendido perfeitamente os caracteres e seus nomes, para que pudesse agora nome\u00e1-los facilmente para mim, como deveria v\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma voz<\/strong> \u2013 Diga o que voc\u00ea acha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u0394<\/strong><strong>[Dee]<\/strong>: Ele disse isso a E.K.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E.K.<\/strong> \u2013 Minha cabe\u00e7a est\u00e1 pegando fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma voz \u2013 O que voc\u00ea pensa, pronuncie cada palavra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E.K.<\/strong> \u2013 Posso ler tudo, agora, com perfei\u00e7\u00e3o, e na terceira fileira vejo isto para ser lido: <em>Pake duxma ge na dem oh elog\u2026<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe se Kelley soletra os textos letra por letra ou se os l\u00ea fluentemente como se fossem palavras. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a compreens\u00e3o do material do ponto de vista lingu\u00edstico; as palavras que s\u00e3o simplesmente \u201csoletradas\u201d, e n\u00e3o \u201cpronunciadas\u201d, podem ser meras cole\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias de letras, que n\u00e3o formam palavras pronunci\u00e1veis de forma alguma. As evid\u00eancias que temos s\u00e3o inconclusivas. Dee escreveu a pron\u00fancia sobre algumas letras (como g como <em>j<\/em>; <em>u<\/em> final como <em>f<\/em>) &#8211; um procedimento desnecess\u00e1rio se os textos foram escritos como foram ouvidos. Essa pron\u00fancia deve ter sido feita em algum momento depois que os textos foram entregues, embora os anjos pro\u00edbam especificamente a \u201crepeti\u00e7\u00e3o d\u00fabia\u201d ou a leitura do texto depois de ditado \u2013 a cita\u00e7\u00e3o na p\u00e1gina 37 (figura abaixo) explica o motivo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/diario.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"296\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/diario.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1851\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/diario.png 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/diario-300x116.png 300w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/diario-420x162.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><em>A forma correta das letras Enoquianas conforme aparecem no MS Sloane 3188, f.104. Cortesia da Biblioteca Brittanica.<\/em> A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9: <em>\u201cNota: 6 de maio. Segunda-feira, fui a Londres: e E.K. continuou escrevendo as tabelas, atendendo ao cumprimento da promessa, para o t\u00e9rmino das tabelas e para a forma perfeita de recebimento das cartas sagradas: Esses dois pontos (quando voltei para casa, depois de nenhum), achei que estavam conclu\u00eddos. Mas \u00e9 de se notar que, quando E.K. n\u00e3o conseguia imitar a forma dos caracteres, ou letras, como eram mostrados: ent\u00e3o eles apareciam desenhados em seu papel com uma cor amarela clara, sobre a qual ele desenhava o preto, e assim a cor amarela desaparecia, restando apenas a forma da letra em preto: dessa maneira e exatamente nessa quantidade e propor\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a pronunciabilidade das palavras dos textos favorece a teoria de que as palavras foram lidas uma ap\u00f3s a outra, sem ortografia. N\u00e3o h\u00e1 sons que causariam problemas a um falante nativo de ingl\u00eas, e apenas algumas combina\u00e7\u00f5es dif\u00edceis (<em>bdrios, excolphabmartbh, longamphlg, lapch<\/em>). E alguns dos textos s\u00e3o t\u00e3o fluentes, com tanta repeti\u00e7\u00e3o, rima, alitera\u00e7\u00e3o e outros tipos de padr\u00f5es fon\u00e9ticos, que somos quase for\u00e7ados a concluir que, pelo menos nos \u00faltimos textos, Kelley estava falando em voz alta e provavelmente na velocidade normal da fala:<\/p>\n\n\n\n<p><em>I.13 Ampri apx ard ardo arga arges argah ax\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I.23 \u2026arcasa arcasam arcusma \u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I.24 \u2026umas ges umas umas ges umas umas ges gabre umas umascala umphazes umphagam masga mosel \u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I.25 \u2026zimah zemah zumacah\u2026 zapne zarvex zorquam\u2026 zimagauna zonze zamcha\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I.26 \u2026zambuges zambe ach oha zambuges gasca lunpel zadphe zomephol zun zadchal\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I.37 \u2026gasmat gasque gasla gasna gasmaphes gasmagel gasnunabe\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O texto II.20 alterna palavras de uma e duas s\u00edlabas por trinta e tr\u00eas palavras sucessivas, com uma exce\u00e7\u00e3o insignificante; e uma forma ainda mais sutil de padr\u00e3o \u00e9 encontrada em II.24, onde h\u00e1 uma forte tend\u00eancia (quebrada apenas por pequenas exce\u00e7\u00f5es) de monoss\u00edlabos contendo a ou u se alternarem com diss\u00edlabos contendo a mesma vogal (principalmente a) repetida com uma consoante nasal:<\/p>\n\n\n\n<p>II.24 Voh gemse ax pah losquan nof afma ol vamna un samses oh set, quamsa ol danfa dot fanta on anma ol\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>O que devemos fazer com esse padr\u00e3o fon\u00e9tico? Estudos estat\u00edsticos em lingu\u00edstica mostram que esse tipo de padr\u00e3o \u00e9 raro na linguagem normal, embora seja encontrado em poesias e encantos m\u00e1gicos. Tamb\u00e9m \u00e9 caracteristicamente encontrado em certos tipos de linguagem sem significado (como a glossolalia), que geralmente \u00e9 produzida em condi\u00e7\u00f5es semelhantes ao transe.<br>Em outras palavras, Kelley pode ter \u201cfalado em l\u00ednguas\u201d. Aparentemente, ele entrou em transe, como podemos ver em v\u00e1rias anota\u00e7\u00f5es no registro de Dee sobre as sess\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Agora o fogo saiu de seus olhos de E.K. para a pedra, novamente. E, pouco a pouco, ele n\u00e3o entendeu nada, nem conseguiu ler nada, nem se lembrar do que havia dito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O fogo saiu de seus olhos de E.K. e entrou na pedra novamente. E ent\u00e3o, ele n\u00e3o conseguia perceber ou ler uma palavra sequer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>De repente, o fogo saiu de seus olhos e entrou novamente na pedra. E ent\u00e3o ele n\u00e3o conseguiu dizer mais nada, nem se lembrar de nada do que havia ouvido, visto ou compreendido menos de meio quarto de hora antes<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>[2-3 de abril de 1583].<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m algumas passagens que tendem a sugerir que Kelley falava o idioma fluentemente, em vez de l\u00ea-lo letra por letra:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Mas E.K. orou perfeitamente nessa l\u00edngua dos anjos<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>[2 de abril de 1583]<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201c<em>Uma voz \u2013 Mais uma nota, tenho que lhe dizer. N\u00e3o lhe diga o que ele diz, mas escreva como voc\u00ea ouve, pois \u00e9 verdade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>\u0394<\/strong><strong>[Dee]:<\/strong> Ent\u00e3o, \u00f3 senhor, fa\u00e7a com que minha audi\u00e7\u00e3o seja agu\u00e7ada e forte, para<br>perceber o suficiente, conforme o caso. Rap[hael] &#8211; Seja para ele.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ent\u00e3o E.K. leu como segue<\/em>\u201d. [segue o texto I.22]<\/p>\n\n\n\n<p>[3 de abril de 1583]<\/p>\n\n\n\n<p><br>Se considerarmos isso como evid\u00eancia de que Kelley estava dizendo \u201cpalavras\u201d em vez de \u201cletras\u201d, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia que sugira que essas primeiras invoca\u00e7\u00f5es sejam qualquer forma de \u201clinguagem\u201d \u2013 no sentido de textos com um significado traduz\u00edvel \u2013 de forma alguma. Todos os fatos parecem compat\u00edveis com o fato de Kelley ter proferido uma s\u00e9rie de palavras sem sentido enquanto estava em estado de transe. No entanto, Dee acrescenta a algumas das palavras algumas tradu\u00e7\u00f5es intrigantes na margem, mas acho que ele n\u00e3o poderia ter traduzido um texto inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas dessas glosas s\u00e3o interessantes:<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>gassagen<\/strong><\/em> o poder divino criando o anjo do mesmo;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>tohcoth<\/strong> esse nome compreende o n\u00famero de todas as fadas, que s\u00e3o menores do que o estado e a condi\u00e7\u00e3o do homem;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>apachana<\/strong> as coisas viscosas feitas de p\u00f3;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>donasdogamatastos<\/strong>, o fogo furioso e perp\u00e9tuo guardado para a puni\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o banidos da gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja o que for, \u00e9 uma l\u00edngua econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 tudo sobre a \u201cl\u00edngua\u201d que comp\u00f5e o <em>Liber Logaeth<\/em>, ou o \u201cLivro do Discurso de Deus\u201d, que existe na caligrafia de Kelley no Museu Brit\u00e2nico como <em>Sloane MS.3189<\/em>. O texto de Kelley apresenta v\u00e1rias discrep\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o ao de Dee (at\u00e9 onde vai), o que considero uma evid\u00eancia de seu descuido geral em rela\u00e7\u00e3o a esses assuntos; mas talvez as condi\u00e7\u00f5es em que ele teve de trabalhar n\u00e3o fossem ideais:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Quando E.K. estava escrevendo a d\u00e9cima oitava folha, que era sobre os esp\u00edritos da terra, (\u00e0 tarde, por volta de 4\u00bd do rel\u00f3gio) ele leu uma parte dela, brincando e sozinho, e de repente apareceram ao seu lado tr\u00eas ou quatro criaturas espirituais como homens trabalhadores, com p\u00e1s nas m\u00e3os e cabelos pendurados nas orelhas, e apressadamente perguntaram a E.K. o que ele queria e por que os chamava. Ele respondeu que n\u00e3o os chamava. E eles responderam e disseram que ele os chamou; e ele respondeu e disse que n\u00e3o os chamou, e eles responderam e disseram que ele os chamou: Ent\u00e3o comecei a dizer que eles mentiam, pois sua inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era cham\u00e1-los, mas apenas ler e repetir o que havia escrito; e todo homem que l\u00ea uma ora\u00e7\u00e3o para perceber o sentido dela, n\u00e3o ora. Ele n\u00e3o os chamou mais. E mandei que os levassem para fora do lugar. E o servo foi removido de minha escrivaninha (onde eu estava guardando papel para sua escrita) para a grande cadeira, que ficava ao lado de minha chamin\u00e9; e logo ele gritou e disse que o haviam esfaqueado e quebrado seu bra\u00e7o esquerdo pelo pulso: Ele mostrou o bra\u00e7o nu e, tanto na parte superior quanto na inferior, apareceram dois c\u00edrculos impressos e largos como sulcos, muito vermelhos; e eu, vendo isso, esperei um pouco e, em seguida, eles o assaltaram, e ele se levantou e gritou para mim (dizendo): \u201cEles v\u00eam voando sobre mim, eles v\u00eam\u201d; e ele colocou a estola, na qual estava sentado, entre ele e eles. Mas eles continuavam voando, ou gingando contra ele. Ent\u00e3o eu lhe perguntei onde eles estavam, e ele apontou para o lugar, e eu peguei a estola e fui at\u00e9 o local e, em nome de Jesus, pedi \u00e0queles Baggagis que se afastassem e lhes dei um golpe de cruz, e eles logo se afastaram.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Todas as gra\u00e7as sejam dadas ao \u00fanico Deus Todo-Poderoso e eterno, cujo nome seja invocado agora e para sempre. Am\u00e9m\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>[15 de abril de 1583].<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Kelley concluiu sua transcri\u00e7\u00e3o do livro, sendo que a \u00faltima p\u00e1gina foi escrita em 6 de maio de 1583, quando Dee estava em Londres. A \u00faltima folha da transcri\u00e7\u00e3o de Kelley cont\u00e9m a forma \u201ccorreta\u201d dos caracteres enoquianos, e \u00e9 assim que eles foram transmitidos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u2026<em>\u00e9 de se notar que, quando E.K. n\u00e3o conseguia imitar adequadamente a forma dos caracteres, ou letras, como foram mostrados, eles apareciam desenhados em seu papel com uma cor amarela clara, sobre a qual ele desenhava o preto, e assim a cor amarela desaparecia, permanecendo apenas a forma da letra em preto\u2026<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>[6 de maio de 1583]<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201ccor amarela\u201d, seja ela qual for, n\u00e3o est\u00e1 aparente na p\u00e1gina do manuscrito hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outras Sess\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outras entradas no <em>Libri Mysteriorum<\/em> nessa \u00e9poca tratam de brigas com Kelley (principalmente sobre se os esp\u00edritos s\u00e3o bons ou maus) e da busca por tesouros e livros de cifras perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, Kelley trouxe para Dee um livro de cifras que supostamente indicava a localiza\u00e7\u00e3o de um tesouro enterrado. Dee resolve a cifra \u2013 que \u00e9 bastante simples \u2013 mas tem dificuldade em decidir se um caractere da cifra representa K ou X, ent\u00e3o ele anota na margem: \u201c<em>Sobre esse K eu ainda n\u00e3o sei<\/em>\u201d. Uma bi\u00f3grafa de Dee (Charlotte Fell Smith) interpretou isso como se Dee desconfiasse de Kelley! Tamb\u00e9m encontramos instru\u00e7\u00f5es detalhadas para o uso m\u00e1gico do <em>Liber Logaeth.<\/em> Todos esses s\u00e3o assuntos que n\u00e3o precisam nos preocupar aqui. Mas, no final da longa sess\u00e3o de 5 de maio de 1583, Kelley relatou um sonho que continha previs\u00f5es precisas de eventos que ocorriam quatro anos no futuro: a Armada Espanhola e a execu\u00e7\u00e3o de Mary, rainha da Esc\u00f3cia. Essas previs\u00f5es devem ser levadas em conta quando formos avaliar a genuinidade ou n\u00e3o da mediunidade de Kelley:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em><strong>\u0394<\/strong><\/em><em><strong>[Dee]:<\/strong><\/em> No que diz respeito \u00e0 vis\u00e3o que ontem \u00e0 noite foi apresentada (chamada de vis\u00e3o) \u00e0 vista de E.K. quando ele estava sentado \u00e0 mesa comigo, em meu sal\u00e3o, eu quis dizer o aparecimento de todo o mar e muitos navios nele, e o corte da cabe\u00e7a de uma mulher por um homem alto e negro, o que devemos imaginar disso?<\/p>\n\n\n\n<p>Vr[iel] &#8211; Um significava a previs\u00e3o de ataques for\u00e7ados contra o bem-estar desta terra, o que eles em breve por\u00e3o em pr\u00e1tica. O outro, a morte do queniano de Scotts. N\u00e3o falta muito para isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode n\u00e3o ter sido dif\u00edcil para um homem inteligente adivinhar, naquela \u00e9poca, que a execu\u00e7\u00e3o de Mary, rainha dos escoceses, era um evento prov\u00e1vel, e talvez uma invas\u00e3o estrangeira parecesse prov\u00e1vel mesmo em 1583; mas, ainda assim, essa se destaca como uma previs\u00e3o notavelmente detalhada. (Mary foi decapitada em 1587, e a Armada Espanhola foi destru\u00edda na costa da Inglaterra em meados de 1588).<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta dessa \u00e9poca, come\u00e7a o registro publicado por Meric Casaubon em 1659; a data das primeiras sess\u00f5es publicadas \u00e9 28 de maio de 1583 e come\u00e7a abruptamente com o aparecimento de um esp\u00edrito de uma menina de sete a nove anos de idade, chamada Madimi. Esse \u00e9 um dos nomes retirados do segundo quadrado de cartas recebidas por Dee um ano antes (consulte a p\u00e1gina 26), de modo que ele sabe imediatamente que a irm\u00e3 mais velha dela \u00e9 Esemeli. (Dee pronuncia erroneamente esse nome como Esemeli, e Madimi o corrige para Esemeli.) Madimi, desde a primeira sess\u00e3o, \u00e9 considerada um esp\u00edrito que representa o planeta Merc\u00fario, o que \u00e9 apropriado para uma professora de l\u00ednguas e ci\u00eancias m\u00e1gicas; seu nome, de fato, deriva da palavra hebraica para Marte, <strong>\u05de\u05d0\u05d3\u05d9\u05dd<\/strong> <em>ma&#8217;adim<\/em> \u2013 da\u00ed tamb\u00e9m \u2018<em>Madimiel<\/em>\u2019, o nome da intelig\u00eancia de Marte usada na constru\u00e7\u00e3o do quadrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros esp\u00edritos aparecem de tempos em tempos, alguns deles retirados das tabelas anteriores; mas <em>Madimi<\/em> \u2013 que \u00e0s vezes lembra um dos contatos de \u201cgarotinha\u201d dos m\u00e9diuns do s\u00e9culo XIX \u2013 faz apari\u00e7\u00f5es constantes, quase at\u00e9 o fim do registro. (Um bi\u00f3grafo de Dee, Richard Deacon, diz que <em>Madimi<\/em> cresceu e atingiu a \u201cfeminilidade\u201d nos sete anos em que apareceu para Dee; mas n\u00e3o encontro nenhuma evid\u00eancia disso, e o per\u00edodo \u00e9 de apenas quatro anos (1583-1587). H\u00e1 um esbo\u00e7o de <em>Madimi<\/em> em um de seus di\u00e1rios, no qual ela parece vagamente n\u00fabil \u2013 mas \u00e9 preciso lembrar que Dee podia v\u00ea-la apenas em sua imagina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O surgimento da verdadeira Linguagem Enoquiana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As sess\u00f5es continuam com instru\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, filosofias, profecias, mal-entendidos e contradi\u00e7\u00f5es. O texto de um novo livro \u00e9 ditado, com um novo conjunto de 49 invoca\u00e7\u00f5es (uma das quais \u00e9 \u201csilenciosa\u201d); essa \u00e9 a linguagem \u201cEnoquiana\u201d estritamente chamada, que \u00e9 o assunto deste volume. As diferen\u00e7as entre esse idioma e o anterior s\u00e3o consider\u00e1veis. Em primeiro lugar, para os textos enoquianos, \u00e9 fornecida uma tradu\u00e7\u00e3o, um fato que, desde o in\u00edcio, faz com que ela se pare\u00e7a mais com um idioma real. Em segundo lugar, a Linguagem Enoquiana parece ser gerada, de alguma forma, a partir das tabelas e quadrados anteriores do <em>Liber Logaeth<\/em> \u2013 gerada, de fato, a partir da linguagem \u201cangelical\u201d anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, os detalhes de como a Linguagem Enoquiana \u00e9 derivada dos quadrados n\u00e3o s\u00e3o muito claros. Somente na primeira chamada o sistema \u00e9 apresentado em detalhes, e os detalhes s\u00e3o muito obscuros. Lemos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A. (Dois mil e quinze, na sexta tabela, \u00e9) D7003 na d\u00e9cima terceira tabela, \u00e9 I<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A na 21\u00aa Tabela. 11406 para baixo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I na \u00faltima Tabela, um a menos que o N\u00famero:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>uma palavra, Iaida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Voc\u00ea dever\u00e1<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Voc\u00eas entender\u00e3o o que \u00e9 essa Palavra antes que o Filho des\u00e7a. Iaida \u00e9 a \u00faltima palavra da Chamada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H 49 ascendente T 49 descendente A 909 diretamente:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O, simplesmente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H 2029. diretamente. <\/em><em>C<\/em><em>hame-o de Hoath<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>[13 de abril de 1584]<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que os n\u00fameros n\u00e3o fornecem, como alguns escritores afirmam, a \u201clinha e a coluna\u201d da tabela, nem podem fornecer o n\u00famero absoluto de letras no quadrado (contando consecutivamente a partir do canto superior esquerdo), pois h\u00e1 apenas 2.401 quadrados (49&#215;49) em cada tabela do <em>Liber Logaeth<\/em>, sendo que cada palavra no quadrado n\u00e3o excede uma d\u00fazia de letras (e a maioria \u00e9 muito mais curta); os n\u00fameros no ditado, entretanto, chegam a 31.2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos conceber v\u00e1rias maneiras pelas quais as letras da L\u00edngua Enoquiana podem ter sido retiradas das tabelas anteriormente fornecidas a Dee e Kelley. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, que as letras dos textos enoquianos, unidas em ordem nos quadrados de <em>Liber Logaeth<\/em>, possam formar figuras geom\u00e9tricas ou sigilos m\u00e1gicos; mas h\u00e1 tantas letras para escolher que essa abordagem se mostrou in\u00fatil. Outras tentativas de decifra\u00e7\u00e3o, como a apresentada em <em>The Necronomicon<\/em>, Londres, 1978, pesquisada por Robert Turner e David Langford e apresentada por Colin Wilson, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O ditado letra por letra do idioma enoquiano explica algumas das diferen\u00e7as entre esse idioma e o idioma anterior n\u00e3o traduzido. O \u201cnovo\u201d idioma \u00e9 menos pronunci\u00e1vel do que o antigo e tem sequ\u00eancias de letras inc\u00f4modas, como longas sequ\u00eancias de vogais (<em>ooaona, mooah<\/em>) e grupos de consoantes dif\u00edceis (<em>paombd, smnad, non<\/em><em>cf<\/em>). Esse \u00e9 exatamente o tipo de texto produzido quando se gera uma sequ\u00eancia de letras em algum padr\u00e3o aleat\u00f3rio. (O leitor pode testar isso pegando, por exemplo, cada d\u00e9cima letra desta p\u00e1gina e dividindo a sequ\u00eancia de letras em palavras. O \u201ctexto\u201d criado tender\u00e1 a se parecer bastante com o enoquiano).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem todo enoquiano \u00e9 dessa forma; muitas das palavras s\u00e3o bem pronunci\u00e1veis, como veremos. As palavras da L\u00edngua Enoquiana em si n\u00e3o chegam a ter a apar\u00eancia totalmente aleat\u00f3ria dos nomes de Deus, dos anjos e dos \u201creis\u201d, que Dee gerou a partir das letras nos quadrados de suas \u201ctabelas elementares\u201d, que foram dadas posteriormente pelos esp\u00edritos \u2013 nomes como <em>LSRAHMP, LAOAXRP, HTMORDA, ALHCTGA, AAETPIO,<\/em> que parecem muito menos plaus\u00edveis, como palavras de uma l\u00edngua, do que qualquer coisa nos textos enoquianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 totalmente certo que todos os textos no idioma enoquiano tenham sido ditados pelo m\u00e9todo letra por letra. Parece que, em, pelo menos, uma ocasi\u00e3o, Kelley (ou os esp\u00edritos) pode ter tentado acelerar o processo, mas foi repreendido pela insist\u00eancia de Dee na transmiss\u00e3o letra por letra. Dee disse a Kelley que \u201ca menos que essa l\u00edngua estranha me entregasse essas palavras letra por letra, poder\u00edamos errar tanto na ortografia quanto na falta da verdadeira pron\u00fancia das palavras\u201d (19 de abril de 1584).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A natureza do idioma enoquiano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o importa qual tenha sido o m\u00e9todo de transmiss\u00e3o, h\u00e1 certas observa\u00e7\u00f5es que podemos fazer sobre o idioma enoquiano nos textos que temos. Sabemos algo sobre a pron\u00fancia, pelo fato de Dee frequentemente escrever a pron\u00fancia de palavras individuais ao lado do texto enoquiano. E esse texto enoquiano, escrito no alfabeto romano, pretende ser uma translitera\u00e7\u00e3o dos caracteres enoquianos do texto do livro original visto na vis\u00e3o de Kelley. At\u00e9 onde sabemos, cada letra da transcri\u00e7\u00e3o do alfabeto romano representa um caractere enoquiano \u2013 o que significa que a ortografia Enoquiana tamb\u00e9m tem valores \u201cduros\u201d e \u201csuaves\u201d para c e g, e combina letras como s e h para produzir o som de sh. Comportamento muito ingl\u00eas para uma l\u00edngua \u201cque Ad\u00e3o verdadeiramente falou em sua inoc\u00eancia e que nunca foi pronunciada nem revelada ao homem desde ent\u00e3o at\u00e9 agora\u201d (21 de abril de 1584).<\/p>\n\n\n\n<p>Se a fonologia do enoquiano \u00e9 totalmente inglesa, a gram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 menos. Mas aqui nos deparamos com uma dificuldade: a natureza da tradu\u00e7\u00e3o. A tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas dos chamados enoquianos \u00e9 muito livre, muitas vezes usando cinco ou seis palavras onde o enoquiano tem uma; assim, a palavra para \u201chomem\u201d (ou \u201ccriatura razo\u00e1vel\u201d) \u00e9 glosada como \u201cas criaturas razo\u00e1veis da Terra, ou Homem\u201d. Nomes pr\u00f3prios, como <em>Idoigo<\/em> (um dos \u201cNomes de Deus\u201d) recebem tradu\u00e7\u00f5es: \u201cDaquele que est\u00e1 sentado no Trono sagrado\u201d. Part\u00edculas, preposi\u00e7\u00f5es e pronomes s\u00e3o preenchidos quando o sentido assim o exige, mas n\u00e3o sabemos exatamente o que eles devem representar em enoquiano; <em>moooah<\/em>, por exemplo, \u00e9 glosado como \u201cele se arrepende de mim\u201d (ele se arrepende de mim), mas poderia facilmente ser um verbo ativo (\u201cEu me arrependo\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, de cerca de 250 palavras diferentes nos textos enoquianos, mais da metade ocorre apenas uma vez, de modo que n\u00e3o temos uma verifica\u00e7\u00e3o real de sua forma ou significado. No entanto, podemos identificar v\u00e1rias ra\u00edzes diferentes, muitas vezes em formas bem distintas: <em>om<\/em> \u201centender, saber\u201d, <em>oma<\/em> \u201centender\u201d, <em>omax<\/em> \u201csaber\u201d, <em>ixomaxip<\/em> \u201cdeixar ser conhecido\u201d. Essa \u00e9 provavelmente a caracter\u00edstica mais semelhante \u00e0 linguagem e menos explic\u00e1vel do enoquiano. O que \u00e9 menos certo, no entanto, \u00e9 o quanto as diferen\u00e7as nas grafias refletem a gram\u00e1tica do enoquiano; encontramos, por exemplo, <em>caosg<\/em>, <em>caosga<\/em> &#8216;\u2018terra\u2019&#8217;, <em>caosgi<\/em> \u201cterra (caso acusativo)\u201d, <em>caosgin<\/em> \u201cdo que a terra\u201d, <em>caosgo<\/em> \u201cda terra\u201d, <em>caosgon<\/em> \u201cpara a terra\u201d &#8211; mas essas s\u00e3o realmente termina\u00e7\u00f5es de caso ou apenas variantes de acaso? As mesmas termina\u00e7\u00f5es de caso n\u00e3o s\u00e3o encontradas de um substantivo para outro, de modo que h\u00e1 um grande n\u00famero de declina\u00e7\u00f5es diferentes (como no latim ou no grego), ou ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nenhuma termina\u00e7\u00e3o de caso. Eu me inclino para a \u00faltima vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos vocabulares do idioma s\u00e3o provavelmente arbitr\u00e1rios; certamente eles n\u00e3o parecem ser diretamente derivados de nada em ingl\u00eas, latim, grego ou hebraico. Mas, em alguns casos, encontramos palavras que reconhecemos pela metade, com significados desconhecidos: <em>angelard<\/em> \u201cpensamento\u201d (de \u2018anjo\u2019?), <em>babalond<\/em> \u201cperverso, prostituta\u201d (de \u201cBabil\u00f4nia\u201d?), <em>christeos<\/em> \u201cque haja\u201d (de \u201cCristo\u201d?), <em>levithmong<\/em> \u201cbestas do campo\u201d (uma mistura de \u201cLeviat\u00e3\u201d e \u201cmesti\u00e7o<a href=\"#sdfootnote1sym\" id=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a>\u201d?), <em>luczftias<\/em> \u201cbrilho\u201d (de \u201cL\u00facifer\u201d?), <em>nazarth<\/em> \u201ccolunas de alegria\u201d (de \u201cNazar\u00e9\u201d?), <em>paracleda<\/em> \u201ccasamento\u201d (de \u201cparacleto\u201d?), <em>paradial<\/em> \u201chabita\u00e7\u00f5es vivas\u201d, <em>paradiz<\/em> \u201cvirgens\u201d (ambos de \u201cPara\u00edso\u201d?), <em>salman<\/em> \u201ccasa\u201d (de \u201cSalom\u00e3o\u201d?). (Observe que a maioria das origens sugeridas s\u00e3o nomes pr\u00f3prios e s\u00e3o b\u00edblicas \u2013 independentemente das conclus\u00f5es que possam ser tiradas disso).<\/p>\n\n\n\n<p>As palavras restantes n\u00e3o parecem ter nenhuma etimologia atribu\u00edvel, embora possamos nos deixar seduzir por explica\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis ocasionais, como <em>micaolz<\/em> \u201cpoderoso\u201d do escoc\u00eas <em>mick<\/em><em>l<\/em><em>e<\/em>, ou <em>izizop<\/em> \u201cvasos, cont\u00eaineres\u201d do hebraico \u05d0\u05e9\u05d9\u05e9\u05d5\u05ea \u2018<em>a<\/em><em>\u0161<\/em><em>i<\/em><em>\u0161<\/em><em>ot<\/em> \u201cvasos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil ser dogm\u00e1tico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gram\u00e1tica Enoquiana. Os verbos apresentam formas singulares e plurais, e tempos presente, futuro e passado, e tamb\u00e9m t\u00eam algumas formas participativas e subjuntivas; mas n\u00e3o temos uma declina\u00e7\u00e3o completa de nenhum verbo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mais completos s\u00e3o os dos verbos \u2018dizer\u2019 e \u2018ser\u2019, como segue:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><em>gohus \u2018<\/em>eu digo\u2019<\/td><td><em>ztr, zirdo<\/em> \u2018eu sou\u2019<\/td><\/tr><tr><td><em>gohe, goho <\/em>\u2018ele diz\u2019<\/td><td><em>geh<\/em> \u2018voc\u00ea \u00e9\u2019<\/td><\/tr><tr><td><em>gohia<\/em> \u2018n\u00f3s dizemos\u2019<\/td><td><em>i<\/em> \u2018ele, ela, isso\u2019<\/td><\/tr><tr><td><em>gohol<\/em> \u2018falando, dizendo\u2019<\/td><td><em>chiss, chis, chiso<\/em> \u2018eles s\u00e3o\u2019<\/td><\/tr><tr><td><em>gohon<\/em> \u2018eles tem dito\u2019<\/td><td><em>as, zirop<\/em> \u2018foi\u2019<\/td><\/tr><tr><td><em>gohulim<\/em> \u2018\u00e9 dito\u2019<\/td><td><em>z<\/em><em>irom<\/em> \u2018foram\u2019<\/td><\/tr><tr><td><br><\/td><td><em>t<\/em><em>rian<\/em> \u2018possa ser, ser\u00e1\u2019<\/td><\/tr><tr><td><br><\/td><td><em>c<\/em><em>hristeos<\/em> \u2018que assim seja\u2019<\/td><\/tr><tr><td><br><\/td><td><em>b<\/em><em>olp<\/em> \u2018seja tu\u2019<\/td><\/tr><tr><td><br><\/td><td><em>ipam<\/em> \u2018n\u00e3o \u00e9\u2019<\/td><\/tr><tr><td><br><\/td><td><em>ipamis<\/em> \u2018n\u00e3o ser\u00e1, n\u00e3o pode ser\u2019<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muito sobre o que construir uma gram\u00e1tica. Al\u00e9m disso, podemos identificar alguns dos pronomes (<em>ol<\/em> \u2018Eu\u2019; <em>ils<\/em> \u2018tu\u2019; <em>tox<\/em>, <em>tbl<\/em> \u2018dele\u2019; <em>tia<\/em> \u2018seu\u2019; <em>pi<\/em> \u2018ela\u2019; <em>tibl<\/em> \u2018dela\u2019; <em>tiobl<\/em> \u2018nela\u2019; <em>tilb<\/em> \u2018dela\u2019; <em>z<\/em> \u2018eles\u2019), mais algumas formas verbais e quatro maneiras de expressar nega\u00e7\u00e3o (<em>chis<\/em> <em>ge<\/em> \u2018n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o s\u00e3o\u2019; <em>ip uran<\/em> \u2018n\u00e3o ver\u2019; <em>ri-pir<\/em> \u2018nenhum lugar\u2019; <em>ag to<\/em><em>l<\/em><em>torn<\/em> \u2018nenhuma criatura ou ser\u2019). Mas \u00e9 evidente que n\u00e3o h\u00e1 nada surpreendentemente \u201cn\u00e3o ingl\u00eas\u201d na gram\u00e1tica: nenhum tra\u00e7o do caso de constru\u00e7\u00e3o ou dos plurais irregulares do hebraico ou do \u00e1rabe, nenhuma indica\u00e7\u00e3o clara de casos m\u00faltiplos ou formas verbais complexas, como no latim e no grego. A gram\u00e1tica sugere ainda mais o ingl\u00eas, com a remo\u00e7\u00e3o dos artigos (\u2018a\u2019 e \u2018o, a, os, as\u2019) e das preposi\u00e7\u00f5es, e com algumas irregularidades para confundir o quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem das palavras tamb\u00e9m \u00e9 fortemente inglesa. Uma frase como <em>adrpan c<\/em><em>o<\/em><em>rs ta dobix<\/em> \u201cderrubar como se estivesse caindo\u201d \u00e9 puramente inglesa em sua ordem, e n\u00e3o pode ser duplicada idiomaticamente em quatro palavras com esses significados em qualquer outro idioma europeu ou sem\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, esse idioma de base inglesa n\u00e3o foi ditado em um ambiente de l\u00edngua inglesa, mas na Crac\u00f3via, na Pol\u00f4nia \u2013 parte da aus\u00eancia de seis anos de Dee no exterior, vivendo com patroc\u00ednio estrangeiro. (Kelley nunca retornou \u00e0 Inglaterra.) Mas seria in\u00fatil procurar a influ\u00eancia polonesa no enoquiano, especialmente porque todos os estudiosos com os quais Dee e Kelley tiveram contato falavam latim.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um aspecto da \u201cgram\u00e1tica\u201d Enoquiana que permanece totalmente inexplic\u00e1vel: o sistema num\u00e9rico. Ao longo dos Apelos, ocorrem v\u00e1rios n\u00fameros e, com uma certa dose de extrapola\u00e7\u00e3o, parece poss\u00edvel identificar a maioria dos numerais de \u201cum\u201d a \u201cnove\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>0-T<\/p>\n\n\n\n<p>1-L, EL, L-O, ELO, LA, LI, LIL<\/p>\n\n\n\n<p>2-V, VI-I-V, VI-VI<\/p>\n\n\n\n<p>3-D, R<\/p>\n\n\n\n<p>4-S, ES<\/p>\n\n\n\n<p>5-0<\/p>\n\n\n\n<p>6-N, NORZ7-Q<\/p>\n\n\n\n<p>8-P<\/p>\n\n\n\n<p>9-M, EM<\/p>\n\n\n\n<p>10-X<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o sistema que gera os n\u00fameros restantes \u00e9 um completo mist\u00e9rio. Uma lista completa dos n\u00fameros que ocorrem nas Chamadas Enoquianas \u00e9 fornecida aqui:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>12-OS<\/td><td>1636-QUAR<\/td><\/tr><tr><td>19-AF<\/td><td>3663-MIAN<\/td><\/tr><tr><td>22-OP<\/td><td>5678-DAOX<\/td><\/tr><tr><td>24-OL<\/td><td>6332-ERAN<\/td><\/tr><tr><td>26-OX<\/td><td>6739-DARG<\/td><\/tr><tr><td>28-OB, NI<\/td><td>7336-TAXS<\/td><\/tr><tr><td>31-GA<\/td><td>7699-ACAM<\/td><\/tr><tr><td>33-PD<\/td><td>8763-EMOD<\/td><\/tr><tr><td>42-VX<\/td><td>9639-MAPM<\/td><\/tr><tr><td>456-CLA<\/td><td>9996-CIAL<\/td><\/tr><tr><td>1000-MATB<\/td><td>69636-PEOAL<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>O teste de qualquer futura revela\u00e7\u00e3o espiritual da linguagem Enoquiana ser\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o desse sistema num\u00e9rico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" id=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><em>Mongrel<\/em>, em ingl\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Donald C. Laycock Tradu\u00e7\u00e3o Frater Goya De qualquer forma, \u00e9 por meio desses caracteres que os primeiros textos na \u201clinguagem angelical\u201d s\u00e3o ditados alguns dias depois (29 de mar\u00e7o de 1583 \u2013 Sexta-feira Santa, como aconteceu). Na primeira inst\u00e2ncia, o arcanjo Rafael nomeia as letras, e Dee escreve esses nomes (como se uma palavra &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=1850\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[235,60,406,342,246,35,239,234,186],"class_list":["post-1850","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-enochiano","tag-abramelin","tag-aleister-crowley","tag-donald-laycock","tag-edward-kelley","tag-enochiano","tag-frater-goya","tag-golden-dawn","tag-hebraico","tag-john-dee","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1850"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1862,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1850\/revisions\/1862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}