{"id":1843,"date":"2023-12-23T20:56:20","date_gmt":"2023-12-23T20:56:20","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1843"},"modified":"2023-12-23T20:56:21","modified_gmt":"2023-12-23T20:56:21","slug":"uma-nota-sobre-sintaxe-e-interpretacao-do-seculo-xv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1843","title":{"rendered":"Uma nota sobre sintaxe e interpreta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XV"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Benjamin Rowe<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Frater Goya<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a transcri\u00e7\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es de Turner do pseudo-Agrippa, deparei-me com algo que parece valer a pena mencionar aqui por seu poss\u00edvel impacto na interpreta\u00e7\u00e3o dos registros de Dee. Alguns membros da lista (referindo-se a uma lista j\u00e1 extinta do <em>yahoogroups<\/em>)<em> <\/em>provavelmente j\u00e1 est\u00e3o familiarizados com isso, mas tenho certeza de que n\u00e3o \u00e9 de conhecimento geral.<\/p>\n\n\n\n<p>O que descobri foi que os padr\u00f5es de pontua\u00e7\u00e3o usados hoje n\u00e3o foram estabelecidos como uso comum at\u00e9 bem mais de um s\u00e9culo depois da \u00e9poca de Dee, e que um sistema um pouco diferente era usado em sua \u00e9poca. Al\u00e9m disso, a pontua\u00e7\u00e3o na \u00e9poca de Dee era usada com mais frequ\u00eancia para indicar efeitos <em>elocucion\u00e1rios<\/em>, ou seja, a maneira pela qual as palavras deveriam ser ditas, do que para esclarecer a sintaxe e o significado da escrita. Normalmente, uma v\u00edrgula indicava uma pausa de uma &#8220;unidade&#8221;, um ponto e v\u00edrgula de duas unidades e tr\u00eas unidades para dois pontos. A pontua\u00e7\u00e3o nos dramas elisabetanos \u00e9 tipicamente desse tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso da pontua\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica foi sistematizado pela primeira vez pelo famoso impressor veneziano <strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Aldo_Man%C3%BAcio\">Aldus Manutius<\/a><\/strong> no in\u00edcio dos anos 1500, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de obras em latim e grego, e foi formalizado por seu neto em 1566. A pontua\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica para o ingl\u00eas n\u00e3o foi formalmente proposta at\u00e9 1640, em uma obra p\u00f3stuma de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ben_Jonson\"><strong>Ben Jonson<\/strong><\/a>, embora sem d\u00favida j\u00e1 fosse conhecida por aqueles que liam livros em latim desde a \u00e9poca em que Aldus a implementou. As tradu\u00e7\u00f5es de Turner seguem claramente o sistema de Aldus, e parece prov\u00e1vel que Dee tamb\u00e9m estivesse familiarizado com esse sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sistema, dois pontos &#8220;:&#8221; \u00e9 sintaticamente o mesmo que um ponto final moderno &#8220;.&#8221;. Normalmente, ele \u00e9 seguido por uma palavra em mai\u00fascula, mas com artigos e preposi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rios sem mai\u00fasculas. O ponto final \u00e9 usado como um marcador de fim de par\u00e1grafo. O ponto-e-v\u00edrgula \u00e0s vezes \u00e9 usado como a v\u00edrgula moderna &#8220;,&#8221;; em outras ocasi\u00f5es, \u00e9 usado como \u00e9 hoje, para separar duas partes de uma frase sintaticamente completas, mas relacionadas. E, em outras ocasi\u00f5es, \u00e9 usado como indicador de fim de frase. Esse uso de dois-pontos e ponto-e-v\u00edrgula \u00e9 a raz\u00e3o pela qual muitos textos daquele per\u00edodo parecem, aos olhos modernos, consistir em frases seguidas; n\u00e3o os vemos como os leitores da \u00e9poca os veriam.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que vale a pena manter essas diferen\u00e7as em mente ao ler o T&amp;FR ou o <em>Mysteriorum Libri<\/em>. Lembro-me de v\u00e1rias discuss\u00f5es aqui em que a interpreta\u00e7\u00e3o de passagens dependia da pontua\u00e7\u00e3o. Podemos at\u00e9 ter acabado escolhendo a interpreta\u00e7\u00e3o errada, usando o sistema moderno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Benjamin Rowe Tradu\u00e7\u00e3o de Frater Goya Durante a transcri\u00e7\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es de Turner do pseudo-Agrippa, deparei-me com algo que parece valer a pena mencionar aqui por seu poss\u00edvel impacto na interpreta\u00e7\u00e3o dos registros de Dee. 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