{"id":1635,"date":"2023-05-10T22:44:47","date_gmt":"2023-05-10T22:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1635"},"modified":"2023-05-10T22:44:49","modified_gmt":"2023-05-10T22:44:49","slug":"os-labios-umedecidos-de-nuit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1635","title":{"rendered":"Os L\u00e1bios Umedecidos de Nuit"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;Disclaimer: as opini\u00f5es expressas n\u00e3o correspondem necessariamente \u00e0quelas do CIH, e s\u00e3o de responsabilidade do autor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"189\" height=\"300\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII-189x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1636\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII-189x300.jpg 189w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII-646x1024.jpg 646w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII-768x1217.jpg 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII-969x1536.jpg 969w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII-420x666.jpg 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcIII.jpg 1047w\" sizes=\"auto, (max-width: 189px) 100vw, 189px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>\u201cAnd maybe someday we will meet<br>And maybe talk, and not just speak\u201d<br>James Blunt in Same Mistake, 2007<br><br>\u201cE talvez algum dia n\u00f3s nos encontraremos<br>E talvez conversaremos ao inv\u00e9s de s\u00f3 falarmos\u201d<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>As coisas levam o tempo que elas levam. N\u00e3o d\u00e1 para constranger uma planta a crescer mais r\u00e1pido na base da coer\u00e7\u00e3o, nem a sacar o beb\u00ea de dentro do \u00fatero antes dos nove meses sem esperar algum problema no desenvolvimento do mesmo. O Arcano V, carta do Hierofante, nos lembra que o tempo do mundo n\u00e3o \u00e9 o nosso tempo, e que a sabedoria muitas vezes consiste apenas em esperar o momento correto das coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum texto cabalista que n\u00e3o consigo precisar nos adverte para n\u00e3o incorrermos no erro de retirar o fruto precocemente do p\u00e9, pois, assim fazendo, julgaremos injustamente o seu sabor desagrad\u00e1vel ao paladar. Contudo, o problema nesse caso n\u00e3o est\u00e1 na qualidade do fruto, mas em nossa incapacidade de entender o tempo das coisas &#8211; como tamb\u00e9m nos ensina Salom\u00e3o em Ecclesiastes.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 17 de Novembro de 2017 iniciei o esbo\u00e7o de um texto que s\u00f3 logrei completar agora. N\u00e3o porque me faltasse alguma das leituras que uso aqui, mas porque o tempo de matura\u00e7\u00e3o (ou <em>Putrefactio<\/em>) \u00e9 necess\u00e1rio. VITRIOL.<\/p>\n\n\n\n<p>Originalmente chamei esse texto de \u2018Invoca\u00e7\u00e3o de Harp\u00f3crates\u2019, mas estou seguro de que qualquer thelemita aprova uma mudan\u00e7a quando essa envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de alguma palavra envolvendo genitais.<\/p>\n\n\n\n<p>De alguma forma, a re-emerg\u00eancia do tema que pretendo expor &#8211; a rela\u00e7\u00e3o de Binah e Chokmah na comunica\u00e7\u00e3o e sua consequ\u00eancia para a vida espiritual &#8211; me sobreveio durante um curso que eu estava fazendo esta semana sobre \u2018Debate e Argumenta\u00e7\u00e3o\u2019 pela Universidade de Ros\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"190\" height=\"300\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV-190x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1644\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV-190x300.jpg 190w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV-647x1024.jpg 647w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV-768x1215.jpg 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV-971x1536.jpg 971w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV-420x665.jpg 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcV.jpg 1051w\" sizes=\"auto, (max-width: 190px) 100vw, 190px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">BUKKAKE<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cDe nada sirve que pueda tener una idea revolucionaria en el campo al que se dedica o que tenga el argumento perfecto para hacer cambiar de opini\u00f3n a sus padres, amigos o pareja si ellos no son capaces de entenderlo o dimensionar el valor de lo que se les dice. Puede llegar a ser igual o m\u00e1s importante la forma en que dicen las cosas que el contenido mismo de las ideas.\u201d<\/em><br><em>Debate y Argumentaci\u00f3n\u00a0 &#8211; Universidade de Ros\u00e1rio Edx<\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Evidencia-se nessa cita\u00e7\u00e3o uma no\u00e7\u00e3o que eu n\u00e3o apreciava muito at\u00e9 pouco tempo &#8211; nomeadamente a de que deve-se buscar por um primor no que concerne a forma para transmitir uma id\u00e9ia, de maneira a otimizar a comunica\u00e7\u00e3o da mesma. Pela mesm\u00edssima raz\u00e3o, irritava-me o preciosismo obsessivo dos praticantes de tai-ji, por exemplo, com o lugar em que o tornozelo deveria estar, ou o movimento do quadril. Pensava nessa fixa\u00e7\u00e3o com a forma como sendo, dentro da arte marcial, uma heran\u00e7a do Confucionismo em detrimento do Dao\u00edsmo. No meu entendimento do Dao, o formalismo seria como empobrecimento da \u2018ess\u00eancia\u2019, e, eu enxergava no apre\u00e7o dispensado no dia-a-dia aos cuidados com a forma uma neurose obsessiva que privava a vida de naturalidade. Essa era minha posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 colocar sobre essa quest\u00e3o a lupa da \u00c1rvore da Vida.<\/p>\n\n\n\n<p>No diagrama da \u00c1rvore da Vida, temos <em>Kether <\/em>como a coroa que representa o Uno (n\u00e3o o jogo, mas o Criador), e a primeira d\u00edade que se nos apresenta subsequentemente \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre <em>Chokmah <\/em>(Sabedoria) e <em>Binah <\/em>(Entendimento). Entre as v\u00e1rias atribui\u00e7\u00f5es de cada <em>sephirah<\/em>, podemos elencar a de For\u00e7a e Forma respectivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar o meu ponto, pensemos em <em>Chokmah <\/em>como os espermatoz\u00f3ides e <em>Binah <\/em>como o \u00f3vulo. O primeiro cont\u00e9m o impulso inicial de energia, que se espalha por todos os lados na ejacula\u00e7\u00e3o, e pertence ao segundo a propriedade de selecionar qual aspecto dessa energia sem limites receber\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es de seguir vivendo. Dessa maneira, ao selecionar uma parte e eliminar outras, <em>Binah <\/em>\u00e9 a sephirah doadora da vida, mas tamb\u00e9m da morte, que sobrevir\u00e1 n\u00e3o somente \u00e0queles espermatoz\u00f3ides que n\u00e3o acolhidos, mas ao pr\u00f3prio gameta sortud\u00e3o que o foi, pois ao ganharmos vida essa nos vem com prazo de validade; ao receb\u00ea-la, recebemos a morte, tipo um McLanche feliz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>QUOD EST INFERIUS EST SICUT QUOD EST SUPERIUS<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>De maneira semelhante, a forma de uma id\u00e9ia \u00e9 o ve\u00edculo que a manifesta, e essa \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de <em>Binah <\/em>no pensamento. Curiosamente o hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro tem fun\u00e7\u00e3o an\u00e1loga no controle das fun\u00e7\u00f5es verbais. Ao escolhermos um determinado voc\u00e1bulo em detrimento de outros, determinado tempo verbal, ou esta met\u00e1fora ao inv\u00e9s daquela digress\u00e3o, estamos colocando uma forma, uma estrutura em nosso pensamento, que ser\u00e1 o ve\u00edculo para nossa id\u00e9ia, que \u00e9 <em>Chokmah<\/em>. Ao sentar para escrever esse texto, fui elencando as id\u00e9ias conforme elas vinham, em um <em>brainstorm <\/em>sem qualquer tipo de filtro. Em um segundo momento, fui fazendo uma triagem e uma organiza\u00e7\u00e3o de quais id\u00e9ias seriam utilizadas e em qual ordem, e quais deveriam ser eliminadas. Para existir a est\u00e1tua, tudo que n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tua no bloco de pedra precisa ser exclu\u00eddo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0queles intr\u00e9pidos curiosos sobre como esse princ\u00edpio se aplica na comunica\u00e7\u00e3o escrita, por exemplo, podemos sugerir <em>The Philosophy of Composition<\/em>, em cuja obra Edgar Allan Poe destrincha magnificamente a maneira pela qual deu luz a sua obra prima <em>The<\/em> <em>Raven<\/em>, pensando a estrutura para depois encaixar sobre ela a id\u00e9ia. <em>Binah <\/em>dando forma a <em>Chokmah<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PRAZER, YHVW, MAS PODE ME CHAMAR DE ADONAI<\/h2>\n\n\n\n<p>Esta uni\u00e3o entre <em>Binah <\/em>e <em>Chokmah <\/em>\u00e9 presente no nome sagrado YA (\u05d9\u05d4), primeira metade do tetragramaton. <em>Chokmah <\/em>\u00e9 o <em>Yod <\/em>(\u05d9), simboliza uma semente, como tamb\u00e9m representado no trigal da carta do Eremita (Arcano IX). \u00c9 a vida, a luz e o s\u00eamem, entre outros sentidos correlatos. E Hadit, claro. <em>Binah<\/em>, por sua vez, \u00e9 o <em>Hey <\/em>(\u05d4), letra hebraica que representa uma abertura da tenda para o exterior, a janela, e representa a passagem do canal vaginal tanto para a fecunda\u00e7\u00e3o do \u00fatero, quanto para a sa\u00edda para a nova vida. Esta id\u00e9ia se encontra expressa na carta da Estrela (Arcano XVII) onde as \u00e1guas da cria\u00e7\u00e3o emanam de um dos jarros que Nuit segura, representando a manifesta\u00e7\u00e3o da vida em leite e sangue, como podemos ler na descri\u00e7\u00e3o de Crowley no Livro de Thoth:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u00c9 representada segurando duas ta\u00e7as, uma delas dourada, sustentada bem acima de sua cabe\u00e7a, da qual ela verte \u00e1gua (estas ta\u00e7as se assemelham a seios, como est\u00e1 escrito: \u201co leite das estrelas de suas tetas; sim, o leite das estrelas de suas tetas\u201d).\u00a0<\/em><br><em>Livro de Thoth, p\u00e1gina 109.<\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium is-resized\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII-190x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1640\" width=\"190\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII-190x300.jpg 190w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII-650x1024.jpg 650w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII-768x1210.jpg 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII-975x1536.jpg 975w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII-420x662.jpg 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXVII.jpg 1050w\" sizes=\"auto, (max-width: 190px) 100vw, 190px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Falando ainda essa semana sobre essa carta com um Companheiro de Jornada, fui perguntado se essa carta seria sobre o clit\u00f3ris, ao que respondi que a carta da Estrela, ATU XVII, ao menos para mim, corresponde ao \u00fatero, em sua fun\u00e7\u00e3o de acolher e dar forma e vida ao impulso criador, ao passo que o Arcano XI corresponderia ao sexo como prazer e poder, o Arcano III \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da m\u00e3e do que seria a gravidez e ao processo de concep\u00e7\u00e3o, e o Arcano XXI como a vulva enquanto porta efetiva de entrada e sa\u00edda no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ainda destacar que Crowley coloca o Arcano III, a Imperatriz, justamente no caminho que une <em>Chokmah <\/em>a <em>Binah <\/em>na \u00c1rvore da Vida, e novamente temos que a no\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o de vida na Imperatriz que est\u00e1 gr\u00e1vida, e interpreto a quest\u00e3o do sacrif\u00edcio, elimina\u00e7\u00e3o do excesso e a morte impl\u00edcita na vida como representados no pelicano que rasga o pr\u00f3prio peito para alimentar sua cria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">ARIST\u00d3TELES, KANT, HEGEL E MARX NA CASA DE SWING<\/h2>\n\n\n\n<p>Essa uni\u00e3o proposta no caminho da Imperatriz se reflete mesmo na pr\u00f3pria etimologia da palavra \u2018di\u00e1logo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cQuando pensamos na avalia\u00e7\u00e3o desta palavra, logo nos vem \u00e0 mente uma descri\u00e7\u00e3o: a conversa entre duas ou mais pessoas. No entanto, se atendermos a sua etimologia, encontraremos com um objetivo, pois para os gregos da antiguidade este voc\u00e1bulo se referia ao processo de conhecimento atrav\u00e9s da palavra.\u201d\u00a0<\/em><br><em>Etimologia.com.br<\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim, a etimologia de di\u00e1logo <em>\u2018nada tem a ver com o prefixo di-, proveniente do grego \u03b4\u03af\u03c2 \u200e(d\u00eds), que exprime a ideia de dualidade&#8217;<\/em>, mas do processo de <em>&#8216;um com o outro, um contra o outro\u2019 representado pelo prefixo &#8216;\u03b4\u03b9\u03ac (di\u00e1)\u2019<\/em>, que nos apresenta a id\u00e9ia de dial\u00e9tica como forma de conhecimento. Assim, o objetivo do di\u00e1logo \u00e9 transcender a dualidade, integrando id\u00e9ia e forma em uma s\u00edntese para um falante, e construindo conhecimento em conjunto com o interlocutor. Penso que esta \u00e9 a id\u00e9ia original do Satan como ele aparece no Antigo Testamento. Satan, \u05e9\u05b8\u05bc\u05c2\u05d8\u05b8\u05df\u200e em hebraico, significa \u2018opositor\u2019 ou \u2018advers\u00e1rio\u2019 apenas. Faria, no meu entendimento, a fun\u00e7\u00e3o de nos apresentar uma ant\u00edtese de nossa vis\u00e3o, para que no processo de s\u00edntese houvesse avan\u00e7o. Curiosamente L\u00facifer quer dizer \u2018aquele que porta a luz\u2019, em latim, e poderia ser entendido tamb\u00e9m como aquele que possibilita esse avan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa id\u00e9ia tamb\u00e9m vai ao encontro da Psicologia Anal\u00edtica, em que esse opositor, essa ant\u00edtese, essa sombra n\u00e3o deve ser hostilizada ou recusada, mas assimilada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cNo mundo ocidental as paix\u00f5es ct\u00f4nicas foram identificadas com o mal e as paix\u00f5es espirituais com o bem. Ao inv\u00e9s de neg\u00e1-las ou transcend\u00ea-las, o psic\u00f3logo possivelmente responder\u00e1 que devemos aceitar as obscuras for\u00e7as instintivas. Devemos incorpor\u00e1-las e parar de projet\u00e1-las.\u201d<\/em><br>Jung, Carl. Sobre sonhos e transforma\u00e7\u00f5es<br><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Se pensarmos na <em>quipha <\/em>de <em>Thaumiel<\/em>, que \u00e9 a casca correspondente \u00e0 <em>Kether<\/em>, temos justamente a ideia de que h\u00e1 dualidade onde deveria haver a busca por unidade, como a Face de Janus, em que cada lado olha para uma dire\u00e7\u00e3o oposta, ao inv\u00e9s de tentar olhar para a mesma quest\u00e3o. Note-se que isso representa a completa falta de contato entre duas faces, e penso que isso simboliza o insucesso que advir\u00e1 de nossa preocupa\u00e7\u00e3o com somente um dos aspectos em detrimento do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que haja manifesta\u00e7\u00e3o, seja de uma mensagem, seja de um feto, seja de qualquer outra coisa considerada a partir do diagrama da \u00c1rvore da Vida, h\u00e1 que se ter uma rela\u00e7\u00e3o e uma tens\u00e3o entre as for\u00e7as opostas, e n\u00e3o uma separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando at\u00e9 em uma alegoria com a F\u00edsica, \u00e9 a diferen\u00e7a de potencial que gera a corrente el\u00e9trica, se me lembro bem. Mas como sou de humanas, n\u00e3o apostaria muito nessa analogia\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">VISHUDDHA<\/h2>\n\n\n\n<p>De qualquer maneira, a vida, a luz e a comunica\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias carecem de que se transmita o impulso criador desde <em>Chokmah <\/em>at\u00e9 <em>Binah<\/em>, para que ent\u00e3o possam ganhar forma e se manifestar efetivamente abaixo do abismo, passando a existir objetivamente no mundo, j\u00e1 em <em>Chesed<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Curioso observar tamb\u00e9m que, quando pensamos no corpo humano sobreposto \u00e0 \u00c1rvore da Vida temos <em>Da\u2019at <\/em>localizada na garganta. Assim, poder\u00edamos pensar que <em>Da\u2019at <\/em>\u00e9 o portal de manifesta\u00e7\u00e3o para essa uni\u00e3o de <em>Chokmah <\/em>e <em>Binah<\/em>, da mesma forma que a fala \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia e da forma.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 provavelmente a id\u00e9ia por tr\u00e1s de ABRACADABRA, palavra \u2018m\u00e1gica\u2019 ub\u00edqua na tradi\u00e7\u00e3o popular. BARAH \u00e9 o verbo \u2018criar\u2019 (\u05d1\u05e8\u05d0), embora em hebraico ele s\u00f3 possa ser utilizado tendo o Criador como sujeito, como no G\u00eanesis 1,1.&nbsp; DAVAR ( \u05d3\u05b8\u05bc\u05d1\u05b8\u05e8 ) significa \u2018coisa ou palavra\u2019, e da mesma ra\u00edz, DIBBER ( \u05d3\u05b4\u05bc\u05d1\u05b5\u05bc\u05e8 ) \u00e9 \u2018dizer\u2019 algo. Assim, embora eu entenda que seja controverso, dou cr\u00e9dito \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de que ABRACADABRA significa algo pr\u00f3ximo de \u2018crio enquanto falo\u2019, ou \u2018crio atrav\u00e9s do falar\u2019. Tamb\u00e9m entendo que h\u00e1 uma interpreta\u00e7\u00e3o interessante de ABRAHADABRA, a Palavra do Aeon para Crowley, relacionada \u00e0 essa id\u00e9ia de uni\u00e3o entre <em>Chokmah <\/em>e <em>Binah<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>JUST SMILE AND WAVE, BOYS. SMILE AND WAVE&#8230;<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui, segui com a d\u00edade <em>Chokmah<\/em> e <em>Binah<\/em> mormente enquanto for\u00e7a e forma no processo de forma\u00e7\u00e3o do discurso dentro de nossa caixola. Mas essas duas for\u00e7as podem ser vistas interagindo n\u00e3o somente no universo interno do sujeito, mas tamb\u00e9m quando analisamos o falar enquanto fen\u00f4meno intersubjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem comunica comunica algo a algu\u00e9m. Assim, temos um falante que emite o discurso e um ouvinte que o acolhe. E aqui eu sinto que temos todos uma grande li\u00e7\u00e3o a aprender, que \u00e9 uma das quatro virtudes fundamentais do ocultismo: o calar.<\/p>\n\n\n\n<p>Acabo de mencionar acima a frase \u2018crio enquanto falo\u2019, mas penso que algo ainda mais divinal ocorre quando nos colocamos como receptores da fala. Penso que uma das grandes formas de criarmos a realidade \u00e9 atrav\u00e9s de nossa capacidade de ouvirmos uma conversa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cO exerc\u00edcio do sil\u00eancio \u00e9 t\u00e3o importante quanto a pr\u00e1tica da palavra.\u201d<\/em><br><em>\u00a0William James<\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando pensamos em \u2018calar\u2019, normalmente pensamos somente em n\u00e3o estarmos produzindo fala enquanto mais algu\u00e9m est\u00e1 a falar. Mas o \u2018calar\u2019 da esfinge \u00e9 mais do que meramente fechar a matraca. Lembremos que o calar \u00e9 a virtude relacionada ao elemento terra &#8211; que \u00e9 normalmente relacionada a <em>Malkuth<\/em>, e que essa \u00e9 o recept\u00e1culo para aquilo que vem dos planos superiores. \u00c9 atrav\u00e9s do elemento terra que damos forma ao mundo, e novamente temos aqui no sil\u00eancio a energia de <em>Binah <\/em>como o receptora que dar\u00e1 a forma &#8211; e podemos ver o relacionamento \u00edntimo das sephiroth <em>Binah <\/em>e <em>Malkuth<\/em> nessa situa\u00e7\u00e3o: o grande <em>Hey<\/em> (\u05d4) e o pequeno <em>Hey <\/em>(\u05d4) do <em>tetragrammaton<\/em>. A rainha e a princesa. Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. Iguais, mas diferentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando algu\u00e9m fala, em uma conversa, lamentavelmente o que se tem \u00e9 pessoas que se restringem minimamente por educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 que possam interromper, e enquanto se esfor\u00e7am para ficar em sil\u00eancio externo est\u00e3o sempre pensando algo nas seguintes linhas \u2018OK, voc\u00ea pode at\u00e9 ter uma hist\u00f3ria assim, mas deixe-me contar o que me aconteceu numa festa em\u2026\u2019. Ou seja: a pessoa n\u00e3o est\u00e1 prestando aten\u00e7\u00e3o. Ela s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 falando; n\u00e3o se coloca como receptiva de fato \u00e0quilo que o outro est\u00e1 oferecendo. Sua mente e seu ego est\u00e3o preparando uma hist\u00f3ria que julgam mais interessante, ou querendo fazer algo que entendam como mais vantajoso do que simplesmente oferecer um momento de aten\u00e7\u00e3o genu\u00edna a outra pessoa, sem pr\u00e9-julgamentos e sem pressa. Sua <em>Binah<\/em> n\u00e3o est\u00e1 ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 OUVIR? Na minha vila, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu sensacional livro <em>The Art of Conversation<\/em>, Catherine Blyth relata que uma distinta dama da sociedade londrina capturou a ess\u00eancia da diferen\u00e7a entre dois primeiros ministros tidos como excepcionais:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201cAo deixar o sal\u00e3o de jantar depois de sentar ao lado do Sr. Gladston, eu sa\u00ed com a sensa\u00e7\u00e3o de que ele era o homem mais inteligente da Inglaterra. Mas ap\u00f3s minha conversa com o Sr. Disraeli, eu sa\u00ed com a sensa\u00e7\u00e3o de que eu era a mulher mais inteligente da Inglaterra.\u201d &#8211; p. 63 <\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>O ato de ouvir (ouvir de verdade) a algu\u00e9m pode ser de uma generosidade quase \u00edmpar e pode fazer toda a diferen\u00e7a na vida do outro e na nossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o Yom Kippur, o deus do povo de Israel em Lev\u00edtico 16,8 &#8211; 21 pede que o Sumo Sacerdote confesse os pecados, iniquidades e transgress\u00f5es do povo para o bode de Azazel, para depois esse bode ser levado para morrer sozinho do deserto. Foda para o bode, n\u00e9? Para que houvesse a expia\u00e7\u00e3o completa do povo, os pecados precisavam ser confessados.&nbsp; O poder reparador de uma confiss\u00e3o tamb\u00e9m pode ser visto no Sacramento da Confiss\u00e3o ainda em vigor na Igreja Cat\u00f3lica, no atendimento \u00e0 Assist\u00eancia que as entidades de Umbanda oferecem, e at\u00e9 mesmo na psicoterapia e no apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio oferecido pelo Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida &#8211; CVV 188.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvir \u00e9 acolher, e oferecer aceitar o outro. Esse \u00e9 o significado da imagem da Prostituta Sagrada, Babalon, antropomorfiza\u00e7\u00e3o de <em>Binah: <\/em>tudo recebe, tudo acolhe e a ningu\u00e9m rejeita. Esse \u00e9 o sagrado ouvir, que d\u00e1 sabedoria ao ouvinte e conforto ao falante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que o ouvinte n\u00e3o poder\u00e1 ter uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o que \u00e9 dito, mas isso dever\u00e1 ser posterior ao honesto ato de ouvir, oferecendo a generosidade de se calar para dar oportunidade que o outro fale.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"191\" height=\"300\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI-191x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1646\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI-191x300.jpg 191w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI-653x1024.jpg 653w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI-768x1204.jpg 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI-980x1536.jpg 980w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI-420x658.jpg 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXI.jpg 1065w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00c3O SOU EU QUEM VIVO, MAS CRISTO QUEM VIVE EM MIM<\/h2>\n\n\n\n<p>O cap\u00edtulo 11 do <em>Dao De Jing<\/em> nos traz a seguinte passagem:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>Fazemos um jarro com um peda\u00e7o de argila;<\/em><br><em>O vazio do interior \u00e9 que o torna \u00fatil.<\/em><br><em>Constru\u00edmos portas e janelas para uma habita\u00e7\u00e3o;<\/em><br><em>mas s\u00e3o esses espa\u00e7os vazios que as fazem habit\u00e1vel.<\/em><br><br><em>Assim, enquanto nos concentramos no ser,\u00a0<\/em><br><em>\u00e9 no n\u00e3o-ser que est\u00e1 a utilidade.<\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Curiosamente, tanto o jarro, que \u00e9 carregado por Nuit, quanto a janela, representada pela letra <em>Hey<\/em>, est\u00e3o presentes no Arcano XVII.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que se possa encher um recipiente, ele precisa estar vazio. Parece \u00f3bvio, mas n\u00e3o se pratica o senso comum no dia a dia. Basta ver o desespero de algu\u00e9m que tenta debater com o Donald Trump. Ele est\u00e1 t\u00e3o cheio de sua verdade que n\u00e3o cogita nem por um segundo que pode estar errado, ou que algu\u00e9m pode contribuir com algo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>\u201c\u00c9 conhecido o prov\u00e9rbio chin\u00eas que narra a hist\u00f3ria de um mestre zen com um disc\u00edpulo cheio de si. Em determinado momento, o disc\u00edpulo lhe pergunta porque tem demorado tanto a aprender, a aperfei\u00e7oar sua t\u00e9cnica. O mestre calmamente come\u00e7a a lhe servir ch\u00e1, passa do limite da x\u00edcara, e o l\u00edquido come\u00e7a a transbordar. At\u00f4nito, o disc\u00edpulo pergunta se o mestre n\u00e3o est\u00e1 vendo que a x\u00edcara j\u00e1 estava cheia. O guru ent\u00e3o responde: sua mente \u00e9 como essa x\u00edcara, se estiver cheia, n\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para mais conhecimento, para aprender.\u201d<\/em><br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">ESCUTAI, ISRAEL. ADONAI \u00c9 O SEU DEUS. ADONAI \u00c9 UM.<\/h2>\n\n\n\n<p>Ouvir \u00e9 exercitar a capacidade de se tornar um recept\u00e1culo, mas esse recept\u00e1culo n\u00e3o pode estar cheio <em>a priori<\/em>. Ele precisa ser preenchido pela fala do outro, que faz a fun\u00e7\u00e3o de <em>Chokmah<\/em>. Somente ap\u00f3s estar realmente esvaziado de si mesmo e dar uma chance para que o outro nos preencha \u00e9 que podemos realizar uma triagem do que foi dito pelo outro, dando ent\u00e3o formato, sintetizando id\u00e9ias ou eliminando aquilo que for in\u00fatil ou fal\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio interno pode direcionar a conversa, a partir da\u00ed, dando formato a ela por meio de uma pergunta feita ao interlocutor.<\/p>\n\n\n\n<p>No ocidente, nossa ideia de <em>Binah<\/em>, feminino e receptivo \u00e9 err\u00f4nea, e normalmente visualizamos essa for\u00e7a como simplesmente passiva e inerte. Semelhante entendimento \u00e9 dado ao conceito de <em>Yin<\/em>, quando um ocidental pensa no misticismo chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, precisamos observar, a partir dessa an\u00e1lise que fizemos, como o fluxo da conversa pode ser facilmente controlado por aquele que ouve. Em uma analogia question\u00e1vel, o homem oferece seu interesse, mas cabe \u00e0 mulher escolher se aceita ou n\u00e3o. Ou ser\u00e1 s\u00f3 uma coincid\u00eancia que a mulher est\u00e1 usando lingerie no primeiro encontro em que voc\u00ea consegue ir para a cama com ela, \u00f3 rei da conquista? Na mulher todo o poder \u00e9 dado, como expresso no coment\u00e1rio de III:55.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, essa pode ser uma analogia que Crowley aprovaria. Para podermos ser preenchidos pelo divino (basicamente comidos por Deus), temos que criar um estado de sil\u00eancio e receptividade internos t\u00e3o grandes (recipiente, ou \u2018vulva espiritual\u2019 para os mais pervertidos), para que possamos nos unir a Deus como \u00e9 descrito, inclusive, no C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O DAO, O C\u00c9U, A TERRA E O SER HUMANO<\/h2>\n\n\n\n<p>Em nossa sociedade, damos tanto valor ao papel de destaque daqueles que est\u00e3o nos p\u00falpitos e sob os holofotes, e nos sentimos ansiosos para falar e para \u2018sermos ouvidos\u2019, embora essa no\u00e7\u00e3o se ser ouvido seja bastante rid\u00edcula, porque o outro n\u00e3o nos estar\u00e1 ouvindo, mas apenas se contendo para n\u00e3o falar junto. S\u00f3 existimos, s\u00f3 somos algu\u00e9m quando estamos falando &#8211; quando somos <em>Chokmah<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo, o termo usado no Dao\u00edsmo para o Homem Superior, ou Homem Perfeito, ou ainda o S\u00e1bio, a depender da tradu\u00e7\u00e3o utilizada, \u00e9 composto por dois ideogramas. Um deles, o segundo, \u00e9 apenas um s\u00edmbolo que identifica \u2018pessoa\u2019. O primeiro ideograma do conceito, \u00e9 composto por 3 subcomponentes &#8211; 3 ideogramas mais simples, que formam uma ideia mais complexa. Os tr\u00eas ideogramas significam \u2018ouvido\u2019, \u2018boca\u2019 e \u2018rei\u2019. Nunca li nada a respeito disso especificamente, ent\u00e3o pe\u00e7o perd\u00e3o \u00e0queles que souberem mais. Mas tentei bastante procurar a origem real, e n\u00e3o encontrei. Contudo, derivo desta composi\u00e7\u00e3o dos ideogramas radicais um sentido que se est\u00e1, penso eu, alinhado tamb\u00e9m com o conceito de n\u00e3o-a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o deve estar t\u00e3o longe do sentido verdadeiro:<\/p>\n\n\n\n<p>O Homem Superior \u00e9 aquele que \u00e9 domina (rei) o equil\u00edbrio entre o momento de falar (boca) e o momento de ouvir (ouvido); \u00e9 o senhor de sua boca e ouvido. Sua mente n\u00e3o se apressa em julgar e nem a chegar em conclus\u00f5es sobre o que est\u00e1 escutando, e nem pretende interromper sem necessidade. Abre-se como um recipiente para acolher \u00e0quilo que \u00e9 oferecido pelo universo (dao) e tamb\u00e9m n\u00e3o tem constrangimento em oferecer seu sil\u00eancio nos momentos em que n\u00e3o sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Saber que n\u00e3o se sabe \u00e9 o primeiro passo para a sabedoria, como se atribui a S\u00f3crates.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse sil\u00eancio por n\u00e3o ter nada a dizer tamb\u00e9m est\u00e1 presente na hist\u00f3ria b\u00edblica de J\u00f3, quando em J\u00f3 3, 11 sentaram seus amigos com ele em sil\u00eancio por sete dias e sete noites, quando J\u00f3 estava em uma <em>bad<\/em> desgra\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas s\u00e3o as vezes em que Jesus se retira e se recolhe para o sil\u00eancio, segundo o Novo Testamento. Entendo que esse \u00e9 o significado da passagem quando em Marcos 4:35-5:43 Jesus aquieta a tempestade. Essa tempestade \u00e9 a tempestade de nosso interior, de nossa mente, que precisa ser aquietada para que possamos navegar em seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que valorizar o sil\u00eancio como forma de contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de serem aprendidas no Shem\u00e1, ora\u00e7\u00e3o judaica rezada todos os dias, pela manh\u00e3 e \u00e0 noite, que repete as palavras de <em>Devarim <\/em>(Deuteron\u00f4mio) 6:4-9. Escutai, Israel. Escutai. Para isso, h\u00e1 que se fazer sil\u00eancio, em primeiro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficar em sil\u00eancio pode expressar tantas emo\u00e7\u00f5es e servir a tantos prop\u00f3sitos que n\u00e3o seria poss\u00edvel explorar a todos em um \u00fanico texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria, contudo, de encerrar esse texto explorando o sil\u00eancio em uma das facetas que o pr\u00f3prio Livro da Lei apresenta: que o teu sucesso seja tua prova (III, 42).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o gaste seu tempo se justificando e nem tentando provar para outra pessoa o seu valor. Utilize a faceta de <em>Binah <\/em>que cala sobre isso e d\u00ea formato a sua vida atrav\u00e9s da manifesta\u00e7\u00e3o de sua ess\u00eancia, de seus valores e de sua Verdadeira Vontade. Lembre-se de que <em>Binah <\/em>tamb\u00e9m \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que n\u00e3o cabe no seu projeto, e esforce-se para espelhar em sua vida aquilo que voc\u00ea realmente acredita e quer ser. <em>Fake it till you make it<\/em>. Cada dia e cada passo s\u00e3o cruciais para te colocar mais pr\u00f3xima de se tornar senhora de si.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembre-te que o Arcano do Aeon, Atu XX, Estela da Revela\u00e7\u00e3o, apresenta a crian\u00e7a coroada em gesto de Harp\u00f3crates, o senhor do Sil\u00eancio. Faze o que tu queres h\u00e1 de ser o todo da Lei. Tu n\u00e3o tens direito a n\u00e3o ser fazer a tua vontade. Que o resto seja sil\u00eancio e a busca pela Cidade das Pir\u00e2mides (III,62).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"188\" height=\"300\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX-188x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1642\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX-188x300.jpg 188w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX-642x1024.jpg 642w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX-768x1226.jpg 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX-963x1536.jpg 963w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX-420x670.jpg 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ArcXX.jpg 1044w\" sizes=\"auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Amor \u00e9 a Lei. Amor sob Vontade.<br>Frater Melquisedeque<br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n\n\n\n<p>Blyth, Catherine. <em>The Art of Conversation<\/em>. 1st ed., New York, Gotham Books, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciberd\u00favidas da L\u00edngua Portugues. \u201c&#8217;A etimologia de di\u00e1logo e diabo .&#8217;\u201d <em>https:\/\/ciberduvidas.iscte-iul.pt\/<\/em>, 22 12 2015, https:\/\/ciberduvidas.iscte-iul.pt\/consultorio\/perguntas\/a-etimologia-de-dialogo-e-diabo\/33694. Accessed 04 10 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Crowley, Aleister. <em>The Book of The Law &#8211; Liber Al vel Legis<\/em>. 5th ed., San Francisco, Red Wheel \/ Weiser, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Crowley, Aleister. <em>The Book of Thoth<\/em>. Nova York, Red Wheel \/ Weiser, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Crowley, Aleister. \u201cA Mulher em Thelema segundo Liber Al Vel Legis III,55.\u201d <em>http:\/\/cih.org.br<\/em>, http:\/\/cih.org.br\/cih_new\/?p=128. Accessed 04 10 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipe Editorial. \u201cEtimologia de Di\u00e1logo.\u201d <em>Etimologia &#8211; Origem do Conceito<\/em>, 2019, https:\/\/etimologia.com.br\/dialogo\/. Accessed 04 10 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsvazie a sua X\u00edcara.\u201d <em>Alta Performance Carla Ribeiro<\/em>, 20 12 2016, https:\/\/blogaltaperformance.carlaribeiro.com.br\/. Accessed 04 10 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>James, William. \u201cWilliam James.\u201d <em>Escritas.org<\/em>, https:\/\/www.escritas.org\/pt\/t\/15118\/o-exercicio-do-silencio-e. Accessed 04 10 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Jung, Carl G. <em>Sobre Sonhos e Transforma\u00e7\u00f5es<\/em>. Translated by Lorena Richter, 3\u00aa Reimpress\u00e3o ed., Petr\u00f3polis, Editora Vozes, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Ts\u00e9, Lao. <em>Tao Teh King<\/em>. Translated by Maria Lucia Acaccio, Editora Isis, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>URosarioX. \u201cURosarioX URX06 Debate y argumentaci\u00f3n &#8211; Tus ideas necesitan del debate.\u201d <em>EdX<\/em>, https:\/\/learning.edx.org\/course\/course-v1:URosarioX+URX06+1T2020\/block-v1:URosarioX+URX06+1T2020+type@sequential+block@afa1735ab71e4679979502fc9065303a\/block-v1:URosarioX+URX06+1T2020+type@vertical+block@c6bda02005104698b2bcd1eda4ba223a. 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