{"id":1587,"date":"2023-03-27T14:48:56","date_gmt":"2023-03-27T14:48:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1587"},"modified":"2023-03-27T15:00:48","modified_gmt":"2023-03-27T15:00:48","slug":"o-tarot-como-caminho-iniciatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1587","title":{"rendered":"O Tarot como caminho inici\u00e1tico"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Frater Goya (Anderson Rosa)<\/p>\n\n\n\n<p>Na magia tradicional, temos como armas m\u00e1gicas: o bast\u00e3o, o pant\u00e1culo, o c\u00e1lice ou copa e a espada, como armas elementares.Cada qual representa um elemento (Fogo, Ar, Terra e \u00c1gua) e o dom\u00ednio desse elemento espec\u00edfico. O Tarot \u00e9 a quinta arma m\u00e1gica (atribuindo-o ao Esp\u00edrito). Se com o Tarot voc\u00ea consegue recuperar informa\u00e7\u00f5es e a partir delas compor qualquer tipo de ritual, o Tarot acaba sendo o seu grim\u00f3rio definitivo.<br>O Tarot possui uma vis\u00e3o estruturada do universo, e reproduz atrav\u00e9s do seu manuseio por embaralhamento &#8211; o estudo do momento por aleatoriedade &#8211; como ele funciona, e logo, mexendo com o Tarot, voc\u00ea, com o passar do tempo, ter\u00e1 tamb\u00e9m uma mente estruturada, de tanto pensar por influ\u00eancia do Tarot.<br>E depois que isso acontecer, que sua mente esteja organizada, voc\u00ea n\u00e3o precisa mais dele. Voc\u00ea vira o Tarot. Por isso chamei o meu livro de Templo Vivente. Em termos de aprendizado, a reten\u00e7\u00e3o por imagens \u00e9 quase 3 vezes maior que por palavras segundo apontam diversos estudos voltados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Existe um m\u00e9todo, chamado flor de ameixeira para o I Ching, que se baseia na contempla\u00e7\u00e3o do ambiente ao redor para deduzir o hexagrama daquele momento sem moedas ou varetas. E esse conceito \u00e9 como se o uso da ferramenta fosse algo como usar rodinhas na bicicleta. Depois que aprendeu, n\u00e3o precisa-se mais de rodinhas. Mas existem pessoas que eternamente precisar\u00e3o de rodinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista de aprendizado, temos a seguinte distribui\u00e7\u00e3o:<br>1) Textos como apoio te\u00f3rico;<br>2) Imagens como reten\u00e7\u00e3o do Saber; (veja que depois de mil\u00eanios usando apenas texto como reten\u00e7\u00e3o de um conhecimento oficial, hoje no windows voltamos ao \u00cdCONE); e essas imagens s\u00e3o a ponte entre o logos (o verbo) e a praxis (pr\u00e1tica);<br>3) Pr\u00e1tica: que tem como fun\u00e7\u00e3o fixar um conhecimento<\/p>\n\n\n\n<p>Veja que no tempo todo da sua vida escolar e acad\u00eamica (com exce\u00e7\u00e3o talvez dos cursos ligados \u00e0 arte ou publicidade), o seu saber \u00e9 medido pelo que voc\u00ea escreve e n\u00e3o pelo que voc\u00ea desenha. Inclusive isso \u00e9 motivo de extenso debate na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 p\u00fablico e not\u00f3rio que o atual m\u00e9todo favorece apenas uma parcela das pessoas e \u00e9 dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para que possamos VER como o pict\u00f3rico \u00e9 fundamental na mente humana, a escrita vem de onde? Das pinturas rupestres, quando os sinais gr\u00e1ficos que mostravam coisas, deram lugar a letras que permitiam criar coisas novas e expressar o inexprim\u00edvel, que \u00e9 o pensamento, ou seja, o verbo foi criado para expressar uma ideia complexa. Mas a gravura vem antes da palavra.<br>Voltando ao tema original, o Tarot pode ajudar a manter uma unidade (estrutura) que deve ser passada ao estudante. Essa estrutura, pode ajudar a compor uma \u00e9tica, um reto caminhar, a impecabilidade.<br>E por outro lado, evitar que a coisa fique r\u00edgida excessivamente, uma vez que o Tarot \u00e9 rand\u00f4mico, quando voc\u00ea joga ele, perde-se toda a ordem, ou ela fica atr\u00e1s de um processo aleat\u00f3rio, o que d\u00e1 liberdade suficiente para o estudante se mover entre as cartas, sem ficar engessado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Tarot possui uma estrutura. Qual \u00e9 ela?<\/strong><br>21 arcanos maiores + 1 sem n\u00famero; 40 menores, 16 cartas de figura ou realeza.<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/Gu7AyM6aMYS2psRlwz35AqQc1t9YJqM7iYm7Lvc8g9S7iby99k_0gMJkU8y7qTc0Jsr5K4deKFvkISfIP_nTG-AIhvWp4CTOo_mjLF7d9mJVbUsyMdR3UkqvX1J2MKkqTU7FWRv66AT5Hn0tA2m2WA\" width=\"264\" height=\"483\"><\/p>\n\n\n\n<p>O arcano do Louco tradicionalmente n\u00e3o possui numera\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00c1rvore das Vidas (<em>Etz Chaim<\/em>) \u00e9 o suporte pelo qual o Tarot se apoia. Aqui estamos falando dos Tarots derivados da escola de Eliphas Levi (Ex.: Tarot dos Bo\u00eamios ou Oswald Wirth, entre outros) ou da Golden Dawn (Golden Dawn Tarot, Smith-Waite, Crowley, Haindl, entre outros), que embora com enfoques diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao tema da Qabalah, ambos a utilizam. Aqui estamos nos remetendo ao contexto do pensamento da Qabalah Herm\u00e9tica, e que existem diversos modelos de \u00c1rvore das Vidas (Etz Chaim) e que necessariamente os arranjos Levi\/GD n\u00e3o atendem \u00e0 todas as vers\u00f5es dispon\u00edveis da \u00c1rvore. Ou seja, para cada descri\u00e7\u00e3o da \u00c1rvore, o Tarot precisaria ser re-arranjado. Isso ilustra como o Tarot \u00e9 din\u00e2mico, n\u00e3o se cristalizando num \u00fanico molde.<\/p>\n\n\n\n<p>No pensamento cabal\u00edstico, o alfabeto hebraico tem uma caracter\u00edstica peculiar, pois cada letra \u00e9 um som, uma coisa, um n\u00famero. Dessa forma, quando um cabalista v\u00ea uma letra hebraica ou um nome, ou uma palavra em hebraico, ele &#8220;visualiza&#8221; a coisa em si, o que n\u00e3o ocorre em nosso alfabeto ar\u00e1bico ocidental. Para o pensamento das pessoas comuns, uma letra \u00e9 uma letra. J\u00e1 em hebraico, as coisas s\u00e3o formadas pelas letras que as comp\u00f5e.  Ent\u00e3o na magia ocidental, o Tarot tenta suprir essa defici\u00eancia, ao apresentar imagens pr\u00e9-definidas que trabalham em um esquema simb\u00f3lico, e que al\u00e9m da letra, sugerem\/suscitam uma interpreta\u00e7\u00e3o ou leitura. Dessa forma, quando um magista olha para uma carta de Tarot, se ele estiver de posse da chave daqueles s\u00edmbolos &#8211; que numa ordem inici\u00e1tica s\u00e3o passadas atrav\u00e9s da inicia\u00e7\u00e3o &#8211; este praticante conseguir\u00e1 decodificar a mensagem oculta nas imagens propostas. E ao embaralhar as cartas, ele simula a realidade em a\u00e7\u00e3o, onde as coisas ocorrem muitas vezes de forma ca\u00f3tica ou indeterminada, simulando um c\u00f3digo rand\u00f4mico aplicado no universo ao inv\u00e9s de ser uma simula\u00e7\u00e3o de computador, ou c\u00e1lculo mental.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Dentro dos maiores, voc\u00ea tem uma estrutura e uma sequ\u00eancia: Louco, Mago, Sacerdotisa, etc. Essas imagens representam personagens de nossa conviv\u00eancia e personagens arquet\u00edpicos. Logo, os maiores representam nossos processos mentais. Dentro dos menores, no mundo pr\u00e1tico, estruturado, decimal (pensamos em 10 partes, o computador em base 2\/bin\u00e1ria), a escala de 1 a 10 (decimal) diz como o mundo pr\u00e1tico funciona. Logo, s\u00e3o as coisas do dia-a-dia. E a realeza (ou corte), representa a multiplicidade de seres que caminham ao nosso lado, as pessoas que encontramos e n\u00f3s mesmos. Tamb\u00e9m podemos interpretar a Corte como as hierarquias, figuras de poder ou ainda comportamentos repetitivos.<br>Isso \u00e9 uma estrutura ordenada e compreens\u00edvel.<br>Talvez algumas pessoas tenham dificuldade em compreender por que os n\u00fameros de um a dez s\u00e3o t\u00e3o especiais ao ser humano e ainda porque alguns s\u00e3o mais especiais que outros. Ent\u00e3o vale uma pequena cita\u00e7\u00e3o que pode ajudar a ilustrar isso:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><br>&#8220;Claro que sim. E agora passemos aos n\u00fameros m\u00e1gicos que tanto atraem os seus autores. Voc\u00ea sabe que um n\u00e3o \u00e9 dois, um \u00e9 o seu trabalhinho ali, uma \u00e9 a minha tarefazinha l\u00e1 e um s\u00e3o o nariz e o cora\u00e7\u00e3o e logo est\u00e1 vendo quanta coisa importante \u00e9 um. E dois s\u00e3o os olhos, as orelhas, as narinas, meus seios, seus bagos, as pernas, os bra\u00e7os e as n\u00e1degas. Tr\u00eas \u00e9 o mais m\u00e1gico de todos porque o nosso corpo n\u00e3o o conhece, n\u00e3o temos nada que seja em tr\u00eas, e devia ser um n\u00famero misterios\u00edssimo que atribu\u00edamos a Deus, onde quer que viv\u00eassemos. Mas pensando bem, eu tenho s\u00f3 uma coisinha e voc\u00ea tem s\u00f3 um coisinho \u2014 fica quieto e nada de piadas \u2014 e se pusermos essas duas coisinhas juntas acaba dando uma nova coisinha e acabamos em tr\u00eas. Precisamos ent\u00e3o de um professor universit\u00e1rio para descobrir que todos os povos t\u00eam estruturas tern\u00e1rias, trinit\u00e1rias ou coisas do g\u00eanero? Mas n\u00e3o faziam religi\u00f5es utilizando o computador, de modo algum, era tudo gente de bem, que varriam com vassouras mesmo, e todas essas estruturas tern\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o um mist\u00e9rio, s\u00e3o a narrativa daquilo que voc\u00ea faz e do que eles faziam. Mas dois bra\u00e7os e duas pernas fazem quatro, e eis que quatro \u00e9 igualmente um belo n\u00famero, principalmente quando se pensa que os animais t\u00eam quatro patas e de quatro \u00e9 que andam as crian\u00e7as pequenas, como bem sabia a Esfinge. Cinco n\u00e3o falemos disso, s\u00e3o os dedos da m\u00e3o, e com as duas m\u00e3os tens aquele n\u00famero sagrado que \u00e9 o dez, e por for\u00e7a s\u00e3o dez at\u00e9 mesmo os mandamentos, por outro lado se fossem doze, quando o padre diz um, dois, tr\u00eas e mostra os dedos, para chegar aos dois \u00faltimos tinha que pedir emprestado a m\u00e3o do sacrist\u00e3o. Agora toma o corpo e conta todas as coisas que despontam do tronco, bra\u00e7os e pernas, cabe\u00e7a e p\u00eanis s\u00e3o seis, mas para a mulher s\u00e3o sete, por isso me parece que entre os seus autores o n\u00famero seis nunca foi tomado a s\u00e9rio sen\u00e3o como o dobro de tr\u00eas, porque funciona s\u00f3 para os machos, os quais n\u00e3o t\u00eam nada sete, e como eles \u00e9 que mandam preferem v\u00ea-lo como n\u00famero sagrado, esquecendo-se que tamb\u00e9m as minhas tetas despontam para fora, mas paci\u00eancia. Oito \u2014 meu deus, n\u00e3o temos nenhum oito\u2026 n\u00e3o, espere, se n\u00e3o contarmos bra\u00e7os e pernas como um, mas como dois, por causa dos cotovelos e dos joelhos, temos oito grandes ossos longos que balan\u00e7am para fora, e tome estes oito e mais o tronco e tens nove, e se puder mete a\u00ed tamb\u00e9m a cabe\u00e7a e temos dez. E sempre girando em torno consegue-se arrancar todos os n\u00fameros que quisermos, pense nos buracos\u2026&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nos buracos?&#8221;<br>&#8220;Sim, quantos buracos tem o corpo?&#8221;<br>&#8220;Bem&#8221;, comecei a contar. &#8220;Olhos, narinas, orelhas, boca, cu, oito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Est\u00e1 vendo? Outra regi\u00e3o em que o oito \u00e9 um belo n\u00famero. Mas eu tenho nove! E com o nono fa\u00e7o vir ao mundo, e eis por que o nove \u00e9 mais divino que o oito!&#8221; &#8211; Umberto Eco, O P\u00eandulo de Foucault.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os naipes nos dizem \u00e0s \u00e1reas correspondentes: vontade, emo\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o, quest\u00f5es da vida cotidiana ou bens materiais\u2026<br>Enquanto ferramentas m\u00e1gicas, de forma bastante gen\u00e9rica podemos descrever as armas e naipes de acordo com o seguinte grau de desenvolvimento:<br><strong>Arma &#8211; Bast\u00e3o Naipe &#8211; Paus ou Bast\u00f5es = <\/strong>A capacidade onipotente de criar ou fazer qualquer coisa;<br><strong>Arma &#8211; C\u00e1lice &#8211; Naipe &#8211; Copas =<\/strong> Conhecimento onisciente e compreens\u00e3o de todas as coisas ao longo de todos os tempos;<br><strong>Arma &#8211; Espada Naipe &#8211; Espadas =<\/strong> Onipresente presen\u00e7a em todas as coisas e todos os tempos;<br><strong>Arma &#8211; Pant\u00e1culo Naipe &#8211; Pant\u00e1culos, Discos ou Ouros = <\/strong>Eterno, atemporal, sem limites.<br>Ou seja, de acordo com o Tarot, em n\u00edvel espiritual buscamos chegar a ser: \u201cOnipotentes, Oniscientes, Onipresentes e Eternos\u201d.<br>Ver tudo isso arrumado sobre uma mesa \u00e9 f\u00e1cil. Pelas pr\u00f3prias cores nas cartas, somos capazes de ver de cima o fluxo da energia correndo entre as cartas\u2026 \u00c9 s\u00f3 espalhar o Tarot sobre a mesa ordenadamente, naipe por naipe e as cores fazem um mapa da energia (Qi, Mana, Prana, Hekau). A Golden Dawn desenvolveu o Hodos Chamaelonis e Crowley o ampliou chegando ao Liber 777, onde as cores possuem aplica\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas. Por exemplo: na Golden Dawn havia uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios chamados de \u201cTabelas Ofuscantes\u201d, onde se combinavam cores organizadas de acordo com a cor complementar de cada uma delas, para levar a mente a estados alterados de consci\u00eancia, e algo disso \u00e9 proposto no Tarot da Golden Dawn e no Tarot de Thoth igualmente. Esta \u00e9 certamente uma ideia que vale expandir em termos de pesquisa: em como as cores destes Tarots podem influenciar na leitura, interpreta\u00e7\u00e3o ou mesmo na medita\u00e7\u00e3o e uso ritual\u00edstico das l\u00e2minas.<br>Vivemos num mundo formado por energias que est\u00e3o constantemente em movimento, desde a menor at\u00e9 a maior parte. Tudo vibra, tudo est\u00e1 em eterna mudan\u00e7a, \u00e9 o eterno fluxo e refluxo do Tao e tamb\u00e9m do Kybalion. Os povos antigos perceberam esse movimento, e deram a ele v\u00e1rios nomes, dependendo de como essa cultura percebia a energia.<br>Os Eg\u00edpcios usavam o termo Hekau para designar esse poder e por vezes o termo Mana. Os Hindus chamam-na de Prana, e os Chineses chamam-na de Qi. Tudo no universo \u00e9 formado por essas energias primordiais. Desde a menor parte do \u00e1tomo, o homem, o ar e o planeta tudo \u00e9 formado por essa energia. Algumas culturas possuem subdivis\u00f5es dessa energia, mas no nosso caso, vamos trat\u00e1-la apenas no termo geral, que ser\u00e1 o suficiente. Tudo no universo interage a esse eterno movimento. Aquilo que n\u00e3o age nem reage est\u00e1 morto. No budismo, cuja \u00fanica constante \u00e9 a imperman\u00eancia, a imobilidade significa a extin\u00e7\u00e3o absoluta.<br>Mas como pode ser constatado por certos modelos da F\u00edsica atual, como a Termodin\u00e2mica, a quantidade de energia no universo n\u00e3o aumenta nem diminui, de onde podemos concluir que mesmo a morte \u00e9 uma ilus\u00e3o. Portanto, j\u00e1 que a morte \u00e9 uma ilus\u00e3o, deduzimos ent\u00e3o que a imobilidade tamb\u00e9m n\u00e3o existe. E uma vez que tudo est\u00e1 em eterno movimento, indo de um lado para o outro, esse movimento pode ser percebido desde que usemos os instrumentos adequados. Existem instrumentos para medir a velocidade, a quantidade das coisas, o peso, e o tamanho. B\u00fassolas, compassos, r\u00e9guas, temos medidas para quase tudo, at\u00e9 mesmo para a parte mais sutil dessa energia, como os p\u00eandulos, as Runas, o I Ching (Livro das Muta\u00e7\u00f5es do Qi), e o que \u00e9 atualmente nosso objeto de estudo, o Tarot.<br>\u00c0s vezes vem \u00e0 mente a conversa entre Arjuna e Krishna, poucos instantes antes da batalha entre os irm\u00e3os, que nos faz refletir sobre o que \u00e9 estar morto e se \u00e9 realmente poss\u00edvel morrer:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><br>&#8220;Sou tudo o que tu pensas. Tudo o que tu dizes. Tudo est\u00e1 em mim, como p\u00e9rolas num colar. Sou o cheiro da terra e o calor do fogo. Sou a apari\u00e7\u00e3o e o desaparecimento. Sou a isca do ca\u00e7ador. Sou o brilho de tudo que brilha. Sou o tempo que envelheceu. Todos os seres caem dentro da noite e s\u00e3o trazidos \u00e0 luz do dia. J\u00e1 derrotei todos esses inimigos. Mas quem acha que pode matar e quem acha que pode ser morto, est\u00e3o ambos enganados. Nenhuma arma pode tirar sua vida. Nenhum fogo pode queim\u00e1-la. Nenhuma \u00e1gua pode inund\u00e1-la. Nenhum vento pode sec\u00e1-la. N\u00e3o temas\u2026 Levanta-te, porque te amo. Agora podes dominar teu esp\u00edrito misterioso e incompreens\u00edvel. Podes ver seu outro lado. Aja como tens de agir. Eu mesmo ajo sempre. Levanta-te.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><br>Sabe-se h\u00e1 muito tempo que existem influ\u00eancias invis\u00edveis, mas n\u00e3o impercept\u00edveis que agem ao nosso redor. Jung chama de sincronicidade esse \u201ccaptar\u201d energias e aplicou com sucesso sua teoria envolvendo o I Ching. Sincronicidade pode ser definida como a ocorr\u00eancia simult\u00e2nea de dois eventos. \u201cOu seja, numa velocidade superior \u00e0 da energia eletromagn\u00e9tica, como eu pensar em algu\u00e9m na mesma hora em que esse algu\u00e9m pensa em mim, ou meu cachorro saber o momento exato em que decido voltar para casa (uma interconex\u00e3o no universo, que atravessa o continuum espa\u00e7o-tempo de Einstein, superando a velocidade da luz e utilizando-se de campos sutis indetect\u00e1veis, n\u00e3o-f\u00edsicos, n\u00e3o-locais, n\u00e3o-lineares)\u201d. \u2013 Jomar Morais.<br>Agora pensem o seguinte: No seu dia-a-dia, as coisas ocorrem ordenadamente? Obviamente, n\u00e3o. E \u00e9 por isso que embaralhamos o Tarot, para simular as energias desordenadas do dia-a-dia que n\u00e3o podemos controlar e que bagun\u00e7am a nossa ordem interna.<br>De tempos em tempos ordenar as cartas zerando o hod\u00f4metro do Tarot. Voc\u00ea pega as cartas e coloca de novo na ordem. Voc\u00ea coloca seu Tarot indo do louco ao universo, dos ases aos 10\u2026<br>Agora uma reflex\u00e3o: se voc\u00ea pode facilmente ordenar o Tarot, porque n\u00e3o pode ordenar a vida sequencialmente? Pois o Tarot n\u00e3o reflete os padr\u00f5es do mundo? Se o mundo influencia o Tarot, pode o Tarot influenciar o mundo? Poder pode, mas como se faz?<br>Poder n\u00e3o quer dizer que seja o ideal, pois o Tarot indica sempre movimento. Zerar o Tarot, orden\u00e1-lo e manter esse arranjo, \u00e9 gerar estagna\u00e7\u00e3o, \u00e9 morrer. Logo, voc\u00ea pode ordenar por um tempo, mas se houver VIDA ali dentro, rapidamente ele vai novamente se re-ordenar\u2026 Logo, o que o magista precisa realmente fazer, n\u00e3o \u00e9 ordenar o Tarot, \u00e9 descobrir o ritmo e a sequ\u00eancia ideal para si mesmo. \u00c9 como embaralhar as cartas a seu favor\u2026 Algo como\u2026 Roubar no jogo! O magista deve sempre dispor as cartas da melhor maneira poss\u00edvel, que permita o fluxo de energia, pois sabe que parar ou bloquear o fluxo \u00e9 morrer.<br>Dessa forma, voc\u00ea v\u00ea que o Tarot se encaixa na defini\u00e7\u00e3o de magia: \u201cMagia \u00e9 a Arte ou Ci\u00eancia de causar mudan\u00e7as de acordo com a Vontade.\u201d &#8211; Aleister Crowley.<br>Dentro do sistema m\u00e1gico adotado e praticado pela Golden Dawn, o Tarot possu\u00eda lugar de destaque. A ordem tinha forte influ\u00eancia do rosacrucianismo, e segundo os antigos manifestos rosacruzes, seu m\u00edtico fundador, Christian Rosenkreuz fora enterrado em uma tumba e com ele um misterioso livro chamado Liber Mundi (ou Livro do Mundo), um volume que continha todo conhecimento produzido pela humanidade. Talvez nos pare\u00e7a hoje um conto de fadas, mas a Golden Dawn postula que talvez esse misterioso livro fosse o Tarot, um livro de apenas 78 l\u00e2minas, capaz de conter em si, todo conhecimento sagrado (divino) e humano. Como dizem as lendas relativas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Tarot: \u201cAquele que tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir\u201d, conseguir\u00e1 extrair conhecimento daquelas l\u00e2minas.<br>Nesta perspectiva, retomamos o Tarot como grande grim\u00f3rio ou receitu\u00e1rio m\u00e1gico, que n\u00e3o apenas reflete o mundo, mas revela os seus segredos mais \u00edntimos, e cont\u00e9m mist\u00e9rios inimagin\u00e1veis sobre deuses e dem\u00f4nios, sobre a hist\u00f3ria humana e como ela se desenvolveu ao longo do tempo. O magista deve portanto durante seu processo de aprendizado, aprender a decifrar esses segredos, e incorpor\u00e1-los na sua vida di\u00e1ria. Fazendo isso, ser\u00e1 n\u00e3o apenas um mestre de si mesmo, mas tamb\u00e9m um mestre do mundo ao seu redor e das energias que o cercam.<br>Diversas ordens alinhadas com o pensamento oriundo da Golden Dawn utilizam o Tarot como uma ferramenta de auto-desenvolvimento e percep\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es do mundo. O pr\u00f3prio CIH (C\u00edrculo Inici\u00e1tico de Hermes) se utiliza do Tarot em sua estrutura, e para demonstrar como o fazemos de forma pr\u00e1tica, segue-se aqui um extrato do Manifesto do C\u00edrculo Inici\u00e1tico de Hermes, que norteia nossas pr\u00e1ticas e nosso desenvolvimento, para que fique evidente ao estudante que o Tarot pode ser utilizado de forma pr\u00e1tica e real, sem distor\u00e7\u00f5es ou fantasias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Frater Goya (Anderson Rosa) Na magia tradicional, temos como armas m\u00e1gicas: o bast\u00e3o, o pant\u00e1culo, o c\u00e1lice ou copa e a espada, como armas elementares.Cada qual representa um elemento (Fogo, Ar, Terra e \u00c1gua) e o dom\u00ednio desse elemento espec\u00edfico. O Tarot \u00e9 a quinta arma m\u00e1gica (atribuindo-o ao Esp\u00edrito). Se com o Tarot &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=1587\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,27,11],"tags":[235,243,246,35,239,79,59,241],"class_list":["post-1587","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-graus","category-tarot","tag-abramelin","tag-astrologia","tag-enochiano","tag-frater-goya","tag-golden-dawn","tag-magia","tag-mcgregor-mathers","tag-tarot","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1587\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}