{"id":1510,"date":"2022-08-07T14:26:54","date_gmt":"2022-08-07T14:26:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1510"},"modified":"2022-08-07T19:11:35","modified_gmt":"2022-08-07T19:11:35","slug":"o-contexto-historico-para-o-surgimento-da-literatura-de-palacios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=1510","title":{"rendered":"O Contexto Hist\u00f3rico para o Surgimento da Literatura de Pal\u00e1cios"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Frater Melquisedeque<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"762\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot-1024x762.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1511\" srcset=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot-1024x762.jpeg 1024w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot-300x223.jpeg 300w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot-768x572.jpeg 768w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot-420x313.jpeg 420w, https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/chariot.jpeg 1045w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Matth%C3%A4us_Merian\">Matth\u00e4us Merian<\/a>&#8216;s engraving of&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ezekiel\">Ezekiel<\/a>&#8216;s vision (1670)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Disclaimer: as opini\u00f5es expressas n\u00e3o correspondem necessariamente \u00e0quelas do CIH, e s\u00e3o de responsabilidade do autor.<\/p>\n\n\n\n<p>25\/06\/22 &#8211; S\u00e1bado 9:26am&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sol em C\u00e2ncer 03\u00ba, Lua em Touro 24\u00ba &#8211; Minguante&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Faze o que tu queres h\u00e1 de ser o todo da Lei!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Contexto Hist\u00f3rico para o Surgimento da Literatura de Pal\u00e1cios<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEssas falsas implica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m permitem o reconhecimento de cadeias causais simples, por oposi\u00e7\u00e3o a redes complexas. Para Foucault, o enunciado \u2018A causou B no intervalo de tempo t1 &#8211;&nbsp;t2\u2019 \u00e9, no melhor dos casos, um enunciado incompleto. Ao inv\u00e9s disso, dever\u00edamos ter descri\u00e7\u00f5es de genealogias junto com a interpreta\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica dos monumentos: O movimento A pode ser interpretado como parte destas s\u00e9ries emergentes ao longo do tempo, legando esses limites e aberturas no presente.\u201d WILLIAMS 2013, p 165<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Juda\u00edsmo \u00e9 um sistema complexo de cren\u00e7as que n\u00e3o deve jamais ser entendido como um bloco \u00fanico e uniforme de preceitos, mas precisa ser analisado como um sistema din\u00e2mico, que vai se transmutando ao longo do tempo e das condi\u00e7\u00f5es sociais em que se manifesta. Essas modifica\u00e7\u00f5es alteram substancialmente as pr\u00e1ticas espirituais desse construto religioso, e v\u00e3o ter impacto n\u00e3o s\u00f3 para os pr\u00f3prios judeus, mas para os crist\u00e3os e at\u00e9 mesmo para os adeptos das tradi\u00e7\u00f5es esot\u00e9ricas ocidentais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse texto pretende tratar especificamente da emerg\u00eancia da Literatura de Pal\u00e1cios, explicitando o contexto hist\u00f3rico que propiciou seu surgimento. Essa literatura \u00e9 extremamente influente sobre o modo em que tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica ocidental se desenvolver\u00e1, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar na obra de John Dee ou no Livro de Abramelin, por exemplo, sem que se percebam os ecos da Literatura de Pal\u00e1cios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>JUDA\u00cdSMOS&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pensar na trajet\u00f3ria que leva \u00e0 Literatura de Pal\u00e1cios \u00e9 refletir sobre o trajeto teol\u00f3gico do juda\u00edsmo ao longo do per\u00edodo que perpassa a forma\u00e7\u00e3o dos reinos de Jud\u00e1 e Israel (s\u00e9culo X AEC), com o culto tribal e familiar, a constru\u00e7\u00e3o do primeiro templo, as reformas de Ezequias (s\u00e9culo VIII AEC) e Josias (s\u00e9culo VI AEC), o ex\u00edlio na Babil\u00f4nia (586 AEC), retorno \u00e0 terra e a constru\u00e7\u00e3o do segundo templo (516 AEC) com sua posterior destrui\u00e7\u00e3o do pelos romanos (70 EC). \u00c9 falar tamb\u00e9m sobre a di\u00e1spora e seu efeito sobre a espiritualidade e identidade de um povo &#8211; e sobre o modo que a dispers\u00e3o dos judeus modulou o entendimento do sentido dos escritos que esses receberam de seus antepassados. Estamos falando da influ\u00eancia cultural de v\u00e1rios povos sobre a sociedade que produziu a Torah, ao longo de muit\u00edssimos s\u00e9culos: eg\u00edpcios, caananitas, neo-ass\u00edrios, neo-babil\u00f4nios, gregos, etc.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo desse tempo, a pr\u00e1tica religiosa e espiritual dos judeus (antes apenas hebreus, e depois israelitas ou juda\u00edtas) foi se amalgamando a partir de um polite\u00edsmo (cren\u00e7a em v\u00e1rios deuses) sincr\u00e9tico que espelhava desde suas origens o pante\u00e3o ugar\u00edtico (MOURA 2016, CARDOSO 2020), para uma monolatria (h\u00e1 v\u00e1rios deuses, mas s\u00f3 h\u00e1 o culto a um) (WHEELER, SITALI 2014), para finalmente o estabelecimento de um monote\u00edsmo, j\u00e1 tardiamente e posterior ao retorno do cativeiro da Babil\u00f4nia (SITALI 2014), como uma rea\u00e7\u00e3o ao contato com o Zoroastrismo (APINIS 2010).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado disso, a rela\u00e7\u00e3o do povo com o(s) seu(s) deus(es) foi ficando cada vez mais restrita e regulada por uma institucionalidade. De um culto familiar para templos regionais \u2013 posteriormente destru\u00eddos por Senacherib ou por Josias, at\u00e9 se estabelecer praticamente uma exclusividade do culto focado no templo de Jerusal\u00e9m &#8211; apesar de haver a todo tempo correntes dissonantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>FARISEUS&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com fort\u00edssima influ\u00eancia do Zoroastrismo, estabeleceu-se a corrente dos Fariseus, que acabou se tornando hegem\u00f4nica politicamente e que veio a dar origem ao que entendemos como juda\u00edsmo rab\u00ednico hoje em dia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, apenas uma elite econ\u00f4mica, social e intelectual foi exilada na Babil\u00f4nia por Nabucodonosor. O restante da popula\u00e7\u00e3o do povo da terra (naquele momento apenas o reino de Jud\u00e1) manteve as pr\u00e1ticas de sua tradi\u00e7\u00e3o. Estabeleceu-se assim, uma tens\u00e3o entre uma corrente religiosa mais elitizada e a pr\u00e1tica religiosa mais popular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00e3o apenas a separa\u00e7\u00e3o social foi sendo depurada com a deporta\u00e7\u00e3o, mas agora um novo tipo de separa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser estabelecida: a separa\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. Os deportados haviam ficado bastante tempo no conv\u00edvio com outras na\u00e7\u00f5es. Concep\u00e7\u00f5es sobre pureza ritual come\u00e7aram a ficar cada vez mais refinadas na mente deste grupo.\u201d (MARIANNO 2007 p. 65)&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A influ\u00eancia do Zoroastrismo tamb\u00e9m passa a ser crucial teologicamente, modificando o entendimento do p\u00f3s-morte, com a gradual incorpora\u00e7\u00e3o de entidades que viriam a ser estabelecidas na metaf\u00edsica da cultura judaica como anjos e dem\u00f4nios. Esse seria o juda\u00edsmo apocal\u00edptico que aparece na boca de Jesus nos evangelhos; Jesus era judeu, e seu juda\u00edsmo aderia \u00e0 luta do bem contra o mal em uma guerra, e a vit\u00f3ria do bem no fim dos tempos. Somente muito mais tarde \u00e9 que o cristianismo deixa de ser entendido como uma seita do juda\u00edsmo e passa a ser uma religi\u00e3o separada. A transforma\u00e7\u00e3o do Sheol (mundo dos mortos) judaico e a evolu\u00e7\u00e3o do entendimento de Satan na cultura judaica, assim como a ideia de um julgamento p\u00f3s-morte individual e uma ressurei\u00e7\u00e3o dos mortos, s\u00e3o todos conceitos oriundos do Zoroastrismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CONSOLIDA\u00c7\u00c3O DA IMPORT\u00c2NCIA DO TEMPLO&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, o texto b\u00edblico traz diversas camadas que apontam para tais mudan\u00e7as conceituais e para tens\u00f5es entre diferentes ideologias. A no\u00e7\u00e3o de que o nome de Deus n\u00e3o deve ser utilizado a n\u00e3o ser para o culto no templo tem como consequ\u00eancia objetiva uma impossibilidade da manuten\u00e7\u00e3o do culto familiar. Apesar de considerar-se que h\u00e1 exageros no texto b\u00edblico (MOURA 2014), II Reis 23, 1-20 reflete uma base hist\u00f3rica para a centraliza\u00e7\u00e3o do culto a Jav\u00e9 e a elimina\u00e7\u00e3o dos outros deuses e de outros locais de culto. A cria\u00e7\u00e3o do conceito de pureza (MARIANNO 2007) tamb\u00e9m direciona o culto para o templo em Jerusal\u00e9m. \u00c9 pelo sacrif\u00edcio do templo que o pecado \u00e9 expiado e a pureza, re-estabelecida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, houve cada vez mais concentra\u00e7\u00e3o do poder hegem\u00f4nico no templo de Jerusal\u00e9m, e sua destrui\u00e7\u00e3o pelos romanos em 70 CE apresenta um problema teol\u00f3gico bastante dif\u00edcil: se o templo \u00e9 a \u00fanica ponte de comunica\u00e7\u00e3o com o Divino, como \u00e9 poss\u00edvel acess\u00e1-lo quando o templo deixa de existir?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CONTRUINDO NOVAS PONTES&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Buscando responder a essa lacuna deixada na pr\u00e1xis espiritual e ritual\u00edstica, a consolida\u00e7\u00e3o das sinagogas e yeshivot (escolas de forma\u00e7\u00e3o do rabinato), come\u00e7a a fortalecer duas pr\u00e1ticas de naturezas opostas e complementares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, o juda\u00edsmo rab\u00ednico acaba focando em um primeiro momento, durante o per\u00edodo Tana\u00edta (ano 30 EC a 200 EC), nas quest\u00f5es que dizem respeito ao dia-a-dia e \u00e0s quest\u00f5es pragm\u00e1ticas do juda\u00edsmo. \u00c9 apenas posteriormente que a literatura rab\u00ednica vai se debru\u00e7ar mais detidamente sobre&nbsp;quest\u00f5es mais metaf\u00edsicas, j\u00e1 no per\u00edodo Amora\u00edta (ano 200 EC a 500 EC).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, resgatando especialmente a vis\u00e3o de Ezequiel &#8211; que remonta ainda ao per\u00edodo da conquista de Jerusal\u00e9m pelo imp\u00e9rio Neo-babil\u00f4nico (587 BCE), a l\u00f3gica de um segundo grupo de pessoas foi a de tentar criar um ve\u00edculo espiritual (carruagem) que pudesse levar os buscadores at\u00e9 os Pal\u00e1cios Celestiais. Nesse sentido, buscava-se uma abordagem de baixo para cima; j\u00e1 que n\u00e3o havia mais a casa da Divindade na terra, entendeu-se a necessidade de ir diretamente aos Pal\u00e1cios Divinos para encontrar o contato com a Divindade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que essa abordagem estivesse menos ligada com o pensamento rab\u00ednico, especula-se que houve alguma participa\u00e7\u00e3o da elite das escolas de forma\u00e7\u00e3o para a elabora\u00e7\u00e3o da literatura, pois h\u00e1 evid\u00eancias de erudi\u00e7\u00e3o na estil\u00edstica e no dom\u00ednio das escrituras. Naiweld 2012 aponta para esse fato e apresenta a hip\u00f3tese de que tal literatura \u00e9 fruto dos escribas \u2013 que participavam da elite intelectual, mas n\u00e3o possu\u00edam o mesmo status dos rabinos, em uma tentativa de oferecer recursos pedag\u00f3gicos ao povo mais simples, e que posteriormente acabou ganhando uma leitura menos aleg\u00f3rica e mais teol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>DA DISSID\u00caNCIA AO AN\u00c1TEMA&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Literatura de Pal\u00e1cios apresenta diversos conceitos que expandem e enriquecem o entendimento do mundo espiritual, como por exemplo os diferentes n\u00edveis do mundo espiritual e seus respectivos anjos. Curioso novamente apontar que encontramos ecos dessa ideologia no cristianismo primitivo, como por exemplo em Paulo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cToda essa longa digress\u00e3o a respeito da m\u00edstica judaica \u00e9 importante para indicar um dos contextos no qual se deram as experi\u00eancias ext\u00e1ticas do protocristianismo. Esse fen\u00f4meno m\u00edstico e vision\u00e1rio mais ligado ao juda\u00edsmo foi assimilado e reelaborado pelas comunidades protocrist\u00e3s.\u201d (CARNEIRO 2021 p. 11)&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, h\u00e1 diversos momentos em que a literatura explica ou complexifica pontos de doutrina que j\u00e1 eram existentes. Entretanto, em outros, h\u00e1 uma cis\u00e3o t\u00e3o brutal com a ortodoxia que j\u00e1 estava se consolidando, em que os relatos acabam entrando em conflito com o texto can\u00f4nico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses casos \u00e9 a ideia apresentada no Shi\u2019ur Qomah, em que temos descri\u00e7\u00f5es da figura de Deus, descrevendo o comprimento das partes do corpo divino. Diversas passagens da escritura advertem para que n\u00e3o seja feita imagem do Criador, como em Isa\u00edas 40:25. &#8220;&#8221;Com quem voc\u00eas v\u00e3o me comparar? Quem se assemelha a mim?&#8221;, pergunta o Santo. Dessa forma, a vis\u00e3o que se estabelece como dominante no juda\u00edsmo &#8211; de que o Criador estaria al\u00e9m de qualquer representa\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 violada no Shi\u2019ur Qomah.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto curioso \u00e9 a saga de transforma\u00e7\u00e3o tanto de Enoque quanto de Elias em anjos, e a possibilidade de isso ser realiz\u00e1vel ao tamb\u00e9m ao justo. Essa corrente de pensamento acabou por postular a exist\u00eancia de uma entidade menor, chamada no Sepher Hekhalot (Enoque 3) de YHVH ha-qatan, ou Pequeno Jav\u00e9, que seria uma esp\u00e9cie de regente da cria\u00e7\u00e3o sob os ausp\u00edcios do YHVH ha-gadol, ou Grande Jav\u00e9: inferior, mas ainda com caracter\u00edsticas celestiais. Talvez essa tenha sido a inspira\u00e7\u00e3o para o estabelecimento do dogma crist\u00e3o da divindade de Jesus, estabelecido pelos patriarcas da igreja, como Ign\u00e1cio de Antioquia. Vale observar que, se esse for o caso, a Literatura de Pal\u00e1cios precisa estar estabelecida, ao menos oralmente, no primeiro s\u00e9culo da Era Crist\u00e3 (Era Comum), visto que Ign\u00e1cio \u00e9 morre no in\u00edcio do segundo s\u00e9culo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer maneira, esse tipo de especula\u00e7\u00e3o sobre um regente divino menor para a cria\u00e7\u00e3o entra em conflito com a ideia monote\u00edsta do juda\u00edsmo p\u00f3s-ex\u00edlico na forma em&nbsp;que chega at\u00e9 nossos dias na ora\u00e7\u00e3o do Shemah (Deuteron\u00f4mio 6:4-9).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo deste texto \u00e9 apresentar o contexto hist\u00f3rico para o surgimento da Literatura de Pal\u00e1cios, mostrando a import\u00e2ncia crucial da destrui\u00e7\u00e3o do Segundo Templo para a consolida\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo rab\u00ednico e para a busca por formas de conex\u00e3o com o Divino mediante a impossibilidade do m\u00e9todo at\u00e9 ent\u00e3o utilizado (por via do templo).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Dee e do Abramelin, \u00e9 infind\u00e1vel o n\u00famero de trabalhos que devem sua fundamenta\u00e7\u00e3o direta ou indiretamente \u00e0 especula\u00e7\u00e3o sobre o mundo superior e os anjos conforme explorado na Literatura de Pal\u00e1cios, tais como o Ars Paulina e o Ars Not\u00f3ria ou os trabalhos de Agrippa e at\u00e9 mesmo Ficino! \u00c9 importante notar que antes da Literatura de Pal\u00e1cios, houve outros escritos que elaboraram a tem\u00e1tica, como os encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto, mas o impacto dos relatos da jornada pelos pal\u00e1cios divinos \u00e9 algo que permanecer\u00e1 solidamente na m\u00edstica judaica at\u00e9 os nossos dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, conhecer a Literatura de Pal\u00e1cios, mais do que apenas um estudo da Hist\u00f3ria das Ideias que resultaram no Juda\u00edsmo, Cristianismo e Ocultismo contempor\u00e2neos, \u00e9 um exerc\u00edcio da Arqueologia do Saber foucaultiana que aponta para as descontinuidades do conhecimento e para o desafio que se levanta para que o buscador entenda a parcialidade de tudo que julga saber. \u00c9 um convite \u00e0 humildade intelectual de perceber modos distintos de encarar a complexidade do fen\u00f4meno da espiritualidade humana, e tentar desnudar os fundamentos das pr\u00e1ticas que utilizamos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>APINIS, V. (2010). <strong>Zoroastrian Influence upon Jewish Afterlife: Hell punishments in Arda Wiraz and Medieval Visionary Midrashim<\/strong>. Recuperado de <a href=\"https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/71753711.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/71753711.pdf<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CARDOSO, S. K. (2020). <strong>The Goddesses and Gods of Saul<\/strong>. Revista Pistis Praxis, 12(2). Recuperado de <a href=\"https:\/\/periodicos.pucpr.br\/pistispraxis\/article\/view\/26931\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/periodicos.pucpr.br\/pistispraxis\/article\/view\/26931<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CARNEIRO, M. S. (2021). <strong>Magia, Experi\u00eancias Ext\u00e1ticas e a Dimens\u00e3o Popular do Protocristianismo<\/strong>. Revista Caminhando v. 26. Recuperado de <a href=\"https:\/\/www.metodista.br\/revistas\/revistas-metodista\/index.php\/Caminhando\/issue\/view\/576\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.metodista.br\/revistas\/revistas-metodista\/index.php\/Caminhando\/issue\/view\/576<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>LEITH, J. W. (2020). <strong>New Perspectives on the Return from Exile and Persian-Period Yehud<\/strong>. In: The Oxford Handbook of the Historical Books of the Hebrew Bible. Edited by Brad E. Kelle and Brent A. Strawn. Recuperado de <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/44472311\/New_Perspectives_on_the_Return_from_Exile_and_Per_sian_Period_Yehud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.academia.edu\/44472311\/New_Perspectives_on_the_Return_from_Exile_and_Per_sian_Period_Yehud<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MARIANNO, L. D. (2007) <strong>A Amea\u00e7a que vem de dentro: um estudo sobre as rela\u00e7\u00f5es entre juda\u00edtas e estrangeiros no p\u00f3s-ex\u00edlio em perspectiva de g\u00eanero<\/strong>. 2007. 183 f. Disserta\u00e7\u00e3o Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Bernardo do Campo. Recuperado de <a href=\"http:\/\/tede.metodista.br\/jspui\/handle\/tede\/424\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/tede.metodista.br\/jspui\/handle\/tede\/424<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MOURA, R. L. (2014). <strong>Levitas e sacerdotes: conflitos e busca do controle no templo na cidade de Jerusal\u00e9m nos s\u00e9culos VII\/V AEC<\/strong>. Revista Nures. Ano X, n. 28. Recuperado de <a href=\"https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/nures\/article\/view\/27432\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/nures\/article\/view\/27432<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MOURA, R. L. (2016). <strong>A Cidade de Ugarit. Contribui\u00e7\u00f5es para o Estudo da Religi\u00e3o do Antigo Israel<\/strong>. Revista Nures. Ano XII, n. 32. Recuperado de <a href=\"https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/nures\/article\/view\/28747\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/nures\/article\/view\/28747<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naiweld, Ron &#8211; <strong>Le Mythe<\/strong><strong> \u00e0 <\/strong><strong>L&#8217;usage de la Rabbinisation: La tradition de Sar ha-Torah dans son contexte historique et social<\/strong>. Recuperado de <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/2626889\/LE_MYTHE_%C3%80_L_USAGE_DE_LA_RABBINISATION_La_tradition_de_Sar_ha_Torah_dans_son_contexte_historique_et_social\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.academia.edu\/2626889\/LE_MYTHE_%C3%80_L_USAGE_DE_LA_RABBINISATION_La_tradition_de_Sar_ha_Torah_dans_son_contexte_historique_et_social<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>NOGUEIRA, S. M. S. (2011). <strong>Viagens Celestiais da Apocal\u00edptica \u00e0 Literatura de Hekhalot<\/strong>. Revista Oracula. v.7 n. 12. Recuperado de <a href=\"https:\/\/docplayer.com.br\/23425761-Viagens-celestiais-da-apocaliptica-a-literatura-hekhalot-sebastiana-maria-silva-nogueira.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/docplayer.com.br\/23425761-Viagens-celestiais-da-apocaliptica-a-literatura-hekhalot-sebastiana-maria-silva-nogueira.html<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>SITALY, A. S. (2014). <strong>Jewish Monotheism: the Exclusivity of Yahweh in Persian Period Yehud (539-333 BCE).<\/strong> Recuperado de <a href=\"https:\/\/www.twu.ca\/sites\/default\/files\/266698_pdf_257524_eafddefa-af12-11e3-a68d-7f522e1ba5b1_sitali_a.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.twu.ca\/sites\/default\/files\/266698_pdf_257524_eafddefa-af12-11e3-a68d-7f522e1ba5b1_sitali_a.pdf<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>WHEELER, S. <strong>Origins of Israelite Monolatry<\/strong>. Recuperado de <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/14498153\/Origins_of_Israelite_Monolatry\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.academia.edu\/14498153\/Origins_of_Israelite_Monolatry<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>WILLIAMS, J. <strong>P\u00f3s-estruturalismo<\/strong>. 2013. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes. ISBN 978-85-326-4409-1&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Frater Melquisedeque Disclaimer: as opini\u00f5es expressas n\u00e3o correspondem necessariamente \u00e0quelas do CIH, e s\u00e3o de responsabilidade do autor. 25\/06\/22 &#8211; S\u00e1bado 9:26am&nbsp; Sol em C\u00e2ncer 03\u00ba, Lua em Touro 24\u00ba &#8211; Minguante&nbsp; Faze o que tu queres h\u00e1 de ser o todo da Lei!&nbsp; O Contexto Hist\u00f3rico para o Surgimento da Literatura de Pal\u00e1cios&nbsp; &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=1510\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5732,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,13,14,5],"tags":[353,355,354],"class_list":["post-1510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-historia","category-mitologia","category-qabalah","tag-hekhalot","tag-qabbalah","tag-sar-torah","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5732"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1510\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}