{"id":100,"date":"2012-02-03T17:02:27","date_gmt":"2012-02-03T17:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/cih.org.br\/?p=100"},"modified":"2012-02-03T17:02:27","modified_gmt":"2012-02-03T17:02:27","slug":"grecia-oraculo-de-delfos-o-umbigo-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cih.org.br\/?p=100","title":{"rendered":"Gr\u00e9cia &#8211; Or\u00e1culo de Delfos: o umbigo do mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/educaterra.terra.com.br\/educacao\/\">Terra Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><!--StartFragment -->\u00a0Durante mais de 15 s\u00e9culos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o Or\u00e1culo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local onde os peregrinos vindos das mais diversas latitudes do mundo hel\u00eanico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual o seu destino, da sua fam\u00edlia ou da sua p\u00e1tria. Delfos tornou-se um dos lugares sagrados mais venerados pelos gregos, sendo que suas previs\u00f5es e predi\u00e7\u00f5es tiveram enorme repercuss\u00e3o nos destinos de reis, de tiranos e de muita outra gente famosa daqueles tempos.<\/p>\n<p><!--StartFragment -->\u00a0<strong>A lenda do or\u00e1culo de Delfos<!--M_SUBTITULO2--> <\/strong><\/p>\n<p><!--M_TEXTO2-->Querendo medir com exatid\u00e3o o centro do mundo, Zeus fez com que duas \u00e1guias fossem soltas de lugares opostos da terra. Quando o v\u00f4o das duas se cruzou, ali bem embaixo o todo-poderoso determinou ser o local \u2013 uma pedra situada nas cercanias do monte Parnaso &#8211; do \u00f4nfalos, o umbigo do mundo. Anunciou ent\u00e3o a todos que dali ele entraria em contato com quem desejasse fazer-lhe consultas ou pedir-lhe orienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a regi\u00e3o era dominada pela monstruosa P\u00edton, uma cobra gigantesca que espantava qualquer possibilidade de aproxima\u00e7\u00e3o. Coube ent\u00e3o a Apolo oferecer-se para enfrentar a serpente, representante das for\u00e7as primitivas e irracionais, derrotando-a num formid\u00e1vel combate. O deus vitorioso sepultou os restos do of\u00eddio monstruoso exatamente embaixo do solo em que se ergueu o templo de Delfos, no golfo de Corinto, local em que as mensagens de Zeus, por interm\u00e9dio de Apolo, chegariam aos interessados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/delfos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-101\" title=\"delfos\" src=\"https:\/\/cih.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/delfos.jpg\" alt=\"&quot;O templo de Delfos (reconstru\u00e7\u00e3o)&quot;\" width=\"261\" height=\"165\" \/><\/a><\/p>\n<p><!--StartFragment --><strong>Or\u00e1culo de Delfos: o templo das previs\u00f5es<\/strong><!--M_TIT--><\/p>\n<p><!--StartFragment -->\u00a0Os peregrinos podiam desembarcar no pequeno porto de Kirrha ou ainda chegar por terra, seguindo uma via sacra que os conduzia para o alto, at\u00e9 \u00e0s portas do templo de Apolo. No caminho, eles deviam fazer suas liba\u00e7\u00f5es na fonte sagrada de Castalla, cujas \u00e1guas serviam para purific\u00e1-los antes que a entrevista fosse realizada. Encravada na rocha havia a seguinte frase: \u201cAo bom peregrino basta-lhe uma gota, ao mau, nem um oceano poderia lavar a sua mancha\u201d. Era preciso tamb\u00e9m realizar sacrif\u00edcios aos deuses, imolando um cordeiro ou de uma ave esganada e exposta \u00e0s brasas.<\/p>\n<p><!--M_TEXTO1-->Como a procura pelas previs\u00f5es era muita, marcar uma audi\u00eancia demorava um bom tempo, obrigando a que, com o passar dos anos, outras instala\u00e7\u00f5es fossem constru\u00eddas para abrigar os visitantes, formando um verdadeiro complexo de pequenos santu\u00e1rios, habita\u00e7\u00f5es e pousadas para acolher aquela gente toda. Como observara C\u00edcero (<em>De advinationes<\/em>), n\u00e3o havia povo ou corpo pol\u00edtico conhecido que pudesse dispensar os adivinhos, os ar\u00faspices ou os magos, para levar a diante as suas empreitadas. A quest\u00e3o para a qual se desejava uma orienta\u00e7\u00e3o era firmada numa tabuinha de argila e, em seguida, levada \u00e0 uma das sacerdotisas, chamadas de pitonisas (refer\u00eancia \u00e0 P\u00edton). Entendida a mensagem, ela recolhia-se para o interior do templo e, sentada num tr\u00edpode (um banco de tr\u00eas p\u00e9s) come\u00e7ava a aspirar os \u201cvapores divinos\u201d que emanavam das rachaduras abertas no ch\u00e3o.(*).<\/p>\n<p>Dava-se ent\u00e3o o momento do transe, quando a pitonisa, sob efeito do \u201cfumo sagrado\u201d, come\u00e7ava a dizer coisas sem nexo, palavras cifradas que aparentemente n\u00e3o tinham nenhum sentido, mas que eram religiosamente anotadas pelos sacerdotes. Esta linguagem cr\u00edptica, confusa e enigm\u00e1tica, ficou conhecida como \u201csibilina\u201d, talvez por ter sido associada a uma das pitonisas mais famosas chamada Sibila (nome adotado por v\u00e1rias outras sacerdotisas que a seguiram na fun\u00e7\u00e3o de serem as intermedi\u00e1rias entre Febo Apolo e os humanos).<\/p>\n<p>Como uma delas, certa ocasi\u00e3o, foi seq\u00fcestrada e violentada, adotou-se o princ\u00edpio de somente admitir mulheres maduras, de mais de cinq\u00fcenta anos e que n\u00e3o fossem atraentes, para n\u00e3o estimular mais tal tipo de brutalidade. N\u00e3o somente o n\u00famero de pitonisas aumentou, como igualmente abriram-se locais oraculares em outros s\u00edtios escavados nas rochas para poder, ainda que parcialmente, atender a infind\u00e1vel fila de peregrinos. \u00c9 bem poss\u00edvel que a mastiga\u00e7\u00e3o de folhas de louro por parte delas, para obter de imediato o transe necess\u00e1rio, fosse igualmente uma maneira mais r\u00e1pida delas satisfazerem a clientela que n\u00e3o parava de chegar vinda dos quatro cantos da H\u00e9lade.<\/p>\n<p>(*) O ge\u00f3logo americano Jelle Zellinga de Boer afirmou que a zona do monte Parnaso assenta-se sob uma fratura geol\u00f3gica subterr\u00e2nea da qual fluem gases hidrocarburetos e hidrossulf\u00faricos ( tais como metano e etano) que seriam os respons\u00e1veis pela revela\u00e7\u00f5es em transe das pitonisas.<!--M_TEXTO1--><\/p>\n<p><strong>Gl\u00f3ria e clausura<\/strong><!--M_SUBTITULO2--><\/p>\n<p><!--M_TEXTO2--> Estima-se que o or\u00e1culo de Delfos tenha come\u00e7ado a funcionar ao fim do segundo mil\u00eanio antes de Cristo, isto \u00e9, entre 1200-1100 a.C. , tornando-se c\u00e9lebre, entre tantas outras coisas, por ter previsto o fim do reino da L\u00eddia e eternizando-se para sempre na literatura ocidental ao ser citado na pe\u00e7a de S\u00f3focles \u201c\u00c9dipo Rei\u201d, quando informara ao personagem central de que ele \u201cmataria o pai e casaria com a pr\u00f3pria m\u00e3e\u201d. N\u00e3o houve grega ou grego famoso naqueles quase mil e quinhentos anos de pr\u00e1tica da vid\u00eancia, que n\u00e3o lhe fizesse uma visita, tentado averiguar que futuro os aguardava.<\/p>\n<p>Fazem parte da sua galeria ilustre uma boa quantidade de generais e conquistadores, inclusive os comandantes romanos que ocuparam a Gr\u00e9cia no s\u00e9culo II a.C. Consta que, depois da sua quase destrui\u00e7\u00e3o ocorrida no s\u00e9culo VI a.C., quando o templo foi reconstru\u00eddo com dota\u00e7\u00f5es pan-hel\u00eanicas, coube ao imperador Nero submeter o or\u00e1culo de Delfos e suas cercanias a um saque que lhe rendeu mais de 500 est\u00e1tuas levadas depois para Roma. O local foi fechado finalmente pelo imperador Teod\u00f3sio, em 385, por ocasi\u00e3o da sua campanha antipag\u00e3 , pois o cristianismo encaminhava-se para tornar-se a religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio Romano e via aquele espa\u00e7o oracular como um centro da supersti\u00e7\u00e3o a ser combatida.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Delfos j\u00e1 se encontrava em total decad\u00eancia bem antes de ser definitivamente enclausurado, naufragando com o decl\u00ednio do paganismo. Quando o iconoclasta imperador Juliano, o Ap\u00f3stata (331-363), mandou fazer uma consulta ao or\u00e1culo, dizem que a resposta enviada a ele pelos sacerdotes que ainda ali restavam foi: <em>\u201cDiga ao rei isso: o templo glorioso caiu em ru\u00ednas; Apolo j\u00e1 n\u00e3o tem um teto sobre a sua cabe\u00e7a; as folhas dos laur\u00e9is est\u00e3o silenciosas, as fontes e arroios prof\u00e9ticos est\u00e3o mortos.\u201d <\/em><\/p>\n<p><strong>Recomendamos a leitura de:<\/strong><br \/>\nMichael Wood \u2013 <span style=\"text-decoration: underline;\"><em>The road to Delphi: the life and afterlife of oracle<\/em><\/span> (Farrar Straus &amp; Giroux, 2003, 271 p\u00e1ginas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Terra Educa\u00e7\u00e3o \u00a0Durante mais de 15 s\u00e9culos, do nascimento ao fim da cultura grega antiga, o Or\u00e1culo de Delfos, ou templo de Apolo, serviu como local onde os peregrinos vindos das mais diversas latitudes do mundo hel\u00eanico consultavam as pitonisas, as sacerdotisas oraculares, para saber qual o seu destino, da sua fam\u00edlia ou da &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/cih.org.br\/?p=100\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9691,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mitologia","nodate","item-wrap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9691"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=100"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/100\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}